XV Domingo do Tempo Comum – Ano C
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto
Neste XV Domingo do Tempo Comum, o evangelho nos apresenta dois grandes temas; o primeiro consiste na ânsia da humanidade sobre realidade da vida futura: «O que é preciso fazer para receber como herança a vida eterna?»; o segundo, porém consiste na resposta dada por Jesus ao doutor da lei sobre a importância de «amar o próximo». O Evangelho deste domingo relata o episódio do samaritano que presta auxílio àquele homem maltratado pelos salteadores. Neste excerto, verificamos duas atitudes diferentes; a indiferença de alguns ilustres da sociedade os sacerdotes e levitas que mostram indiferença diante daquele homem ferido e maltratado, optam por passar ao lado, ignorar, não querem sujar as mãos nem se comprometem com o sofrimento alheio. Diferente é a atitude daquele estrangeiro que indo de viagem ao ver aquele homem, aproxima-se cuida dele e trata-lhe as feridas. O evangelho deste domingo é um desafio constante para nós os crentes a não permanecermos indiferentes diante dos problemas e sofrimentos dos outros. Por vezes, nós somos tentados a passar à margem tal como o sacerdote, vivemos tão acomodados no nosso pequeno mundo que o sofrimento dos outros nos passa ao lado, ou se calhar até preferimos passar para o outro lado da rua para não nos incomodarmos. Quantas vezes nos deparamos com pessoas caídas e que esperam receber de nós uma palavra de afeto, uns breves minutos de atenção e nós atarefados simplesmente ignoramos. Hoje, o mundo necessita de samaritanos para levantar aqueles que estão caídos, esmagados pelo sofrimento. Vivemos num mundo cada vez mais globalizado que nos permite estar a assistir em simultâneo o que acontece no outro lado do mundo, mas o nosso coração permanece insensível às tragédias e sofrimentos dos outros. A resposta de Jesus é clara dizendo que o nosso próximo é aquele que encontramos no caminho da vida e que o nosso dever enquanto cristãos é prestar-lhes auxílio.
A leitura do Livro de Deuteronómio, Moisés lembra aos hebreus prestes a entrar na Terra Prometida que devem, em cada passo da sua vida e da sua história, escutar a voz de Deus, cumprir os preceitos e mandamentos que Deus lhes propôs, converterem-se a Deus com todo o coração e com toda a alma. Se o povo perseverar nesse caminho, encontrará vida e felicidade.
A leitura da Epistola de São Paulo aos Colossenses, Paulo apresenta-nos um hino que celebra a grandeza universal de Cristo, aquele que tem soberania sobre toda a criação e que é a cabeça da Igreja. O hino exorta os crentes a fazerem de Cristo a sua referência e a viverem em comunhão com Ele. Por Cristo passa, indubitavelmente, o caminho que conduz à vida eterna.
O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Lucas, Jesus ajuda um “mestre da Lei” a perceber que a vida deve ser construída à volta de dois eixos fundamentais: o amor a Deus e a compaixão pelo “próximo”. Para que as coisas fiquem perfeitamente claras, Jesus conta uma parábola que define claramente quem é esse “próximo”: é qualquer pessoa com quem nos cruzamos e que necessita do nosso cuidado, da nossa solicitude, do nosso amor. Quem vive guiado pelo amor caminha em direção à vida eterna.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Lucas
Naquele tempo, levantou-se um doutor da lei e perguntou a Jesus para O experimentar: «Mestre, que hei de fazer para receber como herança a vida eterna?». Jesus disse-lhe: «Que está escrito na Lei? Como lês tu?». Ele respondeu: «Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma, com todas as tuas forças e com todo o teu entendimento; e ao próximo como a ti mesmo». Disse-lhe Jesus: «Respondeste bem. Faz isso e viverás». Mas ele, querendo justificar-se, perguntou a Jesus: «E quem é o meu próximo?». Jesus, tomando a palavra, disse: «Um homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos dos salteadores. Roubaram-lhe tudo o que levava, espancaram-no e