Domingo de Páscoa – Ano A
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto
Neste domingo de Páscoa a liturgia apresenta a experiência do Senhor Ressuscitado. A primeira testemunha ocular é Maria Madalena que apressadamente na manhã daquele primeiro dia da semana vai ao sepulcro para depositar os perfumes que tinha preparado, para colocar no Corpo de Jesus. Algo inesperado a surpreende a pedra do túmulo está removida, o Corpo de Jesus não está naquele lugar e alguém que ela julga ser o jardineiro lhe diz: «Quem procurais?».
De facto, é necessário Aquele homem chamar-lhe pelo nome, para que pudesse reconhecer que era Jesus, pois somente Ele tinha a chamado diretamente pelo nome e lhe tinha transformado a vida. Quando percebeu que era o Senhor correu avisar os discípulos que o Senhor estava vivo e que o sepulcro estava vazio. Quando os discípulos chegaram ao sepulcro têm dificuldade em perceber o que estavam a ver, Porquê? Claro, que os olhos viam as ligaduras e o sudário enrolados à parte, mas não viram o Senhor. Como poderiam entender tal mistério? Podemos analisar uma coisa que é os nossos sentidos são por vezes muito limitados e incapazes de ver o que é invisível aos nossos olhos. Vede por exemplo as pessoas que são invisuais, embora tendo esta limitação física, por vezes, veem com maior exatidão as coisas porque veem com o coração.
Nestes tempos atuais estamos cheios de informação de notícias avassaladoras que podem desfocar a nossa atenção e ficarmos insensíveis a tantas tragédias; notícias de guerras, fomes, catástrofes naturais, tanta informação que nos pode deixar com o coração endurecido ao sofrimento do outro. O Abandono de Jesus faz ecoar hoje o sofrimento sentido em tantos rostos ensanguentados e desfigurados pela guerra. Sejamos construtores de paz antes de mais no nosso ambiente familiar, escolar, nos nossos postos de trabalho.
A leitura do livro dos Actos dos Apóstolos, apresenta o exemplo de Cristo que “passou pelo mundo fazendo o bem” e que, por amor, Se deu até à morte; por isso, Deus ressuscitou-O. Os discípulos, testemunhas desta dinâmica, devem anunciar este “caminho” a todos os homens.
A leitura do Apóstolo São Paulo aos Colossenses, convida os cristãos, revestidos de Cristo pelo baptismo, a continuarem a sua caminhada de vida nova até à transformação plena (que acontecerá quando, pela morte, tivermos ultrapassado a última barreira da nossa finitude).
O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Mateus, coloca-nos diante de duas atitudes face à ressurreição: a do discípulo obstinado, que se recusa a aceitá-la porque, na sua lógica, o amor total e a doação da vida nunca podem ser geradores de vida nova; e a do discípulo ideal, que ama Jesus e que, por isso, entende o seu caminho e a sua proposta (a esse não o escandaliza nem o espanta que da cruz tenha nascido a vida plena, a vida verdadeira).
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João
No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi de manhãzinha, ainda escuro, ao sepulcro e viu a pedra retirada do sepulcro. Correu então e foi ter com Simão Pedro e com o discípulo predileto de Jesus e disse-lhes: «Levaram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde O puseram». Pedro partiu com o outro discípulo e foram ambos ao sepulcro. Corriam os dois juntos, mas o outro discípulo antecipou-se, correndo mais depressa do que Pedro, e chegou primeiro ao sepulcro. Debruçando-se, viu as ligaduras no chão, mas não entrou. Entretanto, chegou também Simão Pedro, que o seguira. Entrou no sepulcro e viu as ligaduras no chão e o sudário que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não com as ligaduras, mas enrolado à parte. Entrou também o outro discípulo que chegara primeiro ao sepulcro: viu e acreditou. Na verdade, ainda não tinham entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos.
