Novos Ventos – 18 de Janeiro

II Domingo do Tempo Comum – Ano A
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto

A liturgia deste II domingo do Tempo Comum apresenta o testemunho de João Baptista apresentando Jesus como o Messias. É no contexto do baptismo de Jesus que João dá testemunho D’Ele, apresentando – O como o “Cordeiro de Deus”, Aquele que tira o pecado do mundo. De facto, a figura do cordeiro está associada à Páscoa judaica, isto é, o memorial da libertação do povo da terra da escravidão, o Senhor que fez sair o povo de Israel da terra da escravidão (o Egipto), com grandes sinais e prodígios.

Jesus é apresentado como o «Cordeiro de Deus», Ele é o cordeiro pascal, que é imolado para tirar o pecado do mundo. Assim, Jesus descendo às águas do Jordão entre os pecadores, Ele humilha-Se, assumindo a situação da nossa natureza de homens pecadores. João revela o que lhe foi transmitido: «Aquele sobre quem vires o Espírito Santo descer e permanecer é que baptiza no Espírito Santo». A diferença entre baptismo administrado por João Baptista e o de Jesus está expresso neste excerto. De facto, João pregou um baptismo de penitência e de conversão, em Jesus todos os que são baptizados em seu nome recebem o mesmo Espírito do qual Ele se tornou fonte desse mesmo Espírito.

Todos os que são baptizados fazem parte deste «Corpo Místico». É importante tomar consciência de que um pai ou uma mãe ao pedir o baptismo para o seu filho está a comprometer-se com a Igreja. No corpo humano se algum órgão está em falência das suas funções todo o corpo sofre. Assim, sucede se algum cristão baptizado vive ausente ou afastado da Igreja, Cristo sofre porque o Seu «Corpo Místico» não está completo.

A leitura do Livro de Isaías, traz-nos a história de vocação de um “servo de Javé”, escolhido por Deus “desde o seio materno” para ser “luz das nações” e levar a salvação de Deus “até aos confins da terra”. Consciente de que Deus o sustenta com a sua força, o “servo” dispõe-se a cumprir a missão que lhe é confiada. Quando Deus nos inclui nos sus planos, a nossa resposta só pode ser um “sim” sem reticências.

A leitura do Apóstolo São Paulo aos Coríntios, Paulo de Tarso, lembra aos cristãos da cidade de Corinto que todos são chamados a cumprir a missão que Deus lhes destina. Paulo, chamado por Deus a ser apóstolo de Jesus Cristo, irá anunciar o Evangelho em todo o lado aonde a vida o levar; os coríntios, chamados à santidade, deverão viver de forma coerente com a vida nova que assumiram no dia em que se comprometeram com Jesus e com o Evangelho.

O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João, João Batista apresenta Jesus: Ele é “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”, o “Filho de Deus” que possui a plenitude do Espírito e que vem batizar os homens no Espírito. Jesus recebeu do Pai a missão de oferecer aos homens a vida nova de Deus; e irá cumpri-la com absoluta fidelidade. Nós, os que nos aproximamos de Jesus e que decidimos segui-l’O, continuamos a obra de Jesus: somos enviados a levar ao mundo a salvação de Deus.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João

Naquele tempo, João Batista viu Jesus, que vinha ao seu encontro, e exclamou: «Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. É d’Ele que eu dizia: ‘Depois de mim vem um homem, que passou à minha frente, porque era antes de mim’. Eu não O conhecia, mas foi para Ele Se manifestar a Israel que eu vim batizar na água». João deu mais este testemunho: «Eu vi o Espírito Santo descer do Céu como uma pomba e permanecer sobre Ele. Eu não O conhecia, mas quem me enviou a batizar na água é que me disse: ‘Aquele sobre quem vires o Espírito Santo descer e permanecer é que batiza no Espírito Santo’. Ora, eu vi e dou testemunho de que Ele é o Filho de Deus». Palavra da Salvação


Na Igreja, o problema não são os números, mas o “sentir-se Igreja”

