IV Domingo de Páscoa – Ano A
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto
Neste quarto Domingo da Páscoa a liturgia da Palavra faz referência a Jesus o «Bom Pastor». O evangelista São João usa uma linguagem pedagógica de forma a catequizar e instruir o povo ligado ao campo/pastoreio. O evangelista descreve que aquele que não entra pela porta é ladrão e salteador e vem para dispersar o rebanho, mas o que entra pela porta esse é o Pastor. Quando as ovelhas escutam a voz do «Pastor», elas sentem-se em segurança e seguem a voz do pastor, mas quando não conhecem a voz as ovelhas dispersam, porque não seguem a voz de estranhos.
O Pastor conduz o rebanho a boas pastagens e protege as ovelhas em situações de perigo, mas aquele que não é pastor diante das ameaças e dificuldades foge e deixa as ovelhas se dispersarem. Jesus afirma que veio para reunir e congregar as ovelhas dispersas. Nos dias da Paixão os discípulos dispersaram-se com medo da morte e perseguição, mas após a Ressurreição Jesus voltar a reunir e congregar de novo os discípulos transmitindo-lhes uma mensagem de paz, soprando sobre eles a força do Espírito Santo, que os fortalece nos momentos de tribulações.
Se calhar também nós já nos dispersámos abandonando a Igreja, por causa de certas incompreensões ou incompatibilidades com o pároco, ou meramente porque deixámos a nossa fé ficar árida, mas Jesus como verdadeiro Pastor cuida e conduz os cristãos no caminho que conduz à eternidade.
A leitura do livro dos Actos dos Apóstolos, define o percurso que Jesus, “o Bom Pastor”, desafia as suas “ovelhas” a fazer: é preciso abandonar o egoísmo e a escravidão (converter-se), aderir a Jesus e segui-l’O (ser batizado), acolher a vida nova de Deus e deixar-se recriar, vivificar e transformar por ela (receber o Espírito Santo).
A leitura do Apóstolo São Pedro, um “mestre” cristão do final do séc. I convida os batizados a olharem para o exemplo de Cristo: “insultado, não pagava com injúrias; maltratado, não respondia com ameaças; mas entregava-se àquele que julga com justiça”. Jesus, o “Pastor Bom”, aponta-nos o caminho que leva à vida. Se seguirmos as suas orientações, não seremos “ovelhas desgarradas”.
O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João, Jesus recorre a duas imagens para descrever a missão que o Pai lhe confiou: Ele é o “Pastor Bom” e “a porta” que dá acesso às ovelhas. Como “Pastor Bom”, Ele cuida das ovelhas de Deus com dedicação e amor, liberta-as do domínio da escravidão e leva-as ao encontro das pastagens verdejantes onde há vida em plenitude. Como “porta”, Ele tem uma dupla função: impede que os “ladrões e salteadores” tenham acesso às “ovelhas” e torna-se a referência para as “ovelhas” que entram e que saem. A vida daqueles que fazem parte do “rebanho” de Deus constrói-se e entende-se a partir de Jesus.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João
Naquele tempo, disse Jesus: «Em verdade, em verdade vos digo: Aquele que não entra no aprisco das ovelhas pela porta, mas entra por outro lado, é ladrão e salteador. Mas aquele que entra pela porta é o pastor das ovelhas. O porteiro abre-lhe a porta e as ovelhas conhecem a sua voz. Ele chama cada uma delas pelo seu nome e leva-as para fora. Depois de ter feito sair todas as que lhe pertencem, caminha à sua frente; e as ovelhas seguem-no, porque conhecem a sua voz. Se for um estranho, não o seguem, mas fogem dele, porque não conhecem a voz dos estranhos». Jesus apresentou-lhes esta comparação, mas eles não compreenderam o que queria dizer. Jesus continuou: «Em verdade, em verdade vos digo: Eu sou a porta das ovelhas. Aqueles que vieram antes de Mim são ladrões e salteadores, mas as ovelhas não os escutaram. Eu sou a porta. Quem entrar por Mim será salvo: é como a ovelha que entra e sai do aprisco e encontra pastagem. O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir. Eu vim para que as minhas ovelhas tenham vida e a tenham em abundância». Palavra da Salvação

Vaticano lança documentário «Todos, todos, todos!»
