Apresentação do Senhor – Ano C
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto
Neste Domingo celebramos a Festa da Apresentação do Senhor. Conforme era costume na Tradição Judaica todo o filho primogénito varão era consagrado ao Senhor. Assim, sucedeu também com a Família de Nazaré, José e Maria levam o Menino ao templo, a fim de ser oferecido ao Senhor. Este gesto de Maria que «oferece», traduz-se num gesto litúrgico quando ao celebrarmos a Eucaristia, oferecemos os frutos da terra, oferecemos os nossos trabalhos e que serão colocados sobre o altar, como símbolo da nossa vida. Esta festa da Apresentação do Senhor revela aquilo que será o acontecimento da Paixão. Nessa altura encontrava-se no templo Simeão e Ana, o Senhor tinha revelado que não haveriam de morrer antes de ver o Messias e foram ao templo movidos pelo Espírito, Simeão recebeu o Menino nos braços e bendisse a Deus, depois começou a profetizar acerca do Menino dizendo: «Este Menino foi estabelecido para que muitos caiam ou se levantem em Israel e para ser sinal de contradição; – e uma espada trespassará a tua alma assim se revelarão os pensamentos de todos os corações». A Mãe de Jesus não compreende aquela profecia, mas guarda as palavras no Seu coração, Maria não entende que aquela espada de dor seria o momento da Paixão.
A leitura da Profecia de Malaquias, o profeta Malaquias anuncia a proximidade do “Dia do Senhor”, o dia em que Deus vai entrar no seu Templo para purificar o seu povo, para lhe renovar o coração e para o capacitar para viver num dinamismo novo. Começará nesse dia um tempo novo, o tempo da nova Aliança entre Deus e os homens.
A leitura da Epístola aos Hebreus, um catequista cristão, escrevendo “aos Hebreus”, apresenta Jesus como o irmão dos homens, que veio ao mundo para promover os “descendentes de Abraão” à categoria de Filhos amados de Deus. Oferecendo a sua vida por amor, ele introduziu na nossa débil, frágil e pecadora natureza humana, dinamismos de superação dos nossos limites, dinamismos de vida nova, de vida verdadeira e eterna.
O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Lucas, o evangelista Lucas mostra como Jesus, poucos dias após o seu nascimento, entrou no Templo de Jerusalém para concretizar a promessa outrora feita por Deus através do profeta Malaquias. Recebido por Simeão e Ana, representantes do Israel fiel que esperava ansiosamente o Messias de Deus, Jesus é apresentado como “luz para as nações” e “glória de Israel”. Ele traz ao mundo a salvação de Deus.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Lucas
Ao chegarem os dias da purificação, segundo a Lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, para O apresentarem ao Senhor, como está escrito na Lei do Senhor: «Todo o filho primogénito varão será consagrado ao Senhor», e para oferecerem em sacrifício um par de rolas ou duas pombinhas, como se diz na Lei do Senhor. Vivia em Jerusalém um homem chamado Simeão, homem justo e piedoso, que esperava a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava nele. O Espírito Santo revelara-lhe que não morreria antes de ver o Messias do Senhor; e veio ao templo, movido pelo Espírito. Quando os pais de Jesus trouxeram o Menino para cumprirem as prescrições da Lei no que lhes dizia respeito, Simeão recebeu-O em seus braços e bendisse a Deus, exclamando: «Agora, Senhor, segundo a vossa palavra, deixareis ir em paz o vosso servo, porque os meus olhos viram a vossa salvação, que pusestes ao alcance de todos os povos: luz para se revelar às nações e glória de Israel, vosso povo». O pai e a mãe do Menino Jesus estavam admirados com o que d’Ele se dizia. Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua Mãe: «Este Menino foi estabelecido para que muitos caiam ou se levantem em Israel e para ser sinal de contradição; – e uma espada trespassará a tua alma assim se revelarão os pensamentos de todos os corações». Havia também uma profetiza, Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Era de idade muito avançada e tinha vivido casada sete anos após o tempo de donzela e viúva até aos oitenta e quatro. Não se afastava do templo, servindo a Deus noite e dia, com jejuns e orações. Estando presente na mesma ocasião, começou também a louvar a Deus e a falar acerca do Menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém. Cumpridas todas as prescrições da Lei do Senhor, voltaram para a Galileia, para a sua cidade de Nazaré. Entretanto, o Menino crescia e tornava-Se robusto, enchendo-Se de sabedoria. E a graça de Deus estava com Ele.
Palavra da Salvação

Nicarágua, mais de 30 monjas Clarissas são expulsas de três mosteiros
Mais de 30 monjas da Ordem de Santa Clara, conhecidas como Clarissas, foram levadas dos três mosteiros nicaraguenses de Manágua, Matagalpa e Chinandega na noite de 28 para 29 de janeiro.
Religiosas expulsas do país
Em maio de 2023, as autoridades de Manágua dissolveram a Associação das Irmãs Clarissas Franciscanas e nove outras realidades e organizações. Várias congregações religiosas de irmãs foram parcial ou totalmente expulsas da Nicarágua nos últimos anos, em particular após as polêmicas consultas em novembro de 2021, nas quais Daniel Ortega foi reeleito para um quinto mandato, o quarto consecutivo.
Repressão contra ONGs
Medidas semelhantes também foram tomadas nas últimas horas. De fato, o governo nicaraguense cancelou o status legal de 10 outras associações que operavam como organizações sem fins lucrativos, elevando o número total de ONGs proibidas desde dezembro de 2018 no país centro-americano para mais de 5.600

Igreja/Portugal: «O mundo precisa de uma terapia do amor» – D. António Moiteiro
“Comunicação da fé em tempos de mudança” foi o tema que envolveu três dias, 28, 29 e 30 deste mês, em Fátima, as jornadas do clero das dioceses do centro do país (Aveiro, Coimbra, Guarda, Leiria-Fátima, Portalegre-Castelo Branco e Viseu).
João Duque, professor da Universidade Católica Portuguesa (UCP) abriu a perspetiva do pós cristianismo e indicou a necessidade de “pensar o cristianismo de outro modo, desconstruindo algumas construções” e, ao falar da linguagem e do simbolismo, apontou desafios pessoais e institucionais do cristianismo. O docente apontou que “Não há uma única forma de ser cristão” e questionou “a relação do cristão não praticante com as paróquias”. “Jesus pregava aos membros de uma multidão, que não tinham as características do cristão comprometido; não teremos de rever este estatuto? O cristão não praticante não poderá beber do cristianismo na sociedade? Que relação há nas paróquias com estes cristãos não praticantes?”
A tarde foi preenchida com quatro ateliers: Margarida Cordo, Psicóloga Clínica e da Saúde, Terapeuta Familiar e Psicoterapeuta, apresentou o tema “Multi-identidades”; já João Almeida, docente no Departamento de Eletrónica, Telecomunicações e Informática da Universidade de Aveiro, orientou o atelier sobre “redes sociais”.
A irmã Irene Guia, da Congregação das Escravas do Sagrado Coração de Jesus, orientou o atelier “Multiculturalidades” e o atelier sobre a Inteligência Artificial (IA), foi da responsabilidade de Cláudio Teixeira, Doutorado em Engenharia Informática pela Universidade de Aveiro.
A noite de 28 de janeiro terminou com um serão de conversa sobre o documento final do Sínodo dos Bispo, com D. José Ornelas e D. Virgílio Antunes, bispo de Leiria-Fátima e de Coimbra, respetivamente, numa conversa moderada por Leopoldina Simões.
No segundo dia das jornadas, 29 de janeiro, Maria José Schultz convidou o clero para uma viagem pelos relatos evangélicos que dão conta como Jesus saiu ao encontro de pessoas, em diversas situações vitais. “Mudou vidas, levando outros a quererem ser pessoas melhores, mais eles mesmos, na responsabilidade e no compromisso com o bem que receberam”, disse. A compaixão foi uma das atitudes destacadas pela oradora, e que em Jesus “prevalecia e emergia na sua maneira de olhar, julgar e tocar os outros”, um caminho da comunicação da fé. Foram ainda partilhadas “dicas” para o caminho da evangelização, como os “testemunhos credíveis e coerentes”, “espaços físicos que facilitem a partilha e o acolhimento”, “ritualidades e práticas litúrgicas que promovam o encontro com Jesus” e “espaços onde se ensine a rezar, esperar e confiar”. “A memória dos discípulos de Jesus não inclui discursos dogmáticos, verdades indiscutíveis, regulamentos e instruções; não impõe um modelo de pessoa nem exige um compromisso com a primeira abordagem; Como vimos, é um processo gradual, primeiro de busca, de abordagem incipiente, de participação e, finalmente, de identificação”, sintetizou.
No último dia das jornadas, 30 de janeiro, a manhã foi preenchida com duas intervenções do padre Juan Carvajal Blanco, da Diocese de Madrid (Espanha) que falou sobre “A iniciação dos discípulos de Jesus, Cristãos num mundo plural”. “A iniciação cristã é o caminho para as pessoas aprenderem a viver cristãmente e se transformarem à semelhança de Jesus”. “Se a fé se propõe como tarefa seremos considerados como gente estranha”, alertou o sacerdote que abordou a catequese que não se pode limitar a “seguir temas” mas que supõe “uma transformação”.

