Domingo de Pentecostes – Ano C
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto
Neste Domingo celebramos a Solenidade de Pentecostes, a liturgia deste dia salienta o medo dos discípulos antes de receberem a força do Espírito Santo, eles encontravam-se com as portas fechadas com medo dos Judeus. A vida da Igreja surge pela força e ação do Espírito Santo. As portas fechadas aqui descritas não é apenas o espaço físico de uma habitação, mas o medo que paralisa e impede os discípulos de anunciar abertamente a experiência que tinham vivido com Jesus Cristo. Uma vez mais Jesus toma a iniciativa de vir ao encontro dos Apóstolos e colocando-se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». Esta paz é diferente daquela que o mundo pode oferecer é uma Paz interior, a paz de coração que dissipa todos os medos e receios. Depois, de Jesus ter transmitido esta mensagem de paz é descrito que soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo…». O significado de espírito é Pneuma = Ruah, esse sopro que Jesus faz sobre os Apóstolos é manifesto nos sete Dons do Espírito Santo: «Sabedoria, Entendimento, Conselho, Ciência, Fortaleza, Piedade e Temor de Deus». O Espírito Consolador que o próprio Jesus envia ao grupo dos Apóstolos e à Igreja é que a torna eficaz na sua ação missionária.
Cada cristão recebeu pelo Sacramento do Crisma essa mesma força do Espírito Santo, será que tendo recebido esses dons me fizeram estar comprometido na comunidade cristã, ou terei aprisionado o Espirito Santo deixando o medo tomar posse de mim?
A leitura do Livro dos Atos dos Apóstolos, o autor dos Atos dos Apóstolos apresenta-nos o Espírito Santo como a Lei Nova que orienta e anima o Povo da Nova Aliança. O Espírito faz com que homens e mulheres de todas as raças e culturas acolham a Boa Nova de Jesus e formem uma comunidade unida e fraterna, que fala a mesma língua, a do amor.
A leitura da Epistola de São Paulo aos Coríntios, Paulo apresenta o Espírito como fonte de Vida para a comunidade cristã. É o Espírito que concede os dons que enriquecem a comunidade e que fomenta a unidade de todos os membros. Por isso, os dons do Espírito não podem ser usados para benefício pessoal, mas devem ser postos ao serviço de todos.
O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João, apresenta-nos a comunidade da Nova Aliança reunida à volta de Jesus ressuscitado. Para João, esta comunidade passa a ser uma comunidade viva, recriada, renovada, a partir do dom do Espírito. Fortalecidos pelo Espírito que Jesus ressuscitado lhes transmite, os discípulos podem partir ao encontro do mundo para o transformar e renovar.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João
Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, apresentou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos». Palavra da Salvação

O Papa: rezo pelas famílias que sofrem por causa da guerra
No Regina Caeli, com o qual encerrou a Missa do Jubileu das Famílias, Leão XIV voltou a pedir paz e a agradecer às “pequenas igrejas domésticas nas quais o Evangelho é acolhido e transmitido”. Recordou o Dia Mundial das Comunicações Sociais, com o convite à mídia para que cuide da “qualidade ética das mensagens”, e as religiosas beatificadas este sábado na Polônia, mártires em 1945.
Famílias e guerra, dois opostos que, quando se encontram, são apenas terríveis histórias de tormento. As notícias mais recentes de Gaza oferecem um exemplo horrível: nove dos dez filhos de uma família mortos pelas bombas que estão incinerando a Faixa de Gaza. Assim, no dia em que, sob o sol romano, milhares de mães e pais, avós e netos celebram o seu Jubileu – num clima de afeto, com as crianças acariciadas nos braços e livres para brincar na Praça São Pedro, acompanhadas pelos sorrisos dos seus pais – a oração com que Leão XIV encerra o Regina Caeli ao final da Missa acende algo muito mais profundo no coração. Que a Virgem Maria abençoe as famílias e as apoie nas suas dificuldades: penso especialmente naqueles que sofrem por causa da guerra no Oriente Médio, na Ucrânia e em outras partes do mundo. Que a Mãe de Deus nos ajude a caminhar juntos no caminho da paz.
Amor apesar do terror
Como Francisco antes dele, Leão XIV também não perde a oportunidade pública de invocar a paz para aquelas partes do mundo onde hoje ela parece uma pobre utopia. No entanto, nem mesmo a guerra, com suas tragédias, pode matar o bem, especialmente o que nasce da fé. O Papa enfatiza isso recordando, no Regina Caeli, a beatificação, no sábado na Polônia, da irmã Cristofora Klomfass e das quatorze coirmãs da Congregação de Santa Catarina, Virgem e Mártir, mortas pelos soldados do Exército Vermelho em 1945. Apesar do clima de ódio e terror contra a fé católica, elas continuaram a servir os doentes e os órfãos. Confiamos à intercessão das novas Beatas Mártires todas as religiosas do mundo que generosamente se dedicam ao Reino de Deus.
A mídia e a “qualidade ética das mensagens”
Repetidos aplausos pontuam as palavras de Leão XIV quando ele mais uma vez expressa a alegria de ver diante de si tantas crianças “que reavivam a nossa esperança” e tantos avós e idosos, definidos como “modelos genuínos de fé e inspiração para as jovens gerações”. E ao tema da família, o Papa também vincula o agradecimento que dedica aos profissionais da mídia, no Dia Mundial das Comunicações Sociais: “Cuidando da qualidade ética das mensagens – diz ele –, eles ajudam as famílias em sua tarefa educativa”.

