Novos Ventos – 29 de Março

Domingo de Ramos – Ano A
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto

Hoje celebramos o domingo de Ramos, neste dia, damos início à semana maior dos Cristãos a qual designamos de Semana Santa. Os evangelhos proclamados neste dia relembram a entrada Triunfal de Jesus em Jerusalém e o segundo descreve o relato da Paixão. Ao meditar nestes textos é inevitável não constatar uma certa contradição, aqueles que momentos antes tinham aclamado Jesus como Rei, horas depois pedem a sua condenação e morte.

Ou então, mesmo o grupo dos amigos mais próximos, a quem chamavam Apóstolos, diante das ameaças, perigos e perseguições dizem que não O conhecem. Ou então Judas que iludido pelo dinheiro, a ganância e talvez um pouco de ciúme e inveja, entrega o seu Senhor com o beijo frio da traição. No entanto, existe também aqueles que não ficam indiferentes a tanto sofrimento, como Simão de Cirene que é obrigado a ajudar a levar a Cruz de Jesus, o que inicialmente é uma imposição, torna-se um gesto de amor, entre os olhares que se cruzam e Cireneu é tocado pelo amor de Jesus. De igual modo, aquelas mulheres que se aproximam de Jesus chorando copiosamente pela forma cruel que vão dilacerando o Corpo do Senhor e Jesus com o coração repleto de Amor convida a chorar antes por elas e pelos seus filhos.

Oh Jesus, ajudai-me a ser sempre fiel mesmo diante das provações e perigos da vida, que nunca seja capaz de entregar os outros pelo beijo frio da traição, quando caio na tentação da murmuração, ou pela critica destrutiva, quando tenho vergonha de assumir a minha identidade cristã e nego não Vos conhecer. Ajudai-me a estar mais atento aos outros, para à semelhança do Cireneu eu também possa ajudar a carregar o peso das cruzes daqueles que sofrem, ou que tenha sempre um lenço para poder limpar as lágrimas e feridas dos que estão nas periferias das nossas cidades.

A leitura do livro de Isaías, apresenta-nos um profeta anónimo, chamado por Deus a testemunhar no meio das nações a Palavra da salvação. Apesar do sofrimento e da perseguição, o profeta confiou em Deus e concretizou, com teimosa fidelidade, os projectos de Deus. Os primeiros cristãos viram neste “servo” a figura de Jesus.

A leitura do Apóstolo São Paulo aos Filipenses, apresenta-nos o exemplo de Cristo. Ele prescindiu do orgulho e da arrogância, para escolher a obediência ao Pai e o serviço aos homens, até ao dom da vida. É esse mesmo caminho de vida que a Palavra de Deus nos propõe.

O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Mateus, convida-nos a contemplar a paixão e morte de Jesus: é o momento supremo de uma vida feita dom e serviço, a fim de libertar os homens de tudo aquilo que gera egoísmo e escravidão. Na cruz, revela-se o amor de Deus – esse amor que não guarda nada para si, mas que se faz dom total.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Mateus

Quando se aproximaram de Jerusalém e chegaram a Betfagé, junto ao monte das Oliveiras, Jesus enviou dois discípulos, dizendo-lhes: «Ide à povoação que está em frente e encontrareis uma jumenta presa e, com ela, um jumentinho. Soltai-os e trazei-mos. E se alguém vos disser alguma coisa, respondei que o Senhor precisa deles, mas não tardará em devolvê-los». Isto sucedeu para se cumprir o que o Profeta tinha anunciado: «Dizei à filha de Sião: ‘Eis o teu Rei, que vem ao teu encontro, humildemente montado num jumentinho, filho de uma jumenta’». Os discípulos partiram e fizeram como Jesus lhes ordenara: trouxeram a jumenta e o jumentinho, puseram-lhes em cima as suas capas, e Jesus sentou-Se sobre elas. Numerosa multidão estendia as capas no caminho; outros cortavam ramos de árvores e espalhavam-nos pelo chão. E, tanto as multidões que vinham à frente de Jesus como as que O seguiam, diziam em altos brados: «Hossana ao Filho de David! Bendito O que vem em nome do Senhor! Hossana nas alturas!». Quando Jesus entrou em Jerusalém, toda a cidade ficou em alvoroço. «Quem é Ele?» – perguntavam. E a multidão respondia: «É Jesus, o profeta de Nazaré da Galileia».
Palavra da Salvação


Palavra de Vida (Março 2026)

«Levantai-vos e não tenhais medo» (Mt 17,7)

Todo aquele que fez a experiência de encontrar Deus em sua vida ficou fascinado pela sua presença, tocado e curado pela sua Palavra. Muitas vezes, o testemunho de uma comunidade cristã o acompanha nessa aventura divina e lhe dá a coragem de se levantar, de sair de si mesmo, para retomar a caminhada com Jesus e com os irmãos.

Vejamos o testemunho de uma jovem síria: “No final do ano passado, meu país passou por um período muito difícil e minha cidade foi atingida por uma onda de caos e de medo. Eu estava profundamente preocupada com minha família, com meus amigos e comigo mesma. Em meio a tantas incertezas, eu procurava me manter firme na esperança em Deus, tentando permanecer forte apesar de tudo. Antes desses acontecimentos, eu e os jovens com os quais me esforço para viver o Evangelho tínhamos elaborado alguns projetos para apoiar famílias necessitadas por meio de cestas básicas e outras iniciativas. Mas a situação nos obrigou a suspender temporariamente todas as atividades.

