Novos Ventos – 14 de Julho

XV Domingo do Tempo Comum – Ano B
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto

O Evangelho deste domingo põe em evidência a missão e o envio dos Apóstolos. Durante a vida pública, Jesus chamou alguns homens para O seguirem mais de perto a quem deu o nome de Apóstolos. Estes escolhidos não eram melhores nem mais importantes que todas as outras pessoas, mas porque não estavam tão apegados às suas próprias coisas tiveram o privilégio de acompanhar mais de perto o Mestre, ouvindo os Seus ensinamentos e observando os milagres que Ele realizava. Todavia, Jesus quer instruir estes homens para uma nobre missão que consiste em levar o Evangelho a todas as nações. O primeiro aspecto que ressalta deste Evangelho é o desprendimento e desapego não só aos bens materiais, mas sobretudo a coragem e ousadia de ir em missão, deixando para trás os próprios laços familiares. A primeira ação Apostólica consiste em anunciar Jesus Cristo a todos, sem excepção de ninguém e concede-lhes o poder de realizar curas. Por vezes, podemos entender que esta acção é tipo um poder mágico de curar as doenças e enfermidades. Quantas vezes, a primeira cura dá-se no coração do homem pelo dom da fé. Foi o que sucedeu à mulher hemorrágica que dizia ela: “se ao menos tocasse na fimbria do manto” e Jesus disse a esta mulher: “a tua fé te salvou”. A liturgia de hoje desafia-nos a não viver uma vida passivamente acomodada, mas termos a coragem de se colocar ao serviço da Igreja, mais propriamente servindo o Senhor. Pela imposição das mãos do bispo no Sacramento do Crisma confia-nos a missão de levar a mensagem de Jesus Cristo aos outros e de curar aquelas pessoas que estão tristes ou desanimadas, dando-lhes um novo alento.

A leitura da Profecia de Amós, mostra-nos um profeta chamado Amós a atuar, em nome de Deus, no santuário real de Betel. Convocado e enviado por Deus, Amós denuncia um culto vazio e estéril, refém de interesses políticos e aliado da injustiça, que não liberta nem salva. Coerente e livre, sem cedências a compromissos rasteiros, Amós é “voz” de Deus que ecoa no mundo e questiona os homens.

A leitura da Epístola de São Paulo aos Efésios, a pretexto de nos apresentar “o mistério” da salvação, recorda-nos que pertencemos a Deus e fomos destinados para o seu serviço. Somos, portanto, convidados a acolher os projetos que Deus tem para nós e para o mundo, e a concretizá-los com verdade, fidelidade e radicalidade.

O Evangelho de São Marcos, mostra Jesus a enviar doze dos seus discípulos em missão. Essa missão – que está no prolongamento da própria missão de Jesus – consiste em anunciar o Reino de Deus e em lutar contra tudo aquilo que ameaça a Vida e a felicidade dos homens. Os enviados de Jesus como arautos de um mundo novo, devem evitar tudo o que pode atrasar ou condicionar a missão que lhes foi confiada.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Marcos

Naquele tempo, Jesus chamou os doze Apóstolos e começou a enviá-los dois a dois. Deu-lhes poder sobre os espíritos impuros e ordenou-lhes que nada levassem para o caminho, a não ser o bastão: nem pão, nem alforge, nem dinheiro; que fossem calçados com sandálias, e não levassem duas túnicas. Disse-lhes também: «Quando entrardes em alguma casa, ficai nela até partirdes dali. E se não fordes recebidos em alguma localidade, se os habitantes não vos ouvirem, ao sair de lá, sacudi o pó dos vossos pés como testemunho contra eles». Os Apóstolos partiram e pregaram o arrependimento, expulsaram muitos demónios, ungiram com óleo muitos doentes e curaram-nos. Palavra da Salvação


Palavra de Vida (Julho)

«O Senhor é meu pastor, nada me falta» (Sal 23[22],1)

Este salmo convida-nos a reforçar o nosso relacionamento íntimo com Deus, fazendo a experiência do Seu amor. Alguém poderá questionar-se: Como é que o autor chega a dizer “nada me falta”? A nossa experiência quotidiana nunca está livre de problemas e desafios de saúde, familiares, de trabalho, etc., sem esquecer os enormes sofrimentos que vivem tantos nossos irmãos e irmãs por causa da guerra, das consequências das alterações climáticas, das migrações, da violência…

«O Senhor é meu pastor, nada me falta»

A chave de leitura está talvez no versículo em que se lê “porque Tu estás comigo” (Sal 23,4). Trata-se da certeza do amor de um Deus que nos acompanha sempre e nos faz viver a existência de um modo diferente. Escreveu Chiara Lubich: «Uma coisa é saber que podemos recorrer a um Ser que existe, que tem compaixão de nós, que pagou pelos nossos pecados, e outra é viver e sentirmo-nos no centro das predileções de Deus, com o consequente afastamento de todos os receios que nos bloqueiam, de toda a solidão, de toda a sensação de orfandade, de toda a incerteza. […] A pessoa sabe que é amada e acredita neste amor com todo o seu ser. Abandona-se a ele com confiança e quer segui-lo. As circunstâncias da vida, tristes ou alegres, passam a ficar iluminadas por um motivo de amor, que a todas quis ou permitiu»[2]. Augusto Parody Reye


Relações, percursos e lugares no caminho sinodal da Igreja

 Escuta e diálogo

Instrumentum Laboris (IL) tem como título “Como ser Igreja sinodal missionária”. O documento é a base consolidada de três anos de um caminho de reflexão, de escuta e de discernimento nas comunidades eclesiais de todo o mundo. O texto sinodal recorda as “etapas diocesanas, nacionais e continentais, num diálogo contínuo impulsionado pela Secretaria Geral do Sínodo através de documentos de síntese e de trabalho”. A primeira sessão da assembleia sinodal em 2023, com o seu Relatório de Síntese abriu caminho a uma consulta posterior às Igrejas locais, a partir de uma questão orientadora: “Como ser Igreja sinodal em missão?”. Este documento agora publicado será a base para a segunda sessão do Sínodo. Um ponto de chegada, mas também de partida, que prepara a aplicação da dinâmica sinodal na Igreja.

Processo não termina em 2024

“As duas Sessões não podem ser separadas e muito menos opostas: decorrem em continuidade e sobretudo fazem parte de um processo mais amplo que, de acordo com as indicações da Constituição Apostólica Episcopalis communio, não terminará no final de outubro de 2024”, recorda a introdução do IL assinalando o “caminho de conversão e de reforma que a Segunda Sessão convidará toda a Igreja a realizar”. “Estamos ainda a aprender como ser Igreja sinodal missionária, mas é uma missão que experienciámos poder empreender com alegria”, diz o texto. O documento destaca especialmente a importância da metodologia sinodal da Conversação no Espírito, no caminho percorrido até ao momento.

Sínodo, Instrumentum Laboris: uma Igreja em missão com o compromisso de todos

Como ser Igreja sinodal missionária? Esta é a pergunta básica da qual parte o Instrumentum laboris (IL) da próxima sessão do Sínodo dos Bispos, programada de 2 a 27 de outubro, a segunda da XVI Assembleia Geral Ordinária, depois da de 2023. O IL – publicado esta terça-feira, 9 de julho, e apresentado na Sala de Imprensa da Santa Sé – não oferece nenhuma “resposta pré-fabricada”, mas sim “indicações e propostas” sobre como a Igreja, como um todo, pode responder “à necessidade de ser ‘sinodal em missão'”, ou seja, uma Igreja mais próxima das pessoas, menos burocrática, que seja casa e família de Deus, na qual todos os batizados sejam corresponsáveis e participem de sua vida na distinção de seus diferentes ministérios e papéis.

As cinco partes do documento

O documento está estruturado em cinco seções: introdução, fundamentos e três partes centrais. A introdução relembra o caminho percorrido até agora e destaca as metas já alcançadas, como o uso generalizado da metodologia sinodal da Conversação do Espírito. Seguem-se os fundamentos (n. 1-18), que se concentram na compreensão da sinodalidade, vista como um caminho de conversão e de reforma. Em um mundo marcado por divisões e conflitos, enfatiza-se, a Igreja é chamada a ser sinal de unidade, instrumento de reconciliação e de escuta para todos, especialmente para os pobres, os marginalizados e as minorias afastadas do poder.

Valorização das mulheres na Igreja

Os Fundamentos também dão amplo espaço (n.13-18) à reflexão sobre o papel das mulheres em todas as áreas da vida da Igreja, destacando “a necessidade de dar um reconhecimento mais pleno” aos seus carismas e vocação. “Deus escolheu certas mulheres para serem as primeiras testemunhas e anunciadoras da ressurreição”, lembra o IL; elas, portanto, “em virtude do Batismo, estão em uma condição de plena igualdade, recebem a mesma efusão de dons do Espírito e são chamadas ao serviço da missão de Cristo”.

Participação e responsabilidade

Em algumas culturas, de acordo com o IL, “a presença do machismo permanece forte”; por essa razão, a segunda sessão sinodal pede “uma participação mais ampla das mulheres nos processos de discernimento eclesial e em todas as fases dos processos de tomada de decisão”, juntamente com “um acesso mais amplo a posições de responsabilidade nas dioceses e instituições eclesiásticas”, bem como em seminários, institutos, faculdades de teologia e “no papel de juíza em processos canônicos”. As sugestões também dizem respeito às mulheres consagradas, para as quais se espera “maior reconhecimento e apoio mais decisivo” para sua vida e seus carismas, juntamente com “seu emprego em posições de responsabilidade”.