Novos Ventos – 10 de Abril

Domingo de Ramos – Ano C

Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto

A liturgia do domingo de Ramos começa por evidenciar a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, as multidões aclamam Jesus como Rei de Israel e de palmas na mão e com hinos e salmos cantam “bendito o que vem em nome do Senhor, hossana nas alturas!”. O Evangelho descreve o relato da Paixão de Jesus, os discípulos horas antes tinham dito que iam com o Mestre até à morte se fosse necessário, mas diante do perigo e ameaças de morte negam conhecê-LO, outros discípulos por sua vez vão se dispersando no caminho e Jesus acaba por ser ajudado por um estranho, um homem de Sirene que vinha do campo e os soldados obrigam-no a carregar a Cruz de Jesus. Naquele cruzar de olhares este homem sente-se amado e tocado por Jesus. Não basta dizer bonitas palavras ou mostrar um exagerado voluntarismo se diante dos perigos e dificuldades também nos afastamos e negamos a nossa identidade cristã (recordo-me sobretudo da Pandemia em que muitos cristãos aproveitaram esta deixa para justificar a sua ausência e a falta de compromisso na igreja). Aqueles que são apanhados no caminho, por vezes é que são capazes de ajudar a carregar a cruz dos outros.

A leitura do livro do Isaías,    apresenta-nos um profeta anónimo, chamado por Deus a testemunhar no meio das nações a Palavra da salvação. Apesar do sofrimento e da perseguição, o profeta confiou em Deus e concretizou, com teimosa fidelidade, os projectos de Deus. Os primeiros cristãos viram neste “servo” a figura de Jesus.

A Leitura de São Paulo aos Filipenses, apresenta-nos o exemplo de Cristo. Ele prescindiu do orgulho e da arrogância, para escolher a obediência ao Pai e o serviço aos homens, até ao dom da vida. É esse mesmo caminho de vida que a Palavra de Deus nos propõe.

O Evangelho de São Lucas, convida-nos a contemplar a paixão e morte de Jesus: é o momento supremo de uma vida feita dom e serviço, a fim de libertar os homens de tudo aquilo que gera egoísmo e escravidão. Na cruz revela-se o amor de Deus, esse amor que não guarda nada para si, mas que se faz dom total.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Lucas

Naquele tempo; Jesus caminhava à frente dos discípulos, subindo para Jerusalém. Quando se aproximou de Betfagé e Betânia, perto do monte chamado das Oliveiras, enviou dois de seus discípulos, dizendo: “Ide ao povoado ali na frente. Logo na entrada encontrareis um jumentinho amarrado, que nunca foi montado. Desamarrai-o e trazei-o aqui. Se alguém, por acaso, vos perguntar: “Por que desamarrais o jumentinho?” Respondereis assim: “O Senhor precisa dele.” Os enviados partiram e encontraram tudo exatamente como Jesus lhes havia dito. Quando desamarravam o jumentinho, os donos perguntaram: “Por que estais desamarrando o jumentinho?” Eles responderam: “O Senhor precisa dele.” E levaram o jumentinho a Jesus. Então puseram os seus mantos sobre o animal e ajudaram Jesus a montar.  E enquanto Jesus passava, o povo ia estendendo suas roupas no caminho. Quando chegou perto da descida do Monte das Oliveiras, a multidão dos discípulos, aos gritos e cheia de alegria começou a louvar a Deus por todos os milagres que tinham visto. Todos gritavam: “Bendito o Rei, que vem em nome do Senhor! Paz no céu e glória nas alturas!” Do meio da multidão, alguns fariseus disseram a Jesus: ”Mestre repreende teus discípulos!” Jesus porém respondeu: “Eu vos declaro: se eles se calarem as pedras gritarão.

Palavra do Senhor


 Palavra de Vida – Abril

“Ide por todo o mundo, proclamai o Evangelho a toda a criatura.” (Mc 16,15)

O Evangelho de Marcos insere as últimas palavras de Jesus Ressuscitado numa única aparição aos apóstolos.

Eles estão sentados à mesa, como muitas vezes os vimos junto de Jesus antes da Sua paixão e morte, mas desta vez a pequena comunidade está marcada pelo fracasso: ficaram reduzidos a onze, em vez dos doze que Jesus tinha escolhido para estarem com Ele, e na hora da cruz um dos presentes tinha-O renegado e quase todos tinham fugido. 

