Novos Ventos – 08 de Fevereiro

V Domingo do Tempo Comum – Ano A
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto

No Evangelho de hoje, Jesus dirige aos seus discípulos uma afirmação forte e cheia de responsabilidade: “Vós sois o sal da terra.” Ele não diz “devereis ser”, mas “sois”. Ou seja, essa é a nossa identidade o nosso dever ser como cristãos. No tempo de Jesus, o sal tinha três funções: dar sabor, conservar e provocar sede. Essas três imagens podem nos ajudar a compreender melhor qual é a nossa missão no mundo.

Primeiro, dar sabor. O sal não se serve como alimento, mas sem ele a comida fica sem graça. Assim também o cristão não vive para sobressair ou dar nas vistas, mas para dar sabor à vida das pessoas ao seu redor: com gestos de amor, palavras de esperança, atitudes de perdão e justiça. Onde há egoísmo, o cristão leva partilha; onde há ódio, leva reconciliação; onde há desânimo, leva esperança.

Segundo, conservar. O sal impedia que os alimentos se corrompessem. Num mundo marcado por tanta violência, mentira e indiferença, somos chamados a ser presença viva de Jesus Cristo capaz de fazer preservar o bem, que defende a dignidade da vida, especialmente dos mais frágeis.

Por fim, o sal provoca sede. A nossa maneira de viver deve despertar nos outros o desejo de Deus. Quando alguém olha para nós, para a nossa fé vivida com alegria e coerência, deveria sentir vontade de perguntar: “O que há de diferente nesta pessoa?” Essa sede não nasce de discursos, mas do testemunho.

A leitura do Livro de Isaías, um profeta anónimo do séc. VI a.C. convida os habitantes de Jerusalém a serem uma luz de Deus que ilumina a noite do mundo. Como? Oferecendo a Deus o espetáculo de uma religião feita de rituais vazios e desligados da vida? Não. Ser “luz de Deus” passa por partilhar o pão com os famintos, ficar do lado dos injustiçados, cuidar daqueles que ninguém cuida, ser testemunha da misericórdia e da bondade de Deus junto daqueles que sofrem.

A leitura do Apóstolo São Paulo aos Coríntios, o apóstolo Paulo convida os cristãos de Corinto a agarrarem-se à “sabedoria de Deus” e a prescindirem da “sabedoria do mundo”. A salvação do homem não vem das palavras bonitas, dos sistemas filosóficos bem elaborados ou das qualidades humanas dos arautos da mensagem salvífica; mas vem do amor de Deus, expresso naquela cruz onde o Filho de Deus ofereceu a vida e nos deixou a lição do amor até ao extremo. Paulo é testemunha privilegiada dessa mensagem: viver a partir da “loucura da cruz” é que dá sentido pleno à vida do homem.

O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Mateus, Jesus recorre a duas metáforas para definir os contornos da missão que vai confiar aos seus discípulos. Os que integram a comunidade do Reino de Deus devem ser “sal da terra” e “luz do mundo”. Com as suas “boas obras”, os discípulos de Jesus devem “dar sabor” à vida e fazer desaparecer as sombras que trazem sofrimento à vida dos seus irmãos.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Mateus

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Vós sois o sal da terra. Mas se ele perder a força, com que há de salgar-se? Não serve para nada, senão para ser lançado fora e pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte; nem se acende uma lâmpada para a colocar debaixo do alqueire, mas sobre o candelabro, onde brilha para todos os que estão em casa. Assim deve brilhar a vossa luz diante dos homens, para que, vendo as vossas boas obras, glorifiquem o vosso Pai que está nos Céus». Palavra da Salvação


Cáritas Diocesana de Lisboa destaca «generosidade» às vítimas da tempestade Kristin

A diretora-executiva da Cáritas Diocesana de Lisboa destacou hoje a importância do trabalho em rede e a “generosidade enorme” das pessoas, falando no último dia da campanha de recolha de bens essenciais e donativos para Leiria, após a passagem da depressão Kristin. “Os últimos dias têm sido de uma generosidade enorme, e ainda não conseguimos contar todos, todos, estamos a fazer um esforço grande. Uma grande parte já está a caminho de Leiria, ou seja, hoje saiu um camião com uma grande quantidade”, disse Carmo Diniz, em declarações à Agência ECCLESIA.

A Cáritas Diocesana de Lisboa está a dinamizar uma campanha de recolha de bens essenciais e donativos “para resposta imediata” às vítimas da tempestade da última semana, destinada à cóngenere de Leiria. “Hoje fecha, fizemos a campanha de bens de primeira necessidade e também fizemos uma campanha de donativos, ontem o valor era de 12.094 euros e 2 cêntimos. Hoje, fechamos, vamos tentar quantificar já todos os bens e vamos reportar o valor financeiro angariado, e vai ser tudo entregue à Cáritas Diocesana de Leiria para apoiar as pessoas que precisam nas zonas afetadas”, indicou a entrevistada. A diretora-executiva da Cáritas Diocesana de Lisboa explica que a ideia inicial era serem “um ponto de recolha para não criar um problema logístico” em Leiria, mas, este “fim de semana” vão “avaliar para saber se é preciso fazer novo apelo ou não”.

