Novos Ventos – 09 de Abril

Domingo de Páscoa – Ano A

Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto

Neste domingo da Ressurreição a liturgia apresenta as primeiras testemunhas do Ressuscitado. Maria Madalena vai de manhã muito cedo ao sepulcro e encontra o sepulcro vazio e a pedra removida, vê as ligaduras no chão e compreende “Jesus está Vivo!”, esta notícia não a reserva para si própria mas corre ao local onde os discípulos se encontravam e transmite-lhes esta novidade. Nesta experiência com o Ressuscitado dois pormenores que importa salientar «a pedra removida e a luz que ilumina todo o sofrimento da Paixão e Morte de Cristo». A primeira dificuldade diante dos obstáculos muitas vezes ficamos bloqueados sem coragem para os ultrapassar e remover. Não são os obstáculos que impede Maria Madalena de se dirigir ao sepulcro pelo contrário, ela enfrenta as dificuldades é precisamente nesse momento que encontra a Luz do Ressuscitado ao superar a dor e a angústia que levava consigo. Essa nova luz leva a transmitir aos Apóstolos a novidade de que o Mestre está vivo.

Serei capaz de encontrar no sofrimento essa Luz do Ressuscitado? Será que ainda não sou capaz de afastar as pedras que me bloqueiam e vivo constantemente na dor? Terei medo como os Apóstolos e permaneço fechado sobre mim próprio? Ou descubro no sepulcro vazio a Luz que dissipa a dor e me faz compreender os sinais da Ressurreição?

A Leitura dos Actos dos Apóstolos, apresenta o exemplo de Cristo que “passou pelo mundo fazendo o bem” e que, por amor, Se deu até à morte; por isso, Deus ressuscitou-O. Os discípulos, testemunhas desta dinâmica, devem anunciar este “caminho” a todos os homens.

A Leitura de São Paulo aos Colossenses,  convida os cristãos, revestidos de Cristo pelo baptismo, a continuarem a sua caminhada de vida nova até à transformação plena (que acontecerá quando, pela morte, tivermos ultrapassado a última barreira da nossa finitude).

O Evangelho de São João,  coloca-nos diante de duas atitudes face à ressurreição: a do discípulo obstinado, que se recusa a aceitá-la porque, na sua lógica, o amor total e a doação da vida nunca podem ser geradores de vida nova; e a do discípulo ideal, que ama Jesus e que, por isso, entende o seu caminho e a sua proposta (a esse não o escandaliza nem o espanta que da cruz tenha nascido a vida plena, a vida verdadeira).


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João

No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi de manhãzinha, ainda escuro, ao sepulcro e viu a pedra retirada do sepulcro. Correu então e foi ter com Simão Pedro e com o discípulo predilecto de Jesus e disse-lhes: «Levaram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde O puseram». Pedro partiu com o outro discípulo e foram ambos ao sepulcro.
Corriam os dois juntos, mas o outro discípulo antecipou-se, correndo mais depressa do que Pedro, e chegou primeiro ao sepulcro. Debruçando-se, viu as ligaduras no chão, mas não entrou. Entretanto, chegou também Simão Pedro, que o seguira. Entrou no sepulcro e viu as ligaduras no chão e o sudário que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não com as ligaduras, mas enrolado à parte. Entrou também o outro discípulo que chegara primeiro ao sepulcro: viu e acreditou. Na verdade, ainda não tinham entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos.

Palavra da Salvação


Palavra de vida (Abril)

«Aspirai às coisas do Alto e não às coisas da Terra» (Cl 3, 2)

Tinham acabado de nascer as primeiras comunidades cristãs e já surgiam divergências, provocadas por falsas interpretações da mensagem evangélica. Paulo, que se encontrava na prisão, soube que havia problemas desses em Colossos e, por isso, escreveu a esta comunidade. 

