Novos Ventos – 26 de Outubro

XXX Domingo do Tempo Comum – Ano C
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto

Neste XXX domingo do Tempo Comum a liturgia põe em evidência a importância da oração humilde, mas que chega até Deus. No Evangelho de hoje Jesus apresenta uma parábola de dois homens que foram ao templo para orar. O fariseu que se julgava superior ao publicano entra no templo e começa por se vangloriar.

A oração deste homem estava focada em si mesmo e procurou apenas elogiar-se a si próprio dizendo aquilo que fazia cheio de soberba e orgulho. O publicano por sua vez não ousava levantar os olhos para o alto, batendo no peito reconhecia a sua fragilidade e pecado e apenas conseguia pedir perdão a Deus, para que o Senhor tivesse compaixão dele. Este homem reconhecia que sem a Graça e a misericórdia de Deus não era nada.

De facto, enquanto o publicano regressa a casa justificado porque a sua oração foi sincera e humilde reconhecendo que era frágil e que sem a Misericórdia divina não podia nada. O fariseu por sua vez não cessou de proferir palavras vazias, cheio de si mesmo era capaz de dizer que não era como os outros que eram pecadores e ele considerava-se perfeito. É necessário reconhecer a nossa frágil condição de pecadores e ter a coragem de pedir a misericórdia divina.

A leitura do Livro de Ben Sirá, um sábio judeu do séc. II a.C. lembra aos seus concidadãos – impressionados pela arrogância dos conquistadores gregos e pelo brilho da cultura helénica – que Deus não faz aceção de pessoas: Ele escuta as súplicas dos desprezados e faz justiça às vítimas dos poderosos. Talvez as vozes dos humildes não signifiquem nada para os grandes do mundo; mas elas atravessam as nuvens e vão diretas ao coração de Deus.

A leitura da Epistola de São Paulo a Timóteo, propõe-nos o testemunho do apóstolo Paulo na fase final da sua vida: apesar de todas as contrariedades e vicissitudes que teve de enfrentar por causa da sua fidelidade a Jesus e ao Evangelho, Paulo manteve-se fiel e coerente: combateu o bom combate e guardou a fé. Resta-lhe agora confiar em Deus e entregar-se nas suas mãos. O exemplo de Paulo aponta o caminho aos crentes de todas as épocas.

O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Lucas, Jesus, conta uma parábola “para alguns que se consideravam justos e desprezavam os outros”. Colocando frente a frente a figura de um fariseu de vida exemplar e de um publicano de vida mais do que duvidosa, Jesus tira uma conclusão desconcertante: de nada valem as “boas obras” do “justo” que, convencido dos seus méritos, se apresenta diante de Deus e dos irmãos com orgulho e arrogância; Deus prefere o pecador que, humildemente, reconhece a sua indignidade e se dispõe a abraçar a salvação que lhe é oferecida.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Lucas

Naquele tempo, Jesus disse a seguinte parábola para alguns que se consideravam justos e desprezavam os outros: «Dois homens subiram ao templo para orar; um era fariseu e o outro publicano. O fariseu, de pé, orava assim: ‘Meu Deus, dou-Vos graças por não ser como os outros homens, que são ladrões, injustos e adúlteros, nem como este publicano. Jejuo duas vezes por semana e pago o dízimo de todos os meus rendimentos’. O publicano ficou a distância e nem sequer se atrevia a erguer os olhos ao céu; mas batia no peito e dizia: ‘Meu Deus, tende compaixão de mim, que sou pecador’. Eu vos digo que este desceu justificado para sua casa e o outro não. Porque todo aquele que se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado». Palavra da Salvação


Abusos, Leão XIV recebe vítimas e ativistas: “O Papa nos ouviu e apoiou”

Tudo começou com uma carta, que hoje se transformou em um encontro no Palácio Apostólico — o primeiro do Papa Leão XIV, desde sua eleição, com um grupo de vítimas de abusos e ativistas que lutam contra o que os últimos pontífices chamaram de uma “chaga”. Leão XIV recebeu na manhã de hoje seis membros do Conselho Diretivo da ECA Global (Ending Clergy Abuse), organização de direitos humanos composta por ativistas e vítimas de abusos sexuais cometidos por representantes da Igreja Católica, provenientes de mais de 30 países e seis continentes. A rede, especialmente ativa nos Estados Unidos, desde sua fundação em 2018, trabalha para que a Igreja Católica siga as recomendações da ONU de 2014 quanto a uma política eficaz de “tolerância zero”. A audiência de hoje com o Papa Leão, afirmam os membros da ECA, representa “um passo histórico e cheio de esperança rumo a uma maior cooperação”.

