VI Domingo da Páscoa – Ano C
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto
Neste VI Domingo de Páscoa o evangelista São João coloca em evidência o Amor esponsal entre Deus e os homens. Jesus dirigindo-se aos seus discípulos disse: «Quem Me ama guardará a minha palavra e meu Pai o amará; Nós viremos a ele e faremos nele a nossa morada». Quem são estes discípulos? Não há dúvida alguma que são os seus seguidores. Todavia, não temos o nome de nenhum, isto é, os seus seguidores também somos nós hoje que pelo baptismo nos tornamos cristãos. Então estas palavras são dirigidas a cada um de nós. Por isso, já temos a certeza de que a forma de estarmos unidos a Jesus é «guardar a sua Palavra»; guardar não significa ter a Bíblia e coloca-la numa estante como adorno de nossa casa, mas sim meditar, compreender, viver. Jesus é claro aquele que vive segundo a palavra é amado pelo Pai. Todavia, Jesus não se limita a dizer que somos amados pelo Pai, mas que que Jesus e o Pai entram na nossa vida e fazem em cada um de nós a Sua morada.
Jesus diz aos discípulos que tem uma Paz para lhes dar diferente daquela que o mundo pode oferecer, a verdadeira Paz é sentir-se amado por Deus e receber d’Ele todas as graças de modo particular de termos a possibilidade de sermos salvos por Ele e receber como herança a Vida Eterna.
A leitura do Livro dos Atos dos Apóstolos, mostra-nos a comunidade dos discípulos de Jesus a caminhar pela história e a ser confrontada com novos desafios e com novas realidades. Cumpre-se o que Jesus tinha dito: o Espírito Santo, dom de Deus, ajuda os discípulos a discernir o caminho certo, a separar o essencial do acessório, a desenhar caminhos por onde o Evangelho chegue a todos os povos da terra.
A leitura do Livro do Apocalipse, apresenta-se mais uma vez a meta final da caminhada da Igreja: a “Jerusalém messiânica”, a cidade da luz e da paz, o Templo perfeito onde os discípulos do “Cordeiro” (Jesus) viverão em comunhão plena com Deus.
O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João, Jesus, na véspera da sua morte, despede-se dos discípulos. Diz-lhes que vai para o Pai, mas que estará sempre em comunhão com eles. O Espírito Santo que vão receber ensinará aos discípulos “todas as coisas”, recordar-lhes-á tudo o que Jesus lhes disse enquanto andou com eles, fará com que eles se mantenham em comunhão com Jesus. Dessa forma os discípulos poderão continuar no mundo o projeto de Jesus, até ao reencontro final com Ele.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Quem Me ama guardará a minha palavra, e meu Pai o amará; Nós viremos a ele e faremos nele a nossa morada. Quem Me não ama não guarda a minha palavra. Ora a palavra que ouvis não é minha, mas do Pai que Me enviou. Disse-vos estas coisas, estando ainda convosco. Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos recordará tudo o que Eu vos disse. Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não vo-la dou como a dá o mundo. Não se perturbe nem se intimide o vosso coração. Ouvistes que Eu vos disse: Vou partir, mas voltarei para junto de vós. Se Me amásseis, ficaríeis contentes por Eu ir para o Pai, porque o Pai é maior do que Eu. Disse-vo-lo agora, antes de acontecer, para que, quando acontecer, acrediteis». Palavra da Salvação

Leão XIV na Audiência Geral: a Palavra de Deus é para todos, mas atua diferente em cada um
“Estou feliz em receber vocês nesta minha primeira Audiência Geral”, disse o Papa Leão XIV, logo no início da catequese, a sua primeira no encontro semanal e com cerca de 40 mil fiéis na Praça São Pedro. Também é a segunda do ciclo de catequeses jubilares, preparada pelo Papa Francisco e divulgada pela Sala de Imprensa da Santa Sé em 16 de abril, durante o período de convalescença de Bergoglio que veio a falecer 5 dias depois e há exatamente um mês. Francisco tinha o desejo de “refletir sobre algumas parábolas” e Leão XIV retomou o tema “Jesus Cristo, nossa esperança”, escolhido por Bergoglio para este Ano Santo do Jubileu. Nesta quarta-feira (21/05), assim, o Papa meditou sobre a parábola do semeador (ver Mt 13,1-17), que fala da dinâmica e dos efeitos da Palavra de Deus, “e o que ela produz”, que é como semente deitada no terreno do nosso coração e no terreno do mundo.
As provocações e os questionamentos
“Cada parábola conta uma história retirada do quotidiano”, recordou Leão XIV, fazendo “nascer em nós perguntas” como: “onde estou eu nesta história? O que diz esta imagem à minha vida?”. De fato, continuou o Pontífice, “cada palavra do Evangelho é como uma semente lançada no solo da nossa vida”: “No capítulo 13 do Evangelho de Mateus, a parábola do semeador introduz uma série de outras pequenas parábolas, algumas das quais falam precisamente do que acontece no solo: o trigo e o joio, o grão de mostarda, o tesouro escondido no campo. Então, o que é este solo? É o nosso coração, mas é também o mundo, a comunidade, a Igreja. A palavra de Deus, com efeito, fecunda e provoca toda a realidade.” Deus, assim, espalha abundantemente a Palavra, ainda que ela nem sempre encontre terreno bom para produzir. “A Palavra de Jesus é para todos, mas atua de uma forma diferente em cada pessoa”, reforçou Leão XIV. “Estamos habituados a calcular as coisas – e às vezes é necessário – mas isso não vale no amor!”. E, apesar de atuar em nós de modo diverso, a Palavra conserva sempre o poder de fecundar as situações da vida de cada um, pois vem de Deus e Ele nunca desiste: “Jesus nos diz que Deus lança a semente da sua Palavra em todo o tipo de solo, ou seja, em qualquer das nossas situações: ora somos mais superficiais e distraídos, ora deixamo-nos levar pelo entusiasmo, ora somos oprimidos pelas preocupações da vida, mas também há momentos em que estamos disponíveis e acolhedores. Deus está confiante e espera que mais cedo ou mais tarde a semente floresça. Ele nos ama assim: não espera que nos tornemos o melhor solo, Ele nos dá sempre generosamente a Sua Palavra.” Leão XIV então, convidou os peregrinos a analisar uma obra de Vincent van Gogh (1853-1890), a do Semeador no Pôr do Sol. O pintor holandês, mundialmente conhecido que chegou a produzir quase 900 telas em menos de 10 dias, pintou um agricultor, com o trigo já maduro e “sob o sol abrasador” que domina a cena de esperança, lembrando que é Deus “quem move a história, mesmo que por vezes pareça ausente ou distante. É o sol que aquece os torrões da terra e faz amadurecer a semente”. E o Papa deixou a sua mensagem final de reflexão: “Queridos irmãos e irmãs, em que situação da vida nos chega hoje a Palavra de Deus? Peçamos ao Senhor a graça de acolher sempre esta semente que é a sua palavra. E se percebermos que não somos solo fértil, não desanimemos, mas peçamos-Lhe que trabalhe mais em nós para nos tornarmos um solo melhor.”