A edição de janeiro de 2026 da revista Piazza San Pietro se abre com um discurso do Papa Leão XIV, dedicado inteiramente ao tema da paz. Neste mês, o Papa responde a uma leitora: Núncia, uma catequista suíça que vive em Laufenburg, uma pequena cidade de 620 habitantes. “Eu semeio, mas as mudas têm dificuldade para crescer. Crianças e famílias preferem esportes e festas”, escreve a mulher de 50 anos, relatando com paixão sua dedicação de décadas ao catecismo desde a Primeira Comunhão à Crisma. Em sua carta, ela denuncia uma realidade difícil: “Aqui na Suíça, é difícil levarem os pais e, às vezes, até mesmo as crianças e os jovens a confiarem em Deus”. Famílias pouco presentes e muitas vezes indiferentes à prática religiosa; crianças atraídas pelo esporte, música, celulares e festas mais do que pela fé; domingos com igrejas cada vez mais vazias, frequentadas principalmente por idosos; esforço diário para “semear” quando o terreno parece árido: este é o quadro ilustrado pela catequista suíça, que, no entanto, diante do desânimo, reafirma seu compromisso: “Eu tento semear, mas as plantinhas têm dificuldade para crescer”. Ela pede ao Papa uma oração pelos jovens confiados aos seus cuidados e por ela mesma, para que não perca a coragem de continuar.

A resposta do Papa Leão

Nas páginas da Revista Piazza San Pietro, dirigida pelo padre Enzo Fortunato, Leão XIV acolhe as preocupações de Núncia e as coloca no contexto europeu: “A situação em que você vive não é diferente da de outros países de antiga cristandade”. O Pontífice convida a olhar além dos dados de participação: “As horas dedicadas à catequese nunca são desperdiçadas, mesmo que os participantes sejam muito poucos”. E relança um desafio eclesial: “O problema não são os números – que, certamente, fazem refletir –, mas a falta cada vez mais evidente de consciência de nos sentirmos Igreja, ou seja, membros vivos do Corpo de Cristo, todos com dons e papéis únicos, e não meros usuários do sagrado, dos sacramentos”. A Núncia – e a todos aqueles que vivem as mesmas dificuldades – o Papa indica um caminho: “Como cristãos, sempre precisamos de conversão. Devemos buscá-la juntos”. Lembra que a verdadeira porta da fé “é o Coração de Cristo, sempre escancarado”. O apelo final do Papa se enraíza na herança de Paulo VI: “O que se pode fazer é testemunhar a alegria do Evangelho de Cristo, a alegria do renascimento e da ressurreição”.


Papa exorta jornalistas a construir uma comunicação «livre e dialogante» na verdade

O Papa felicitou hoje o jornal italiano ‘La Repubblica’ pelo seu 50.º aniversário, desafiando os profissionais da comunicação social a promoverem um jornalismo “livre e dialogante”, capaz de superar conflitos e construir a paz. “Desejo que construam sempre uma comunicação livre e dialogante, animada pela busca da verdade e sem preconceitos”, escreveu Leão XIV, na mensagem enviada ao diretor da publicação, Mario Orfeo. O pontífice recordou que o jornal, fundado a 14 de janeiro de 1976 por Eugenio Scalfari, tem em Roma, a Diocese do Papa, um “ponto de observação privilegiado” sobre os acontecimentos globais, tendo relatado com liberdade meio século de história de Itália, do mundo e da própria Igreja.

A mensagem, divulgada pelo vaticano, sublinhou que a liberdade de imprensa, respeitando a diversidade de opiniões e culturas, deve agir sempre com “transparência e correção”, oferecendo um espaço de confronto de ideias que contribua para o “bem comum e para a unidade do género humano”. Para o Papa, o diálogo assume-se como o caminho privilegiado para a construção da paz, valorizando a relação de proximidade que o jornal cultivou com os seus leitores ao longo das últimas cinco décadas. “Com liberdade, leste as páginas destes cinquenta anos. E contaste a história da Igreja”, pode ler-se na missiva, que elogia a capacidade de ler a realidade acolhendo opiniões diferentes. As comemorações do cinquentenário incluem a exposição multimédia ‘La Repubblica. Uma história de futuro’, inaugurada hoje no Mattatoio de Roma, que reúne fotografias, entrevistas e sátiras políticas que marcaram a linguagem jornalística.

