Novos Ventos – 03 de Abril

Domingo da Quaresma – Ano C

Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto

Neste V Domingo da Quaresma o evangelista São João descreve um episódio em que um grupo de escribas e fariseus arrastam uma mulher que é apanhada a cometer adultério e colocam-na aos pés de Jesus. A primeira parte começa com a acusação e o que a Lei impõe a tais pessoas que deveriam ser apedrejadas. Atitude de Jesus não é de condenação, mas de misericórdia. Enquanto, estes procuram condenar e julgar a mulher Jesus dirigindo-se a estes homens diz: «Aquele que entre vós estiver sem pecados atire a primeira pedra». Ao ouvir esta interpelação de Jesus começam todos a largar as pedras e a retirarem-se da sinagoga. Muitas vezes, também nós somos muito hábeis a julgar e a condenar os outros através de palavras ofensivas continuamos a proceder como os fariseus.

Senhor, que eu saiba acolher do que julgar integrar os outros na comunidade do que apedrejar, que a minha atitude seja de amor e misericórdia com os que tropeçam no caminho da vida.  

A leitura do livro do Isaías,    apresenta-nos o Deus libertador, que acompanha com solicitude e amor a caminhada do seu Povo para a liberdade. Esse “caminho” é o paradigma dessa outra libertação que Deus nos convida a fazer neste tempo de Quaresma e que nos levará à Terra Prometida onde corre a vida nova.

A Leitura de São Paulo aos Filipenses, é um desafio a libertar-nos do “lixo” que impede a descoberta do fundamental: a comunhão com Cristo, a identificação com Cristo, princípio da nossa ressurreição.

O Evangelho de São João, diz-nos que, na perspectiva de Deus, não são o castigo e a intolerância que resolvem o problema do mal e do pecado; só o amor e a misericórdia geram activamente vida e fazem nascer o homem novo. É esta lógica – a lógica de Deus – que somos convidados a assumir na nossa relação com os irmãos.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João

Naquele tempo, Jesus foi para o Monte das Oliveiras. Mas de manhã cedo, apareceu outra vez no templo, e todo o povo se aproximou d’Ele. Então sentou-Se e começou a ensinar. Os escribas e os fariseus apresentaram a Jesus uma mulher surpreendida em adultério, colocaram-na no meio dos presentes e disseram a Jesus: «Mestre, esta mulher foi surpreendida em flagrante adultério. Na Lei, Moisés mandou-nos apedrejar tais mulheres. Tu que dizes?». Falavam assim para Lhe armarem uma cilada e terem pretexto para O acusar. Mas Jesus inclinou-Se e começou a escrever com o dedo no chão. Como persistiam em interrogá-l’O, ergueu-Se e disse-lhes: «Quem de entre vós estiver sem pecado atire a primeira pedra». Inclinou-Se novamente e continuou a escrever no chão. Eles, porém, quando ouviram tais palavras, foram saindo um após outro, a começar pelos mais velhos, e ficou só Jesus e a mulher, que estava no meio. Jesus ergueu-Se e disse-lhe: «Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?». Ela respondeu: «Ninguém, Senhor». Disse então Jesus: «Nem Eu te condeno. Vai e não tornes a pecar».

Palavra do Senhor


 Palavra de Vida – Março

“Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido.” (Mt 6,12)

Em Palermo, uma cidade italiana, as comunidades cristãs vivem uma intensa experiência de diálogo, que obriga a superar algumas dificuldades. Biagio e Zina contam-nos: «Um dia, um pastor nosso amigo convidou-nos para um encontro com algumas famílias da sua Igreja, que não nos conheciam. Nós tínhamos levado alguma coisa para partilhar no almoço, mas aquelas famílias deram-nos a entender que não estavam contentes com o encontro. Com delicadeza, Zina ofereceu-lhes algumas especialidades que tinha cozinhado e, por fim, almoçámos todos juntos. Depois do almoço, começaram a apontar alguns defeitos que viam na nossa Igreja. Não querendo entrar numa guerra de palavras, perguntámos: que defeito ou diferença entre as nossas Igrejas nos pode impedir de sermos amigos? Habituados a contínuas disputas, ficaram admirados e desarmados com a pergunta. Começámos depois a falar do Evangelho e daquilo que nos une, que é, com certeza, muito mais do que o que nos divide. Quando chegou a hora de nos despedirmos, não queriam que nos fôssemos embora. Naquele momento propusemos rezar o Pai Nosso. Durante a oração, sentimos forte a presença de Deus. Pediram-nos para voltarmos noutra ocasião pois gostavam que conhecêssemos toda a comunidade. Assim aconteceu ao longo de todos estes anos».

