I Domingo da Quaresma – Ano C
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto
Neste I Domingo da Quaresma a liturgia apresenta-nos Jesus no deserto a ser tentado pelo diabo. Depois de Jesus estar quarenta dias no deserto sentiu fome, então diabo disse-lhe: «Se és Filho de Deus, manda a esta pedra que se transforme em pão». A primeira tentação está relacionada com o materialismo, obter os bens com o menor grau de esforço “Se és Filho de Deus manda…”. A resposta que Jesus dá permite perceber que não devemos apenas focar a nossa vida nos bens materiais, no alimento, nas roupas de marca, no carro de luxo, no telemóvel de gama, mas é necessário alimentar-se com outro tipo de alimento que nos revigora o interior «Não só de pão vive o homem, mas de toda a Palavra que sai da boca de Deus». A Quaresma é o tempo por excelência para nutrir-me mais da Palavra de Deus.
A leitura do livro do Deuteronómio, convida-nos a eliminar os falsos deuses em quem às vezes apostamos tudo e a fazer de Deus a nossa referência fundamental. Alerta-nos, na mesma lógica, contra a tentação do orgulho e da autossuficiência, que nos levam a caminhos de egoísmo e de desumanidade, de desgraça e de morte.
A Leitura de São Paulo aos Romanos, convida-nos a prescindir de uma atitude arrogante e autossuficiente em relação à salvação que Deus nos oferece: a salvação não é uma conquista nossa, mas um dom gratuito de Deus. É preciso, pois, “converter-se” a Jesus, isto é, reconhecê-l’O como o “Senhor” e acolher no coração a salvação que, em Jesus, Deus nos propõe.
O Evangelho de São Lucas, apresenta-nos uma catequese sobre as opções de Jesus. Lucas sugere que Jesus recusou radicalmente um caminho de materialismo, de poder, de êxito fácil, pois o plano de Deus não passava pelo egoísmo, mas pela partilha; não passava pelo autoritarismo, mas pelo serviço; não passava por manifestações espetaculares que impressionam as massas, mas por uma proposta de vida plena, apresentada com simplicidade e amor. É claro que é esse caminho que é sugerido aos que seguem Jesus.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Lucas
Naquele tempo, Jesus, cheio do Espírito Santo, retirou-Se das margens do Jordão. Durante quarenta dias, esteve no deserto, conduzido pelo Espírito, e foi tentado pelo diabo. Nesses dias não comeu nada e, passado esse tempo, sentiu fome. O diabo disse-lhe: «Se és Filho de Deus, manda a esta pedra que se transforme em pão». Jesus respondeu-lhe: «Está escrito: ‘Nem só de pão vive o homem’». O diabo levou-O a um lugar alto e mostrou-Lhe num instante todos os reinos da terra e disse-Lhe: «Eu Te darei todo este poder e a glória destes reinos, porque me foram confiados e os dou a quem eu quiser. Se Te prostrares diante de mim, tudo será teu». Jesus respondeu-lhe: «Está escrito: ‘Ao Senhor teu Deus adorarás, só a Ele prestarás culto’». Então o demónio levou-O a Jerusalém, colocou-O sobre o pináculo do Templo e disse-Lhe: «Se és Filho de Deus, atira-te daqui abaixo, porque está escrito: ‘Ele dará ordens aos seus Anjos a teu respeito, para que te guardem’; e ainda: ‘Na palma das mãos te levarão, para que não tropeces em alguma pedra’». Jesus respondeu-lhe: «Está mandado: ‘Não tentarás o Senhor teu Deus’». Então o diabo, tendo terminado toda a espécie de tentação, retirou-se da presença de Jesus, até certo tempo.
Palavra do Senhor
Palavra de Vida – Março
“Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido.” (Mt 6,12)
A palavra de vida deste mês faz parte da oração que Jesus ensinou aos seus discípulos, o Pai Nosso. É uma oração profundamente radicada na tradição hebraica. Também os hebreus chamavam e chamam a Deus “Pai nosso”.
Numa primeira leitura, as palavras desta frase deixam-nos perplexos: podemos pedir a Deus que cancele as nossas ofensas, como sugere o texto grego, com a mesma medida com que nós próprios somos capazes de o fazer com quem tem alguma falta contra nós? A nossa capacidade de perdão é sempre limitada, superficial, condicionada.
Se Deus nos tratasse com a nossa medida, seria uma verdadeira condenação!
Letizia Magri

O Papa: Deus, escute as orações dos que fogem do barulho das armas na Ucrânia
“Senhor, escutai a oração de quantos confiam em Vós, sobretudo dos mais humildes, dos mais provados, daqueles que sofrem e fogem sob o estrondo das armas. Colocai de novo a paz nos corações, concedei aos nossos dias a vossa paz. Amém”. Nos mais de duzentos caracteres do tuíte – o instrumento da mídia social que permite alcançar milhões de usuários ao mesmo tempo – Francisco condensa toda a sua dor pela devastação que está devastando a Ucrânia nestas horas. Após apelos contra as armas ou de ajuda à população, através de citações de passagens da Fratelli tutti, para sua mensagem de hoje na conta @Pontifex em dez idiomas, o Papa formula uma oração. Acompanhada de uma imagem perfil do Pontífice com a cabeça curvada no ato de rezar, a oração é especialmente dedicada àqueles que agora estão “sofrendo sob os bombardeios”, como ele disse ontem na audiência geral.
Oito dias de guerra e milhares de mortos
Em seu comunicado diário, Sviatoslav Shevchuk, arcebispo mor da Igreja greco-católica ucraniana, lembra que hoje a Ucrânia entrou na segunda semana desta “terrível guerra”, e que ontem à noite se mostrou em todo o seu horror. Os olhos de pessoas de todo o mundo, de todas as Igrejas, religiões e denominações, estão voltados para a capital ucraniana. Uma unidade concretizada pela oração comum pela paz na Basílica de Santa Sofia dos representantes de todas as igrejas e organizações religiosas ucranianas. “Que o Deus da paz, em quem confiamos, nos dê a possibilidade de defender esta paz, esperando n’Ele para não vacilar”, foi a oração do arcebispo greco-católico. E concluiu com uma sincera invocação ao Senhor: “Rogamos-Te, Deus, na Tua sabedoria, que detenhas a guerra!”.


“Estamos vivendo cada dia como se fosse uma Páscoa”, afirma padre brasileiro em Kiev
“Estamos vivendo cada dia como se fosse uma Páscoa, como se hoje tivéssemos que morrer”: palavras do sacerdote brasileiro Lucas Perozzi Jorge, que vive em Kiev desde 2004. Do caminho necatecumenal, Pe. Lucas atualmente é vigário da Igreja da Dormição da Santíssima Virgem Maria. Ele e mais 35 pessoas, entre membros da comunidade e paroquianos que pediram abrigo, estão vivendo dentro da Igreja, numa parte segura que fica no subsolo. Por enquanto, não faltam luz nem calefação. Ele afirma que a Quaresma já começou na Ucrânia, mas para o brasileiro, se trata de um “momento de graça”:
“Eu estou vivendo num contexto que é uma graça, uma graça de Deus. Que não sou digno de viver nada disso, porque sou realmente fraco, sou covarde, sou um pecador muito grande, mas o que estou vivendo vai além, porque Deus me dá a graça de estar contente no meio de toda essa bagunça.”
“Dá para ver a mão de Deus muito forte aqui. Estou vivendo a gratuidade, a graça do amor de Deus. De poder estar aqui no meio desta situação toda e poder experimentar o amor de Deus, que Ele é bom, que Ele é amoroso.”