Solenidade de Pentecostes – Ano B
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto
A liturgia de Pentecostes põe em evidência um contraste entre o antes de receber a força do Espírito Santo e o depois. A Paixão e Morte de Jesus tinha deixado marcas profundas na vida dos Apóstolos, estes fecharam-se em casa com medo dos judeus. Após terem recebido a força do Espírito Santo dá-se uma grande transformação naquela pequena comunidade. Jesus comunica-lhes uma mensagem de paz, ou seja, a experiência que faziam era de um enorme pânico afinal tinham perdido o Mestre, Jesus apresenta-se com sinais da Ressurreição e não só envia-lhes a força necessária para continuar agora a Sua Obra levar o Evangelho a todos os povos. Cuidar e anunciar Jesus Cristo não é uma tarefa apenas de padres, missionários, ou religiosos, mas de todos os baptizados que sejam capazes de cuidar e proteger cada pessoa da nossa comunidade cristã e levá-la a fazer a experiência de Jesus Cristo.
A leitura do livro dos Actos dos Apóstolos, Lucas sugere que o Espírito é a lei nova que orienta a caminhada dos crentes. É Ele que cria a nova comunidade do Povo de Deus, que faz com que os homens sejam capazes de ultrapassar as suas diferenças e comunicar, que une numa mesma comunidade de amor, povos de todas as raças e culturas.
A Leitura da Epistola de São Paulo aos Coríntios, Paulo avisa que o Espírito é a fonte de onde brota a vida da comunidade cristã. É Ele que concede os dons que enriquecem a comunidade e que fomenta a unidade de todos os membros; por isso, esses dons não podem ser usados para benefício pessoal, mas devem ser postos ao serviço de todos.
O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João, apresenta-nos a comunidade cristã, reunida à volta de Jesus ressuscitado. Para João, esta comunidade passa a ser uma comunidade viva, recriada, nova, a partir do dom do Espírito. É o Espírito que permite aos crentes superar o medo e as limitações e dar testemunho no mundo desse amor que Jesus viveu até às últimas consequências.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, colocou Se no meio deles e disse lhes: «A paz esteja convosco». Dito isto, mostrou lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. Jesus disse lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». Dito isto, soprou sobre eles e disse lhes: «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser lhes ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes serão retidos».
Palavra da Salvação
Quando a Palavra se faz vida (Vida de Família)
“Eu e o meu marido sempre estivemos convencidos de que construir uma família é uma missão nada inferior à dos que são chamados a uma vida consagrada. Temos cinco filhos e neste período de confinamento forçado tivemos mais tempo para reflectir em conjunto sobre a vida em família. Uma noite estávamos a fazer uma espécie de jogo, sobre qual teria sido o momento mais belo que vivemos em conjunto, e o nosso segundo filho lembrou o dia em que acolhemos em casa um sem-abrigo, oferecendo-lhe não apenas comida, mas também roupa e medicamentos.«Cada vez que vejo um pobre na rua, revejo aquele sorriso». Para a mais pequena, esse momento foi quando acariciou as mãos da avó e ela, apesar de acamada, começou a sorrir e a cantar-lhe uma cantiga. Quando a avó morreu, foi precisamente a nossa filha mais nova que disse: «Agora, ela sorri sempre e canta uma cantiga». Percebe-se pelos nossos filhos que o bem não é uma noção que aprenderam, mas o ar que respiram. Como não estar gratos a Deus por tudo isto?”. D. P. Eslováquia

O Papa: rezar para ter um coração luminoso, não cinzento
Segundo Francisco, “o perigo é ter um coração cinzento, quando o estar pra baixo chega ao coração e o adoece. Existem pessoas que vivem com o coração cinzento. Isso é terrível”!
Oração e concentração
O primeiro problema que se apresenta para aqueles que rezam é a distração.
Você começa a rezar e a mente gira, gira o mundo inteiro. A oração convive frequentemente com a distração. De fato, a mente humana tem dificuldade de se concentrar por muito tempo num único pensamento. Todos nós experimentamos este turbilhão contínuo de imagens e ilusões em movimento perpétuo, que nos acompanha até durante o sono. E todos sabemos que não é bom dar seguimento a esta inclinação fragmentada. A luta para alcançar e manter a concentração não se limita à oração. Se não se atinge um grau de concentração suficiente, não se pode estudar com proveito, nem se pode trabalhar bem.
Coração cinzento – O segundo problema é a aridez.
O Papa disse ainda que muitas vezes encontramos um amigo que nos diz: “Estou pra baixo”. “Muitas vezes estamos assim, ou seja, não temos sentimentos, não temos consolação. São aqueles dias cinzentos que existem na vida!”, disse o Pontífice. Segundo Francisco, “o perigo é ter um coração cinzento, quando o estar pra baixo chega ao coração e o adoece”. “Existem pessoas que vivem com o coração cinzento. Isso é terrível! Não se reza mais, não se sente o consolo com o coração cinzento. O coração deve ser aberto e luminoso para que entre a luz do Senhor. E se ela não entrar”, disse o Papa, “é preciso aguardá-la com esperança”.
Perseverar em tempos difíceis
O terceiro problema que se apresenta para quem reza é a acídia, “uma verdadeira tentação contra a oração e, mais geralmente, contra a vida cristã. A acídia é «uma forma de depressão devida ao relaxamento da ascese, à diminuição da vigilância, à negligência do coração». É um dos sete “pecados capitais” pois, alimentado pela presunção, pode levar à morte da alma”.
“O que devemos fazer, então, nesta sucessão de entusiasmos e desencorajamentos?”
O verdadeiro progresso na vida espiritual não consiste em multiplicar os êxtases, mas em ser capaz de perseverar em tempos difíceis. Caminhar, caminhar e se você se cansar, pare um pouco, mas volte a caminhar, com perseverança. Todos santos passaram por este “vale escuro”, e não nos escandalizemos se, lendo os seus diários, ouvirmos o relato de noites de oração sem vontade, vivida sem gosto.
