Novos Ventos – 11 de Fevereiro

VI Domingo do Tempo Comum – Ano B
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto

Neste VI domingo do Tempo Comum o evangelista São Marcos apresenta o episódio da cura do leproso. Procuremos analisar passo a passo o Evangelho desta semana: em primeiro lugar este homem quebra a barreira daquilo que estava prescrito pela Lei, isto é, os leprosos viviam à margem da sociedade e estavam impedidos de se aproximar das pessoas e se alguém ousasse aproximar devia dizer “impuro, impuro” de forma a evitar a aproximação. No entanto, este leproso ousa aproximar-se de Jesus e pondo-se de joelhos suplica-Lhe: «Se quiseres, podes curar-me». O amor de Jesus pelo sofrimento humano supera todas as normas impostas pela Lei, não se afasta do leproso, nem fica indiferente ao seu sofrimento, mas pelo contrário compadece-se restituindo-lhe a saúde da sua enfermidade. Depois de ter realizado a cura, Jesus adverte o homem que não dissesse nada a ninguém, mas que fosse oferecer ao sacerdote como testemunho da sua cura o que Moisés tinha ordenado. Porém este homem transformado interiormente não é capaz de guardar para si, aquilo que o Senhor tinha realizado na sua vida.

Na nossa vida muitas lepras que nos afastam dos outros; solidão, egoísmo, fechados nos nossos grupos de amigos, incapazes de relações verdadeiras e profundas, isso leva-nos muitas vezes a sentirmo-nos sós mesmo tendo tanta gente ao redor, ficamos deprimidos e esgotados. Tal como o episódio do leproso Jesus espera pacientemente que possamos pedir-Lhe auxílio. Será que já senti esse Amor de Jesus? Deixei-me tocar por esse Amor transforma a minha vida? Fui capaz de ser-Lhe grato pela vida e pelas curas realizadas em mim?

O Livro do Levítico, apresenta-nos a legislação que definia a forma de tratar com os leprosos. Impressiona como, a partir de uma imagem deturpada de Deus, os homens são capazes de inventar mecanismos de discriminação e de rejeição em nome de Deus.

A Epístola de São Paulo aos Coríntios, convida os cristãos a terem como prioridade a glória de Deus e o serviço dos irmãos. O exemplo supremo deve ser o de Cristo, que viveu na obediência incondicional aos projectos do Pai e fez da sua vida um dom de amor, ao serviço da libertação dos homens.

O Evangelho de São Marcos, diz-nos que, em Jesus, Deus desce ao encontro dos seus filhos vítimas da rejeição e da exclusão, compadece-Se da sua miséria, estende-lhes a mão com amor, liberta-os dos seus sofrimentos, convida-os a integrar a comunidade do “Reino”. Deus não pactua com a discriminação e denuncia como contrários aos seus projectos todos os mecanismos de opressão dos irmãos.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Marcos

Naquele tempo, veio ter com Jesus um leproso. Prostrou-se de joelhos e suplicou-Lhe: «Se quiseres, podes curar-me». Jesus, compadecido, estendeu a mão, tocou-lhe e disse: «Quero: fica limpo». No mesmo instante o deixou a lepra e ele ficou limpo. Advertindo-o severamente, despediu-o com esta ordem: «Não digas nada a ninguém, mas vai mostrar-te ao sacerdote e oferece pela tua cura o que Moisés ordenou, para lhes servir de testemunho». Ele, porém, logo que partiu, começou a apregoar e a divulgar o que acontecera, e assim, Jesus já não podia entrar abertamente em nenhuma cidade. Ficava fora, em lugares desertos, e vinham ter com Ele de toda a parte. Palavra da Salvação


Palavra de Vida (Janeiro)

«Que, entre vós, tudo se faça com amor»  (1Cor 16,14)[1]

Impressiona que Paulo – no texto grego – exorte a agir “estando no amor”, como a indicar-nos uma condição estável, uma inabitação em Deus, que é Amor.

Como poderemos, de facto, acolher-nos reciprocamente e acolher cada pessoa com esta atitude, senão a partir do reconhecimento de que nós próprios somos amados por Deus, até nas nossas fragilidades?

