Novos Ventos – 19 de dezembro

IV Domingo Advento – Ano C

Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto

A liturgia deste IV domingo de Advento põe em evidência a comunicação de Amor entre duas mães Maria e Isabel, Maria é apresentada pela sua atitude de amor concreto manifestado numa verdadeira caridade. Quanta vida brota deste evangelho que nos é comunicado hoje; após a saudação do Anjo, Maria parte em direção à montanha a casa de Zacarias, a fim de prestar cuidados a Isabel que se encontrava grávida. Ao chegar junto de Isabel dá-se uma dupla comunicação de Amor entre as duas Mães e as crianças geradas em seus ventres: «logo que chegou aos meus ouvidos a voz da tua saudação, o menino exultou de alegria no meu seio».

A leitura da Profecia de Miqueias,  sugere que este mundo novo que Jesus, o descendente de David, veio propor é um dom do amor de Deus. O nome de Jesus é “a Paz”: Ele veio apresentar uma proposta de um “reino” de paz e de amor, não construído com a força das armas, mas construído e acolhido nos corações dos homens.

A Leitura aos Hebreus, sugere que a missão libertadora de Jesus visa o estabelecimento de uma relação de comunhão e de proximidade entre Deus e os homens. É necessário que os homens acolham esta proposta com disponibilidade e obediência – à imagem de Jesus Cristo – num “sim” total ao projecto de Deus.

O Evangelho de São Lucas,   sugere que esse projecto de Deus tem um rosto: Jesus de Nazaré veio ao encontro dos homens para apresentar aos prisioneiros e aos que jazem na escravidão uma proposta de vida e de liberdade. Ele propõe um mundo novo, onde os marginalizados e oprimidos têm lugar e onde os que sofrem encontram a dignidade e a felicidade. Este é um anúncio de alegria e de salvação, que faz rejubilar todos os que reconhecem em Jesus a proposta libertadora que Deus lhes faz. Essa proposta chega, tantas vezes, através dos limites e da fragilidade dos “instrumentos” humanos de Deus; mas é sempre uma proposta que tem o selo e a força de Deus.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Lucas

Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha, em direcção a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino exultou-lhe no seio. Isabel ficou cheia do Espírito Santo e exclamou em alta voz:
«Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre.
Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor? Na verdade, logo que chegou aos meus ouvidos a voz da tua saudação, o menino exultou de alegria no meu seio. Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor».

Palavra do Senhor


Palavra de Vida – Dezembro

Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo o que lhe foi dito da parte do Senhor (Lc 1, 45)

Nas mesmas colinas da Terra Santa, há relativamente pouco tempo, uma outra mãe profundamente crente ensinava aos seus filhos a arte do perdão e do diálogo, que aprendera na escola do Evangelho. Conta a Margaret: «A nós, filhos, ofendidos por algumas expressões de rejeição por parte de outras crianças do nosso bairro, a mãe disse: “Convidem essas crianças para a nossa casa”. E deu-lhes do pão que tinha acabado de cozer, para que o levassem às suas famílias. A partir daí, construímos relações de amizade com aquelas pessoas»[3]. Este é um pequeno sinal profético, naquela terra que foi berço da civilização e é ícone do sofrimento da Humanidade, à procura da paz e da fraternidade.

Também Chiara Lubich nos apoia nesta fé corajosa: «Maria, depois de Jesus, é aquela que melhor e mais perfeitamente soube dizer “sim” a Deus. É sobretudo nisto que está a sua santidade e a sua grandeza. Assim, se Jesus é o Verbo, a Palavra que se encarnou, Maria, pela sua fé na Palavra, é a Palavra vivida, mesmo sendo criatura como nós, igual a nós. […] Portanto, com Maria, devemos acreditar que todas as promessas contidas na Palavra de Jesus se vão realizar. Mas, como Maria, quando for preciso, devemos enfrentar o risco do absurdo que, por vezes, a Palavra comporta. Grandes e pequenas coisas, mas sempre maravilhosas, acontecem a quem acredita na Palavra. Poderiam encher-se muitos livros com os factos que o comprovam. […] Quando, na vida de cada dia, na leitura das Sagradas Escrituras, nos encontrarmos com a Palavra de Deus, escutemo-la com o coração aberto, acreditando firmemente que aquilo que Jesus nos pede e promete se irá realizar. Não tardaremos a descobrir […] que Ele mantém as suas promessas»[4].

Letizia Magri


Francisco: aprender com São José a cultivar espaços de silêncio

Segundo o Papa, “devemos aprender de José a cultivar o silêncio: aquele espaço de interioridade nos nossos dias nos quais damos ao Espírito a oportunidade de nos regenerar, de nos consolar, de nos corrigir”.

Depois de ilustrar o ambiente em que ele viveu, o seu papel na história da salvação e o seu ser justo e esposo de Maria, o Papa examinou outro aspecto importante da pessoa de José: o silêncio. “Deus se manifestou no momento de maior silêncio. É importante pensar no silêncio nesta época em que parece não ter muito valor”, sublinhou Francisco.

“Os Evangelhos não registram palavras de José de Nazaré. Isto não significa que ele fosse taciturno, não, há uma razão mais profunda. Com este silêncio, José confirma o que Santo Agostinho escreveu: «Na medida em que cresce em nós a Palavra, o Verbo que se fez homem, diminuem as palavras». José com o seu silêncio nos convida a deixar espaço à Presença da Palavra feita carne, ou seja, a Jesus”, disse ainda o Papa.

O silêncio de José é cheio deescuta

Francisco sublinhou que “o silêncio de José não é mutismo; é um silêncio cheio de escuta, um silêncio laborioso, um silêncio que faz emergir a sua grande interioridade. Jesus cresceu nesta “escola”, na casa de Nazaré, com o exemplo diário de Maria e José”.

Como seria bom se cada um de nós, seguindo o exemplo de São José, conseguisse recuperar esta dimensão contemplativa da vida aberta pelo silêncio. Mas todos sabemos por experiência que não é fácil: o silêncio nos assusta um pouco, porque nos pede para entrarmos em nós mesmos e encontrarmos a parte mais verdadeira de nós. Tanta gente tem medo do silêncio e precisa falar, falar ou ouvir rádio, ver televisão, mas não pode aceitar o silêncio porque tem medo. O filósofo Pascal observou que «toda a infelicidade dos homens provém de uma só coisa: não saber ficar tranquilo num quarto». 

Natal do Senhor (Mensagem do Pároco)

Esta sexta-feira é o Natal do Senhor. Caríssimos paroquianos de Torreira e São Jacinto, a liturgia destes dias fala-nos: «O povo que andava nas trevas viu uma grande Luz». Jesus é o Sol da justiça e a Luz das nações. Neste Natal saibamos acolher o Deus Menino, que deu sentido à celebração do Natal. Hoje vivemos tempos de grandes crises: sociais, culturais e religiosas. Deixámo-nos influenciar por um estilo de Natal consumista e comercial, esvaziando-nos do verdadeiro sentido do Natal: se Jesus não tivesse nascido então não seria Natal. Maria aceitou o desígnio de Deus dando à luz o Salvador do mundo. Procuremos, como Maria, gerá-Lo dentro do nosso pequeno coração e que, como Ela, possamos doá-Lo aqueles que estão à nossa volta. Naquele primeiro Natal, José bateu em todas as portas para Maria dar à luz, mas não havia lugar para eles. Que neste Santo Natal Jesus possa encontrar um singular espaço no nosso coração.

Boas Festas de Natal,
Padre Victor!

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