XII Domingo do Tempo Comum – Ano B
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto
A liturgia deste domingo põe em relevo a experiência dos discípulos com Jesus no meio do mar e quando se sentem ameaçados pelos ventos contrários e a tempestade começam a gritar pelo Senhor. Jesus estava na barca com eles mas permanecia no silêncio “enquanto dormia” sentem-se a naufragar com imensas ondas. Quantas vezes na nossa vida também fazemos a experiência de naufragar no meio de tantas dificuldades, até duvidamos da existência de Deus sobretudo quando nos defrontamos com imensas provações, Jesus não abandona a barca da Igreja permanece muitas vezes no silêncio e quando constata que estamos em aflições ou dirigimos com fé as nossas súplicas Ele vem em nosso auxílio.
Diante das nossas dúvidas diante do perigo Jesus continua a dirigir-nos hoje a mesma questão: «Porque estais tão assustados? Ainda não tendes fé?
A leitura de Job, fala-nos de um Deus majestoso e omnipotente, que domina a natureza e que tem um plano perfeito e estável para o mundo. O homem, na sua pequenez e finitude, nem sempre consegue entender a lógica dos planos de Deus; resta-lhe, no entanto, entregar-se nas mãos de Deus com humildade e com total confiança.
A Leitura de São Paulo aos Coríntios, garante-nos que o nosso Deus não é um Deus indiferente, que deixa os homens abandonados à sua sorte. A vinda de Jesus ao mundo para nos libertar do egoísmo que escraviza e para nos propor a liberdade do amor mostra que o nosso Deus é um Deus interveniente, que nos ama e que quer ensinar-nos o caminho da vida.
O Evangelho de São Marcos, propõe-nos uma catequese sobre a caminhada dos discípulos em missão no mundo… Marcos garante-nos que os discípulos nunca estão sozinhos a enfrentar as tempestades que todos os dias se levantam no mar da vida… Os discípulos nada têm a temer, porque Cristo vai com eles, ajudando-os a vencer a oposição das forças que se opõe à vida e à salvação dos homens.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos
Naquele dia, ao cair da tarde, Jesus disse aos seus discípulos:
«Passemos à outra margem do lago». Eles deixaram a multidão e levaram Jesus consigo na barca em que estava sentado. Iam com Ele outras embarcações. Levantou-se então uma grande tormenta e as ondas eram tão altas que enchiam a barca de água. Jesus, à popa, dormia com a cabeça numa almofada. Eles acordaram-n’O e disseram: «Mestre, não Te importas que pereçamos?» Jesus levantou-Se, falou ao vento imperiosamente e disse ao mar: «Cala-te e está quieto». O vento cessou e fez-se grande bonança. Depois disse aos discípulos: «Porque estais tão assustados? Ainda não tendes fé?» Eles ficaram cheios de temor e diziam uns para os outros: «Quem é este homem, que até o vento e o mar Lhe obedecem?».
Palavra da Salvação
Parolin: olhemos para os migrantes com o Evangelho, não com visões politizadas
Da Basílica de Santa Maria em Trastevere, em Roma elevou-se uma oração em memória dos que perderam suas vidas nas viagens para a Europa. Durante a vigília, o Secretário de Estado Cardeal Parolin exortou as pessoas a não se deixarem guiar por certas convicções políticas, mas pela “Palavra radical e determinada” do Evangelho que nos convida a amar o próximo. Alguns dos nomes dos desaparecidos na tentativa de chegar à Europa e a luz das velas acesas em memória das 43.390 pessoas que morreram desde 1990, sem contar os desaparecidos, marcaram a oração “Morrer de esperança”. A vigília de oração foi realizada no final da tarde da terça-feira (15/06) na Basílica de Santa Maria em Trastevere, em Roma e organizada pela Comunidade de Santo Egídio junto com outras associações envolvidas no acolhimento e integração de migrantes, em vista do Dia Mundial do Refugiado que se celebra no dia 20 de junho. A celebração contou com a presença do Secretário de Estado Cardeal Pietro Parolin e também estavam presentes, migrantes de vários países, familiares e amigos dos que perderam suas vidas no mar.

