Novos Ventos – 04 de Abril

Domingo de Páscoa – Ano B

Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto

A liturgia do domingo de Páscoa põe em evidência a experiência do encontro com o Ressuscitado diz-nos o evangelista São João; Maria Madalena tinha ido de manhã muito cedo e ao encontrar o sepulcro aberto correu a dizer aos discípulos «Levaram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde O puseram». Pedro e outro discípulo correram ambos ao sepulcro o primeiro a chegar ficando do lado de fora observa e quando entrou «viu e acreditou». Este Evangelho faz-nos pensar no Mistério Pascal de Jesus dois discípulos observam a mesma realidade no entanto a experiência com o Ressuscitado é diferente. Quantas vezes, também nós com a correria da vida não disponibilizamos tempo para meditar e refletir no mistério de Cristo. É necessário parar como o discípulo que chega em primeiro lugar, depois de refletir até conseguimos encontrar a resposta para as nossas dúvidas.

A leitura dos Actos dos Apóstolos, apresenta o exemplo de Cristo que “passou pelo mundo fazendo o bem” e que, por amor, se deu até à morte; por isso, Deus ressuscitou-O. Os discípulos, testemunhas desta dinâmica, devem anunciar este “caminho” a todos os homens.

A Leitura da Epistola de São Paulo aos Colossenses, convida os cristãos, revestidos de Cristo pelo baptismo, a continuarem a sua caminhada de vida nova, até à transformação plena (que acontecerá quando, pela morte, tivermos ultrapassado a última barreira da nossa finitude).

O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João, coloca-nos diante de duas atitudes face à ressurreição: a do discípulo obstinado, que se recusa a aceitá-la porque, na sua lógica, o amor total e a doação da vida não podem, nunca, ser geradores de vida nova; e a do discípulo ideal, que ama Jesus e que, por isso, entende o seu caminho e a sua proposta (a esse não o escandaliza nem o espanta que da cruz tenha nascido a vida plena, a vida verdadeira).


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João

No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi de manhãzinha, ainda escuro, ao sepulcro e viu a pedra retirada do sepulcro. Correu então e foi ter com Simão Pedro e com o discípulo predilecto de Jesus e disse-lhes: «Levaram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde O puseram». Pedro partiu com o outro discípulo e foram ambos ao sepulcro. Corriam os dois juntos, mas o outro discípulo antecipou-se, correndo mais depressa do que Pedro, e chegou primeiro ao sepulcro. Debruçando-se, viu as ligaduras no chão, mas não entrou. Entretanto, chegou também Simão Pedro, que o seguira. Entrou no sepulcro e viu as ligaduras no chão e o sudário que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não com as ligaduras, mas enrolado à parte. Entrou também o outro discípulo que chegara primeiro ao sepulcro: viu e acreditou. Na verdade, ainda não tinham entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos.

Palavra da Salvação


Palavra de Vida (Abril)

Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas suas ovelhas.” 

As imagens da cultura bíblica, marcadas pelos tempos lentos da vida nómada e pastoril, parecem distantes das nossas exigências quotidianas de eficiência e competitividade. Apesar disso, também nós sentimos, por vezes, a necessidade de uma pausa, de um lugar onde repousar, de um encontro com alguém que nos aceite tal como somos.

Jesus apresenta-se como aquele que, mais do que ninguém, é capaz de nos acolher, de ser o nosso descanso, até mesmo de dar a sua vida por cada um de nós.

No longo trecho do evangelho de João – do qual é extraída esta Palavra de vida – Jesus dá-nos a certeza de que Ele é a presença de Deus na história de cada pessoa, como tinha sido prometido a Israel pela boca dos profetas (1).

Jesus é o pastor, o guia que conhece e ama as suas ovelhas, isto é, o seu povo, cansado e, por vezes, perdido. Não é um estranho que ignora as necessidades do rebanho, nem um ladrão que vem para roubar, nem um malfeitor que mata e dispersa, nem sequer um mercenário que trabalha só por interesse.


