Novos Ventos – 22 de Junho

XII Domingo do Tempo Comum – Ano C
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto

Neste XII Domingo do Tempo Comum a liturgia põe em evidência três pontos fulcrais do ser cristão: a oração, quem é Jesus e ter consciência de que não há cristão sem cruz. O primeiro ponto encontramos no primeiro versículo deste evangelho; Jesus estava a orar com os seus discípulos. Então, para ser discípulo de Jesus é necessário criar momentos e espaços de oração, criar uma relação íntima e de comunhão com Deus. O segundo ponto verificamos que Jesus questiona os discípulos sobre o que pensam acerca da Sua Pessoa «Quem dizeis que Eu sou?». A resposta dada por Pedro é muito assertiva «Tu és o Messias de Deus». Todavia, nem sempre a ideia que nós temos de Jesus é a mais correta. A nossa ideia de Jesus pode tornar-se um pouco distorcida, queremos um Jesus que faça a nossa vontade, um Jesus operador de milagres, um Jesus que não permita o mal no mundo, que faça cessar as guerras. Diante destas tragédias muitas vezes atribuímos as culpas para Deus. A pergunta que Jesus faz aos discípulos torna-se muito pertinente para os nossos dias «e vós quem dizeis que Eu sou?». Quem é Jesus para mim? Qual a importância que ocupa na minha vida, na minha família? Outro aspeto que é importante salientar é a conclusão do Evangelho de hoje, pois às vezes o sofrimento e a cruz nós a repudiamos, ou seja, não queremos uma vida com dificuldades e Jesus recorda aos discípulos que não existe outro caminho «Se alguém quiser vir comigo, renuncie a si mesmo, tome a sua crus todos os dias e siga-Me». O livre-arbítrio “se quiser…”, “renunciar a si mesmo” e claro “tomar a Cruz”. Mas será isto uma forma de masoquismo? Claro que não, a vida é cheia de contratempos e dificuldades e Jesus carregou as nossas maldades ao tomar a sua Cruz por Amor a cada um de nós.

A leitura da Profecia de Zacarias, o profeta Zacarias desafia os habitantes de Jerusalém a olharem para um misterioso profeta “trespassado”, cuja entrega se transformou em fonte de vida nova para os seus irmãos. João, o autor do Quarto Evangelho, identificará essa misteriosa figura profética com o próprio Cristo.

A leitura da Epistola de São Paulo aos Gálatas, Paulo convida os cristãos das comunidades da Galácia a “revestirem-se” de Cristo. “Revestir-se de Cristo” é fazer de Cristo a sua referência, viver em comunhão com Ele, caminhar ao ritmo d’Ele, abraçar o projeto que Ele veio propor. Os que fazem essa opção entram numa grande família de irmãos, iguais em dignidade e herdeiros da vida em plenitude.

O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Lucas, Jesus confronta os discípulos com uma questão decisiva: “quem dizeis que Eu sou, que lugar ocupo eu no vosso projeto de vida?” Depois, convida-os a ir com Ele até Jerusalém, até à cruz, até ao dom total da vida por amor. Jesus garante aos discípulos que uma vida vivida em chave de amor, de serviço, de entrega, de dom, não é uma vida desperdiçada; mas é uma vida plenamente realizada.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Lucas

Um dia, Jesus orava sozinho, estando com Ele apenas os discípulos. Então perguntou-lhes: «Quem dizem as multidões que Eu sou?». Eles responderam: «Uns, dizem que és João Batista; outros, que és Elias; e outros, que és um dos antigos profetas que ressuscitou». Disse-lhes Jesus: «E vós, quem dizeis que Eu sou?». Pedro tomou a palavra e respondeu: «És o Messias de Deus». Ele, porém, proibiu-lhes severamente de o dizerem fosse a quem fosse e acrescentou: «O Filho do homem tem de sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos príncipes dos sacerdotes e pelos escribas; tem de ser morto e ressuscitar ao terceiro dia». Depois, dirigindo-Se a todos, disse: «Se alguém quiser vir comigo, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz todos os dias e siga-Me. Pois quem quiser salvar a sua vida, há de perdê-la; mas quem perder a sua vida por minha causa, salvá-la-á». Palavra da Salvação


Leão XIV aos bispos italianos: a Igreja deve ser casa de paz e reconciliação

Colegialidade e fidelidade ao Evangelho

Em clima fraterno, Leão XIV agradeceu a oração dos bispos e das comunidades: “Preciso muito delas!” Em seguida, inspirando-se no espírito do Concílio Vaticano II e no decreto Lumen Gentium, ressaltou que deseja viver seu serviço em colegialidade com o episcopado, como parte de um único colégio apostólico, com Pedro à frente. Nesse sentido, destacou a importância da comunhão entre os bispos e com o Papa, refletida também na colaboração com as instituições civis, a serviço do bem comum. “A CEI é chamada a ser expressão de colegialidade e lugar de escuta, articulação e coordenação pastoral, sempre na fidelidade ao Evangelho”, afirmou.

Coragem diante dos desafios do tempo presente

Diante dos desafios do tempo presente, como a secularização, o esfriamento da fé, a crise demográfica e as transformações culturais, o Papa evocou palavras proferidas por Francisco na abertura da 70ª Assembleia da CEI, para lembrar que é necessária “audácia” diante da tendência de normalizar realidades inaceitáveis. A profecia, disse, não exige rupturas, mas sim escolhas corajosas, que nascem da escuta atenta de Deus e do povo: “A Igreja deve deixar-se ‘incomodar’ pelas situações humanas, animada pelo espírito das Bem-aventuranças, que são programa e critério do agir cristão”.