Palavra da Salvação

Palavra de Vida (Abril 2026)
«Fica connosco, porque anoitece» (Lc 24,29)
A estrada para Emaús fala-nos de um caminho percorrido por dois discípulos de Jesus. Desiludidos dos sonhos, dos projetos, dos momentos fortes que tinham transcorrido com o Mestre, voltavam para casa para retomar a vida que tinham deixado, antes de O terem encontrado. Tinham passado apenas três dias desde a Sua crucifixão e a desilusão, o medo e as dúvidas reinavam entre os Seus seguidores. Afastavam-se de Jerusalém, do sonho que ficou por realizar, distanciando-se de Cristo e da Sua mensagem. “Tristes” porque, de algum modo, já tinham tomado a decisão de abandonar o projeto pelo qual O tinham seguido.
É a história de cada um de nós, quando nos sentimos perdidos diante de situações que nos obrigam a ter de escolher entre vários caminhos e, muitas vezes, parece-nos que a solução, a única resposta ao nosso mal-estar, é voltar para trás, renunciar, resignarmo-nos. «Quem de nós não se reconhece no albergue de Emaús? Quem nunca caminhou por essa estrada, numa noite em que tudo nos parecia perdido? Cristo tinha morrido em nós…Já não havia nenhum Jesus na Terra». Preparado por Patrícia Mazzola.


Mensagem de Páscoa 2026
“Ele viu e acreditou.”
O evangelista São João descreve a experiência dos Apóstolos; Pedro e João foram apressadamente ao sepulcro, afim de verem o que lhes tinha sido anunciado por meio de Maria Madalena de que o sepulcro estava vazio. João, correndo mais depressa do que Pedro ao chegar ao sepulcro, “viu as ligaduras no chão, mas não entrou”. Depois, chegou também Pedro e viu as ligaduras no chão e o sudário enrolado à parte. De facto, nenhum dos discípulos viu Jesus, mas viram os sinais do Ressuscitado. O olhar humano, muitas vezes é míope vemos apenas as imperfeições, vemos as coisas deturpadas, vemos o que qualquer ser humano vê, mas para ver coisas maiores e realidades que estão para além do visível é necessário olhar com os olhos da alma, ou seja, olhar com o coração. De facto, esse foi o olhar de João, ao observar aqueles panos que serviram para enrolar o corpo de Jesus, compreendeu que o seu Senhor estava vivo. Ah tempos atrás conheci uma pessoa invisual que tinha aperfeiçoado outros sentidos, diria mesmo que via a realidade das coisas com mais precisão com o olhar do coração. O Apostolo João entendeu o mistério da Morte e Ressurreição de Jesus com o olhar da fé, vendo as coisas com maior precisão. Pedro, vê de modo muito racional, fixando-se apenas no sudário. Que nesta Páscoa sejamos capazes de ver o Ressuscitado, com este novo olhar. O grito do abandono faz-se ecoar hoje em tantos rostos ensanguentados e desfigurados pela guerra. Sejamos construtores de paz antes de mais no nosso ambiente familiar, escolar, nos nossos postos de trabalho. Votos de uma Santa e Feliz Páscoa, para todos os meus familiares e amigos e para todos os paroquianos de Torreira e São Jacinto. Cristo Ressuscitou, Aleluia! Com amizade Pe. Victor
«Eu estou contigo» é o lema da Semana de Oração pelas Vocações 2026
A Conferência Episcopal Portuguesa, divulgou que a Semana de Oração pelas Vocações 2026, que decorre entre 19 e 26 de abril, terá o lema “Eu estou contigo” (Is 41,10). “Partindo do Profeta Isaías (41,10), foi possível com o generoso contributo do Secretariado das Vocações da Diocese de Aveiro, a elaboração de alguns recursos e propostas, a utilizar na valorização e divulgação desta semana anual que termina no IV Domingo da Páscoa, chamado do ‘Bom Pastor’”, pode ler-se na nota pastoral do organismo enviada à Agência ECCLESIA.
No texto, D. Vitorino Soares, presidente da CEVM, alude à mensagem do Papa para o 63º Dia de Oração pelas Vocações, a 26 de abril, na qual Leão XIV apela a que os jovens escutem a “voz do Senhor que os convida a viver uma vida plena, realizada, fazendo frutificar os próprios talentos e pregando as próprias limitações e fraquezas na gloriosa Cruz de Cristo”. “E recorda quatro caminhos a desenvolver, um dos quais diretamente ligado ao lema escolhido: ‘Eu estou contigo’, que é o caminho da confiança”, assinala o responsável.
O presidente da CEVM, defende que “é, pois, num contexto de interioridade, através de um encontro pessoal, que se descobre, desenvolve e amadurece a vocação, o que contraria” os ambientes em que cada um vive. Segundo D. Vitorino Soares, “as ofertas da aparência, do virtual, do ritmo acelerado, do ruído do mundo, acabam por dificultar a paragem, uma paragem com os outros, que permita uma reflexão e um olhar profundo interior”. “É precisamente a partir da ‘descoberta dos dons’ que estão dentro de nós, que se ilumina a confiança na convicção de que ‘Deus está connosco’. ‘Deus está contigo’! Só a partir do reconhecimento desta promessa se podem iniciar processos de resposta, serenos, confiantes, arriscados e tantas vezes nada previsíveis e programados”. A Comissão Episcopal Vocações e Ministérios sugere como proposta para esta semana o “fomentar experiências de encontro de cada um consigo próprio, onde se identifiquem os dons de Deus” e depois “alimentar o conforto da presença de Deus que sustenta todas as respostas: sacerdotais, religiosas, seculares, masculinas e femininas”. “’Nada te perturbe, nada te espante, quem a Deus tem, nada lhe falta, só Deus basta’, recordava S.ta Teresa de Jesus, ou de Ávila. Mais do que aquilo que ainda não possuímos ou não conhecemos, importa o que já possuímos e já conhecemos. ‘Eu estou contigo’”, expressa D. Vitorino Soares. A CEVM disponibiliza na página euestoucontigo.pt os materiais para a vivência da Semana das Vocações, como a oração, a vigília, admonições, rosário e oração universal, elaborados pelo Secretariado Diocesano da Pastoral das Vocações de Aveiro.


Arcebispo de Teerão exige fim da guerra no Golfo e da retaliação
O arcebispo de Teerão apelou ao fim da guerra no Golfo e da lógica de retaliação, esta segunda-feira, numa vigília de oração pela paz na cidade de Roma. “Para a lógica da retaliação e da vingança, sugira com o seu Espírito soluções novas, gestos generosos e honrosos, espaços de diálogo e de espera paciente mais fecundos do que os prazos apressados da guerra”, rezou o cardeal Dominique Mathieu, forçado a abandonar a capital iraniana no dia 8 de março, devido à guerra no Médio Oriente.
O responsável católico do rito latino no Irão retomou as palavras proferidas pelo Papa João Paulo II em 1991, alertando para as consequências irreversíveis dos cenários bélicos. “Nunca mais a guerra, aventura sem retorno; nunca mais a guerra, espiral de lutos e violências”, disse, numa intervenção citada pelo portal ‘Vatican News’.
A celebração na Basílica de Santa Cruz em Jerusalém foi presidida pelo cardeal vigário da Diocese de Roma, Baldassarre Reina, que expressou solidariedade para com as populações atingidas, em declarações aos jornalistas. “Estamos próximos do povo iraniano e de todos aqueles que neste momento sofrem. Esta igreja conserva uma das relíquias mais importantes da cruz de Cristo. A história repete-se e há tantos inocentes crucificados. O Papa convida todos os cristãos a rezarem pela paz. É um momento dramático para toda a humanidade”.
Durante a meditação, o cardeal italiano refletiu sobre a crucificação de Jesus e a urgência de a humanidade recuperar a harmonia face à ameaça do rearmamento global. “Aquele que veio trazer a paz encontra-se no meio, quase a contar-nos de um Deus que se mistura com a nossa história, com o nosso sofrimento. Na esperança de que alguém se aperceba Dele, para trazer a paz”, indicou D. Baldassarre Reina. A iniciativa mensal de oração, promovida por diversas organizações católicas, lembrou igualmente os conflitos a decorrer no Sudão e na República Democrática do Congo. Os celebrantes saudaram ainda a autorização israelita para as cerimónias da Semana Santa, ultrapassado o bloqueio policial ao patriarca latino de Jerusalém no acesso ao Santo Sepulcro, ocorrido no Domingo de Ramos.