Os meios de comunicação do Vaticano assinalam hoje o primeiro aniversário da morte do Papa Francisco com o lançamento de um documentário e de um texto inédito. A obra audiovisual de 27 minutos, intitulada ‘Todos, todos, todos!’, a frase deixada pelo pontífice na JMJ Lisboa 2023, retrata a marca pastoral de Jorge Mario Bergoglio e a sua insistência numa Igreja próxima das periferias.
O trabalho recupera imagens de arquivo para apresentar uma experiência eclesial capaz de traduzir o Evangelho em gestos concretos e de fomentar a paz num mundo marcado por tensões. O jornal ‘L’Osservatore Romano’ associa-se à efeméride com a publicação de uma mensagem do presidente da República italiana, que elogia o legado e os ensinamentos do pontífice. “Passou um ano desde o falecimento do muito amado Papa Francisco e o povo italiano guarda com carinho e gratidão a memória da sua figura e dos seus ensinamentos”, indica Sergio Mattarella. O chefe de Estado transalpino destaca a dimensão global e o impacto duradouro do pontificado anterior. “O seu pontificado atravessou períodos difíceis da vida internacional e deixou uma marca indelével na história da humanidade, na vida da Igreja, na consciência dos construtores da paz, daqueles que têm fome e sede de justiça, das mulheres e dos homens de boa vontade”.
A edição comemorativa inclui a partilha de um manuscrito de juventude do Papa Francisco dedicado à ‘Eneida’, de Virgílio, revelando a sua faceta de leitor de poesia clássica. O diretor do jornal do Vaticano, Andrea Monda, explica que o documento lhe foi entregue pelo próprio pontífice como um presente pessoal. “Um dia fui visitá-lo por motivos de trabalho e ele entregou-me este texto, datilografado, dedicado a Virgílio. Não percebi logo que se tratava de um presente e perguntei-lhe se queria que o publicasse no ‘L’Osservatore Romano’, mas ele recusou, dizendo: ‘É apenas uma brincadeira de juventude, quem sabe o que escrevi há tanto tempo’. Explicou que, quando jovem, era fascinado pela figura de Virgílio como poeta e profeta ‘pré-cristão’. No final da conversa, ele deu-me a entender que queria que eu ficasse com ele”. A opção de tornar o texto público decorre da coincidência entre a data de falecimento de Francisco e o aniversário da fundação de Roma, cidade intimamente ligada à figura do herói Eneias. “A coincidência levou-me a desobedecer-lhe, convencido de que ele ficará contente, tal como ficarão os leitores, que poderão conhecer outro aspeto do homem que foi o Papa Francisco”, explica Andrea Monda.

Papa deixou mensagens contra a corrupção e sublinhou urgência da pacificação
O Papa conclui hoje a sua primeira visita a Angola, marcada por apelos à construção de uma nova cultura de justiça social e à superação dos conflitos. Leão XIV foi acompanhado, desde a tarde de sábado, pelo entusiasmo das multidões que acompanharam ao longo da sua passagem por Angola, Muxima e Saurimo, evocando em diversas ocasiões as feridas da guerra civil e denunciando o impacto destrutivo da exploração dos recursos naturais. “A África tem uma necessidade urgente de superar situações e fenómenos de conflitualidade e inimizade, que dilaceram o tecido social e político de tantos países, fomentando a pobreza e a exclusão”.
Perante as autoridades políticas e o corpo diplomático, o Papa alertou para as consequências das dinâmicas económicas que visam apenas o lucro. “Quanto sofrimento, quantas mortes, quantas catástrofes sociais e ambientais acarreta esta lógica extrativista”. A urgência de uma renovação ética esteve no centro da homilia dominical proferida no Kilamba, arredores de Luana, onde o Papa desafiou a sociedade a construir um futuro alicerçado na partilha. “Também nós podemos e queremos construir um país onde as antigas divisões sejam superadas para sempre, onde o ódio e a violência desapareçam, onde a chaga da corrupção seja curada por uma nova cultura de justiça e partilha”.
