V Domingo da Quaresma – Ano B
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto
Neste V domingo da Quaresma o evangelista São João descreve a importância da festa da Páscoa não somente para o povo vindo da tradição judaica, mas também para os povos de vindos de outras culturas e tradições pagãs para celebrar os dias da Páscoa em Jerusalém. Nesses dias da festa da Páscoa chegaram uns gregos a Jerusalém e foram ter com Filipe que era de Betsaida e fizeram-lhe este pedido: «Senhor, nós queríamos ver Jesus». Os ensinamentos e milagres que Jesus realiza não deixa ninguém indiferente, por isso também aqueles que vêm de tradições pagãs desejam conhecer Jesus. A cultura grega está marcada pelo saber filosófico, no entanto a vida de Jesus atraí a Si todos os povos vindos de todas as culturas, tradições, credos ou mesmo não crentes, todos querem conhecer e ver quem é Jesus. A liturgia de hoje é uma provocação para cada um de nós os crentes; Será que também eu desejo conhecer melhor quem é Jesus? Será que me disponho a fazer caminho para O ver ao menos com os olhos da fé? Ou o relativismo existencial que vivo me deixa indiferente a Jesus e à Igreja?Esta semana somos desafiados a ser pedras esculpidas, isto é trabalhadas tal como o escultor que da pedra dura e amorfa, consegue retirar uma obra prima. A exemplo de Miguel Ângelo que daquele bloco de mármore, tira a imagem de Maria que segura nos braços o seu Filho morto. Assim, Deus ao longo dos tempos, com paciência, dedicação e amor foi mostrando ao homem como é a relação de Deus connosco que quer fazer de nós uma obra prima. E nós, temos a coragem de viver este Amor, de o aceitar e alegremente o viver e deixar transbordar nas nossas ações?
A leitura do Profeta Jeremias, anuncia que Deus se dispõe fazer connosco uma “nova Aliança”. Ele vai gravar as suas propostas nos nossos corações, a fim de que os nossos sentimentos, decisões e ações traduzam a vida e os valores de Deus. Acolhendo o dom de Deus, iremos ao encontro da Vida nova e plena que Ele nos quer dar.
A leitura da Carta aos Hebreus, apresenta-nos Jesus Cristo, o sumo-sacerdote da nova Aliança, que Se solidariza com os homens e lhes aponta o caminho da salvação. Esse caminho é o mesmo que Jesus seguiu: é o caminho do diálogo com Deus, da entrega confiada nas mãos de Deus, da aceitação plena do projeto do Pai.
O Evangelho de São João, convida-nos a olhar para Jesus, a conhecer as suas propostas, a aprender com Ele, a identificarmo-nos com Ele, a segui-l’O no caminho do amor e da entrega da vida. O caminho da cruz parece, aos olhos do mundo, um caminho de fracasso e de morte; mas é desse caminho de amor e de doação que brota a Vida verdadeira
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João
Naquele tempo, alguns gregos que tinham vindo a Jerusalém para adorar nos dias da festa, foram ter com Filipe, de Betsaida da Galileia, e fizeram-lhe este pedido: «Senhor, nós queríamos ver Jesus». Filipe foi dizê-lo a André; e então André e Filipe foram dizê-lo a Jesus. Jesus respondeu-lhes: «Chegou a hora em que o Filho do homem vai ser glorificado. Em verdade, em verdade vos digo: Se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica só; mas se morrer, dará muito fruto. Quem ama a sua vida, perdê-la-á, e quem despreza a sua vida neste mundo conservá-la-á para a vida eterna. Se alguém Me quiser servir, que Me siga, e onde Eu estiver, ali estará também o meu servo. E se alguém Me servir, meu Pai o honrará. Agora a minha alma está perturbada. E que hei de dizer? Pai, salva-Me desta hora? Mas por causa disto é que Eu cheguei a esta hora. Pai, glorifica o teu nome». Veio então do Céu uma voz que dizia: «Já O glorifiquei e tornarei a glorificá-l’O». A multidão que estava presente e ouvira dizia ter sido um trovão. Outros afirmavam: «Foi um Anjo que Lhe falou». Disse Jesus: «Não foi por minha causa que esta voz se fez ouvir; foi por vossa causa. Chegou a hora em que este mundo vai ser julgado. Chegou a hora em que vai ser expulso o príncipe deste mundo. E quando Eu for elevado da terra, atrairei todos a Mim». Falava deste modo, para indicar de que morte ia morrer. Palavra da Salvação

Sudão do Sul: passo a passo, as mulheres do Evangelho constroem a paz
Sinais de esperança em meio a feridas profundas
Desde 2010, o Catholic Health Training Institute (CHTI) em Wau tem vindo a promover o diálogo intercultural e a ajudar os estudantes – homens e mulheres – a ultrapassar preconceitos profundamente enraizados.
Este instituto foi iniciado pela Solidarity with South Sudan, uma iniciativa conjunta de religiosos e religiosas que desenvolveram uma formação residencial para professores e enfermeiros, com ênfase na segurança alimentar, na formação pastoral e no tratamento de traumas. A primeira cerimónia de graduação teve lugar em 2013 e, em 2022, 181 enfermeiras graduadas e 87 parteiras já tinham deixado o Instituto. A Irmã Brygida Maniurka, missionária franciscana de Maria da Polónia, trabalha no CHTI desde fevereiro de 2022. «Os nossos estudantes vêm de diferentes tribos, estados e religiões e falam línguas diferentes. O CHTI realça constantemente o respeito por todas as culturas e a tolerância em relação ao que é diferente. Com a ajuda de atividades e exercícios de diferentes tipos, conseguimos criar laços de amizade e promover a paz e a unidade. Para além da enfermagem e da obstetrícia, os nossos estudantes aprendem a arte de construir relações e de trabalhar em conjunto», diz a Irmã Brygida. Acrescenta que acompanhar os alunos no seu caminho de crescimento requer muitas horas de diálogo, é verdade, «mas que alegria quando, ao fim de três anos, vemos quanto eles mudaram!». «E a nossa alegria é ainda maior quando recebemos elogios das comunidades de origem destes jovens e das instituições em que trabalham», continua a Irmã Brygida.
Quando a dor se torna cura
Em Yambio, a iniciativa que dá especial atenção às mulheres que sofreram traumas. A Irmã Filomena Francis – a quem aqui chamam Irmã Bakhita – é originária de Nzara, uma pequena cidade da Equatoria Ocidental; antes vivia em Cartum, onde havia cerca de cinco milhões de sul-sudaneses deslocados à espera de chegar ao Egito e às Irmãs Franciscanas Missionárias da Imaculada Conceição de Maria (MFIC). Antes de partir para a Papua-Nova Guiné, em 1995, a Irmã Filomena pôde visitar a sua família no atual Sudão do Sul. Nessa altura, a área tinha sido conquistada pelo Exército Popular de Libertação do Sudão (SPLA) e a Irmã Filomena encontrou a sua família e irmãs em boas condições. Em 1999, porém, a violência sexual e os abusos perpetrados pelos soldados tinham tornado a sua vida miserável. O drama vivido pela família da Irmã Filomena inspirou-a a iniciar um programa de aconselhamento e de cura de traumas, que se concretizou em 2006 com a Adeesa (Women) Support Group Organization (ASGO) [Organização de Apoio às mulheres] iniciada em conjunto com duas outras mulheres.

Palavra de Vida (Março)
«Cria em mim, ó Deus, um coração puro; e renova dentro de mim um espírito firme» (Sal 51[50],12)
O salmista coloca na boca do rei invocações muito fortes, que brotam do seu profundo arrependimento e da total confiança no perdão divino: “apaga”, “lava-me”, “purifica-me”. Principalmente, no versículo que abordamos, usa o verbo “cria” para indicar que a completa libertação da fragilidade humana só é possível a Deus. É a consciência de que só Ele nos pode tornar criaturas novas com um “coração puro”, enchendo-nos com o Seu espírito vivificante, dando-nos a verdadeira alegria e transformando radicalmente o nosso relacionamento com Deus (o “espírito firme”) e com os outros, com a natureza e o cosmos.


“O Papa pede para a Ucrânia a coragem de negociar”
Com suas palavras sobre a Ucrânia, o Papa pretendia pedir um cessar-fogo e relançar a coragem da negociação. O diretor da Sala de Imprensa, Matteo Bruni, responde às perguntas de alguns jornalistas sobre a antecipação da entrevista com a Radio Televisão Suíça (RSI), publicada esge sábado, explicando que o desejo de Francisco para o país, que ele sempre descreveu como “martirizado”, está todo resumido nas palavras já expressas no Angelus de 25 de fevereiro, um dia após o dramático duplo aniversário do início do conflito, no qual ele reiterou seu “afeto muito profundo” pela população. E isso é, a fim de “criar as condições para uma solução diplomática em busca de uma paz justa e duradoura”. O Papa – especifica Bruni – usa o termo bandeira branca e responde com a imagem proposta pelo entrevistador, para indicar com ela a cessação das hostilidades, a trégua alcançada com a coragem da negociação. Em outra parte da entrevista, falando de outra situação de conflito, mas referindo-se a qualquer situação de guerra, o Papa afirmou claramente: ‘A negociação nunca é uma rendição'”. Na entrevista em questão, o entrevistador Lorenzo Buccella pergunta ao Papa: “Na Ucrânia, há aqueles que pedem coragem para se render, para mostrar a bandeira branca. Mas outros dizem que isso legitimaria o mais fortes. O que pensa sobre isso?”. E Francisco responde: “É uma interpretação. Mas creio que é mais forte quem vê a situação, quem pensa nas pessoas, quem tem a coragem da bandeira branca, para negociar. E hoje se pode negociar com a ajuda das potências internacionais. A palavra negociar é uma palavra corajosa. Quando você vê que está derrotado, que as coisas não estão indo bem, precisa ter a coragem de negociar. Você tem vergonha, mas com quantas mortes isso vai acabar? Negociar em tempo, procurar algum país para mediar. Hoje, por exemplo, na guerra na Ucrânia, há muitos que querem fazer a mediação. A Turquia se ofereceu para isso. E outros. Não tenham vergonha de negociar antes que a situação piore”. Portanto, palavras do Papa retomadas de uma imagem proposta pelo entrevistador para reiterar, entre outras coisas, o que já foi afirmado nesses dois anos de contínuos apelos e pronunciamentos públicos, ou seja, a importância do diálogo contra a “loucura” da guerra e a preocupação prioritária com o destino da população civil. “O desejo do Papa – reiterou o porta-voz vaticano – é e continua sendo aquele que ele sempre repetiu nestes anos, e recentemente repetiu por ocasião do segundo aniversário do conflito: ‘Ao tempo em que renovo o meu mais profundo afeto pelo povo ucraniano martirizado e rezo por todos, em particular pelas inúmeras vítimas inocentes, peço que se encontre um pouco de humanidade que permita criar as condições para uma solução diplomática na busca de uma paz justa e duradoura'”.