IV Domingo da Quaresma – Ano A
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto
Neste IV domingo da Quaresma a liturgia apresenta o episódio do cego de nascença. Este homem carrega um peso uma limitação física, mas a maior limitação é não conhecer o poder e o amor de Jesus que lhe podia fazer ver com clarividência. Depois, que Jesus lhe colocou saliva e um pouco de lodo nos olhos mandou-o ir lavar-se na piscina de Siloé. Uma graça extraordinária Jesus apenas tocou-lhe nos olhos e mandou ir lavar-se naquelas águas, origem de vida nova em Cristo, essas águas onde nós pelo baptismo iniciamos a vida da Igreja. Jesus, não faz nenhuma oração apenas o manda «lavar-se». Este homem confiou nas palavras de Jesus e que naquele gesto simples uma vida nova começava para este homem.
Também os vizinhos ficaram surpreendidos ao verificar a mudança radical daquele homem que se questionavam: «Não é este o que costumava estar sentado a pedir esmola?». O encontro pessoal com Jesus é capaz de realizar maravilhas na vida de qualquer pessoa, desde que ela seja capaz de confiar e abandonar-se à vontade e ao amor de Deus, tornando-se assim uma nova pessoa. De facto, aquele homem deixou de mendigar e passou a ser um discípulo missionário de Cristo, transmitindo aos outros aquilo que Jesus tinha realizado na sua vida. Será que eu já consegui identificar as minhas cegueiras e deixar que Jesus toque o meu olhar, para que veja as coisas e os outros com novo olhar? Estamos a aproximar-se das solenidades da Páscoa, será que já fiz o verdadeiro encontro com Cristo? Como está o meu olhar? Preso apenas às coisas passadas, ao meu egoísmo, ou permiti que Jesus me renove o olhar?
A leitura do livro de Samuel, o autor sagrado não faz directamente uma abordagem ao tema da “luz” (o tema central na liturgia deste domingo). No entanto, conta a escolha de David para rei de Israel e a sua unção: é um óptimo pretexto para reflectirmos sobre a unção que recebemos no dia do nosso Baptismo e que nos constituiu testemunhas da “luz” de Deus no mundo.
A leitura do Apóstolo São Paulo aos Efésios, Paulo propõe aos cristãos de Éfeso que recusem viver à margem de Deus (“trevas”) e que escolham a “luz”. Em concreto, Paulo explica que viver na “luz” é praticar as obras de Deus (a bondade, a justiça e a verdade).
O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João, Jesus apresenta-se como “a luz do mundo”; a sua missão é libertar os homens das trevas do egoísmo, do orgulho e da auto-suficiência. Aderir à proposta de Jesus é enveredar por um caminho de liberdade e de realização que conduz à vida plena. Da acção de Jesus nasce, assim, o Homem Novo – isto é, o Homem elevado às suas máximas potencialidades pela comunicação do Espírito de Jesus.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João
Naquele tempo, Jesus encontrou no seu caminho um cego de nascença. Cuspiu em terra, fez com a saliva um pouco de lodo e ungiu os olhos do cego. Depois disse-lhe: «Vai lavar-te à piscina de Siloé»; Siloé quer dizer «Enviado». Ele foi, lavou-se e começou a ver. Entretanto, perguntavam os vizinhos e os que o viam a mendigar: «Não é este o que costumava estar sentado a pedir esmola?». Uns diziam: «É ele». Outros afirmavam: «Não é. É parecido com ele». Mas ele próprio dizia: «Sou eu». Levaram aos fariseus o que tinha sido cego. Era sábado esse dia em que Jesus fizera lodo e lhe tinha aberto os olhos. Por isso, os fariseus perguntaram ao homem como tinha recuperado a vista. Ele declarou-lhes: «Jesus pôs-me lodo nos olhos; depois fui lavar-me e agora vejo». Diziam alguns dos fariseus: «Esse homem não vem de Deus, porque não guarda o sábado». Outros observavam: «Como pode um pecador fazer tais milagres?». E havia desacordo entre eles. Perguntaram então novamente ao cego: «Tu que dizes d’Aquele que te deu a vista?». O homem respondeu: «É um profeta». Replicaram-lhe então eles: «Tu nasceste inteiramente em pecado e pretendes ensinar-nos?». E expulsaram-no. Jesus soube que o tinham expulsado e, encontrando-o, disse-lhe: «Tu acreditas no Filho do homem?». Ele respondeu-Lhe: «Quem é, Senhor, para que eu acredite n’Ele?». Disse-lhe Jesus: «Já O viste: é quem está a falar contigo». O homem prostrou-se diante de Jesus e exclamou: «Eu creio, Senhor».
