Domingo de Páscoa – Ano B
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto
Hoje damos início à semana maior dos cristãos a Semana Santa, ao longo destas semanas da Quaresma a liturgia foi nos iluminando com as diversas alianças que o Senhor fez com o povo de Israel. Muitas vezes, este povo profanou essa Aliança seguindo deuses pagãos. Nesta semana a liturgia aponta para o momento mais alto em que o Filho de Deus oferece a Sua Vida pela salvação dos homens. Muitos dos discípulos diante das dificuldades negam conhecer o Mestre, outros movidos pela compaixão ajudam a carregar a Cruz de Jesus, basta o cruzar de olhares para que Simão de Cirene seja tocado pelo Amor do Inocente condenado. Hoje tornámo-nos insensíveis aos sofrimentos dos outros, somos incapazes de ajudar a carregar o peso da cruz daqueles que sofrem à nossa volta, tal como fizeram outrora com Jesus também hoje desviamos o nosso olhar daqueles que andam por caminhos errantes. Tal como outrora ficamos calados diante daqueles que são condenados inocentemente e o grito de abandono perpetua-se na história «Meu Deus, porque me abandonaste»; porém naquele grito de Jesus está o Amor Redentor pela humanidade ferida pelo pecado. Esta semana somos convidados a encontrar a Pedra para reclinar a cabeça. O Evangelho de S. João ajuda-nos a descobrir o significado desta pedra, podemos ler “Um dos discípulos, aquele que Jesus amava, estava à mesa reclinado no seu peito”. Este discípulo teve a coragem de apoiar a cabeça no peito de Jesus, onde encontrou descanso junto ao Seu coração.
A leitura dos Actos dos Apóstolos, Pedro, em nome da comunidade, apresenta o exemplo de Cristo que “passou pelo mundo fazendo o bem” e que, por amor, fez da sua vida um dom total a Deus e aos homens. Por isso, Deus ressuscitou-O: o caminho que Jesus percorreu e propôs conduz à Vida. Os discípulos, testemunhas desta dinâmica, devem anunciar este “caminho” a todos os homens.
A leitura da Epístola de São Paulo aos Colossenses, ensina que os cristãos, unidos a Cristo ressuscitado pelo batismo, morreram para o pecado e nasceram para a Vida nova. Ao longo da sua caminhada pelo mundo, devem dar testemunho dessa Vida nova nos seus gestos, no seu amor, no seu serviço a Deus e aos homens.
O Evangelho de São João, convida-nos a olhar para o túmulo vazio de Jesus e a “acreditar”: o verdadeiro discípulo de Jesus, aquele que o conhece bem, que entende a sua proposta e está disposto a segui-l’O sabe que a forma como Ele viveu e amou não podia terminar no túmulo, no fracasso, no nada. Por isso, está sempre preparado para acolher a Boa notícia da ressurreição.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João
No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi de manhãzinha, ainda escuro, ao sepulcro e viu a pedra retirada do sepulcro. Correu então e foi ter com Simão Pedro e com o discípulo predileto de Jesus e disse-lhes: «Levaram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde O puseram». Pedro partiu com o outro discípulo e foram ambos ao sepulcro. Corriam os dois juntos, mas o outro discípulo antecipou-se, correndo mais depressa do que Pedro, e chegou primeiro ao sepulcro. Debruçando-se, viu as ligaduras no chão, mas não entrou. Entretanto, chegou também Simão Pedro, que o seguira. Entrou no sepulcro e viu as ligaduras no chão e o sudário que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não com as ligaduras, mas enrolado à parte. Entrou também o outro discípulo que chegara primeiro ao sepulcro: viu e acreditou. Na verdade, ainda não tinham entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos. Palavra da Salvação

Mensagem de Páscoa
«Quem nos irá revolver a pedra da entrada do sepulcro?» (Mc.16,3). As mulheres vão de manhã muito cedo ao sepulcro com aromas a fim de embalsamar Jesus. Estas mulheres deparam-se com o obstáculo que dificultava o contacto com o Corpo de Jesus (a pedra). Na nossa vida é necessário remover as pedras que impedem de estabelecer um relacionamento pessoal com a Pessoa de Jesus Cristo. As mulheres levam os aromas para colocar no corpo de um morto, ainda não tinham compreendido que Jesus era o Filho de Deus e que o seu Corpo não poderia conhecer a corrupção do túmulo. Provavelmente existe muitos cristãos que têm a dificuldade de entender a Vida para além da morte fisica. Essas são as pedras que limitam o nosso entendimento da realidade de Deus e da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo que nos torna miupes e que é necessário purificar o nosso olhar. As mulheres ao entrar no túmulo ficam assutadas e perplexas com o sucedido, Alguém lhes comunica que Jesus está Vivo e convida-as a ver o lugar onde tinham depositado o Corpo de Jesus. Depois, convida-as a levar a mensagem ao grupo dos discípulos e que eles se dirijam para a Galileia. Quando fazemos a experiência do encontro com Cristo não podemos ficar indiferentes, nem fechados sobre o nosso mundo egocentrico, mas tornamo-nos mensageiros de uma boa notícia de esperança para todos aqueles que estão abandonados e abatidos. Nesta Páscoa queria deixar-vos esta mensagem de sermos audazes, retirar as pedras do coração que me impedem de compreender este Mistério da Vida de Jesus, que se torna visivel pela dimensão sacramental da Eucaristia, mas também a descobrir o Seu rosto vivo na minha comunidade cristã, que embora feita de homens pecadores é chamada à santificação pelo amor concreto aos irmãos. Votos de uma Santa Páscoa de 2024!!!
Pe. Victor Cardoso

