Novos Ventos – 30 de Novembro

I Domingo do Advento – Ano A
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto

Neste I domingo de Advento a liturgia exorta a que vivamos em constante «vigilância», para que o Senhor ao chegar nos encontre preparados. O relato do evangelho de hoje revela que no tempo de Noé as pessoas andavam distraídas, preocupadas apenas com as coisas materiais, com grandes festas e voltados sobre si mesmos, com uma vida estéril e com pouca profundidade (casavam e davam em casamento), de tal forma que não se aperceberam dos sinais. Enquanto, Noé e a sua família começaram a construir a barca.

A outra parábola apresentada reforça a ideia da «vigilância» de forma que quando chegar o momento do encontro com Deus, não sejamos surpreendidos como a pessoa que deixou o ladrão assaltar a casa. Na verdade, não importa saber o momento nem a hora do nosso encontro com Deus, porque se tivermos vigilantes nada nos pode amedrontar porque esse será um momento de júbilo e de alegria, mas se não estivermos preparados é verdade que esse momento nos pode causar angústia e até medo.

Mas, como nos podemos preparar? A resposta é evidente procurando ao longo do tempo do Advento retirar as pedras e os obstáculos que nos impede de criar um relacionamento de maior intimidade com o Senhor, procurar estar mais atentos aos outros, procurar desenvolver gestos de paz e de fraternidade em família e na comunidade cristã ou até no trabalho, na escola dando abrindo as portas do coração.

A leitura do Livro de Isaías, o profeta Isaías partilha connosco o seu sonho da paz universal e da comunhão fraterna de todos os povos e nações. Trata-se de uma utopia ingénua e impossível? Trata-se de uma promessa de Deus; e as promessas de Deus não costumam cair em saco roto. Jesus, Aquele cujo nascimento celebraremos no final do advento, foi enviado por Deus ao nosso encontro para concretizar essa promessa.

A leitura da Epistola de São Paulo aos Romanos, Paulo de Tarso avisa os cristãos de Roma – e os cristãos de todas as épocas e lugares – que o tempo está a passar e que se aproxima o dia da nossa libertação definitiva. Portanto, é altura de abandonarmos as “obras das trevas” e de nos revestirmos das “armas da luz”. O Senhor Jesus vai chegar; temos de estar preparados para o encontro com Ele.

O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Mateus, traz-nos parte de um discurso de Jesus pronunciado diante dos discípulos, no Monte das Oliveiras, poucos dias antes da Sua paixão e morte. A indicação que Jesus deixa é clara: “Vigiai, estai sempre preparados, não vos deixeis distrair por futilidades, vivei atentos aos desafios que Deus vos lança, não esqueçais a Boa nova que vos propus, olhai com amor e misericórdia os irmãos que caminham ao vosso lado, empenhai-vos a cada instante na construção de um mundo mais justo, mais humano e mais feliz”. Para os discípulos de Jesus, o desleixo, a preguiça, a indiferença, o conformismo, não são opção.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Mateus

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Como aconteceu nos dias de Noé, assim sucederá na vinda do Filho do homem. Nos dias que precederam o dilúvio, comiam e bebiam, casavam e davam em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca; e não deram por nada, até que veio o dilúvio, que a todos levou. Assim será também na vinda do Filho do homem. Então, de dois que estiverem no campo, um será tomado e outro deixado; de duas mulheres que estiverem a moer com a mó, uma será tomada e outra deixada. Portanto, vigiai, porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor. Compreendei isto: se o dono da casa soubesse a que horas da noite viria o ladrão, estaria vigilante e não deixaria arrombar a sua casa. Por isso, estai vós também preparados, porque na hora em que menos pensais, virá o Filho do homem. Palavra da Salvação