A alegria do Evangelho no centro da missão

O Papa insistiu na centralidade do anúncio de Jesus Cristo, que deve ser colocado no centro da vida da Igreja e das suas estruturas pastorais. “É necessário um renovado impulso na evangelização, que ajude as pessoas a viverem uma relação pessoal com o Senhor. Trata-se de reacender a alegria do Evangelho”, afirmou. Citando a Evangelii Gaudium, Leão XIV ressaltou que, num tempo de dispersão e fragmentação, é urgente retornar ao kerygma, o núcleo vivo da fé: “Este é o primeiro grande compromisso que deve nos motivar: levar Cristo ‘nas veias’ da humanidade, renovando e compartilhando a missão apostólica: ‘O que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos’ (1Jo 1,3).”

Igreja como casa da paz

Entre os apelos centrais do discurso, esteve o chamado à paz. Leão XIV afirmou que a Igreja não pode deixar de ser, em cada território, espaço de reconciliação, “casa da paz” onde se aprende a desarmar hostilidades e cultivar justiça e perdão: “O Senhor nos envia ao mundo para levar o seu próprio dom: ‘A paz esteja convosco!’”, e completou: “Espero, então, que cada diocese possa promover percursos de educação para a não violência, iniciativas de mediação em conflitos locais, projetos de acolhida que transformem o medo do outro em oportunidade de encontro. […] A paz não é uma utopia espiritual: é um caminho humilde, feito de gestos cotidianos, que entrelaça paciência e coragem, escuta e ação. E que pede hoje, mais do que nunca, nossa presença vigilante e geradora.”


Palavra de vida (Junho 2025)

«Dai-lhes vós de comer» (Lc 9,13)

Portanto, à objeção dos apóstolos, Jesus responde assumindo a situação, mas pede-lhes que façam a própria parte. Mesmo se pequena, não a desdenha. Não resolve o problema por eles. O milagre acontece, mas requer a participação deles com tudo aquilo que têm e que puderam providenciar, colocado à disposição de Jesus para todos. Isto implica um certo sacrifício e confiança Nele. O Mestre parte daquilo que nos acontece para nos ensinar a cuidar juntos uns dos outros. Diante das necessidades dos outros, não nos podemos desculpar (“não é da nossa conta”, “não posso fazer nada”, “que se arranjem, como todos fazemos…”). Na sociedade pensada por Deus, são felizes aqueles que dão de comer aos que têm fome, que vestem os pobres, que visitam quem se encontra em necessidade[2].

«Dai-lhes vós de comer»

A narração deste episódio recorda a imagem do banquete descrito no livro de Isaías, oferecido pelo próprio Deus a todos os povos, quando Ele «enxugará as lágrimas de todas as faces»[3]. Jesus manda que se sentem em grupos de cinquenta, como nas grandes ocasiões. Como Filho, comporta-se como o Pai, e isso realça a sua divindade. Ele mesmo dará tudo, até se fazer alimento para nós, na Eucaristia, o novo banquete da partilha. Diante das muitas necessidades surgidas durante a pandemia de covid-19, a comunidade dos Focolares de Barcelona criou um grupo, através das redes sociais, no qual se partilhavam as necessidades e se metiam em comum bens e recursos. E é impressionante ver como circulam móveis, alimentos, medicamentos, eletrodomésticos… Porque «sozinhos podemos fazer pouco», dizem, «mas juntos podemos fazer muito». Ainda hoje o grupo “Fent família” ajuda a fazer com que, como nas primeiras comunidades cristãs, ninguém entre eles seja necessitado[4]. Silvano Malini

Papa Leão XIV: não devemos nos acostumar com a guerra

Queridos irmãos e irmãs! O coração da Igreja está dilacerado pelos gritos que se elevam dos lugares de guerra, especialmente da Ucrânia, do Irã, de Israel e de Gaza. Não devemos nos acostumar com a guerra! Estas foram as palavras pronunciadas pelo Papa Leão XIV no final da Audiência Geral, desta quarta-feira (18/06), realizada na Praça São Pedro. Em seu apelo, o Pontífice disse ainda que “devemos rejeitar como tentação o fascínio das armas poderosas e sofisticadas”. Na realidade, como a guerra atual utiliza armas científicas de todos os tipos, sua atrocidade ameaça levar os combatentes a uma barbárie muito maior do que a de tempos passados. “Por isso, em nome da dignidade humana e do direito internacional”, disse ainda Leão XIV, “repito aos responsáveis ​​o que o Papa Francisco costumava dizer”: ‘A guerra é sempre uma derrota!’ E com Pio XII: ‘Nada se perde com a paz. Tudo pode ser perdido com a guerra’.

Em sua saudação em italiano, o Papa recordou a Solenidade de Corpus Christi celebrada na quinta-feira, 19 de junho. Que a festa de Corpus Christi, que celebraremos amanhã, nos ofereça a oportunidade de aprofundar nossa fé e nosso amor pela Eucaristia. Na saudação em língua portuguesa, o Papa convidou a ter “cuidado para não esquecer o nosso papel na economia da salvação. Deus, com a sua graça, é o grande protagonista, mas o Senhor conta com a nossa ativa colaboração para nos curar de todas as enfermidades físicas ou espirituais”.

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