Palavra de Vida (Março)
«Cria em mim, ó Deus, um coração puro; e renova dentro de mim um espírito firme» (Sal 51[50],12)
Assim libertados e perdoados, com a ajuda dos irmãos – porque a força do cristão vem da comunidade – podemos amar concretamente o próximo, quem quer que ele seja. «Aquilo que nos é pedido é um amor recíproco, de serviço, de compreensão, de participação nos sofrimentos, nos anseios e nas alegrias dos nossos irmãos; um amor que tudo cobre, tudo perdoa, típico do cristão»[2]. Por fim, diz o Papa Francisco: «o perdão de Deus […] é o maior sinal da sua misericórdia. Uma dádiva que cada […] pessoa perdoada é chamada a partilhar com cada irmão e irmã que encontra. Todos aqueles que o Senhor colocou ao nosso lado, os familiares, os amigos, os colegas, os paroquianos… todos são, como nós, necessitados da misericórdia de Deus. É bom ser-se perdoado, mas também tu, se quiseres ser perdoado, deves perdoar. Perdoa! […] Para sermos testemunhas do seu perdão, que purifica o coração e transforma a vida». Parody Reyes


Papa aos católicos da Terra Santa: que ninguém roube a esperança de nossos corações
“Tenho pensado em vocês há algum tempo e rezo por vocês todos os dias. Mas agora, às vésperas desta Páscoa, que para vocês representa tanto a Paixão e ainda mais a Ressurreição, sinto a necessidade de escrever-lhes para dizer que os trago em meu coração.”
Assim escreve Francisco em uma carta aos católicos de toda a Terra Santa em vista da Páscoa. O Papa exprime sua proximidade aos fiéis e seu “afeto como um pai”, especialmente entre aqueles que, nesses meses, “estão sofrendo mais dolorosamente o drama absurdo da guerra” e experimentam sentimentos de “angústia e perplexidade”.
Esperar contra toda esperança
O Santo Padre recorda que a Páscoa é ainda mais significativa para os fiéis que a celebram nos lugares onde o Senhor viveu, morreu e ressuscitou: “não apenas a história, mas nem mesmo a geografia da salvação existiriam sem a Terra que vocês habitam há séculos, onde desejam permanecer e onde é bom que permaneçam”.
“Obrigado pelo vosso testemunho de fé, obrigado pela caridade entre vocês, obrigado por saberem esperar contra toda esperança.”
Uma terra dilacerada pelo conflito
O Papa recorda a viagem que fez em 2014 à Jordânia, Palestina e Israel, e faz suas as palavras de São Paulo VI, o primeiro Pontífice a peregrinar à Terra Santa, há 50 anos, quando enfatizou o perigo da continuação das tensões no Oriente Médio para a paz no mundo inteiro.
Em sua mensagem, Francisco afirma que a Terra Santa não é apenas “guardiã dos Lugares de Salvação”, mas uma testemunha constante, “através de seus próprios sofrimentos” da Paixão do Senhor e, ao mesmo tempo, “com sua capacidade de se levantar e seguir em frente, anunciou e continua a anunciar que o Crucificado ressuscitou”. O Pontífice enfatiza: “Nestes tempos sombrios, quando a escuridão da Sexta-feira Santa parece cobrir vossa terra e muitas partes do mundo desfiguradas pela loucura fútil da guerra, que é sempre e para todos uma derrota sangrenta, vocês são tochas acesas na noite; vocês são sementes do bem em uma terra dilacerada pelo conflito.”
Vocês não estão sozinhos
Por fim, o Papa renova seu convite “a todos os cristãos do mundo inteiro” para que apoiem concretamente e rezem insistentemente “para que toda a população de sua querida Terra possa finalmente estar em paz”.
“Que o ouro da unidade cresça e brilhe no cadinho do sofrimento, também com os irmãos e irmãs das outras confissões cristãs, aos quais também desejo manifestar minha proximidade espiritual e expressar meu encorajamento. Trago todos vocês em minhas orações.”
“Eu os abençoo e invoco sobre vocês a proteção da Santíssima Virgem Maria, filha dessa terra”, conclui Francisco.