A devoção popular marcou a deslocação ao Santuário da Muxima, espaço onde milhares de fiéis se uniram em oração para assumir um compromisso ativo com os mais vulneráveis. “É o amor que deve triunfar, não a guerra!”, disse o pontífice. A viagem levou um Papa, pela primeira vez, ao leste do país.
Em Saurimo, na província da Lunda Sul, Leão XIV rejeitou a instrumentalização da fé cristã e qualquer forma de “opressão, violência, exploração e mentira”. Antes, passou por um lar de idosos, pedindo que os mais velhos sejam “escutados, pois guardam a sabedoria de um povo”. O Papa mostrou-se impressionado com a vitalidade dos jovens angolanos e apontou a nação como um exemplo de resiliência: “A África é, para o mundo inteiro, uma reserva de alegria e esperança”. O último encontro da viagem a Angola decorreu em Luanda, junto de representantes da comunidade católica, a quem o pontífice deixou a missão de promover “uma memória reconciliada, educando todos para a concórdia”. A deslocação ao continente africano prossegue até quinta-feira na Guiné Equatorial, completando a maior viagem do atual pontificado, que englobou passagens pela Argélia e Camarões, desde 13 de abril.


Proximidade humana e descentralização estrutural marcam memória de Francisco
A politóloga Sílvia Mangerona, investigadora do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa, assinala a “profundidade” do pensamento político e social de Francisco, falando um Papa “radical”. “A radicalidade tem muito a ver com a instigação da alteração dos hábitos”. A docente universitária valoriza o conteúdo dos principais documentos do pontificado anterior, considerando os textos como guiões essenciais para a sociedade contemporânea. “A encíclica ‘Fratelli Tutti’ ou a ‘Laudato si’ são obras que deviam ser relidas muitas vezes em voz alta”.
A herança papal abrange a promoção do caminho sinodal, estimulando a escuta das comunidades de base e fomentando o papel ativo da mulher na Igreja Católica. A investigadora elogia igualmente o impacto das opções do pontífice argentino na diplomacia mundial e na promoção do bem comum perante a atual polarização. “A política é a gestão da coisa pública, da comunidade”.
Francisco faleceu a 21 de abril de 2025, após um pontificado de mais de 12 anos. António Marujo, diretor do jornal digital ‘7 Margens’, especializado em informação religiosa, foca a ação do anterior pontífice na coragem de debater temas complexos e na resposta concreta aos apelos dos grupos mais vulneráveis. “Foi claramente um Papa que pôs a Igreja a mexer”, refere à Agência ECCLESIA. O jornalista evoca a coerência entre a retórica do pontífice e a prática visível, exemplificada pelo acolhimento de refugiados e pela criação de estruturas de apoio aos sem-abrigo no Vaticano. “Com Francisco nós percebemos que essa palavra, essa retórica tinha consequências”.
A internacionalização das estruturas romanas representa outro marco do anterior pontificado. “É mais uma coerência: ao falar de periferias, traduziu isso também para o interior da Igreja, trouxe estas periferias para o centro”. Jorge Mario Bergoglio, nascido em Buenos Aires a 17 de dezembro de 1936, tornou-se, a 13 de março de 2013, o primeiro Papa jesuíta e o primeiro proveniente do continente americano a liderar a Igreja Católica. Comprometido com o combate à “indiferença” e à “economia que mata”, o pontífice deixou como uma das suas marcas o processo sinodal iniciado em 2021, desafiando a Igreja a um caminho de escuta, diálogo e maior participação de todos os seus membros.
Portugal assumiu um papel de relevo nesta geografia papal, consolidado com a visita a Fátima em 2017 — para o centenário das Aparições e a canonização de Francisco e Jacinta Marto — e a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) Lisboa 2023.