Novos Ventos – 03 de maio

V Domingo de Páscoa – Ano A
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto

Neste quinto Domingo da Páscoa o evangelista São João salienta dois pontos fundamentais para as comunidades cristãs; o primeiro consiste neste discurso que Jesus dirige aos seus discípulos: «Em casa de meu Pai há muitas moradas; se assim não fosse, Eu vos teria dito que vou preparar-vos um lugar?». Esta frase nos pode induzir a erros graves se não a soubermos interpretar dá a sensação de uma casa com diversas divisões ou compartimentos e que cada um será colocado em diversos espaços.

Mas será mesmo assim? Segundo os escritos de Santa Teresa de Ávila, podemos entender essas moradas como Santa Teresa define como «as moradas da alma». De facto, existem patamares que devemos escavar dentro de nós para encontrar o lugar mais «Puro da Alma». Se entendermos as coisas por este prisma, então compreenderemos que a frase pronunciada por Jesus tem sentido «Em casa de meu pai há muitas moradas», isto é, de facto cada um avança ao patamar que durante a vida foi vivendo de maior ou menor perfeição. Embora, possamos entrar no céu cada um terá mais próximo ou distante conforme preparou essa morada.

Num segundo ponto a expressão de Tomé: «Senhor, não sabemos para onde vais: como podemos conhecer o caminho?». Jesus responde a Tomé que Ele é o caminho que nos leva ao Pai, «ninguém vai ao Pai senão por Mim». Então, chegar ao Pai é seguir o caminho e os exemplos de Jesus, ou seja, o caminho percorrido por Jesus foi o caminho do «Amor», procurando «amar a todos», com amor puro e genuíno.

A leitura do livro dos Actos dos Apóstolos, apresenta-nos alguns traços que definem a Igreja de Jesus: é uma comunidade santa, embora formada por homens pecadores; é uma comunidade estruturada hierarquicamente, mas onde o serviço da autoridade é exercido no diálogo e na partilha; é uma comunidade de servidores, que recebem dons de Deus e que põem esses dons ao serviço dos irmãos; e é uma comunidade animada pelo Espírito, que vive do Espírito e que recebe do Espírito a força de ser testemunha de Jesus na história.

A leitura do Apóstolo São Pedro, apresenta a nova comunidade nascida de Jesus como um “templo espiritual”, do qual Cristo é a “pedra angular” e os cristãos as “pedras vivas”. Os que integram essa comunidade constituem um “povo sacerdotal”, cuja missão é oferecer a Deus o verdadeiro culto: uma vida vivida na obediência aos planos do Pai e no amor incondicional aos irmãos.

O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João, Jesus garante aos seus discípulos que nunca os abandonará e define o “caminho” que eles devem percorrer para chegarem à “casa do Pai”: é o mesmo “caminho” que Ele seguiu, o “caminho” da obediência a Deus e da doação total ao serviço dos irmãos. Os que acolhem esta proposta encontram a vida em plenitude e são acolhidos na família de Deus – a família do Pai, do Filho e do Espírito Santo.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Não se perturbe o vosso coração. Se acreditais em Deus, acreditai também em Mim. Em casa de meu Pai há muitas moradas; se assim não fosse, Eu vos teria dito que vou preparar-vos um lugar? Quando eu for preparar-vos um lugar, virei novamente para vos levar comigo, para que, onde Eu estou, estejais vós também. Para onde Eu vou, conheceis o caminho». Disse-Lhe Tomé: «Senhor, não sabemos para onde vais: como podemos conhecer o caminho?». Respondeu-lhe Jesus: «Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por Mim. Se Me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai. Mas desde agora já O conheceis e já O vistes». Disse-Lhe Filipe: «Senhor, mostra-nos o Pai e isto nos basta». Respondeu-lhe Jesus: «Há tanto tempo que estou convosco e não Me conheces, Filipe? Quem Me vê, vê o Pai. Como podes tu dizer: ‘Mostra-nos o Pai’? Não acreditas que Eu estou no Pai e o Pai está em Mim? As palavras que Eu vos digo, não as digo por Mim próprio; mas é o Pai, permanecendo em Mim, que faz as obras. Acreditai-Me: Eu estou no Pai e o Pai está em Mim; acreditai ao menos pelas minhas obras. Em verdade, em verdade vos digo: quem acredita em Mim fará também as obras que Eu faço e fará obras ainda maiores, porque Eu vou para o Pai». Palavra da Salvação


Palavra de vida (Maio 2026)

«Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo» (Jo 20,21-22)

Depois de ter aparecido a Maria de Magdala na manhã de Páscoa, na tarde do mesmo dia o Ressuscitado tornou-se presente, pela primeira vez, no meio dos seus discípulos. A reação imediata deles foi a alegria, reforçada pela paz, a verdadeira paz que só Ele pode dar [1]: «A paz esteja convosco» (v. 21). Alegria e paz são os frutos do Espírito [2]. Na verdade Jesus diz-lhes em seguida: «Recebei o Espírito Santo» (v. 22).

«Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo»

O Espírito Santo não só habilita os discípulos para a mesma missão de Jesus, dada pelo Pai, mas “recria-os” como nova humanidade. O gesto do Ressuscitado, que soprou sobre eles, é o mesmo que o Criador fez nas narinas do homem formado do pó da terra[3]. Assim como a Criação é obra contínua do amor do Pai que sustém o universo inteiro, também a nova Criação realizada pelo Ressuscitado, no Espírito Santo, sustém continuamente a humanidade em caminho para o Reino. A Palavra de Vida deste mês recorda-nos que, na nossa existência, temos uma grande possibilidade: tornarmo-nos “outros Jesus”. Isso é verdade para cada um de nós individualmente, mas ainda mais comunitariamente. Jesus fala aos seus discípulos no plural. De facto, só juntos, cada membro com a sua especificidade, podemos “reproduzir” o Corpo Místico de Jesus. Claudio Cianfaglioni


Papa pede «Igreja livre para um povo livre», em Angola

O Papa pediu hoje, no Vaticano, uma “Igreja livre para um povo livre”, em Angola, ao fazer o balanço da sua primeira viagem ao continente africano. “Angola atravessou um período convulso, que no seu caso foi ensanguentado por uma longa guerra interna. No cadinho desta história, Deus guiou e purificou a Igreja, convertendo-a cada vez mais ao serviço do Evangelho, da promoção humana, da reconciliação e da paz. Igreja livre para um povo livre”, disse, na audiência pública semanal que decorreu na Praça de São Pedro. O périplo realizado entre 13 e 23 de abril incluiu passagens pela Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial.

Em Angola, o Papa esteve em Luanda, Saurimo e no principal centro de peregrinação, o “Santuário mariano de Mamã Muxima, que significa ‘Mãe do coração’”. “Senti pulsar o coração do povo angolano”. Leão XIV elogiou a resiliência da população perante as desilusões causadas pelas “ideologias” e pelas “promessas vãs”, recordando a alegria de catequistas, religiosos e idosos. “Esta esperança exige um compromisso concreto, e a Igreja tem a responsabilidade, com o testemunho e o anúncio intrépido da Palavra de Deus, de reconhecer os direitos de todos e de promover o seu respeito efetivo”. O pontífice reafirmou a disponibilidade para colaborar com o desenvolvimento da nação, mensagem deixada diretamente aos responsáveis políticos. “Com as autoridades civis angolanas, mas também com aquelas dos outros países, pude assegurar a vontade da Igreja Católica de continuar a dar esta contribuição, em particular nos campos da saúde e da educação”. A catequese papal abordou ainda o diálogo inter-religioso na Argélia, os apelos a uma distribuição justa da riqueza nos Camarões e os encontros marcantes com jovens e reclusos na Guiné Equatorial. “Para as populações africanas, a visita do Papa é ocasião para fazer ouvir a sua voz, para manifestar a alegria de ser povo de Deus e a esperança num porvir melhor, de dignidade para cada um e para todos”.

1.º de maio/Portugal: Juventude Operária Católica alerta para a precariedade laboral

A Juventude Operária Católica (JOC) Portugal alerta para a “precariedade laboral” que ”marca a vida de muitos jovens”, e vai refletir sobre os seus direitos e futuro, para assinalar a celebração do Dia do Trabalhador, em Coimbra. “É uma realidade pela qual a maioria dos jovens passa, a maior parte dos trabalhadores passa pelo problema da precariedade laboral, mas os jovens em particular sofrem muito mais com esse problema”, disse o presidente da JOC Portugal, em entrevista à Agência ECCLESIA.

Segundo Pedro Esteves, da Diocese de Aveiro, a precariedade laboral foi uma realidade trazida pelos grupos da Juventude Operária Católica para “ser trabalhada” pelo movimento da Igreja Católica em Portugal, no início deste ano pastoral 2025/2026, em novembro. “Isto vem sempre da base, daquilo que os grupos sentem que precisam. Esta realidade vinha já do ano pastoral anterior, a nossa campanha nacional também foi sobre a precariedade laboral, e a situação não melhorou, até está em vias de piorar”, desenvolveu o entrevistado. A JOC Portugal pediu aos participantes do encontro nacional do Dia do Trabalhador 2026 que levem “uma história (de pessoa conhecida) ou uma notícia” que retrate uma situação de “precariedade laboral (ou várias situações)”, preocupados com a realidade em que vivem, como a “insegurança face ao futuro, escola que não garante emprego, precariedade no trabalho, injustiça, degradação da pessoa humana e do ambiente, exclusão, violência”.

Em Portugal, governo e representantes dos trabalhadores e das entidades patronais estão a debater o ‘Anteprojeto Trabalho XXI’, uma proposta de reforma da legislação laboral do executivo, que foi apresentada em julho de 2025. O presidente da JOC Portugal observa que tem “algum tempo que este debate sobre o pacote laboral”, e neste movimento operário têm “vindo a trabalhar sobre isto”, e este 1.º de maio “também será um bom para trabalhar sobre esta problemática”. “Há muitas linhas vermelhas, neste pacote laboral que não devem ser ultrapassadas, ou seja, há a problemática dos contratos a termo, ou seja, aumentar o limite dos contratos a termo, há toda a questão de poder-se despedir e depois contratar em outsourcing. Há várias problemáticas que no meu entender são linhas vermelhas”, identificou Pedro Esteves.

Segundo o responsável nacional da Juventude Operária Católica, a situação atual “está extremamente precária para os jovens trabalhadores” e o que se quer fazer é aumentar essa precarização”, que não é uma forma de evolução, mas “uma forma de regressão”. “Ao longo dos anos fomos melhorando as condições laborais, não é agora piorando as condições laborais que estamos a evoluir, isso é regressão”, sublinhou, no Programa ECCLESIA, transmitido hoje na RTP2.

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