Neste último, decisivo encontro, o Ressuscitado repreende-os pela sua dureza de coração, por não terem acreditado em quem testemunhava a Sua ressurreição[1], mas, ao mesmo tempo, confirma a Sua escolha: apesar das suas fragilidades, é a eles que confia de novo o anúncio do Evangelho, daquela Boa Nova que é Ele próprio, com a sua vida e as suas palavras.

Depois deste solene discurso, o Ressuscitado volta para o Pai, mas ao mesmo tempo “permanece” com os discípulos, confirmando as suas palavras com sinais e prodígios.

Letizia Magri


ONU impotente na guerra na Ucrânia, prevalece a lógica dos poderosos

A viagem apostólica do Papa a Malta estava planejada para se realizar em 2020, mas foi adiada por causa da pandemia da Covid-19. Segundo o Papa, “poucas pessoas sabem que Malta, embora sendo uma ilha no meio do Mediterrâneo, recebeu o Evangelho muito cedo, porque o Apóstolo Paulo naufragou perto do seu litoral e milagrosamente salvou-se a si mesmo e a todos os que estavam no barco, mais de duzentas e setenta pessoas. Os Atos dos Apóstolos relatam que os malteses acolheram todos «com rara humanidade».”

Um mundo mais fraterno, mais habitável

Escolhi precisamente estas palavras: com rara humanidade, como lema da minha Viagem, pois indicam o caminho a seguir não só para enfrentar o fenômeno dos migrantes, mas em geral para que o mundo se torne mais fraterno, mais habitável, e se salve de um “naufrágio” que ameaça a todos nós que estamos, como aprendemos, no mesmo barco, todos. Malta é um lugar-chave neste horizonte”. Primeiramente, Malta é um lugar-chave “geograficamente, devido à sua posição no centro do mar entre a Europa e a África, mas que também banha a Ásia. Malta é uma espécie de “rosa dos ventos”, onde povos e culturas se encontram; é um ponto privilegiado a partir do qual se pode observar a área mediterrânea numa perspectiva de 360°. Hoje, fala-se frequentemente de “geopolítica”, mas infelizmente a lógica dominante é a das estratégias dos Estados mais poderosos para afirmar os seus interesses alargando a própria área de influência econômica, ideológica e militar. Estamos vendo isso com a guerra”, disse o Papa, acrescentando: Malta representa, neste quadro, o direito e a força dos “pequenos”, das nações pequenas, mas ricas em história e civilização, que deveriam levar a cabo outra lógica: a do respeito, mas também a lógica da liberdade, da convivência das diferenças, oposta à colonização dos mais poderosos. Estamos vendo isso agora e não somente de uma parte, mas também da outra. “Depois da Segunda Guerra Mundial, foram feitas tentativas para lançar as bases de uma nova história de paz, mas infelizmente, não aprendemos, a velha história de grandes potências concorrentes continuou. E, na atual guerra na Ucrânia, estamos vendo a impotência da Organização das Nações Unidas.”


Viagem do Papa ao Líbano é uma hipótese em estudo

O desejo de Francisco de visitar o Líbano – Francisco já disse várias vezes que quer visitar o Líbano. Um ano após a explosão no porto da capital e durante uma Audiência Geral, o Papa havia dirigido os seus pensamentos para todo o país e, em particular, para as vítimas, suas famílias e aqueles que perderam suas casas e empregos. E o Papa tinha depois acrescentado: “o meu desejo de ir visitá-los é grande e não me canso de rezar por vocês para que o Líbano torne a ser uma mensagem de fraternidade, uma mensagem de paz para todo o Oriente Médio”. Sempre no ano passado, em 1º de julho, o Pontífice motivou para um Dia de Oração e Reflexão pelo Líbano, acolhendo os patriarcas e chefes das Igrejas Orientais do País dos Cedros no Vaticano. E, no retorno do Iraque, durante a coletiva de imprensa com jornalistas, também no ano passado, em 8 de março, Francisco revelou que havia prometido, em carta ao cardeal Bechara Raï, uma viagem sua ao Líbano.

Os papas no País dos Cedros – João Paulo II visitou o País dos Cedros em 1997 e Bento XVI em 2012; para o Papa Ratzinger foi a última viagem apostólica do seu pontificado. Mas vale recordar a escala de Paulo VI em 1964, o primeiro Papa a pôr os pés em solo libanês. Montini ficou por uma hora em Beirute a caminho do Congresso Eucarístico em Mumbai, na Índia. Recebido pelo presidente da República, Charles Hélou, e pelas principais autoridades políticas e religiosas do país, Paulo VI fez um breve discurso em francês.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *