Novos Ventos – 03 de Agosto

XVIII Domingo do Tempo Comum – Ano C
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto

Neste XVIII Domingo do Tempo Comum a liturgia apresenta um episódio muito pertinente para os dias de hoje; trata-se de um problema familiar de heranças. Este homem ao qual se desconhece a sua proveniência e nem o seu nome, pode representar cada um de nós. Sabemos de antemão que tinha um irmão e cuja relação estava ferida por causa de heranças. Este homem vai pedir a Jesus que possa intervir diante do irmão, para que este reparta a herança com ele. A resposta de Jesus é clara: «Amigo, quem Me fez juiz das vossas partilhas?» e prossegue ao dirigir-se aos presentes «…a vida de uma pessoa não depende da abundância dos seus bens». De facto, Jesus adverte os presentes para não acumularem tesouros nem riquezas neste mundo, mas em se tornarem ricos aos olhos de Deus.

A nossa cultura ocidental está cada vez mais pautada pela fama, poder social, pelo carreirismo, pela ganância desenfreada em possuir coisas materiais, do que procurar ter a paz interior e criar bases sólidas e ambientes familiares saudáveis. O relato do Evangelho de hoje permite nos perceber que as grandes rupturas familiares entre irmãos é derivado às partilhas, por vezes ao ponto de não se voltarem a falar. Por último, Jesus lança uma pergunta que leva a questionar o verdadeiro sentido da vida: “Insensato! Esta noite terás de entregar a tua alma. O que preparaste, para quem será?».

A leitura do Livro de Coelet, um sábio de Israel (o “Cohelet”) oferece-nos a sua reflexão sobre o sentido da vida. Com pessimismo, mas também com realismo, constata que não vale a pena o homem afadigar-se a acumular bens que um dia abandonará. Esses bens nunca encherão de sentido a vida do homem. Embora a reflexão do “Cohelet” não vá mais além, constitui um patamar para partirmos à descoberta de Deus e para encontramos n’Ele o sentido último da nossa existência.

A leitura da Epistola de São Paulo aos Colossenses, Paulo convida-nos a optar pelas “coisas do alto”, em detrimento das “coisas da terra” (brilhantes e sugestivas, mas também efémeras e fúteis). Aquele que, no batismo, foi enxertado com Cristo, tem de viver de tal forma que seja, no meio dos seus irmãos, “imagem do Criador”.

O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Lucas, Jesus, através da parábola do “rico insensato”, denuncia a falência de uma vida voltada exclusivamente para o gozo dos bens materiais. Quem aposta tudo no conforto, no bem-estar, na segurança que o dinheiro proporciona, é um “louco”. As suas opções irresponsáveis levam-no a passar ao lado das coisas mais belas da vida, das coisas que realizam o homem e lhe proporcionam uma felicidade sem fim.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Lucas

Naquele tempo, alguém, do meio da multidão, disse a Jesus: «Mestre, diz a meu irmão que reparta a herança comigo». Jesus respondeu-lhe: «Amigo, quem Me fez juiz ou árbitro das vossas partilhas?». Depois disse aos presentes: «Vede bem, guardai-vos de toda a avareza: a vida de uma pessoa não depende da abundância dos seus bens». E disse-lhes esta parábola: «O campo dum homem rico tinha produzido excelente colheita. Ele pensou consigo: ‘Que hei de fazer, pois não tenho onde guardar a minha colheita? Vou fazer assim: Deitarei abaixo os meus celeiros para construir outros maiores, onde guardarei todo o meu trigo e os meus bens. Então poderei dizer a mim mesmo: Minha alma, tens muitos bens em depósito para longos anos. Descansa, come, bebe, regala-te’. Mas Deus respondeu-lhe: ‘Insensato! Esta noite terás de entregar a tua alma. O que preparaste, para quem será?’. Assim acontece a quem acumula para si, em vez de se tornar rico aos olhos de Deus». Palavra da Salvação


Palavra de vida (Agosto)

«Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará o vosso coração» (Lc 12,34)

Este ensinamento de Jesus é mencionado pelo evangelista Lucas. Jesus ia, com os seus discípulos, a caminho de Jerusalém, para a Sua Páscoa de morte e ressurreição. Dirige-se a eles, chamando-lhes «pequeno rebanho»[1], confiando-lhes o que Ele tinha no coração, os sentimentos profundos do seu espírito. Entre estes estão o desapego dos bens terrenos, a confiança na providência do Pai e a vigilância interior, na espera ativa do Reino de Deus.

Nos versículos precedentes Jesus encoraja-os ao desprendimento de tudo, até da própria vida e a não se angustiarem por causa das necessidades materiais, porque o Pai conhece as suas necessidades. Convida-os a procurar acima de tudo o Reino de Deus, encorajando-os a acumular «um tesouro inesgotável no Céu»[2]. É claro que Jesus não exorta à passividade em relação às coisas terrenas, ou a uma conduta irresponsável no trabalho. A sua intenção é libertar-nos da ansiedade, da inquietação, do medo. Augusto Parody Reyes


Jubileu dos Jovens: 25 mil peregrinos alojados na ‘Fiera di Roma’

Café da manhã italiano para todos

Outros estão tomando café da manhã em mesas de madeira dispostas ao longo do corredor que separa os nove pavilhões onde acabaram de passar a noite. Cada pavilhão tem sua própria e eficiente distribuição de produtos para o café da manhã: croissants, geleias, torradas, sucos de frutas. Os jovens observam os voluntários prepararem a primeira refeição do dia. Será que ficarão satisfeitos com o café da manhã “à italiana”? As placas das dezenas de ônibus estacionados entre os pavilhões revela suas nacionalidades: vêm da Polônia, Portugal, França, Espanha e dezenas de outros países. Mais de 250 chuveiros e uma fila interminável de banheiros portáteis também foram instalados entre os pavilhões. Os madrugadores já estão usando os banheiros para escovar os dentes ou lavar o rosto.

