III Domingo do Advento – Ano B
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto
A liturgia deste III domingo do Advento coloca em evidência a figura de São João Baptista que tem a missão de ser e dar testemunho de Jesus Cristo. “Ele não era a Luz, mas veio para dar testemunho da Luz”.
Em suma, o evangelho de hoje deve fazer-nos refletir: será que estou a ser luz para os outros? Será que quem me vê consegue descobrir a presença de Deus? “João veio para dar testemunho”. Neste tempo de Pandemia, muitas vezes, estamos bloqueados e paralisados pelo medo deixando de viver em comunidade a nossa fé. Também aqui somos desafiados a ser testemunhas e a dar testemunho das razões da nossa fé.
A leitura do Livro de Isaías, um profeta pós-exílico apresenta-se aos habitantes de Jerusalém com uma “boa nova” de Deus. A missão deste “profeta”, ungido pelo Espírito, é anunciar um tempo novo, de vida plena e de felicidade sem fim, um tempo de salvação que Deus vai oferecer aos “pobres”.
A Leitura da Primeira Epistola de São Paulo aos Tessalonicenses, explica aos cristãos da comunidade de Tessalónica a atitude que é preciso assumir enquanto se espera o Senhor que vem… Paulo pede-lhes que sejam uma comunidade “santa” e irrepreensível, isto é, que vivam alegres, em atitude de louvor e de adoração, abertos aos dons do Espírito e aos desafios de Deus.
O Evangelho de São João, apresenta-nos João Baptista, a “voz” que prepara os homens para acolher Jesus, a “luz” do mundo. O objectivo de João não é centrar sobre si próprio o foco da atenção pública; ele está apenas interessado em levar os seus interlocutores a acolher e a “conhecer” Jesus, “aquele” que o Pai enviou com uma proposta de vida definitiva e de liberdade plena para os homens.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
Apareceu um homem enviado por Deus, chamado João. Veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos acreditassem por meio dele. Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz. Foi este o testemunho de João, quando os judeus lhe enviaram, de Jerusalém, sacerdotes e levitas, para lhe perguntarem: «Quem és tu?» Ele confessou a verdade e não negou; ele confessou: «Eu não sou o Messias». Eles perguntaram-lhe: «Então, quem és tu? És Elias?» «Não sou», respondeu ele. «És o Profeta?». Ele respondeu: «Não». Disseram-lhe então: «Quem és tu? Para podermos dar uma resposta àqueles que nos enviaram, que dizes de ti mesmo?» Ele declarou: «Eu sou a voz do que clama no deserto: ‘Endireitai o caminho do Senhor’, como disse o profeta Isaías». Entre os enviados havia fariseus que lhe perguntaram: «Então, porque baptizas, se não és o Messias, nem Elias, nem o Profeta?» João respondeu-lhes: «Eu baptizo em água, mas no meio de vós está Alguém que não conheceis: Aquele que vem depois de mim, a quem eu não sou digno de desatar a correia das sandálias».
Tudo isto se passou em Betânia, além Jordão, onde João estava a baptizar.
Palavra da Salvação
Palavra de Vida (Dezembro)
“O Senhor é a minha luz e salvação: de quem terei medo?”
A escuridão do sofrimento, do medo, da dúvida, da solidão, das circunstâncias “inimigas” que desfazem os nossos sonhos, é uma experiência que se vivencia em todos os pontos da Terra e em todas as épocas da história humana, como testemunha esta antiga oração contida no livro dos Salmos.
O autor é, muito provavelmente, uma pessoa injustamente acusada, abandonada por todos, à espera do julgamento. Encontra-se na incerteza de um destino ameaçador, mas confia-se a Deus. Sabe que Ele não abandonou o seu povo na provação, conhece a sua ação libertadora. Por isso, n’Ele terá a luz e encontrará refúgio seguro e inabalável.
Precisamente no reconhecimento da sua fragilidade, abre-se à confidência com Deus, aceita a Sua presença na própria vida e espera com confiança a vitória definitiva, pelos caminhos imprevisíveis do Seu amor.

Experiência da Palavra vivida “A Villa Miseria”
Os habitantes deste bairro de lata, que se estende pelas margens pantanosas de um rio, sobrevivem com pequenos trabalhos esporádicos e, tendo que passar todo o dia fora, são obrigados a deixar as crianças sozinhas. Há algum tempo, as chuvas torrenciais provocaram uma cheia e a corrente arrastou algumas barracas, numa das quais estava uma criança de poucos meses. Nós vivemos numa área residencial ali próximo. Chocados com o incidente, procurámos enfrentar esta terrível chaga, envolvendo parentes e amigos. Arrendámos alguns espaços e iniciámos uma creche, onde os pais podem deixar as crianças em segurança durante o dia. No espaço ao lado iniciámos um infantário/ATL, para não deixar na rua os maiorzinhos. A iniciativa esta a dar os seus frutos: novos relacionamentos entre os nossos colaboradores e as famílias das crianças, partilha de bens, de tempo e de prestação de serviços. Aos poucos, esta a concretizar-se um outro sonho: tirar o maior número de famílias da “Villa Miseria”. Com um sistema de autogestão, foram construídas e inauguradas este ano as primeiras casas.
S.J.B. – Argentina
Praça São Pedro se prepara para o Natal com árvore que chegou da Eslovênia
“A árvore e o presépio ajudam a criar um clima natalino favorável para viver com fé o mistério do Nascimento do Redentor”, disse ainda o Pontífice. No presépio, tudo fala de pobreza “boa”, a pobreza evangélica, que nos torna beatos: contemplando a Sagrada Família e os vários personagens, somos atraídos por sua humildade que desarma. Nossa Senhora e São José vieram de Nazaré até Belém. Não há lugar para eles, nem mesmo um pequeno quarto. Maria escuta, observa e guarda tudo em seu coração. José procura um lugar para ela e o menino que está prestes a nascer. Os pastores são protagonistas no presépio, como no Evangelho. Vivem ao ar livre. Vigiam. O anúncio dos Anjos é para eles, e eles vão imediatamente procurar o Salvador que nasceu.
Francisco disse ainda que “a festa de Natal nos lembra que Jesus é a nossa paz, nossa alegria, nossa força, nosso conforto. Mas, para acolher estes dons da graça, precisamos nos sentir pequenos, pobres e humildes como os personagens do presépio”.
Também neste Natal, em meio ao sofrimento da pandemia, Jesus, pequeno e indefeso, é o “Sinal” que Deus doa ao mundo. Sinal admirável, como inicia a Carta sobre o presépio que eu assinei um ano atrás em Greccio. Nos fará bem relê-la nestes dias.