Leão XIII, Leão XIV e as coisas novas
Papa Pecci e a modernidade
O discurso de monsenhor Dario Edoardo Viganò, vice-chanceler da Pontifícia Academia das Ciências e da Pontifícia Academia das Ciências Sociais, também se inseriu nessa linha. O Pontificado de Leão XIV “estabeleceu, desde o seu início, uma conexão direta com o de Leão XIII”, explicou Viganò. “Foi o próprio Papa Prevost”, recordou o decano da Faculdade de Ciências da Comunicação da Uninettuno, que estabeleceu “uma relação usando a palavra revolução”: assim como Leão XIII teve que enfrentar a “primeira grande revolução industrial”, hoje a Igreja, como o próprio Leão XIV declarou logo após sua eleição, é chamada a responder “a outra revolução industrial e aos desenvolvimentos da inteligência artificial”. Para compreender a atualidade do Pontificado de Leão XIII, monsenhor Viganò sugeriu focar em uma imagem, “As belas artes abençoadas pela religião”, que pode ser admirada na galeria de candelabros dos Museus Vaticanos. Este afresco nos diz muito sobre Leão XIII: na imagem, em particular, aparece “uma coisa nova” da época do Papa Pecci. Trata-se de um dispositivo fotográfico no qual é possível reconhecer um modelo comercializado em 1839. Entre as coisas novas que se cruzam com o período histórico de Leão XIII está também o cinema. O Papa Pecci, disse monsenhor Viganò, acolheu essa novidade “ao decidir ser filmado em 1898 pelo cinegrafista William Dickson, da produtora estadunidense Biograph”. Leão XIII “não recua diante da mais recente invenção da modernidade, mas prontamente a transforma em instrumento de apostolado”.
Consonâncias entre mundos diferentes
Embora distantes no tempo, os Pontificados de Leão XIII e Leão XIV parecem ser interpelados por desafios semelhantes. A professora Anna Maria Carito, reitora da Universidade Uninettuno, relembrou alguns pontos de consonância entre as eras dos dois Papas. Um ponto em comum entre esses diferentes contextos históricos “é o pano de fundo da guerra”. Outro elemento de consonância está ligado às profundas transformações da revolução industrial e da atual era digital. O Papa Leão XIII, lembrou a professora Carito, indicou entre as prioridades a regulação do capital. Hoje, os principais desafios são colocados pelo sistema de algoritmos e, portanto, torna-se necessário regular o digital. Gianni Piacitelli Pecci, proveniente da família de Leão XIII, relembrou as primeiras palavras sobre a paz pronunciadas após a eleição de Leão XIV. O compromisso com a reconciliação também marcou o Pontificado de Leão XIII, que, no século XIX, desempenhou um papel mediador em uma disputa entre a Espanha e a Alemanha sobre as Ilhas Carolinas. A dimensão missionária também foi central na vida do Papa Leão XIV. E Leão XIII, recordou Gianni Piacitelli Pecci, estruturou as missões no mundo. É preciso também recordar, disse o parente de Leão XIII, a relação do Papa Pecci com os Estados Unidos: a encíclica Longinqua Oceani é dedicada, por exemplo, precisamente à Igreja estadunidense. Por fim, o professor Luis Okulik, secretário da Comissão de Pastoral Social do Conselho das Conferências Episcopais da Europa, recordou algumas palavras-chave do Pontificado de Leão XIII: dignidade, trabalho, família. Palavras nas quais Leão XIV também se concentrou no início do seu Pontificado. Através destas e de outras diretrizes relevantes, a acolhida da modernidade e da contemporaneidade pela Igreja parece desdobrar-se, com o mesmo olhar moldado pelo Evangelho.


Palavra de vida (Junho 2025)
«Dai-lhes vós de comer» (Lc 9,13)
Estamos num lugar solitário, nos arredores de Betsaida, na Galileia. Jesus está a falar do Reino de Deus a uma multidão numerosa. O Mestre tinha-se deslocado para aqui com os apóstolos para os fazer repousar, depois de uma longa missão naquela região, na qual tinham pregado a conversão “anunciando a Boa-Nova e realizando curas por toda a parte”[1]. Cansados, mas com o coração cheio, contavam o que tinham vivido. As pessoas, porém, tendo-o sabido, dirigiram-se para lá. Jesus acolhe-as a todas: escuta, fala, cura. A multidão aumenta. A noite aproxima-se e a fome faz-se sentir. Os apóstolos preocupam-se e propõem ao Mestre uma solução lógica e realista: «Despede a multidão, para que, indo pelas aldeias e campos em redor, encontre alimento e onde pernoitar». Afinal de contas, Jesus já tinha feito muito… Mas Ele responde: Silvano Malini