Leão XIV chega a Istambul

Após cumprir extensa agenda em Ancara, o Papa deixou a capital turca às 18h35 (hora local) a bordo do Airbus A320neo da Ita Airways, com destino a Istambul, onde chegou às 19h12 no Aeroporto Istanbul-Atatürk. Logo ao descer do avião, o Pontífice foi acolhido por algumas crianças que lhe ofereceram flores e por autoridades locais. Não houve discursos. Após as breves saudações, o Pontífice se deslocou em automóvel até a Delegação Apostólica, distante 24 km, que o acolherá durante sua permanência em Istambul. Na manhã de sexta-feira, 28, o Pontífice reza a Missa de forma privada logo cedo e segue para a Catedral do Espírito Santo, para o encontro de oração com os bispos, sacerdotes, diáconos, consagrados, consagradas e agentes de pastoral. Logo após, a visita à Casa de Acolhida para idosos das Irmãzinhas dos Pobres. Leão XIV retorna então à Delegação Apostólica para o encontro privado com o rabino chefe da Turquia. Após o almoço, o deslocamento em helicóptero até Iznik, antiga Niceia, para o Encontro Ecumênico de Oração nas proximidades das escavações arqueológicas da antiga Basílica de São Neófito.

Após o momento de oração, o retorno a Istambul, onde na Delegação Apostólica encontrará os bispos da Turquia de forma privada.

Visita à Dyanet, último compromisso em Ancara

O último compromisso do Papa em Ancara foi a visita à Presidência para os Assuntos Religiosos (Dyanet), onde encontrou-se com Safi Arpaguş para um breve colóquio. Na Turquia, as questões religiosas estão sob a jurisdição da Presidência dos Assuntos Religiosos (Diyanet), uma agência estatal criada em 1924 (Artigo 136) para substituir a autoridade religiosa otomana (Shayk al-Islam) após a abolição do Califado. A agência está subordinada ao escritório do presidente e promove os ensinamentos e práticas do islamismo sunita. A Constituição turca define o país como um Estado laico (Artigo 2). A Carta garante a liberdade de consciência, crença religiosa, convicção, expressão e culto. O Artigo 24 proíbe a discriminação por motivos religiosos e a exploração ou o abuso de “sentimentos e objetos religiosos considerados sagrados pelas religiões”. O Estado interpreta restritivamente o Tratado de Lausanne de 1923, que se refere especificamente a “minorias não muçulmanas”, e, portanto, concede o estatuto legal de minoria apenas a três grupos reconhecidos: cristãos apostólicos armênios, cristãos ortodoxos gregos e judeus.


Ajuda à Igreja que Sofre: Cardeal Kurt Koch é o novo presidente internacional da fundação pontifícia

O Papa nomeou o cardeal Kurt Koch como novo presidente internacional da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), sucedendo ao cardeal Mauro Piacenza, informou hoje o secretariado português. “Estamos felizes por ter o cardeal Koch como novo presidente e pela orientação que ele pode trazer à nossa missão em prol dos Cristãos perseguidos e necessitados em todo o mundo”, afirmou Regina Lynch, presidente executiva da AIS internacional, citada por um comunicado enviado à Agência ECCLESIA. A AIS agradece a Leão XIV “por esta nomeação e pelo seu interesse” no trabalho da organização. O cardeal Kurt Koch, de 75 anos, é o prefeito do Dicastério para a Promoção da Unidade dos Cristãos e lidera a Comissão para as Relações Religiosas com o Judaísmo desde 2010. O novo presidente “não é um estranho para a AIS, pois tem colaborado estreitamente com a fundação pontifícia ao longo dos anos e, em particular, com os seus escritórios nacionais suíço e alemão, participando em conferências e peregrinações, entre outros eventos”, pode ler-se no comunicado. O cardeal Kurt Koch nasceu no cantão de Lucerna, na Suíça, em 1950, e concluiu os seus estudos na Alemanha e na Suíça, tendo sido ordenado sacerdote em 1982. Em 1995, foi nomeado bispo de Basileia após ser consagrado pelo Papa João Paulo II e nomeado cardeal pelo Papa Bento XVI em 2010.