Depois de alguns dias, conseguimos nos reunir novamente; naquela ocasião encontramos, uns nos outros, força e coragem. Decidimos não nos deixar vencer pelo medo, mas depositar nossa confiança em Jesus e continuar a caminhada que havíamos começado. Com a fé compartilhada, conseguimos ajudar mais de 40 famílias que realmente precisavam de apoio. Em meio a essas dificuldades, sentimos que, graças ao amor de Deus e à nossa unidade, podíamos realmente fazer a diferença.”

“Levantai-vos, não tenhais medo.”

Depois de termos subido a montanha com Jesus para encontrar Deus e escutar a sua voz, podemos também descer com Ele, a fim de “[…] voltar para a planície, onde encontramos tantos irmãos sobrecarregados pelo cansaço, doenças, injustiças, ignorâncias, pobreza material e espiritual.”[3]. Também enquanto comunidade cristã, podemos sofrer e ficar desnorteados, mas esta Palavra nos estimula a caminharmos juntospara levar a todos “os frutos da experiência que fizemos com Deus, partilhando a graça recebida.”[4]. Letizia Magri


Papa reforça apelo a cessar-fogo e evoca vítimas do conflito

O Papa apelou a um cessar-fogo global e pediu às autoridades que procurem a paz através do diálogo, denunciando o aumento do ódio e da violência no panorama internacional. “[É necessário] trabalhar pela paz, não com armas, mas com diálogo, procurando verdadeiramente uma solução para todos”, disse na noite desta terça-feira, numa breve declaração aos jornalistas junto à residência da Villa Barberini, em Castel Gandolfo, onde passou um dia de estudo e descanso.

Leão XIV alertou para o grave impacto humanitário dos sucessivos conflitos, sublinhando que existem mais de um milhão de pessoas isoladas e que o número de mortes continua a agravar-se. “Queremos rezar pela paz. Convido todas as autoridades a trabalhar, de facto, com o diálogo para resolver os problemas”. As declarações reforçam a mensagem transmitida no último domingo, durante a oração do ângelus, ocasião em que o Papa manifestou a sua “consternação” perante as situações de guerra no Médio Oriente e noutras partes do mundo. “Não podemos permanecer em silêncio perante o sofrimento de tantas pessoas, vítimas indefesas destes conflitos”, afirmou então.

A espiritualidade e a «folha em branco dada por Deus» à atriz Leonor Felgar

A atriz Leonor Prata Felgar disse hoje que a Igreja “precisa de espaços em branco”, “não ocupados”, onde as pessoas que “não percebem as regras” possam encontrar-se e pintar “uma folha em branco com muitas cores dada por Deus”. “Deus deu-nos uma pintura gigante para pintarmos com muitas cores e pediu que com amor, verdade, fé e harmonia fizéssemos o melhor, alguns com regras que percebem outros que as questionam. Acho que falta espaço para pessoas que não sabem exatamente onde se encaixam, perceberem porquê que há estas regras”, indica à Agência ECCLESIA, reconhecendo dificuldade em lidar com orientações que “castigam”.

A atriz, de 24 anos, assume que Deus não é para si “uma incógnita”, mas questiona a forma como lhe pedem para o seguir, afirmando que prefere “encontrar espaço para fazer perguntas”. “Tenho dificuldade em perceber com qual grupo ou carisma me identifico mais, com qual proposta, porque sou uma pessoa que questiona muito. Vivemos a espiritualidade de forma muito diferente, acho que é difícil às vezes encontrar um lugar onde eu pertenço. Acho que a Igreja precisa de espaços em branco, precisa de espaços não ocupados”, reconhece.

Leonor Felgar assume ter sido “muito estimulada” em criança, ter tido “muita liberdade para ser quem queria ser, para fazer”: “Acho que a minha criatividade vem daí”. Ao recordar o seu crescimento, a jovem recorda a dificuldade sentida em compreender o “ensino regular”, “o estar tanto tempo sentada, a olhar para o quadro”, “sentir que não era boa naquilo que ensinavam”, mas assinala ter tido a sorte de os pais a colocarem cedo em aulas de teatro.

Hoje docente de teatro, Leonor fala do perigo de o ensino não ajudar uma criança a descobrir: “Se uma criança ou um jovem sente que não é bom a nada, é porque alguma coisa está muito errada. É porque a escola não está a ajudar a pessoa a descobrir-se. É importante encontrar um espaço em que somos bons em alguma coisa porque o nosso foco vai ser esse”. O foco de Leonor Felgar cedo foi o teatro: “Sou despistada – e a folha em branco ajuda a focar-me – mas na representação e no trabalho, foco-me automaticamente”.

“Quando me pedem para escrever uma história para mim é mais difícil porque tenho algum medo de não conseguir chegar aos outros. Eu escrevo muito para mim. Sinto-me, pelo corpo, pela voz, a contar uma história e criar uma personagem. Para chegar à personagem tenho de quase contactar com uma espiritualidade que pode não ser a minha ou pode aproximar-se da minha. Em que é que aquela personagem acredita? É muito interessante”.

Leonor Felgar assume que a arte, qualquer uma, serve para contar histórias e não concebe um mundo em que a arte não esteja presente. “A arte é uma forma de pôr as pessoas a pensar, a agir, a mover grupos, massas, ou uma só pessoa. A arte é algo muito maior do que nós. Eu não tenho forma de justificar porque é que as pessoas vão ver um espetáculo e saem impactadas, mas a arte serve para isso”, traduz.

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