foram-se embora, deixando-o meio-morto. Por coincidência, descia pelo mesmo caminho um sacerdote; viu-o e passou adiante. Do mesmo modo, um levita que vinha por aquele lugar, viu-o e passou também adiante. Mas um samaritano, que ia de viagem, passou junto dele e, ao vê-lo, encheu-se de compaixão. Aproximou-se, ligou-lhe as feridas deitando azeite e vinho, colocou-o sobre a sua própria montada, levou-o para uma estalagem e cuidou dele. No dia seguinte, tirou duas moedas, deu-as ao estalajadeiro e disse: ‘Trata bem dele; e o que gastares a mais eu to pagarei quando voltar’. Qual destes três te parece ter sido o próximo daquele homem que caiu nas mãos dos salteadores?». O doutor da lei respondeu: «O que teve compaixão dele». Disse-lhe Jesus: Então vai e faz o mesmo». Palavra da Salvação

Palavra de vida (Julho 2025)
«Mas um samaritano, que ia de viagem, passou junto dele e, ao vê-lo, encheu-se de compaixão» (Lc 10,33)
É preciso ser capaz de não olhar apenas para os dons pessoais, mas também para as muitas potencialidades e a multiplicidade de visões e de opiniões que se apresentam diante de nós, naqueles que vivem ao nosso lado e com quem nos relacionamos, e até nas pessoas que encontramos por acaso. É importante, com todos, manter a autenticidade no coração e também ter a consciência dos limites do nosso ponto de vista. Esta palavra de vida poderia ser um lema a adotar em todas as situações de diálogo e de confronto. Escutar o outro – não necessariamente para aceitar tudo, mas sabendo que é possível encontrar algo de bom naquilo que ele diz – favorece uma abertura do coração e do pensamento. É fazer o vazio dentro de nós, por amor, e ter assim a possibilidade de construir algo juntos.
«Mas um samaritano, que ia de viagem, passou junto dele e, ao vê-lo, encheu-se de compaixão»
Ao doutor da Lei, que conhece bem o mandamento divino do amor ao próximo[3], Jesus propõe como modelo um estrangeiro, considerado cismático e inimigo. Ele viu o viajante ferido e encheu-se de compaixão, um sentimento que nasce de dentro, da profundidade do coração humano. Por isso, interrompe a sua viagem, aproxima-se e cuida dele. Jesus sabe que cada pessoa humana está ferida pelo pecado e esta é precisamente a Sua missão: curar os corações com a misericórdia e o perdão gratuito de Deus, para que sejam capazes, por sua vez, de proximidade e partilha. «[…] Para aprender a ser misericordiosos como o Pai, perfeitos como Ele, é preciso olhar para Jesus, revelação total do amor do Pai. […] O amor é o valor absoluto que dá sentido a tudo o resto […] que encontra a sua expressão mais elevada na misericórdia. É a Misericórdia que ajuda a ver sempre novas as pessoas com quem vivemos no dia a dia, na família, na escola, no trabalho, sem recordar os seus defeitos, os seus erros. Leva-nos a não julgar, mas a perdoar as ofensas que sofremos. E até a esquecê-las»[4]. Letizia Magri

Paz e diálogo no Mediterrâneo, os jovens da “Bel Espoir” em Istambul
Diálogo para fazer a paz prevalecer
Dirigindo-se aos fiéis após a divina liturgia celebrada na Catedral de São Jorge, em particular aos peregrinos da França, o primaz ortodoxo sublinhou a importância do diálogo como meio para resolver todas as controvérsias e para que a paz prevaleça no mundo. Os jovens em navegação no Mediterrâneo foram exortados a ter coragem, a não ter medo do diálogo: “Não tenham medo do seu próximo, mesmo que reze de forma diferente, que compreenda Deus de forma diferente, porque em cada pessoa habita uma centelha divina, uma presença misteriosa d’Aquele que nos criou à Sua imagem e semelhança. O diálogo começa com um olhar, um gesto, uma palavra bondosa, onde Cristo, a Palavra de Deus, se torna o elo que tudo une. O diálogo começa quando aceitamos a experiência da alteridade”. E num “mundo tenso, marcado por tantos conflitos – na Ucrânia, na Terra Santa, no Oriente Médio, na África – o testemunho de vocês como jovens cristãos é ainda mais precioso”, disse Bartolomeu.