Um diálogo direto e respeitoso

O encontro de hoje, como mencionado, nasceu de uma carta enviada pela ECA ao recém-eleito Pontífice. Inspirados pelas palavras de Robert Francis Prevost, pronunciadas na Loggia das Bênçãos, os membros da entidade se apresentaram “como construtores de pontes, prontos para caminhar juntos rumo à verdade, à justiça e à cura”. Em tempos tão “polarizados”, escreveram, “o ato mais radical que podemos fazer agora é sentar e conversar”. O Papa respondeu “positivamente” à carta e, com um “gesto de abertura”, aceitou a oportunidade de “um diálogo direto e respeitoso sobre os caminhos a seguir”. Daí surgiu a reunião privada no Palácio Apostólico, que durou cerca de uma hora, mas foi densa em testemunhos e propostas. “Viemos não apenas para expressar nossas preocupações, mas também para avaliar como podemos colaborar para garantir a proteção de crianças e adultos vulneráveis em todo o mundo”, afirmou Janet Aguti, de Uganda, vice-presidente do conselho da ECA. Não havia “raiva”, esclareceu novamente Gemma, mas apenas “esperança” de responsabilidade e mudança duradoura: “Acreditamos na dignidade intrínseca de cada criança e adulto vulnerável, na coragem de cada sobrevivente e na responsabilidade moral da Igreja de agir com transparência e compaixão. Nossa missão é apoiar os que sofreram danos, promovendo reformas que protejam os mais frágeis e contribuindo para restaurar a confiança e a integridade de uma instituição que sabemos ser capaz de realizar grandes coisas.”

Vontade de trabalhar juntos

O objetivo, acrescentou Tim Law, cofundador e membro do conselho da ECA nos EUA, “não é o confronto, mas sim a responsabilidade, a transparência e a disposição de trabalhar juntos para encontrar soluções”. Isso não é pouco, considerando que muitos — como relataram —, ao buscarem ajuda, encontraram apenas um muro. “Como sobrevivente de uma escola residencial, carrego o peso do trauma intergeracional causado por instituições que deveriam nos proteger. O encontro de hoje é mais um passo rumo à verdade e à reconciliação”, destacou a canadense Evelyn Korkmaz.


Leão XIV: a santidade floresce no serviço cotidiano aos mais vulneráveis

O Papa Leão XIV recebeu na manhã desta segunda-feira, 20 de outubro, na Sala Paulo VI, os peregrinos provenientes de diversas partes do mundo que vieram a Roma para participar das canonizações celebradas no último domingo. Durante o encontro, o Pontífice dirigiu-se aos fiéis em italiano, inglês e espanhol, e sublinhou a universalidade da Igreja e a comunhão que une os cristãos de todos os continentes em uma única fé: “Os novos santos são sinais luminosos de esperança, porque ofereceram suas vidas por amor a Cristo e aos irmãos.”

Um pastor segundo o coração de Cristo

Ao recordar o bispo mártir armênio Inácio Maloyan, o Papa destacou o testemunho de um pastor fiel até o fim: “Quando lhe pediram que renunciasse à fé em troca da liberdade, não hesitou em escolher o Senhor, chegando ao ponto de derramar seu sangue por Deus”, disse Leão XIV, evocando o povo armênio que “grava a cruz na pedra como sinal de sua fé firme e inabalável”. O Papa pediu que a intercessão do novo santo renove o fervor dos fiéis e traga frutos de reconciliação e paz para todos.

Coragem e fidelidade ao Evangelho

O Pontífice voltou seu olhar à Oceania ao recordar o exemplo do catequista São Pedro To Rot, natural da Papua-Nova Guiné, que enfrentou perseguições durante a Segunda Guerra Mundial: “Embora fosse um simples catequista, demonstrou coragem extraordinária ao arriscar a vida para continuar sua missão, mesmo quando o trabalho pastoral era proibido.” São Pedro To Rot defendeu com firmeza a santidade do matrimônio, mesmo diante das autoridades que permitiam a poligamia. “Que o seu exemplo nos encoraje a defender as verdades da fé, mesmo ao custo do sacrifício pessoal, e a confiar sempre em Deus nas provações”, exortou o Santo Padre.

A fé e a unidade de um povo

Em espanhol, Leão XIV recordou os santos venezuelanos José Gregorio Hernández e Carmen Rendiles, recentemente canonizados, mencionando a carta publicada pelos bispos da Venezuela no dia 7 de outubro por ocasião do evento. O Papa destacou as virtudes que marcaram suas vidas: fé, esperança e caridade, e que devem servir de estímulo para a unidade nacional. O Pontífice convidou os fiéis a reconhecer em cada pessoa um irmão a ser respeitado e amado, e a caminhar juntos na construção do Reino de Deus com alegria: “Se Deus é nossa recompensa eterna, nossas lutas não podem se encerrar em metas passageiras. A caridade, que nasce do dom recebido, nos faz encontrar o verdadeiro sentido da vida e nos pede que a construamos no serviço aos enfermos, aos pobres e aos mais pequenos.”

Jesus Ressuscitado cura a tristeza que paralisa o coração

“A ressurreição de Jesus Cristo é um acontecimento que nunca deixamos de contemplar e meditar, e quanto mais nos aprofundamos nele, mais nos enchemos de admiração, atraídos como que por uma luz insuportável e ao mesmo fascinante. Foi uma explosão de vida e alegria que mudou o significado de toda a realidade, de negativo para positivo; contudo, não aconteceu de forma dramática, muito menos violenta, mas de forma suave, oculta, quase humilde.” Com estas palavras, o Papa Leão XIV introduziu a catequese da Audiência Geral desta quarta-feira, 22 de outubro, realizada na Praça São Pedro, repleta de fiéis e peregrinos de diversas partes do mundo. Ao refletir sobre o mistério pascal, o Pontífice convidou os presentes a contemplar a força transformadora da Ressurreição, capaz de iluminar até mesmo as realidades mais sombrias da vida humana.

A tristeza, doença do nosso tempo

“Hoje refletiremos sobre como a ressurreição de Cristo pode curar uma das doenças do nosso tempo: a tristeza”, afirmou o Papa. Segundo ele, trata-se de um mal “invasivo e generalizado”, que acompanha o cotidiano de muitas pessoas: “É um sentimento de precariedade, por vezes de profundo desespero, que invade o espaço interior e parece prevalecer sobre qualquer onda de alegria”. O Santo Padre observou que essa tristeza mina o sentido e o vigor da vida, “transformando-a numa viagem sem direção nem propósito”. Para ilustrar essa experiência humana, o Papa recordou o episódio evangélico dos discípulos de Emaús (Lc 24,13-29), apresentado como um verdadeiro paradigma da tristeza e da desilusão.

O caminho de Emaús e o reencontro com a esperança

Desencantados e desanimados, os dois discípulos deixam Jerusalém, abandonando as esperanças depositadas em Jesus. “A esperança desapareceu, a desolação tomou conta do coração”, descreveu Leão XIV, destacando o paradoxo de uma caminhada triste realizada justamente no dia da vitória da luz, o Domingo da Ressurreição.

No entanto, é nesse caminho de desalento que o próprio Cristo Ressuscitado se aproxima deles. “A tristeza tolda-lhes os olhares”, comentou o Pontífice, “apagando a promessa que o Mestre tantas vezes fizera: que seria morto e, ao terceiro dia, ressuscitaria”. Jesus, com paciência e ternura, escuta os discípulos e, em seguida, os convida a redescobrir nas Escrituras o sentido de sua paixão e glória. Aos poucos, o coração dos dois começa a arder de novo.

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