Compreende-se melhor a Palavra de Vida deste mês se a lermos no contexto da passagem em que se encontra: «Portanto, já que fostes ressuscitados com Cristo, procurai as coisas do Alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus. Aspirai às coisas do Alto e não às da Terra. Vós morrestes e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus»[1]

Para ultrapassar estas divergências, Paulo convida a dirigir o nosso pensamento e todo o nosso ser para Cristo que ressuscitou. De facto, no Batismo, também nós morremos e ressuscitámos com Cristo. Podemos assim viver – “já e ainda não completamente” – esta vida nova. (Patrizia Mazzola)


Patton: Páscoa de oração na Terra Santa, à violência se responde com o perdão

“Jerusalém é um lugar de encontro, fé, oração, alegria, comunhão e unidade e não de conflito e divisão, não é apenas tensão política e religiosa”. Palavras fortes que dom Pierbattista Pizzaballa, patriarca de Jerusalém, usou para reiterar que a Cidade Santa “não é posse nem exclusão”, quando se dirigiu aos mais de 20 mil fiéis cristãos que participaram da procissão do Domingo de Ramos. A eles, Pizzaballa pediu para não terem medo “daqueles que querem dividir”, referindo-se aos episódios violentos que ocorreram na cidade contra igrejas e símbolos cristãos. “A cidade santa”, foram suas palavras, “sempre foi e sempre será uma casa de oração para todos os povos e ninguém poderá possuí-la exclusivamente”. Uma advertência retomada pelo padre Francesco Patton, custódio da Terra Santa, quando falou da “dignidade dos cristãos”, e enfatizou com vigor que a maneira cristã de reagir à violência não é usar a violência, mas perdoar, rezar e pedir justiça.

A mensagem pascal dos líderes religiosos de Jerusalém descreve as dificuldades em que a comunidade cristã se encontra vivendo. Qual é o clima no momento enquanto esperamos os ritos da Semana Santa? Eu diria que o clima é de alegria antecipada pelas celebrações, porque o Natal em Belém e a Páscoa em Jerusalém são dois momentos festivos. Depois, esta festa cai a breve distância da Páscoa para os orientais, que será uma semana depois, cai praticamente em contemporânea com a Páscoa hebraica, que começa amanhã, e também cai em contemporânea com o Ramadã, portanto, com o tempo do jejum muçulmano. Consequentemente, cai num momento em que muitos desejam poder rezar e celebrar em Jerusalém, todos aqueles que fazerem referimento ao judaísmo, ao islamismo e ao cristianismo. Então também cai em um contexto político que é particular porque muito tenso há várias semanas, com manifestações de rua todos os fins de semana, reivindicando pacífica e democraticamente a necessidade de não modificar a estrutura do Estado e de não submeter a Suprema Corte ao governo. Isto obviamente cria tensão no país, e repito, todos os fins de semana com manifestações, mas apesar de tudo isto, o que nós, como cristãos, percebemos é o grande desejo de poder celebrar a ressurreição do Senhor, assim como para os orientais uma semana depois de nós, o desejo de poder ver se difundir aquele fogo que brota do sepulcro vazio.


Quinta-feira Santa, o Papa retorna após dez anos à prisão juvenil de Casal del Marmo

Celebrações da Semana Santa

Tendo acabado de receber alta, após a bronquite infecciosa, o Papa retoma, portanto, sua agenda da Semana Santa e, através de seu porta-voz, faz saber que presidirá os Ritos pascais: as modalidades das liturgias da Semana Santa “permanecem inalteradas”, confirmou Bruni, explicando que o Papa presidirá as celebrações com um cardeal no altar, inclusive no Domingo de Páscoa. Uma modalidade, aliás, já em vigor há algum tempo. Este domingo, a Missa do Domingo de Ramos, com o cardeal Leonardo Sandri, vice-decano do Colégio cardinalício, como celebrante. A partir de quinta-feira, as celebrações pascais, com a Missa Crismal na Basílica Vaticana e depois a Missa da Ceia do Senhor, com o rito antigo e sempre comovente do lava-pés. A partir deste sábado, o local é conhecido; o mesmo, como mencionado, escolhido pelo Papa argentino em 28 de março de 2013, quinze dias após sua eleição.

De volta após dez anos

No instituto da periferia de Roma, o Papa havia lavado naquele dia os pés de dez rapazes e duas moças de diferentes nacionalidades e confissões: “Lavar os pés significa que devemos nos ajudar uns aos outros”, ele lhes havia dito, explicando o gesto. “É meu dever como padre e como bispo estar a vosso serviço”, acrescentou. “Mas é um dever que vem do meu coração: eu o amo”. Adoro fazer isso porque o Senhor assim me ensinou”. Depois, expressou o convite que nos anos seguintes ele sempre dirigiu às novas gerações: “Não deixai que a esperança vos seja roubada”.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *