X Domingo do Tempo Comum – Ano B
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto
Neste décimo domingo do Tempo Comum a liturgia põe em evidencia o poder de Jesus Cristo a realizar as curas; Jesus perdoa os pecados, Jesus transforma a vida das pessoas dando-lhes novo alento. Contudo, é necessário ter o coração aberto para que Jesus faça de nós homens e mulheres novos, Ele respeita a liberdade de cada ser humano não força ninguém, por isso, é que no poder de realizar curas está quase sempre a resposta de Jesus “a tua fé te salvou”, ou “basta que tenhas fé”. É pela fé que somos curados “salvos”, como Jesus o diz em diversos momentos. O Evangelho de hoje mostra nos claramente que Jesus quer estabelecer com cada pessoa um caminho de fé pessoal ao ponto de dizer. “minha Mãe e meus irmãos são todos aqueles que fizerem a vontade de Deus”. Jesus não rompe com os laços familiares, não está a desprezar a sua Mãe, mas está a dizer e a mostrar que a Sua vida é uma vida com Deus, Ele é Deus e quer nos elevar à mesma realidade. Por isso, diz que fazer a vontade de Deus é criar uma relação de amor filial com Ele.
Muitas vezes, somos tentados a querer o contrário não fazer a vontade de Deus, mas que Deus faça a nossa vontade. Quando, não verificamos isso ou questionamos a existência de Deus, ou nos revoltamos, ou simplesmente prescindimos de Deus considerando nos autossuficientes.
A leitura do Livro do Génesis, traz-nos o diálogo de Deus com as figuras poéticas do primeiro homem e da primeira mulher, depois da queda. Este texto procura chamar-nos ao sentido da existência, deixando claro que todos somos chamados a não pactuar com o mal e a estar de sobreaviso diante das tentações do Maligno.
A leitura da Epístola de São Paulo aos Coríntios, São Paulo mostra como as tribulações que sofre não abrandam o seu ardor missionário, que se caracteriza pela grande confiança em Deus e na vida eterna que há de conceder; duas grandes atitudes qualificam o ministério de Paulo: a esperança de estar unido com Jesus na ressurreição tal como o está na tribulação terrena e o desejo íntimo de estar em comunhão com os cristãos a quem anuncia o Evangelho de Jesus Cristo.
O Evangelho de São Marcos, Jesus demonstra que, na sua atividade de libertação do poder do mal, não pode estar a pactuar com o Demónio, mas vem para libertar os homens e as mulheres de todos os tempos. Também nisso está a fazer a vontade de Deus e convida todos a fazer comunidade centrada na sua pessoa e decidida a construir um mundo que se baseie neste desejo de fazer a vontade de Deus.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Marcos
Naquele tempo, Jesus chegou a casa com os seus discípulos. E de novo acorreu tanta gente, que eles nem sequer podiam comer. Ao saberem disto, os parentes de Jesus puseram-se a caminho para O deter, pois se dizia: «Está fora de Si». Os escribas que tinham descido de Jerusalém diziam: «Está possesso de Belzebu», e ainda: «É pelo chefe dos demónios que Ele expulsa os demónios». Mas Jesus chamou-os e começou a falar-lhes em parábolas: «Como pode Satanás expulsar Satanás? Se um reino estiver dividido contra si mesmo, tal reino não pode aguentar-se. E se uma casa estiver dividida contra si mesma, essa casa não pode durar. Portanto, se Satanás se levanta contra si mesmo e se divide, não pode subsistir: está perdido. Ninguém pode entrar em casa de um homem forte e roubar-lhe os bens, sem primeiro o amarrar: só então poderá saquear a casa. Em verdade vos digo: Tudo será perdoado aos filhos dos homens: os pecados e blasfémias que tiverem proferido; mas quem blasfemar contra o Espírito Santo nunca terá perdão: será réu de pecado para sempre». Referia-Se aos que diziam: «Está possesso dum espírito impuro». Entretanto, chegaram sua Mãe e seus irmãos, que, ficando fora, O mandaram chamar. A multidão estava sentada em volta d’Ele, quando Lhe disseram: «Tua Mãe e teus irmãos estão lá fora à tua procura». Mas Jesus respondeu-lhes: «Quem é minha Mãe e meus irmãos?». E, olhando para aqueles que estavam à sua volta, disse: «Eis minha Mãe e meus irmãos. Quem fizer a vontade de Deus esse é meu irmão, minha irmã e minha Mãe».
Palavra da Salvação

Palavra de Vida (Junho)
Assim é o reino de Deus: como um homem que, tendo lançado a semente à terra, dorme e levanta-se, de noite e de dia, e a semente germina e cresce». (Mc 4,26-27)
O Reino de Deus é o coração da mensagem de Jesus, de que o evangelho de Marcos quer proclamar a boa nova. É aqui anunciado, através de uma breve parábola, com a imagem da semente que, uma vez lançada à terra, liberta a sua força vital e dá fruto. Mas o que é o Reino de Deus para nós, hoje? O que tem em comum com a nossa história, pessoal e coletiva, constantemente suspensa entre expectativas e desilusões? Se ele já foi semeado, por que não vemos os seus frutos de paz, de segurança, de felicidade? Letizia Magri

Testemunhos da Palavra Vivida GEN4 (crianças dos 4 aos 10 anos)
A Carmen pega num e diz: “Eu dei uma boneca a uma amiga que não tinha brinquedos”. E a Susana diz: “Eu queria ajudar um pobre que não tinha sapatos! Fiquei muito feliz quando pude dar-lhe um par de sapatos novos que eram do meu tio!”