Palavra de vida (Maio 2025)
«Senhor, Tu sabes tudo; Tu sabes que Te amo». (Jo 21,17)
O último capítulo do Evangelho de João leva-nos até à Galileia, ao lago de Tiberíades. Pedro, João e outros discípulos, depois da morte de Jesus, voltaram ao trabalho de pescadores, mas aquela noite tinha sido particularmente infrutífera. O Ressuscitado manifesta-se ali, pela terceira vez. Exorta-os a lançar novamente as redes e, desta vez, apanham muitos peixes. Depois, na margem, convida-os a partilhar o alimento. Pedro e os outros tinham-No reconhecido, mas não ousavam dirigir-Lhe a palavra. Jesus toma a iniciativa e dirige-se a Pedro com uma pergunta muito exigente: “Simão, filho de Jonas, tu amas-me mais do que estes?” O momento é solene: por três vezes Jesus renova o chamamento de Pedro[1] para que cuide das suas ovelhas, das quais Ele mesmo é o Pastor[2].
«Senhor, Tu sabes tudo; Tu sabes que Te amo»
Contudo, Pedro reconhece que tinha traído Jesus e essa trágica experiência não lhe permitia responder de forma direta e afirmativa à pergunta de Jesus. Responde com humildade: “Tu sabes que Te amo”. Durante todo o diálogo, Jesus não censura Pedro por O ter negado, não se detém a sublinhar o erro. Chega até ele descendo ao plano das suas possibilidades, leva-o ao centro da sua ferida, para a sarar com a Sua amizade. A única coisa que lhe pede é reconstruir o relacionamento entre eles, na confiança recíproca. E de Pedro brota uma resposta que é um ato de reconhecimento da sua própria fraqueza e, ao mesmo tempo, de confiança ilimitada no amor acolhedor do seu Mestre e Senhor: Letizia Magri


Ucrânia: Meloni agradece ao Papa pela disponibilidade em sediar negociações de paz
Profunda gratidão a Leão XIV por seu compromisso incessante com a paz e por sua disponibilidade em sediar, no Vaticano, as próximas negociações sobre a Ucrânia. Em nota, o Palazzo Chigi, sede do Governo Italiano, expressa seu apreço pelo êxito do telefonema de terça-feira, 20 de maio, entre o Papa e a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni. Uma conversa, especifica a nota, que “segue” o telefonema de terça-feira entre Meloni, “o presidente Trump e outros líderes europeus, durante o qual a primeira-ministra italiana foi solicitada a verificar a disponibilidade da Santa Sé em sediar as negociações”.
Todo esforço para difundir a paz
O Papa, já no dia 14 de maio, durante a audiência aos participantes do Jubileu das Igrejas Orientais, tinha indicado a vontade de empregar “todos os esforços” para que “esta paz se difunda”, especificando a disponibilidade da Santa Sé de ser um lugar onde “os inimigos se encontrem e se olhem nos olhos, para que aos povos sejam restituídas a esperança e a dignidade que merecem, a dignidade da paz. Os povos querem a paz e eu, com o coração na mão, digo aos líderes dos povos: encontremo-nos, dialoguemos e negociemos”.
O Vaticano, um lugar apropriado
Dois dias depois, o secretário de Estado Vaticano, cardeal Pietro Parolin, esclareceu – respondendo aos jornalistas – o significado concreto da disponibilidade da Santa Sé, ou seja, oferecer o Vaticano “para um encontro direto entre as duas partes”, a fim de iniciar “negociações diretas, pelo menos conversem. É uma disponibilidade de lugar. Sempre dissemos isso, sempre repetimos: ‘Estamos disponíveis. Se quiserem se encontrar, a Santa Sé, o Vaticano pode ser um lugar apropriado’. Com todas as discrições do caso”.