Carmo Diniz visitou Leiria na segunda-feira, sublinhando a colaboração permanente, através da presença de “duas assistentes sociais” e uma carrinha para apoiar as equipas da Cáritas de Leiria. “Vamos permanecer enquanto for necessário. Ou seja, as assistentes sociais voltam hoje para descansar, e retornarão na segunda-feira”, realçou, indicando que vários parceiros da Cáritas Diocesana de Lisboa “foram ativados para o apoio em Leiria”, o que “é importante”, como a Associação Entre ajuda, os CTT, o Banco Alimentar, a Brisa. A diretora-executiva destaca que este trabalho em rede “é mesmo importante”, e exemplifica que no Patriarcado de Lisboa receberam “um pedido para apoiar 15 famílias”, da Cáritas Paroquial de Famalicão da Nazaré, e foi destes donativos que “saíram estes bens”, uma solução gerida em rede, sendo que “Leiria é a zona mais afetada, e será onde se vão concentrar a maioria dos apoios”.

A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, no dia 28 de janeiro, causou mortes, vários feridos e desalojados; os distritos que registam mais estragos Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém. Carmo Diniz explica que na sequência da depressão Kristin entraram em contacto com as Cáritas Paroquiais e com os padres responsáveis pelas Vigararias (conjunto de paróquias) de Torres Vedras, Alcobaça, Nazaré, Lourinhã, Caldas da Rainha, para saber se “estavam bem, se precisavam de algum tipo de apoio”, e mapearam “as necessidades, primeiro, estavam sem luz, poucas comunicações ou comunicações fracas, preocupados com os telhados”, e continuam “a acompanhar a situação”, o Externato de Penafirme sofreu “alguns danos, mas têm conseguido resolver e pôr as telhas no telhado, cortar as árvores”. “Acabámos por ir a Famalicão da Nazaré e Pederneira, que foram os sítios que nos pediram, que fizeram um alerta mais forte, e estamos a acompanhar de perto. É o mesmo prior, são duas paróquias muito próximas, e a Cáritas Paroquial está em Famalicão da Nazaré”.


Novo núncio apostólico afirma que o risco da abstenção «é grande» no mundo «sempre mais polarizado»

O núncio apostólico em Portugal afirmou em declarações à Agência ECCLESIA que se vai deslocar à Diocese de Leiria-Fátima para manifestar a solidariedade às vítimas da tempestade e diz que o risco da abstenção nas eleições “é grande”. “Neste nosso mundo sempre mais polarizado, o risco é grande”, afirmou D. Andrés Carrascosa Coso, sublinhando que as eleições são “um momento de responsabilidade do povo”. No início da missão diplomática em Portugal, o núncio apostólico disse que “quis chegar antes das eleições”, nomeadamente da segunda volta, “porque é sempre bom presenciar um processo de eleições”. “É uma festa da democracia. Perceber isso e tocar com a mão, acho importante”, afirmou. D. Andrés Carrascosa referiu-se à tempestade que permanece em Portugal, lembrou que, do avião, viu “tanta superfície sob água” e manifestou vontade de visitar os territórios mais atingidos na próxima terça-feira.

“Já falei com o bispo de Leiria-Fátima, que no dia seguinte, na apresentação das cartas credenciais, eu quero chegar aos lugares mais atingidos por esta situação para tornar presente o carinho e a oração do Papa”, afirmou. O núncio apostólico em Portugal recordou a mensagem do Papa dirigida às vítimas da tempestade, que reafirmou no ângelus do último domingo, afirmando deseja visitar a Diocese de Leiria-Fátima e visitar o Santuário de Fátima. A entrevista ao novo núncio apostólico em Portugal, onde se refere a uma próxima visita do Papa, ao processo de nomeações de bispos, ao papel das conferências episcopais, à crise do multilateralismo e da União Europeia e ao seu percurso ao serviço da diplomacia da Santa Sé, vai ser emitida no programa 70×7 do próximo domingo, dia 8 de fevereiro. D. Andrés Carrascosa Coso foi nomeado pelo Papa Leão XIV núncio apostólico em Portugal no dia 11 de dezembro de 2025, sucedendo a D. Ivo Scapolo, representente do Papa em Portugal desde 2019, cuja renúncia ao cargo foi aceite pelo Papa a 23 de maio até agora núncio no Equador, desde 2017, D. Andrés Carrascosa foi também embaixador da Santa Sé no Panamá entre 2009 e 2017 e na República do Congo e no Gabão, entre 2004 e 2009.

O novo núncio em Portugal nasceu em Cuenca (Espanha) a 16 de dezembro de 1955; foi ordenado sacerdote em Cuenca a 2 de julho de 1980. D. Andrés Carrascosa Coso formou-se em Teologia Bíblica na Universidade Pontifícia Gregoriana em 1981, seguindo depois o percurso de serviço à diplomacia pontifícia, ao entrar na Academia Eclesiástica Pontifícia. Ao serviço da Santa Sé passou pela Nunciatura Apostólica de Monróvia, que cobria a Libéria, Serra Leoa, Guiné-Conacri e Gâmbia, e posteriormente foi secretário da Nunciatura Apostólica de Copenhaga, acreditado junto dos governos da Dinamarca, Suécia, Noruega, Islândia e Finlândia.


Palavra de vida (Fevereiro 2026)

«Eis que faço novas todas as coisas» (Ap 21, 5)

O livro do Apocalipse – do qual foi tirada esta Palavra de vida – conclui o conjunto dos escritos do Novo Testamento. O título significa revelação e a intenção do autor é ajudar a compreender as realidades últimas, o regresso de Cristo, a derrota definitiva do mal e o aparecimento de um novo Céu e uma nova Terra. Trata-se de um texto de difícil compreensão, escrito entre os anos 81 e 96 dC. As perseguições aos cristãos eram ferozes. Nas comunidades cristãs o clima era de medo: o que será de nós e da mensagem que nos foi confiada? Porque será que Deus não intervém? Nestas circunstâncias, o autor deste livro foi enviado pelos Romanos para o exílio, para a ilha de Patmos. Foi aqui que começou a ter uma série de visões, juntamente com a ordem de as escrever.

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