I Domingo da Quaresma – Ano B
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto
Neste I domingo da Quaresma a liturgia apresenta o texto das Tentações de Jesus. Jesus é levado ao deserto e tentado pelo demónio. No deserto deparamo-nos com poucas coisas capazes de distrair o ser humano: terra árida, pedras, alguma vegetação sobretudo cactos que não necessitam de tanta água e ausência de alimento. Apesar de todas estas adversidades Jesus mostra a sua capacidade de vencer as tentações. Também na nossa vida quotidiana encontramos muitos obstáculos, muitas tentações, muitas dificuldades o importante é ter a coragem e a ousadia de conseguir vencer cada situação que se apresenta diante de nós. Mas como é que podemos vencer as tentações? O evangelista São Mateus descreve a resposta que Jesus dá a Satanás diante da falta de alimento, Jesus disse-lhe: «Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus». Quaresma é isso mesmo é o tempo por excelência de nos alimentarmos mais da Palavra de Deus, tempo de intimidade com o Senhor só assim conseguiremos vencer as provações e tentações que estamos sujeitos no dia-a-dia. Por fim vemos que os Anjos serviram Jesus, também essa pode ser a nossa experiência sempre que conseguirmos retirar as pedras do nosso caminho. Nesta semana a Pedra do nosso caminho quaresmal é a da “Conversão”; o desafio é saber aproveitá-la para nos convertermos e nos aproximarmos de Deus e dos outros. Saibamos limpar do nosso caminho as pequenas coisas, que até podem parecer insignificantes, mas que nos tiram a paciência e nos impedem de progredir.
O Livro do Génesis, é um extrato de uma velha lenda sobre um cataclismo que lavou o mundo do pecado. Ensina que Deus, depois de eliminar o mal, não está interessado em fazer guerra aos homens; por isso, depõe o seu “arco de guerra” e oferece aos homens uma Aliança incondicional de paz. Deus espera que, da sua iniciativa, nasça uma humanidade nova, capaz de concretizar o sonho de Deus para o mundo.
A Epístola de São Pedro, o autor da primeira Carta de Pedro recorda que, pelo Batismo, os cristãos aderiram a Cristo e à salvação que Ele trouxe. Comprometeram-se, portanto, a seguir Jesus no caminho do amor, do serviço, do dom da vida. Envolvidos nesse dinamismo de vida e de salvação que brota de Jesus, os cristãos são semente de uma nova humanidade.
O Evangelho de São Marcos, mostra-nos Jesus a recusar o mal e a optar pelo caminho que lhe foi indicado pelo Pai. Essa opção está na origem de um mundo novo, ao qual Jesus chamava “o Reino de Deus”. Ele conta com os seus discípulos para serem, em todos os momentos da história humana, construtores e arautos do “Reino de Deus”.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Marcos
Naquele tempo, o Espírito Santo impeliu Jesus para o deserto. Jesus esteve no deserto quarenta dias e era tentado por Satanás. Vivia com os animais selvagens, e os Anjos serviam-n’O. Depois de João ter sido preso, Jesus partiu para a Galileia e começou a pregar o Evangelho, dizendo: «Cumpriu-se o tempo e está próximo o reino de Deus. Arrependei-vos e acreditai no Evangelho». Palavra da Salvação

Palavra de Vida (Fevereiro)
«Que, entre vós, tudo se faça com amor» (1Cor 16,14)[1]
Esta Palavra ensina a aproximarmo-nos dos outros com respeito, sem falsidade, com criatividade, dando espaço às suas mais belas aspirações, para que cada um dê o seu próprio contributo para o bem comum.
Ajuda-nos a valorizar cada ocasião concreta da nossa vida quotidiana: «[…] desde o trabalho em casa, nos campos ou nas oficinas, aos trâmites burocráticos, às tarefas escolares, até às responsabilidades no campo civil, político ou religioso. Tudo se pode transformar em serviço atento e gentil»[5].
Poderemos imaginar um mosaico de Evangelho vivido na simplicidade.
Dois pais escreveram: «Quando uma vizinha, angustiada, nos disse que o seu filho estava na prisão, combinámos ir visitá-lo. Jejuámos no dia anterior à visita, esperando ter a graça de lhe dizer as palavras certas. Depois, pagámos a caução para que fosse libertado»[6].
Um grupo de jovens de Buea (sudoeste dos Camarões) organizou uma recolha de bens e de fundos para ajudar os refugiados internos, por causa da guerra em curso[7]. Visitaram um homem que perdeu um braço durante a fuga. Conviver com esta incapacidade tornou-se para ele um grande desafio, porque os seus hábitos mudaram drasticamente. «Disse-nos que a nossa visita lhe deu esperança, alegria e confiança. Sentiu o amor de Deus através de nós», contou a Regina. Acrescentou a Marita: «Depois desta experiência, estou realmente convencida que nenhuma dádiva é pequena se for feita com amor… Não é preciso mais nada: é o amor que faz mover o mundo. Experimentemo-lo!» Letizia Magri