Os jovens do “Bel Espoir”
De março a outubro, partindo de Barcelona e chegando a Marselha, quase duzentos jovens, com idades entre 20 e 35 anos, de todas as nacionalidades, culturas e religiões, divididos em oito grupos, revezam-se a bordo da escuna “Bel Espoir”. Respondendo ao apelo do Papa Francisco para construir a paz no Mediterrâneo, viajam de costa a costa participando em sessões de formação sobre a paz, organizando conferências e festivais em cada porto de escala e vivendo uma experiência de encontro e fraternidade que lançará as bases para o futuro. O espírito é o dos Encontros Mediterrâneos de Bari (2020), Florença (2022), Marselha (2023) e Tirana (2024). As associações Mar Yam e Bel Espoir (Amis de Jeudi Dimanche) são coordenadas diretamente pela Arquidiocese de Marselha, liderada pelo cardeal Aveline, a quem o Papa Francisco confiou a missão de promover e construir a paz no Mediterrâneo. Cerca de trinta portos serão eventualmente alcançados por esta “odisseia” moderna. Em Istambul, na Turquia, o programa incluiu uma visita à igreja de São Salvador em Chora e ao convento dominicano, recebidos pelo padre Claudio Monge, professor de interculturalidade das religiões, residente na Turquia há vinte e dois anos, incluindo uma mesa-redonda sobre ecologia integral a serviço da paz. Uma celebração foi realizada na catedral católica armênia, na presença do cardeal arcebispo de Marselha. As visitas também incluíram uma visita à mesquita de Solimão, o Magnífico, e a outros lugares simbólicos de Istambul. Esta terça-feira, 8 de julho, a navegação foi retomada em direção à Grécia.


É urgente cuidar da casa comum
O simbolismo do espaço, comparado às antigas igrejas dos primeiros séculos, inspirou o Santo Padre a um apelo à conversão: “Devemos rezar pela conversão de muitas pessoas, dentro e fora da Igreja, que ainda não reconhecem a urgência de cuidar da casa comum.” E, em seguida, recordou os “tantos desastres naturais que ainda vemos no mundo, quase todos os dias, em tantos lugares, em tantos países, que são, em parte, causados também pelos excessos do ser humano, com seu estilo de vida. Por isso, devemos nos perguntar se nós mesmos estamos vivendo ou não essa conversão: o quanto ela é necessária!”
Esperança e vida nova
O Pontífice uniu o clima de oração à dura realidade global: “Compartilhamos hoje um momento familiar e sereno, ainda que em um mundo em chamas — seja pelo aquecimento global, seja pelos conflitos armados —, que tornam tão atual a mensagem do Papa Francisco nas Encíclicas Laudato si’ e Fratelli tutti”. Ao refletir o Evangelho proposto, o Papa Leão disse que “o medo dos discípulos na tempestade é o mesmo que acomete grande parte da humanidade. No entanto, no coração do Jubileu, nós confessamos: há esperança! Nós a encontramos em Jesus, o Salvador do mundo”, e completou: “Ele ainda hoje, soberanamente, acalma a tempestade. Seu poder não arruína, mas cria; não destrói, mas faz existir, dando vida nova. E também podemos nos perguntar: “Quem é este, que até os ventos e o mar obedecem?” (Mt 8,27)
Cuidar, reconciliar, transformar
O Papa destacou a sintonia entre Jesus e a natureza: “As parábolas com que anunciava o Reino de Deus revelam um profundo vínculo com aquela terra e aquelas águas, com o ritmo das estações e a vida das criaturas.”, e ao citar o termo usado por Mateus para descrever a tempestade — a palavra seismós — que remete a outro momento decisivo, o terremoto na morte e ressurreição de Jesus, o Santo Padre sublinhou: “O Evangelho nos permite entrever o Ressuscitado, presente em nossa história virada de cabeça para baixo. A repreensão que Jesus dirige ao vento e ao mar manifesta seu poder de vida e salvação, que domina essas forças diante das quais as criaturas se sentem perdidas”. Leão XIV recordou que a fé implica compromisso: “Nossa missão é cuidar da criação, levar a ela paz e reconciliação. Nós escutamos o clamor da terra e dos pobres, pois esse clamor chegou ao coração de Deus. Nossa indignação é a sua indignação, nosso trabalho é o seu trabalho”. Ao citar o salmo 29, que fala da voz forte do Senhor, completou: “Essa voz compromete a Igreja com a profecia, mesmo quando isso exige a ousadia de nos opor ao poder destrutivo dos príncipes deste mundo. A aliança indestrutível entre o Criador e as criaturas, de fato, mobiliza nossas inteligências e nossos esforços, para que o mal se transforme em bem, a injustiça em justiça, a avareza em comunhão.”.