Letizia Magri


Francisco: pare a crueldade selvagem da guerra

Após a catequese da Audiência Geral, o Papa Francisco dirigiu “uma saudação particularmente afetuosa”, acompanhada de um longo aplauso, “às crianças ucranianas, acolhidas pela Fundação ‘Ajude-as a viver’, pela Associação ‘Puer’ e pela a Embaixada da Ucrânia junto à Santa Sé”, acompanhando a saudação com uma nova condenação do horror que ensanguenta o Leste Europeu.

Com esta saudação às crianças, voltemos também a pensar nesta monstruosidade da guerra e renovemos as nossas orações para que esta crueldade selvagem que é a guerra pare. “Nesta última etapa do caminho quaresmal”, disse Francisco a seguir, “olhemos para a Cruz de Cristo, expressão máxima do amor de Deus, e esforcemo-nos por estar sempre perto dos que sofrem, dos que estão sozinhos, dos frágeis que sofrem violência e não têm quem os defenda”.

Ao lado dos pequenos desde o desastre de Chernobyl

A associação “Puer” tem como missão a aplicação de medidas de apoio a situações sociais precárias, prestando especial atenção à proteção de menores em dificuldade. Uma história que se entrelaça com um evento dramático, ocorrido em 26 de abril de 1986, que levou à explosão de um reator na usina nuclear de Chernobyl. Desde então, graças a essa realidade, milhares de crianças foram acolhidas em áreas não contaminadas, provenientes sobretudo de Belarus, uma das nações mais afetadas pela radiação. A fundação “Ajude-as a viver” também foi animada pela inestimável contribuição de pessoas de boa vontade que espontaneamente começaram a trabalhar para ajudar as populações infantis afetadas pelo desastre nuclear de Chernobyl. Nos últimos dias, uma delegação desta fundação foi a países de fronteira com a Ucrânia para levar ajuda humanitária, incluindo alimentos, roupas, cobertores, sapatos e medicamentos.

Shevchuk: o milagre de Kiev estar viva

Falar de Kiev é um milagre

O drama da guerra entrou com suas duras e dramáticas verdades na sala do Pontifício Instituto Oriental, envolto em um silêncio repleto de dor. Com palavras acompanhadas por lágrimas, o que não foi possível esconder, Sua Beatitude Sviatoslav Shevchuk, falando em videoconferência de Kiev, abriu seu discurso expressando sobretudo gratidão.  As palavras também foram sobrepostas, em algumas situações, pelo som das sirenes antiaéreas.

“Obrigado por não nos deixarem sozinhos em nossa dor”. “Obrigado por compartilharem nossa dor, por serem solidários”. Ninguém, disse o arcebispo-mor de Kiev-Halyč, está preparado para a guerra, exceto aqueles que a levam a cabo: eu nunca poderia imaginar ver mísseis caindo em nossa capital; jamais poderia ter imaginado estar à frente da Igreja Greco-Católica na Ucrânia em tempos de guerra; jamais poderíamos ter pensado que as criptas de nossa catedral se tornariam um abrigo antiaéreo.

Desde o início do conflito, explicou Sua Beatitude Sviatoslav Shevchuk, temos pensado em como proteger as pessoas. “Hoje estou falando com vocês de Kiev e é um milagre”. O arcebispo-mor de Kiev-Halyč contou que seu nome, como o de outros líderes religiosos, foi colocado na lista de pessoas a serem “eliminadas”. E lembrou que todos os dias, desde o início do conflito, grava uma mensagem em vídeo.

“Compreendi imediatamente que é importante estar conectado, estar em contato e ter a possibilidade de entrar em contato com os bispos, com nossos sacerdotes, com nosso povo. Assim espontaneamente gravei a primeira mensagem. Para muitas pessoas, estes 5 minutos da minha mensagem diária, como recordou o embaixador ucraniano junto da Santa Sé Andrii Yurash, são por vezes a principal fonte do que está acontecendo na Ucrânia. Gravei esta mensagem espontaneamente todos os dias para que todos saibam que estou vivo, que a cidade de Kiev está viva.”

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