Papa aos artistas: precisamos de vocês para sonhar um mundo diferente e belo
Qual é a nossa contribuição para a construção de um mundo em harmonia? A cultura da beleza sempre nos coloca em movimento. O encontro com a beleza de Deus nos permite partir novamente, recomeçar, no caminho rumo a sociedades mais humanas e fraternas. Nesta manhã de 15 de Fevereiro o Papa Francisco disse à Delegação do Movimento “Diaconia da beleza”, cujos membros realizam estes dias em Roma o Simpósio da Associação francesa que celebra o décimo aniversário da iniciativa “Festival”. No seu discurso, Francisco refletiu sobre três dimensões que a caracterizam: espiritual, evenemencial e residencial.
Criar uma ponte entre o céu e a terra
A primeira dimensão é a espiritual. A vocação de vocês é ajudar os artistas a criar uma ponte entre o céu e a terra. Vocês querem despertar neles a busca pela verdade, sejam eles músicos, poetas ou cantores, pintores, arquitetos ou diretores, escultores, atores ou dançarinos ou o que quer que seja. Porque a beleza nos convida a uma maneira diferente de estar no mundo. Trata-se de contemplação. De fato, “a beleza nos faz sentir que a vida está voltada para a plenitude. Na verdadeira beleza, começamos a sentir a nostalgia de Deus”. Acreditar em Deus criador só pode encorajar a criatura a ir além de si mesma, a se projetar na vida divina por meio da inspiração artística, continuou o Santo Padre.
Restabelecer um diálogo frutífero com a Igreja
A segunda dimensão – com um francesismo de palavra – a chamamos de evenemencial. A associação Diaconia da beleza ajuda os artistas a restabelecer um diálogo frutífero com a Igreja, por meio de encontros, shows, concertos e apresentações. Trata-se de uma maneira, ressaltou o Papa, de tornar visível a proximidade da Igreja com os artistas, entrando em diálogo com a cultura e a vida deles, sejam eles crentes ou não.
Tornar-se apóstolo da beleza que gera vida e esperança
A terceira dimensão é a residencial. Graças ao seu frutífero apostolado, a obra de vocês é multiplicada com a criação de casas de artistas em todo o mundo. A vida de um artista é frequentemente marcada pela solidão, às vezes pela depressão e por grande sofrimento interior. O desafio de vocês é trazer à tona a beleza que está escondida nele ou nela, para que ele ou ela, por sua vez, se torne um apóstolo dessa beleza que gera vida, esperança e sede de felicidade. Uma missão que ajuda a aumentar a dignidade do artista, que não se sente mais rejeitado, incompreendido, marginalizado e excluído. Sigam em frente com isso!


A Quaresma é caminho para a liberdade
Na escuridão das desigualdades e dos conflitos
“Através do deserto, Deus guia-nos para a liberdade” é o título da Mensagem do Papa Francisco para esta Quaresma de 2024. E neste caminho para a liberdade “o primeiro passo” deve ser “querer ver a realidade”, afirma o Santo Padre recordando “o grito de tantos irmãos e irmãs oprimidos”. “Na minha viagem a Lampedusa, à globalização da indiferença contrapus duas perguntas, que se tornam cada vez mais atuais: «Onde estás?» (Gn 3, 9) e «Onde está o teu irmão?» (Gn 4, 9)”, lembra o Papa.
No seu texto, Francisco declara existir hoje um “défice de esperança”. Como se existisse um impedimento de sonhar numa humanidade que persiste na “escuridão das desigualdades e dos conflitos”. Uma realidade que o Papa apresenta citando o testemunho de bispos e de agentes de paz e justiça. “O testemunho de muitos irmãos bispos e dum grande número de agentes de paz e justiça convence-me cada vez mais de que aquilo que é preciso denunciar é um défice de esperança. Trata-se de um impedimento a sonhar, um grito mudo que chega ao céu e comove o coração de Deus. Assemelha-se àquela nostalgia da escravidão que paralisa Israel no deserto, impedindo-o de avançar. O êxodo pode ser interrompido: não se explicaria doutro modo porque é que tendo uma humanidade chegado ao limiar da fraternidade universal e a níveis de progresso científico, técnico, cultural e jurídico capazes de garantir a todos a dignidade, tateie ainda na escuridão das desigualdades e dos conflitos”, escreve o Papa.
Amadurecer a liberdade de uma nova esperança
Segundo Francisco, a Quaresma é tempo de conversão, de fazer deserto em nós, um “espaço onde a nossa liberdade pode amadurecer”, diz o Santo Padre. Um amadurecimento cimentado nas atitudes da oração, da esmola e do jejum. “Oração, esmola e jejum não são três exercícios independentes, mas um único movimento de abertura, de esvaziamento: lancemos fora os ídolos que nos tornam pesados, fora os apegos que nos aprisionam. Então o coração atrofiado e isolado despertará. Para isso há que diminuir a velocidade e parar. Assim a dimensão contemplativa da vida, que a Quaresma nos fará reencontrar, mobilizará novas energias. Na presença de Deus, tornamo-nos irmãs e irmãos, sentimos os outros com nova intensidade: em vez de ameaças e de inimigos encontramos companheiras e companheiros de viagem. Tal é o sonho de Deus, a terra prometida para a qual tendemos, quando saímos da escravidão”.