IV Domingo da Quaresma – Ano C
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto
Neste IV Domingo da Quaresma o evangelista Lucas apresenta a parábola do Filho pródigo ou do Pai misericordioso. O filho mais novo tendo atingido a maioridade quer abandonar a casa paterna e pede a parte da herança ao pai. Enquanto o dinheiro existiu este filho nunca mais se lembrou do pai, mas viveu a sua vida de forma leviana e desordenada. Quando lhe começou a faltar o dinheiro lembrou-se que os empregados do seu pai eram tratados com dignidade e respeito e não lhes faltava o alimento, porém ele nem podia alimentar-se com a comida dos porcos. Tomando consciência de ter perdido a intimidade com o seu pai, regressa à casa paterna pedindo-lhe perdão. Atitude deste pai vai muito além do perdão, faz uma festa ao filho e restitui-lhe a dignidade que tinha perdido. Manda trazer-lhe a melhor túnica e colocar um anel no dedo. Esta é a forma e a pedagogia que Deus usa connosco está sempre pronto a limpar e purificar a nossa veste baptismal no sacramento da reconciliação e volta a restabelecer aliança com cada pecador arrependido.
A leitura do livro do Josué, a propósito da circuncisão dos israelitas, convida-nos à conversão, princípio de vida nova na terra da felicidade, da liberdade e da paz. Essa vida nova do homem renovado é um dom do Deus que nos ama e que nos convoca para a felicidade.
A Leitura de São Paulo aos Coríntios, convida-nos a acolher a oferta de amor que Deus nos faz através de Jesus. Só reconciliados com Deus e com os irmãos podemos ser criaturas novas, em quem se manifesta o homem Novo.
O Evangelho de São Lucas, apresenta-nos o Deus/Pai que ama de forma gratuita, com um amor fiel e eterno, apesar das escolhas erradas e da irresponsabilidade do filho rebelde. E esse amor lá está, sempre à espera, sem condições, para acolher e abraçar o filho que decide voltar. É um amor entendido na linha da misericórdia e não na linha da justiça dos homens.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Lucas
Naquele tempo, os publicanos e os pecadores aproximavam-se todos de Jesus, para O ouvirem. Mas os fariseus e os escribas murmuravam entre si, dizendo: «Este homem acolhe os pecadores e come com eles». Jesus disse-lhes então a seguinte parábola: «Um homem tinha dois filhos. O mais novo disse ao pai: ‘Pai, dá-me a parte da herança que me toca’. O pai repartiu os bens pelos filhos. Alguns dias depois, o filho mais novo, juntando todos os seus haveres, partiu para um país distante e por lá esbanjou quanto possuía, numa vida dissoluta. Tendo gasto tudo, houve uma grande fome naquela região e ele começou a passar privações. Entrou então ao serviço de um dos habitantes daquela terra, que o mandou para os seus campos guardar porcos. Bem desejava ele matar a fome com as alfarrobas que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava. Então, caindo em si, disse: ‘Quantos trabalhadores de meu pai têm pão em abundância, e eu aqui a morrer de fome! Vou-me embora, vou ter com meu pai e dizer-lhe: Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho, mas trata-me como um dos teus trabalhadores’. Pôs-se a caminho e foi ter com o pai. Ainda ele estava longe, quando o pai o viu: encheu-se de compaixão e correu a lançar-se-lhe ao pescoço, cobrindo-o de beijos. Disse-lhe o filho: ‘Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho’. Mas o pai disse aos servos:
‘Trazei depressa a melhor túnica e vesti-lha. Ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés. Trazei o vitelo gordo e matai-o. Comamos e festejemos, porque este meu filho estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado’. E começou a festa. Ora o filho mais velho estava no campo. Quando regressou, ao aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças. Chamou um dos servos e perguntou-lhe o que era aquilo. O servo respondeu-lhe: ‘O teu irmão voltou e teu pai mandou matar o vitelo gordo, porque ele chegou são e salvo’. Ele ficou ressentido e não queria entrar. Então o pai veio cá fora instar com ele. Mas ele respondeu ao pai: Há tantos anos que eu te sirvo, sem nunca transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito para fazer uma festa com os meus amigos. E agora, quando chegou esse teu filho, que consumiu os teus bens com mulheres de má vida, mataste-lhe o vitelo gordo’. Disse-lhe o pai: ‘Filho, tu estás sempre comigo e tudo o que é meu é teu. Mas tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado’». Palavra do Senhor
Palavra de Vida – Março
“Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido.” (Mt 6,12)
A oração do Pai Nosso parte sempre da perspetiva do “nós”, da fraternidade: rezo não apenas por mim, mas também pelos outros e com os outros. A minha capacidade de perdão é sustentada pelo amor dos outros e, por outro lado, o meu amor pode, de algum modo, fazer sentir como meu o erro do irmão: talvez também dependesse de mim, talvez não tenha feito toda a minha parte para que se sentisse bem aceite, compreendido…

A oração do Papa na consagração da Rússia e da Ucrânia a Maria
“Nesta hora, a humanidade, exausta e transtornada, está ao pé da cruz convosco. E tem necessidade de se confiar a Vós, de se consagrar a Cristo por vosso intermédio. O povo ucraniano e o povo russo, que Vos veneram com amor, recorrem a Vós…”.
É uma das passagens centrais da oração que o Papa elevará depois de amanhã para consagrar e confiar a humanidade, e especialmente a Rússia e a Ucrânia, ao Imaculado Coração de Maria. Francisco pronunciará a oração no final da liturgia da penitência na Basílica de São Pedro, na tarde de sexta-feira, 25 de março, festa da Anunciação. A liturgia terá início às 17h00 (hora de Roma), enquanto a consagração terá lugar por volta das 18h30:
Ó Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe, recorremos a Vós nesta hora de tribulação. Vós sois Mãe, amais-nos e conheceis-nos: de quanto temos no coração, nada Vos é oculto. Mãe de misericórdia, muitas vezes experimentamos a vossa ternura providente, a vossa presença que faz voltar a paz, porque sempre nos guiais para Jesus, Príncipe da paz.
Temos necessidade urgente da vossa intervenção materna.
Por isso acolhei, ó Mãe, esta nossa súplica:
Vós, estrela do mar, não nos deixeis naufragar na tempestade da guerra;
Vós, arca da nova aliança, inspirai projetos e caminhos de reconciliação;
Vós, «terra do Céu», trazei de volta ao mundo a concórdia de Deus;
Apagai o ódio, acalmai a vingança, ensinai-nos o perdão;
Libertai-nos da guerra, preservai o mundo da ameaça nuclear;
Rainha do Rosário, despertai em nós a necessidade de rezar e amar;
Rainha da família humana, mostrai aos povos o caminho da fraternidade;
Rainha da paz, alcançai a paz para o mundo.


Testemunho Livre de um peso
Uma ofensa recebida há vários anos – e depois praticamente esquecida – voltou-me à mente quando me cruzei com a pessoa “culpada”. Não recordava tanto aquele homem, mas mais o meu marido por não me ter defendido. Os sentimentos de dor e de humilhação estavam ainda vivos sob as cinzas e não consegui evitar um desabafo sobre ele. Depois veio-me ao pensamento: «Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso». Parecia-me que Jesus me dizia: «Como queres dar-me tudo se estás ainda apegada a estas recordações dolorosas?». Palavras fortes, mas verdadeiras. Finalmente, Deus com a sua graça ajudou-me a dar o passo de perdoar. A misericórdia infinita do Pai libertou-me deste peso. Bernardette