Palavra da Salvação

Palavra de Vida (Março 2026)
«Levantai-vos e não tenhais medo» (Mt 17,7)
O verbo “levantar-se” é também usado várias vezes no Evangelho para referir a Ressurreição; assim como “não temais” são as primeiras palavras que o Ressuscitado, depois de uma saudação, dirige às mulheres junto do sepulcro vazio[1]. As palavras de Jesus, fortes e claras, são, portanto, um convite decidido para uma vida nova, possível aos discípulos pelo toque da Sua mão.
Também nós, por vezes, somos bloqueados pelos nossos medos, sentimos o peso das provas da vida, de situações sem saída. Não nos bastam apenas as nossas forças para reencontrar o entusiasmo do testemunho, precisamos de contar sobretudo com a graça de Deus, que sempre nos precede. «Quem é que nunca passou por alguma prova? Esta pode assumir o rosto do fracasso, da pobreza, da depressão, da dúvida, da tentação. […] Também a sociedade materialista e individualista que nos rodeia nos pode amedrontar, com as guerras, as violências, as injustiças… Diante destas situações pode surgir a dúvida: mas onde está o amor de Deus? […] Jesus entrou verdadeiramente em cada sofrimento, tomou sobre Si todas as nossas provas […] Ele é Amor e é típico do amor afastar todo o temor. Cada vez que nos confrontamos com o medo, ou que estamos sufocados por um sofrimento, podemos reconhecer a verdadeira realidade que aí está escondida: é Jesus que se torna presente […], deixemo-Lo entrar na nossa vida. E, depois, continuemos a viver o que Deus quer de nós, lançando-nos a amar o próximo. Descobriremos que Jesus é sempre Amor. E, tal como os discípulos, poderemos dizer-Lhe: “Tu és, realmente, o Filho de Deus!”» (Mt 14,33)[2]. Texto preparado por Letizia Magri

Papa pede que Igreja saiba ouvir e acolher os jovens
O Papa apelou hoje a uma renovação das relações na Igreja Católica para responder às inquietações das novas gerações, durante uma audiência com os participantes da IV ‘Cátedra do Acohimento’. “Numa época marcada por profundas transformações culturais e sociais, os jovens, que são naturalmente o futuro da sociedade e da Igreja, constituem, na realidade, já o seu presente vivo e gerador. As suas perguntas e as suas inquietações convidam-nos a renovar o estilo das nossas relações”, afirmou Leão XIV, numa intervenção divulgada pela sala de imprensa da Santa Sé. “Acolher os jovens significa, antes de tudo, ouvir as suas vozes, cruzar os seus olhares e reconhecer que, nas suas existências e nas suas linguagens, o Espírito continua a operar e a sugerir-nos caminhos renovados de presença e custódia”, acrescentou, na sala Clementina do Palácio Apostólico.
O encontro juntou os responsáveis por este evento formativo, organizado pela Associação ‘Fraterna Domus’ em colaboração com a Universidade Pontifícia Lateranense. A reflexão papal destacou as palavras “presença” e “custódia” como eixos fundamentais para compreender o sentido cristão do acolhimento na sociedade e nas comunidades de fé. “Estar presente na vida dos outros significa partilhar tempo, experiências, significados, oferecendo pontos de referência estáveis nos quais os outros se podem reconhecer e crescer”, sublinhou.
Leão XIV alertou para o perigo de tomar as relações como garantidas, fazendo um paralelismo com a vida espiritual e a necessidade de uma procura constante de Deus. “Procurar Jesus significa, portanto, passar da segurança das nossas convicções para a responsabilidade do encontro, aprendendo a ver e a acolher a presença de Deus que está sempre ‘além’”. A intervenção apresentou a figura de São José como modelo de cuidado e respeito pelas escolhas do outro, rejeitando atitudes autorreferenciais. “Presença e custódia são dimensões inseparáveis: não se cuida sem estar presente, e não se está presente sem assumir a responsabilidade pelo outro”.
O Papa estendeu este dever de proteção a toda a humanidade, com especial atenção aos mais vulneráveis e à defesa do ambiente. A partir desta perspectiva, compreendemos que também a família humana é chamada a preservar o que lhe foi confiado: as relações, a criação, a vida das irmãs e dos irmãos, sobretudo daqueles que sofrem e que são mais frágeis.” No final da audiência, Leão XIV agradeceu o compromisso da organização na promoção do diálogo e da solidariedade. “Encorajo-vos a ser educadores e educadoras do acolhimento”.


Papa homenageia padre morto em bombardeamento e apela à paz no Médio Oriente
O Papa apelou hoje à paz no Médio Oriente e homenageou o padre maronita Pierre El Raii, morto no Líbano após socorrer vítimas de um bombardeamento israelita. “O padre Pierre foi um verdadeiro pastor, que permaneceu sempre ao lado do seu povo com o amor e o sacrifício de Jesus, o bom pastor”, afirmou Leão XIV, no final da audiência geral desta manhã, que reuniu milhares de pessoas na Praça de São Pedro.
O funeral do sacerdote decorre hoje em Al-Qlayaa, no sul do território libanês. “Assim que soube que alguns paroquianos tinham ficado feridos num bombardeamento, correu sem hesitar para os ajudar”, recordou o pontífice, a respeito dos últimos momentos de vida do padre El Raii. “Roguemos ao Senhor que o seu sangue derramado seja semente de paz para o amado Líbano”.
A preocupação do Papa estendeu-se aos restantes países da região afetados pela escalada militar, após os ataques israelo-americanos contra o Irão. “Queridos irmãos e irmãs, continuemos a rezar pela paz no Irão e em todo o Médio Oriente, em particular pelas numerosas vítimas civis, entre as quais muitas crianças inocentes”, pediu aos peregrinos reunidos no Vaticano. Leão XIV expressou o desejo de a oração “seja um conforto para quem sofre e uma semente de esperança para o futuro”. Ainda hoje, o Papa vai receber em audiência o cardeal Dominique Mathieu, arcebispo de Teerão-Isfahan, que foi retirado para Roma na sequência da operação militar em curso no Irão. Esta terça-feira, o Governo do Líbano pediu a intervenção diplomática da Santa Sé para preservar a presença da comunidade cristã nas aldeias do sul do país, afetadas pela guerra. O pedido surgiu durante uma conversa telefónica entre o ministro dos Negócios Estrangeiros libanês, Youssef Raggi, e o secretário do Vaticano para as Relações com os Estados, arcebispo Paul Richard Gallagher. “Solicitei à Santa Sé que interviesse e mediasse para ajudar a preservar a presença cristã nessas aldeias, cujos habitantes sempre apoiaram o Estado libanês e as suas instituições militares oficiais e nunca falharam nesse compromisso”
Segundo o responsável, D. Paul Richard Gallagher afirmou que “a Santa Sé está a tomar todos os contactos diplomáticos necessários para travar a escalada no Líbano e impedir o deslocamento dos cidadãos das suas terras”. O teor da conversa foi confirmado pelo diretor da sala de imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni. No Líbano, o padre Toufic Bou Merhi, franciscano da Custódia da Terra Santa e pároco dos latinos no sul do país, lamenta que um sacerdote tenha morrido ao “tentar socorrer uma pessoa que o chamou”.