Portugal. Cardeal Tolentino: “abre-se aqui uma estação de renovação e de caminho”
De 31 de maio a 2 de junho de 2024, realizou-se em Braga, o V Congresso Eucarístico Nacional (CEN) por ocasião dos 100 anos da sua primeira edição. “Com o tema “Partilhar o Pão, alimentar a Esperança. «Reconheceram-n’O ao partir o Pão»”, o congresso reuniu cerca de 1400 participantes, 4 cardeais e 30 bispos, estando representadas todas as dioceses portuguesas”, informa a Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) através de comunicado. “Ao longo de três dias, além de conferências, painéis com testemunhos e workshops, tiveram lugar relevantes momentos celebrativos e culturais: Eucaristia, adoração, laudes, vésperas, oração do terço, cantata eucarística, exposição e uma peregrinação a pé ao Santuário do Sameiro”.
Portas abertas e no centro colocar Cristo
Na sua homilia, o cardeal Tolentino apontou a um novo tempo, “uma estação de renovação e de caminho”.
“Para a Igreja em Portugal, motivada pelo caminho sinodal, reforçada pela experiência da Jornada Mundial da Juventude, mobilizada pelas grandes linhas do magistério do Papa Francisco, abre-se aqui uma estação de renovação e de caminho”, declarou. O cardeal português exortou os fiéis a viverem uma Igreja de “portas abertas” que “não se coloca a si mesmo como prioridade, mas no centro coloca Cristo”. “A Igreja é chamada a ser uma Igreja Eucarística. Isto é, uma Igreja que não se coloca a si mesma como prioridade, mas no centro coloca Cristo e retoma Dele as Palavras e os gestos, o modo de olhar cada pessoa e a visão global sobre a vida. Uma Igreja eucarística é o contrário de uma Igreja clericalista: é uma Igreja configurada sinodalmente, que valoriza a participação de todos os baptizados, que reconhece o papel do ministério ordenado, que cuida dos seus pastores e os acarinha, que investe nos ministérios laicais, que promove uma cultura eclesial de corresponsabilidade, que lê com profecia o lugar da mulher na Igreja. A Igreja Eucarística é uma Igreja de ‘portas abertas’, que se apresenta como experiência de serviço amoroso à vida”.
Linhas orientadoras da Conferência Episcopal
A CEP publica algumas linhas orientadoras para a Igreja em Portugal que passamos a citar:
1. Redescobrir que a centralidade eucarística vai para além do Domingo. A Eucaristia deve ser preparada e celebrada como verdadeiro encontro com Cristo Ressuscitado, evitando que seja apenas o cumprimento de um preceito. Para uma presença alegre, consciente, ativa e frutuosa da celebração urge uma mais cuidada formação litúrgica.
2. Manter as igrejas abertas e revalorizar a adoração eucarística. Os horários de abertura das igrejas devem ser adequados ao ritmo do mundo de hoje, procurando estimular os momentos de oração pessoal e envolver os leigos, confrarias do Santíssimo Sacramento, catequistas e demais agentes pastorais na dinamização dos momentos de adoração eucarística comunitária.
3. Procurar o equilíbrio entre a Tradição e a necessidade de introduzir novas linguagens na liturgia, integrando os jovens nesse processo de renovação e adequando a espiritualidade cristã aos ambientes digitais e ao mundo secularizado.
4. Reforçar a Eucaristia como escola de fraternidade e sacramento de unidade. O encontro comunitário na celebração do Domingo ultrapassa todas as fronteiras. Ao partilhar o pão, na mesa do altar, tornamo-nos companheiros de caminho e somos chamados a criar comunhão. A Eucaristia convoca todos, está aberta a todos e não afasta ninguém.
5. Garantir a autenticidade e coerência entre o que se vive e anuncia. Quem participa, celebra e comunga tem de se sentir comprometido e impelido à missão. A Eucaristia celebrada na igreja tem de ser expressa para além das suas portas, através das respostas reais às necessidades concretas das pessoas, estendendo o seu abraço a todos, especialmente aos mais pobres, indefesos e os que estão afastados.
6. Assumir a sinodalidade a partir da Eucaristia como lugar onde a Igreja se renova na comunhão, na participação e na missão.
7. Ser sinal de Esperança. O amor dos crentes à Eucaristia acreditada, celebrada, adorada e vivida consolida a fraternidade, promove o perdão e a paz, tornando-se fonte inesgotável de esperança para o mundo.