Gallagher: fé e ciência unidas contra a mudança climática
Apresentado na Sala de Imprensa vaticana “Fé e Ciência”, um evento a ser realizado em outubro próximo, que precederá a Conferência sobre o clima de Glasgow e reunirá líderes religiosos e cientistas. O secretário para as Relações com os Estados: será uma ocasião para renegociar nossa relação com a natureza contra a cultura da indiferença.

Palavra de Vida – Experiência (Junho)
Sou a Rosa, casada com o Jorge, tenho 2 filhos e 4 netos e vivo em Oeiras. No meu prédio vive um casal com uma filha e o seu namorado. A dada altura apercebi-me de que não estavam bem de saúde, tinham sido todos infetados e estavam com Covid. Exatamente naquela altura, esta jovem zangou-se com o namorado e colocou-o fora de casa. Não tendo outras condições, este homem tornou-se sem abrigo e acabou por ir viver para uma casa em construção, abandonada, que só tinha paredes. Eu sentia que estes eram os próximos que tinha para cuidar. À família vizinha, comecei a levar algumas coisas que pensava que poderiam precisar…mas fiquei também a pensar naquele homem, sem abrigo e sem condições. Uma vez cruzei-me com ele na rua e pediu-me dinheiro. Várias vezes veio pedir, até que lhe disse que não lhe dava mais dinheiro, mas podia dar sempre de comer. Como não vinha buscar, comecei a confecionar comida a mais nas nossas refeições e o Jorge, meu marido, ia levar-lhe. Uma das vezes que fomos levar-lhe a comida, reparámos que o único modo que ele tinha de se aquecer era através de uma fogueira improvisada. Na verdade, ele apanhava lenha na rua e depois fazia a fogueira. Então, contei esta situação às minhas filhas e, juntas, pensámos que poderíamos fazer algo mais. Arranjámos uma panela grande onde podia aquecer água para se poder lavar e algumas mais pequenas onde poderia aquecer a comida que sobrava. Levámos ainda alguns cobertores. Num dia de frio, quando lhe levámos alguma coisa, verificámos que só tinha uma camisola vestida. Pensei: com tanto frio como pode vestir só uma camisola? E pedi ao Eterno Pai que me desse um casaco. Lembrei-me, de repente, que tinha um casaco muito quente que este ano não ia vestir. Mas havia um pormenor importante: esse casaco tinha sido oferecido pelo meu marido, no ano passado. Entusiasmada, pensei que podia oferecer esse casaco, mas antes tinha que dizer ao Jorge. Ele não concordou muito, era um casaco novo. A mim, vinha a pergunta: como posso ficar co dois casacos, quando alguém tem tanto frio? Mas continuei a pedir ao Eterno Pai lembrando-me também de Chiara Lubich, que tinha pedido, quando precisou, um par de sapatos 42. E qual foi o meu espanto, quando no dia seguinte o Jorge pegou no casaco e foi levá-lo. Entretanto, chegou o Natal. Estávamos a preparar o almoço de Natal e, quando íamos começar a comer, a minha filha perguntou: então, e o teu “sem abrigo” não almoça? E sugeriram que o Jorge e os miúdos lhe fossem levar a refeição de Natal. Enquanto continuávamos a levar a comida, e até a lavar alguma roupa que tinha, apresentámos o caso à Junta de Freguesia e à Segurança Social que, pouco tempo depois, entraram em contacto com ele. Entretanto, deu entrada numa instituição e vai a começar a trabalhar num jardim. Para mim, esta experiência de envolver a minha família foi forte e bela, porque senti que é um trabalho de Deus que pôs todos os meios e deixou que nós conseguíssemos ser uma ponte com quem tem mais necessidade que nós. Agradeço a Deus a oportunidade de servir este meu irmão. Rosa
