Novos Ventos – 29 de Agosto

XXII Domingo Tempo Comum – Ano B

Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto

A liturgia deste domingo põe em evidência os ritualismos vazios, mas em nada edificam a comunidade cristã nem o Senhor. O evangelista São Marcos apresenta um episódio no qual os discípulos de Jesus estavam à mesa sem purificar as mãos, o grupo dos fariseus e escribas começam a perguntar a Jesus porque os seus discípulos não seguiam a tradição dos antigos que lavavam as mãos e faziam as purificações antes de sentarem-se à mesa. Jesus condena estes ritualismos vazios dos fariseus que demonstram uma imagem falsa nos seus comportamentos chegando mesmo a chamar-lhes hipócritas. Quantas vezes nas nossas comunidades cristãs se encontra pessoas focadas no passado chegando mesmo a dizer “isto sempre se fez assim” e mostram-se incapazes de uma nova abertura, ou simplesmente que vivem disfarçadas mostrando se por fora aparentemente cristãs mas depois vivem a vida a prejudicar os outros. A este grupo de pessoas Jesus continua a chama-lhes de fariseus hipócritas.

A leitura do livro do Deuteronómio,   garante-nos que as “leis” e preceitos de Deus são um caminho seguro para a felicidade e para a vida em plenitude. Por isso, o autor dessa catequese recomenda insistentemente ao seu Povo que acolha a Palavra de Deus e se deixe guiar por ela.

A Leitura de São Tiago,  convida a nós os crentes a escutar e acolherem a Palavra de Deus; mas avisa que essa Palavra escutada e acolhida no coração tem de tornar-se um compromisso de amor, de partilha, de solidariedade com o mundo e com os homens.

O Evangelho de São Marcos,  Jesus denuncia a atitude daqueles que fizeram do cumprimento externo e superficial da “lei” um valor absoluto, esquecendo que a “lei” é apenas um caminho para chegar a um compromisso efectivo com o projecto de Deus. Na perspectiva de Jesus, a verdadeira religião não se centra no cumprimento formal das “leis”, mas num processo de conversão que leve o homem à comunhão com Deus e a viver numa real partilha de amor com os irmãos.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Marcos

Naquele tempo, reuniu-se à volta de Jesus um grupo de fariseus e alguns escribas
que tinham vindo de Jerusalém. Viram que alguns dos discípulos de Jesus
comiam com as mãos impuras, isto é, sem as lavar. – Na verdade, os fariseus e os judeus em geral não comem sem terem lavado cuidadosamente as mãos,
conforme a tradição dos antigos. Ao voltarem da praça pública, não comem sem antes se terem lavado. E seguem muitos outros costumes a que se prenderam por tradição,
como lavar os copos, os jarros e as vasilhas de cobre –. Os fariseus e os escribas perguntaram a Jesus: «Porque não seguem os teus discípulos a tradição dos antigos,
e comem sem lavar as mãos?» Jesus respondeu-lhes: «Bem profetizou Isaías a respeito de vós, hipócritas, como está escrito: ‘Este povo honra-Me com os lábios,
mas o seu coração está longe de Mim. É vão o culto que Me prestam, e as doutrinas que ensinam não passam de preceitos humanos’. Vós deixais de lado o mandamento de Deus, para vos prenderdes à tradição dos homens». Depois, Jesus chamou de novo a Si a multidão e começou a dizer-lhe: «Ouvi-Me e procurai compreender.
Não há nada fora do homem que ao entrar nele o possa tornar impuro.
O que sai do homem é que o torna impuro; porque do interior dos homens é que saem os maus pensamentos: imoralidades, roubos, assassínios, adultérios, cobiças, injustiças, fraudes, devassidão, inveja, difamação, orgulho, insensatez. Todos estes vícios saem lá de dentro e tornam o homem impuro».

Palavra da Salvação


Explosão no aeroporto de Cabul. Ataque suicida

Desde as primeiras horas da manhã desta quinta-feira, havia rumores de um possível ataque. Entre 13 e 20 pessoas, incluindo algumas crianças, teriam perdido a vida em um ataque suicida no aeroporto de Cabul nesta quinta-feira. Os feridos seriam ao menos 52. Foi o que informaram os Talibãs e transmitido pela mídia internacional. Muitos guardas talibãs ficaram feridos. Desde as primeiras horas da manhã desta quinta-feira, havia rumores de um possível ataque. Os EUA e aliados advertiram as pessoas a “partir imediatamente”. A corrida para transportar aqueles que desejam partir.

Houve uma explosão em um dos portões do aeroporto de Cabul. A notícia chega após um dia tenso, com os EUA e aliados advertindo  que “hoje, 26 de agosto, a ameaça terrorista é credível no aeroporto de Cabul. Não vão para o aeroporto”. A embaixada estadunidense havia exortado as pessoas a evitarem três portões em particular. Apesar do alerta internacional, um diplomata ocidental disse à Reuters que “multidões enormes e inacreditáveis” estavam empurrando as portas do aeroporto. O porta-voz do Emirado, Zabihullah, comentou, sem maiores detalhes, sobre a ameaça Isil: “Não é correto”.


Afeganistão, a coragem da paz e o fracasso da guerra

A tragédia afegã e o Magistério dos Pontífices: percorrer a estrada pacífica é sempre possível. Cinco anos atrás, numa entrevista concedida ao jornal católico francês La Croix, o Papa Francisco convidou as pessoas a se perguntarem como “um modelo demasiado ocidental de democracia foi exportado para países como o Iraque, onde já existia um governo forte”, ou para a Líbia, onde existe uma estrutura tribal”. “Não podemos ir adiante sem levar em consideração estas culturas”, acrescentou ele na entrevista. Estas questões são sempre atuais, especialmente nos dias em que se tornou evidente o fracasso da tentativa americana e ocidental, no Afeganistão. A democracia pode ser exportada para estes países com armas? Ou a guerra se revela sempre uma aventura sem retorno? Olhando para a situação em que o Afeganistão se encontra hoje, mas também para a devastação a que o Iraque foi submetido, deveria ser reconhecida a prudência profética do “magistério da paz” dos últimos Pontífices. “Para fazer a paz”, disse o Papa Francisco em 2014, “é preciso coragem, muito mais do que para fazer a guerra”. É preciso coragem para dizer sim ao encontro e não ao confronto; sim ao diálogo e não à violência; sim à negociação e não às hostilidades; sim ao respeito pelos acordos e não às provocações; sim à sinceridade e não à duplicidade. Tudo isto requer coragem, grande força de espírito”.

Viver em paz

O povo afegão hoje não pode ir adiante sem uma verdadeira paz que, como recordou Bento XVI em 2013, é um “dom de Deus” e também uma “obra humana”: “A realização da paz depende sobretudo do reconhecimento do ser, em Deus, uma única família humana”. Voltando o olhar para Cabul, o Papa Francisco, em 15 de agosto deste ano, fez um apelo no Angelus: “Cesse o estrondo das armas e que as soluções possam ser encontradas na mesa do diálogo. Só assim a população martirizada daquele país, homens, mulheres, idosos e crianças, poderá retornar às suas casas, viver em paz e segurança no pleno respeito recíproco”. Só assim o povo afegão poderá percorrer caminhos de paz, caminhos de fraternidade.

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