“A lógica da pequenez é a verdadeira força da Igreja”

No início do segundo dia de sua Viagem Apostólica à Türkiye (Turquia), o Papa Leão XIV reuniu-se, nesta sexta-feira, 28 de novembro, com bispos, sacerdotes, diáconos, consagrados e agentes pastorais na Catedral do Espírito Santo, em Istambul. Participaram do encontro cerca de 800 pessoas, entre fiéis reunidos dentro e fora da igreja.

A força que nasce do pequeno

Ao falar da identidade e da missão da Igreja no país, o Papa destacou um critério evangélico que define o verdadeiro modo de Deus agir ao longo da história: “A lógica da pequenez é a verdadeira força da Igreja. Efetivamente, esta não reside nos seus recursos e nas suas estruturas, nem os frutos da missão da Igreja derivam do consenso numérico, poder econômico ou relevância social. Em vez disso, ela vive da luz do Cordeiro […] e é novamente chamada a sempre confiar na promessa do Senhor: ‘Não temais, pequenino rebanho, porque aprouve ao vosso Pai dar-vos o Reino’.” Leão XIV reconheceu que a comunidade católica na Turquia é numericamente pequena, mas insistiu que ela permanece “fecunda como semente e fermento do Reino”. Por isso, convidou todos a testemunhar o Evangelho com “alegria e esperança confiante”, observando que já hoje surgem sinais promissores, como o crescente número de jovens que procuram a Igreja com perguntas e inquietações espirituais.

Prioridades pastorais

O Papa indicou âmbitos fundamentais para a missão da Igreja na Turquia: o diálogo ecumênico e inter-religioso, a transmissão da fé à população local e o serviço pastoral aos refugiados e migrantes. Ao mesmo tempo, encorajou a perseverança no trabalho catequético, especialmente no acompanhamento dos muitos jovens que procuram a Igreja com perguntas e inquietações, sinal promissor que exige escuta e criatividade missionária. Sobre a pastoral relacionada aos migrantes e refugiados, o Papa destacou que a presença muito significativa de pessoas deslocadas no país interpela diretamente a comunidade católica, chamada “a acolher e servir aqueles que estão entre os mais vulneráveis”. Recordou ainda que muitos agentes pastorais vêm de outras nações, o que torna essencial o esforço “especial e decidido de inculturação”, para que a fé seja comunicada de modo enraizado na língua, nos costumes e na sensibilidade do povo turco. A inculturação é condição para um anúncio verdadeiramente fecundo do Evangelho.

Niceia e os desafios teológicos de hoje

Por ocasião dos 1700 anos do Primeiro Concílio de Niceia, celebrado em território turco, o Papa apontou três desafios atuais para a Igreja universal. O primeiro é a necessidade de redescobrir a essência da fé cristã em torno do Credo, “bússola” que orienta discernimentos e preserva a unidade. O segundo, combater o que chamou de um “novo arianismo”, quando Jesus é admirado apenas como figura histórica, mas não reconhecido plenamente como Filho de Deus: “Niceia lembra-nos: Cristo Jesus não é uma figura do passado, é o Filho de Deus que está no meio de nós, que guia a história para o futuro que Deus nos prometeu.” O terceiro desafio diz respeito ao desenvolvimento da doutrina, que — explicou — cresce como um organismo vivo, mantendo a verdade essencial da fé ao mesmo tempo em que aprofunda sua forma de expressão.

Intercessão de Maria Santíssima, Theotokos

Antes de encerrar, o Papa recordou a figura querida de São João XXIII, que serviu na Turquia e demonstrou profundo afeto pelo país e seu povo. Inspirado por esse exemplo, o Papa exortou a Igreja local a manter viva a alegria: “Desejo que sejam animados por esta paixão, que conservem a alegria da fé, que trabalhem como pescadores intrépidos no barco do Senhor. Que Maria Santíssima, a Theotokos, interceda por vocês e os proteja”, concluiu Leão XIV.

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