«Uma paz imperfeita pode ser preferível em relação à guerra» (Pedro Vaz Patto)

O presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP), da Conferência Episcopal Portuguesa, afirmou que “uma paz imperfeita pode ser preferível em relação à guerra”, e salientou que uma paz verdadeira se baseia “também na justiça”. “Aquele velho adágio ‘se queres a paz, prepara a guerra’, não tem sentido, essa paz será sempre precária, não uma paz autêntica, porque basear a paz na ameaça e no medo, faz que se corra sempre o risco da ameaça passar à guerra”, disse Pedro Vaz Patto, em entrevista à Agência ECCLESIA.

O presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz, organismo laical da Igreja Católica em Portugal, afirmou que para construir a paz “não serve” como fundamento “a ameaça da guerra”, porque cria-se uma escalada, uma espiral, que “pode não ter fim”, a resposta ao rearmamento de um lado, “é natural esperar outro rearmamento”. Para o entrevistado, juiz desembargador, não se fala “numa utopia”, porque entre as pessoas, na ordem interna dos Estados, “o Direito rege e não a lei do mais forte”, e essa deve ser também na ordem internacional, o pensamento cristão, “a Doutrina Social da Igreja, tem salientado isso desde há muito tempo”, no século XVI, muitas vezes, a Escola de Salamanca “é chamada Escola Espanhola do Direito Internacional”, onde estão as suas raízes. Pedro Vaz Patto recorda que a Segunda Guerra Mundial “foi como que um culminar dessa lógica da lei do mais forte”, mas está-se a verificar que “não se atingiu aquela plena vigência do Direito Internacional”, porque não é a primeira vez que está a ser violado.

O presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz realça que “é bom reagir” e salientou dois exemplos de Leão XIV, a mensagem para o Dia Mundial da Paz 2026 (1 de janeiro) e no “recente discurso” ao Corpo Diplomático acreditado junto da Santa Sé, no dia 9, onde criticou a “diplomacia da força” e pediu respeito pela “vontade do povo venezuelano”, e exigiu um “cessar-fogo imediato” na Ucrânia e a solução de “dois Estados” na Terra Santa.

“A sociedade civil, a opinião pública internacional, tem um papel importante”, indicou Pedro Vaz Patto, que destacou ainda que o Papa disse aos embaixadores de mais de 180 Estados, incluindo Portugal, que “a guerra voltou a estar na moda e um fervor bélico está a alastrar”. Sobre o caso concreto da Venezuela, a intervenção dos EUA e a retirada de Nicolas Maduro, o presidente da CNJP recorda que existiu quem “festejasse o facto de se pôr termo a um regime ditatorial”, mas, observa que “não se sabe” se houve a transição para a democracia, ou vai haver. “Não se pode quebrar estas regras de respeito pela integridade territorial, com o fundamento de que dessa forma se está a favorecer a implantação de regimes democráticos, porque os fins não justificam os meios. É fácil encontrar esse pretexto para outras situações em que facilmente se pode justificar qualquer intervenção”, desenvolveu Pedro Vaz Patto, convidado de hoje do Programa ECCLESIA, na RTP2. O juiz desembargador salientou que “a paz verdadeira assenta na justiça”, e que “mesmo uma paz imperfeita pode ser preferível em relação à guerra”, como aconteceu após a Segunda Guerra Mundial, os países do leste da Europa só “conheceram uma paz assente na justiça, muitos anos depois”, e de uma forma pacífica, como salientou o Papa polaco São João Paulo II na encíclica ‘Centesimus Annus’ (1 de maio de 1991). O presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz da CEP salientou ainda que se deve pensar que isso pode acontecer também na Rússia, na China, e não se deve deixar de “denunciar

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *