Novos Ventos – 07 de Julho

XIV Domingo do Tempo Comum – Ano B
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto

O Evangelho deste domingo descreve que Jesus dirigiu-se à sua terra acompanhado pelos seus discípulos. Jesus entrou na Sinagoga em dia de sábado e começou a ensinar as multidões de modo que aqueles que O ouviam estavam admirados com os seus ensinamentos. Na verdade, a sabedoria de Jesus faz interpelar muita gente de modo particular os seus conterrâneos, porque conheciam as suas origens e qual a profissão deles ao ponto de afirmarem: «não é Ele o carpinteiro, filho de Maria…». Quantas vezes, o nosso conhecimento do outro baseia-se apenas pelo contexto social onde vivemos, ou pelo contexto meramente familiar em que crescemos, isso não é o suficiente para conhecermos concretamente o outro. Neste caso, era o próprio Filho de Deus, estavam maravilhados como ensinava as multidões. Contudo, Jesus na sua terra não podia realizar qualquer milagre. O coração daqueles conterrâneos estava endurecido, não tinham abertura suficiente para descobrir que Aquele Jesus poderia transformar-lhes a vida.

Por vezes, é necessário tirarmos os nossos conceitos já pré-definidos das pessoas ou dos seus familiares para podermos ver a singularidade de cada um. A vida de cada um é composta de qualidades e defeitos, mas quando apenas olhamos os defeitos já não temos a capacidade para se abrir e acolher o que de bom o outro possui. A liturgia convida-nos a não julgar os outros pelas aparências ou o seu contexto social, mas a descobrir um irmão. Na Igreja formamos um único Corpo em Cristo Jesus.

A leitura da Profecia de Ezequiel, apresenta-nos um extrato do relato da vocação de Ezequiel. A vocação profética é aí apresentada como uma iniciativa de Javé, que chama um “filho de homem” (isto é, um homem “normal”, com os seus limites e fragilidades) e lhe “dá força” para ser, no meio do seu Povo sofredor, arauto da salvação de Deus.

A leitura da Epístola de São Paulo aos Coríntios, Paulo assegura aos cristãos de Corinto (recorrendo ao seu exemplo pessoal) que Deus atua e manifesta o seu poder no mundo através de instrumentos débeis, finitos e limitados. Na ação do apóstolo – ser humano, vivendo na condição de finitude, de vulnerabilidade, de debilidade – manifesta-se ao mundo e aos homens a força e a Vida de Deus.

O Evangelho de São Marcos, mostra-nos, através do exemplo das gentes de Nazaré, o que pode acontecer quando não entendemos a “estratégia” de Deus para intervir no mundo e na história:  arriscamo-nos a passar ao lado de Deus sem o ver, a ignorar os seus desafios, a tratar com indiferença a sua proposta de salvação.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Marcos

Naquele tempo, Jesus dirigiu-Se à sua terra, e os discípulos acompanharam-n’O. Quando chegou o sábado, começou a ensinar na sinagoga. Os numerosos ouvintes estavam admirados e diziam: «De onde Lhe vem tudo isto? Que sabedoria é esta que Lhe foi dada e os prodigiosos milagres feitos por suas mãos? Não é Ele o carpinteiro, filho de Maria, e irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão? E não estão as suas irmãs aqui entre nós?». E ficavam perplexos a seu respeito. Jesus disse-lhes: «Um profeta só é desprezado na sua terra, entre os seus parentes e em sua casa». E não podia ali fazer qualquer milagre; apenas curou alguns doentes, impondo-lhes as mãos. Estava admirado com a falta de fé daquela gente. E percorria as aldeias dos arredores, ensinando. Palavra da Salvação


Palavra de Vida (Julho)

«O Senhor é meu pastor, nada me falta» (Sal 23[22],1)

O Salmo 23 é um dos mais conhecidos e amados. Trata-se de um cântico de confiança que, simultaneamente, tem um carácter de alegre profissão de fé. Aquele que reza, fá-lo como membro do povo de Israel, ao qual o Senhor prometeu, por meio dos profetas, ser o seu Pastor. O autor proclama a sua felicidade pessoal por se sentir protegido no Templo, lugar de refúgio e graça, e, do mesmo modo, quer com a sua experiência, encorajar outros à confiança na presença do Senhor.

«O Senhor é meu pastor, nada me falta»

A imagem do pastor e do rebanho é muito estimada em toda a literatura bíblica. Para a compreender bem, precisamos de ir com o pensamento até aos desertos áridos e rochosos do Médio Oriente. O pastor guia o seu rebanho, que se deixa conduzir docilmente, porque sem ele perder-se-ia e morreria. As ovelhas devem aprender a confiar nele, escutando a sua voz. Ele é, acima de tudo, o seu constante companheiro de viagem[1]. Augusto Parody Reyes


No túmulo de Paulo, as origens do cristianismo romano

Reconhecimento científico

A confirmação foi dada com profunda emoção no dia 29 de junho de 2009, durante as Primeiras Vésperas de encerramento do Ano Paulino, por Bento XVI. Naquela ocasião, o então Pontífice comunicou os resultados da detalhada análise científica realizada no túmulo, dois mil anos depois do nascimento de Paulo: uma sonda especial introduzida no sarcófago revelou traços de um precioso tecido de linho de cor púrpura, laminado com ouro puro, de uma pano azul com filamentos de linho, grãos de incenso vermelho e de substâncias proteicas e calcárias. Também foram identificados pequenos fragmentos ósseos, submetidos a testes de carbono 14 realizados por especialistas, que desconhecem a sua origem, mas remontam a uma pessoa que viveu entre os séculos I e II. “Isto parece confirmar a tradição unânime e indiscutível de que estes são os restos mortais do apóstolo Paulo”, comentou Bento XVI.

Um túmulo nunca aberto

Quinze anos depois desse anúncio, fomos ao túmulo acompanhados pelo padre Lodovico Torrisi, mestre de noviços da Abadia de São Paulo fora-dos-muros, dirigida desde o século VIII por monges beneditinos. “O túmulo nunca foi aberto – explica ele – porque as vibrações para retirar a tampa, o contato com a luz e o oxigênio poderiam destruir, desintegrar, o que restava do corpo de Paulo”. Aos pés do altar, sob o maravilhoso tabernáculo criado em 1285 pelo famoso escultor Arnolfo di Cambio, são visíveis as pedras do sarcófago trazidas à luz em 2006 pelos pesquisadores. Uma pequena chama arde continuamente, dia e noite, para indicar a sacralidade do local. Ao lado, é claramente visível uma urna de bronze e vidro contendo a corrente da prisão romana do Apóstolo, presente na basílica desde o século IV e levada em procissão para o interior da Sala a cada 29 de junho, Solenidade dos Santos Pedro e Paulo. Através de uma grade é possível ver, abaixo do nível do pavimento, uma laje de mármore composta por duas peças, medindo 2,12 x 1,27 metros. Nela se destaca a inscrição PAULO APOSTOLO MART e possui três orifícios: um redondo e dois quadrados. Remonta aos séculos IV-V e testemunha o culto que passou a existir no local desde as suas origens, antes ainda da construção de uma igreja. Os orifícios tinham a função de obter relíquias de contato, ou seja, tiras de tecido que eram inseridas até tocarem o túmulo.

Papa catequiza famílias da periferia de Roma: eduquem os jovens para a liberdade e o respeito

Desta vez, não eram os salões ou teatros paroquiais, mas uma garagem de um condomínio com o chão de pedras. No centro, uma poltrona e cerca de trinta famílias, casais com crianças, jovens, paroquianos da igreja vizinha de Santa Brígida da Suécia. Um cenário completamente inusitado para o terceiro encontro da “Escola de Oração”, a série de encontros do Papa em Roma no Ano da Oração em preparação para o Jubileu de 2025. Depois das crianças e adolescentes, na tarde desta quinta-feira, 6 de junho, Francisco quis encontrar as famílias no bairro romano de Palmarola (zona Borgata Ottavia), na extrema periferia oeste de Roma. Havia recém-casados, avós, o grupo jovem da paróquia, crianças, um grupo de mulheres imigrantes do Senegal, um homem ortodoxo, o líder do município. Em suma, uma humanidade variada que foi avisada de última hora sobre essa especial hora de catecismo vespertino. O Papa, sentado em uma poltrona, introduziu o bate-papo com os presentes. Antes de inicar, olhou, com bom humor, para o cenário inusitado: “A parede… as plantas… os tomates…”, depois saudou o grupo à sua frente: “Vocês são as famílias, os jovens, os menos jovens, os idosos, sempre a família”.

Não desanimar com as “tempestades”

E sobre a família, seus desafios e dificuldades, suas belezas e potencialidades para a Igreja e a sociedade, falou o Pontífice na que definiu brincando como “pregação”, durante cerca de 45 minutos. “Defendamos a família, que é oxigênio para criar os filhos”, disse. Claro, há brigas, discussões, às vezes até separações. “Tempestades”, chamou Francisco, que, no entanto, não devem desanimar. “Se os pais brigam, é normal, mas devem fazer as pazes antes do fim do dia, porque a guerra fria do dia seguinte é terrível”, repetiu várias vezes, reiterando as três palavras-chave tão simples, mas, ao mesmo tempo, essenciais para fazer funcionar uma relação de casal: “Desculpa, com licença e obrigado”. Mesmo os agradecimentos mais simples: “Obrigado por ter feito este bom jantar…”. E quando as palavras falham, basta “um gesto para fazer as pazes e recomeçar no dia seguinte”.

Uma missão para os jovens: levar a história adiante

Quatro jovens da paróquia perguntaram ao Papa como é possível fortalecer a fé hoje: “A única maneira é o testemunho”, respondeu. E aos jovens deixou uma missão clara: “Vocês têm a responsabilidade de levar a história adiante”. E fazer isso sem nunca “ficar caídos”: “Uma das coisas bonitas dos jovens é que se levantam. Todos caímos na vida, mas o importante é não ficar no chão quando escorregarmos”.