De Paris, uma peregrina de “última hora”

Naturalmente, há uma estrutura inflável, posicionada entre duas enormes pilhas de garrafas d’água, abrigando um posto médico móvel. Os médicos já estão ocupados nas primeiras horas da manhã. Na fila está Eulalie Lescure, 26 anos, de Paris, que acaba de acompanhar uma amiga ao médico. Ela descreve sua partida com um sorriso, descrevendo-se como uma “peregrina de última hora”: “Comprei a passagem para Roma há uma semana e não estava muito preparada. Vim sozinha, mas me juntei com um grupo de cerca de 3.000 pessoas e, claro, todos os dias encontro novos peregrinos.” Eulalie já havia participado da Jornada Mundial da Juventude em Lisboa e pode comparar as duas experiências. Já dormi aqui duas noites. Dormi bem. O único problema eram as luzes: só as apagavam à 1h da manhã e voltavam a acender às 5h. Resumindo, tivemos apenas quatro horas de escuridão. As acomodações são espartanas, mas tudo bem. Não vim para ficar em um hotel cinco estrelas. Não é esse o ponto. Acho que nos hospedar aqui é uma boa ideia. Em Lisboa, fui voluntário, aqui estou vivenciando o Jubileu como peregrino. Assisti à missa de abertura do Jubileu da Juventude na Praça de São Pedro. Foi muito bonito, principalmente ver o Papa. Visitamos o centro de Roma e a Basílica de São João de Latrão, e conheci muitos italianos, espanhóis e portugueses.

Na Fiera di Roma, um mundo em miniatura vivendo em paz

Muitas línguas, muitas culturas, muitas maneiras diferentes de se comportar. Hoje em dia, os pavilhões da Fiera di Roma oferecem um vislumbre representativo de um mundo em miniatura, com seus desafios de compartilhar espaços e recursos comuns que devem ser suficientes para todos. Como no mundo adulto, também aqui a cooperação de todos é necessária para conviver e viver em paz. “Estou hospedada na Domus, uma residência reservada para voluntários como eu, que fazem a segurança na Basílica de São Pedro. Mas quando soube dessa iniciativa aqui na Fiera di Roma, vim fazer a segurança aqui”, conta Sofia Colonna, 22 anos, de Messina. “Sou responsável – explica – pela segurança do Pavilhão 7. Meu trabalho, juntamente com os outros voluntários do meu grupo, é garantir que os peregrinos se sintam confortáveis em seu pavilhão e que prevaleça um clima de serenidade.” Quem trabalha com segurança conhece bem os ingredientes da coexistência pacífica. “Os jovens peregrinos são todos muito animados, mas tudo aqui acontece dentro dos limites da educação católica, então há um forte senso de educação e um desejo de colaboração. A colaboração dos peregrinos”, conclui Sofia, que estará de plantão na Fiera di Roma até 4 de agosto e na Praça de São Pedro até o final de setembro, “é essencial para ajudar a criar uma atmosfera positiva”.

Terra Santa, o compromisso da CEI com as comunidades afetadas pela guerra

A Conferência Episcopal Italiana continua ao lado das comunidades da Terra Santa, devastadas por anos de violência e agora por um conflito que causa morte e destruição, com graves repercussões nos territórios vizinhos. Nesta região devastada, o Serviço nacional de intervenções caritativas para o desenvolvimento dos povos financiou 143 projetos, totalizando quase 43 milhões de euros. Nos últimos meses, devido à emergência causada pelo fechamento de outros hospitais e ao grande fluxo de refugiados, foi necessário financiamento para o hospital de Karak, administrado pelas Missionárias Combonianas na fronteira com a Cisjordânia. Mais 300.000 euros foram recentemente disponibilizados. Além disso, por meio da Caritas Italiana, projetos da Caritas Jerusalém e de outros parceiros da sociedade civil palestina e israelense foram apoiados.

Próximos da Terra Santa com a oração e ajuda concreta

Nos últimos dois anos, 1.645.000 euros foram destinados para atender à emergência humanitária, fornecer assistência médica e apoio psicossocial às famílias em Gaza, Jerusalém Oriental e Cisjordânia, iniciar programas de reabilitação socioeconômica e promover o diálogo entre israelenses e palestinos, sem nunca perder a esperança de uma paz duradoura. “Fazemo-nos próximos da comunidade da Terra Santa em oração e com ajuda concreta: sua dor é a nossa dor, suas lágrimas são as nossas. Não podemos nos acostumar com o clamor que se eleva dia e noite a Deus, mas também aos nossos ouvidos. Estar presente faz a diferença e promove verdadeiramente a paz, uma paz de que a Terra Santa e o mundo inteiro precisam”, afirma o cardeal Matteo Zuppi, arcebispo de Bolonha e presidente da CEI.