A Páscoa no Iraque: o Papa deu ao povo uma primícia de ressurreição

A gratidão pela visita do Papa Francisco ao Iraque ainda é forte e viva. As celebrações da Páscoa estão envolvidas na própria mensagem de esperança que o Pontífice deixou no país. Apesar das restrições sanitárias devido à pandemia, a Igreja local está empenhada em apoiar as famílias mais necessitadas e espera que gradualmente “um novo ar” permeie aquela terra. O bispo de Bagdá, dom Robert Jarjis: “as feridas não desaparecem por magia; pessoas de boa vontade precisam refazer os passos de Francisco”.

O Patriarca da Igreja dos Caldeus, no Iraque, cardeal Louis Raphael I Sako, voltou a se expressar através de uma carta enviada ao Papa Francisco a sua gratidão pela recente viagem apostólica ao Iraque, também em nome da assembleia local dos bispos católicos. O purpurado fez saber que o Pontífice desejou ajudar a população iraquiana com uma doação e que o Patriarcado e a Igreja local, cumprindo o desejo de Francisco, já estão trabalhando para destinar o suporte econômico a iniciativas de apoio às famílias particularmente afetadas pelas consequências dos conflitos, da crise econômica e da pandemia, famílias cristãs, muçulmanas e pertencentes a todas as outras comunidades de fé presentes no Iraque. A visita do Papa ao país, reiterou o Patriarca, tocou os corações de todos os cidadãos, semeando a consciência da importância de aceitar e respeitar a diversidade para garantir dignidade, liberdade e igualdade de direitos e deveres. “Esperamos que essa linha de ação”, concluiu ele, “inspire também as intenções das grandes potências do mundo”.


Que Procurais, o Crucificado? Não está aqui, Ressuscitou!

Caríssimos amigos Paroquianos, nestes tempos difíceis marcados por esta Pandemia em que tudo parece desmoronar, a liturgia nos mostra o verdadeiro sentido da vida.

Também aquelas mulheres na madrugada da Ressurreição dirigem-se ao sepulcro abatidas e com uma preocupação «Quem nos poderá remover a pedra do sepulcro?». Ao chegar ao túmulo viram a pedra removida e Alguém que as interpelou «Não está aqui. Ressuscitou!» Nesta Páscoa possamos descobrir o verdadeiro sentido da Vida, pois se o grão de trigo lançado à terra não morrer não pode dar fruto.

Votos de uma Santa Páscoa!
Com gratidão e amizade,
Padre Victor


Porquê o Coelho e o Ovo?

O sentido da Páscoa tem sido manifestado através de diversos símbolos. nem sempre bem compreendidos e valorizados. Alguns deles, como coelhos e ovos de chocolate, acabaram reduzidos a artigos de consumo cada vez mais refinados, tornando-se difícil reconhecer o seu sentido pascal. Muitos se perguntam: O que o coelho tem a ver com o ovo? Ou o que ambos têm a ver com a Páscoa? Embora possam ofuscar o verdadeiro sentido pascal, para entendê-los, é preciso recordar a razão de ser da Páscoa: a ressurreição de Jesus! Jesus ressuscitou! A vida venceu a morte! À luz deste significado maior, podemos compreender o sentido que se quer atribuir a ovos e coelhos como símbolos pascais. Os ovos são símbolos da vida que nasce; os coelhos, conhecidos pela fertilidade, também estão associados à vida abundante.  Contudo, por mais que se possa atribuir significado pascal a eles, nada se compara aos dois maiores e mais genuínos símbolos pascais: o cordeiro e o círio pascal, que representam o próprio Cristo morto e ressuscitado. Ambos representam o próprio Cristo morto e ressuscitado, embora o cordeiro não receba a mesma visibilidade do círio, que conta com rito próprio na Vigília Pascal.

Cardeal Dom Sérgio da Rocha