É com esta renovada consciência que é possível abrirmo-nos sem medo aos outros, para compreender as suas necessidades e para nos colocarmos ao seu lado, partilhando recursos materiais e espirituais. Olhemos para o modo como Jesus atuou; é Ele o nosso modelo. Ele foi sempre o primeiro a dar: «[…] a saúde aos doentes, o perdão aos pecadores, a vida a todos nós. Ao instinto egoísta de acumular opõe a generosidade; à concentração nas próprias necessidades, a atenção aos outros; à cultura do ter, a cultura do dar. Não interessa se podemos dar muito ou pouco. O importante é o modo como damos, quanto amor colocamos até num pequeno gesto de atenção aos outros. […] É essencial o amor, porque sabe ir ao encontro do próximo numa atitude de escuta, de serviço, de disponibilidade. Como é importante […] procurar ser o amor junto de cada um! Encontraremos o caminho direto para entrar no seu coração e elevá-lo»[4].

Letizia Magri 


C9, concluídas as reuniões: reflexão sobre as mulheres, a evangelização e o Sínodo

A sessão de fevereiro do trabalho do C9, o Conselho de Cardeais instituído pelo Papa para ajudá-lo a governar a Igreja universal, foi concluída. O papel da mulher na Igreja, os caminhos sinodais em andamento nos cinco continentes e a evangelização foram os três temas principais sobre os quais se concentraram as reflexões dos cardeais de 5 a 7 de fevereiro, novamente na presença do Papa e com a contribuição de outros convidados.

Contribuições de três mulheres

Como informa um comunicado da Sala de Imprensa do Vaticano: “Nos dias 5, 6 e na tarde de 7 de fevereiro, a sessão do Conselho de Cardeais foi realizada na Casa Santa Marta. Participaram com o Papa os cardeais que o integram e o Secretário do Conselho”. Na manhã do dia 5, deram suas contribuições à reunião a irmã Linda Pocher, Filha de Maria Auxiliadora e professora de Cristologia e Mariologia na Pontifícia Faculdade de Ciências da Educação Auxilium, em Roma; Giuliva Di Berardino, consagrada da Ordo Virginum da Diocese de Verona, professora e diretora de cursos de espiritualidade e exercícios espirituais; Jo Bailey Wells, bispa da Igreja da Inglaterra e subsecretária geral da Comunhão Anglicana.

Próxima sessão em abril

A discussão, informa a nota da Santa Sé, “na parte da tarde continuou sobre os caminhos sinodais em andamento, particularmente o da Igreja universal”. O dia 6 foi dedicado ao tema da evangelização, acompanhado pelos relatórios dos pró-prefeitos do Dicastério para a Evangelização, dom Rino Fisichella e o cardeal Luis Antonio Tagle. A tarde do dia 7 proporcionou uma oportunidade para aprofundar os tópicos discutidos durante a sessão, na presença do Papa.

Papa: atenção à tristeza, é como um verme que corrói o coração

Uma tristeza amiga

Ao sublinhar que existe “uma tristeza amiga, que nos leva à salvação” o Santo Padre trouxe como exemplo o filho pródigo da parábola, quando chega ao fundo da sua degeneração, sente uma grande amargura, e isso o leva a voltar a si mesmo e a decidir voltar para a casa do pai (cf. Lc 15, 11-20).

“É uma graça sentir dor pelos nossos pecados, lembrar o estado de graça do qual caímos, chorar porque perdemos a pureza na qual Deus nos sonhou.”

A tristeza está ligada à vivência da perda e da frustração

“Mas há uma segunda tristeza, que é antes uma doença da alma”, continuou o Papa, “este vício nasce no coração do homem quando desaparece um desejo ou uma esperança”. Ao se referir à história dos discípulos de Emaús, presente no Evangelho de Lucas, Francisco recorda que “aqueles dois discípulos saem de Jerusalém com o coração desiludido” e, a certa altura, confidenciam ao “desconhecido” que se junta a eles a experiência triste que estavam sentindo com a morte daquele que era o Salvador: 

O sentimento de melancolia adoece o coração

O Papa enfatizou que “todos nós passamos por provações que nos geram tristeza, pois a vida nos faz conceber sonhos que depois desmoronam”. Nesta situação, alguns, depois de um período de turbulência, confiam na esperança, mas outros se afundam na melancolia, permitindo que ela gangrene os seus corações, e assim ficam felizes por um fato que não aconteceu, é como comer uma bala amarga, sem açúcar: “a tristeza é um prazer do não prazer”, disse o Pontífice.

“Certos lutos prolongados, em que uma pessoa continua a ampliar o vazio daqueles que já não estão mais lá, não são próprios da vida no Espírito. Certas amarguras rancorosas, pelas quais uma pessoa sempre tem em mente uma reivindicação que a faz assumir as roupas da vítima, não produzem em nós uma vida saudável, e muito menos cristã. Há algo no passado de todos que precisa ser curado”.

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