XXVIII Domingo do Tempo Comum – Ano A
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto
A liturgia deste domingo nos revela a dimensão escatológica, através da Parábola do banquete; o qual nos confrontamos entre o «Já» e o «ainda não» desse banquete da Eucaristia e que se abre para nós a graça de podermos participar desse banquete celeste se nos formos transformando com o mistério que celebramos. No evangelho de hoje vemos que alguns convidados não estavam preparados para entrar no banquete, não estavam com o traje nupcial. Como os convidados não eram dignos mandou os servos chamar todos os que encontrassem no caminho. Tenho procurado manter a veste nupcial limpa? O coração sem rancor, ódio, maledicência e não cair na bisbilhotice? Ou também serei eu um convidado indigno que não aceito o convite de entrar no banquete?
A leitura do livro de Isaías, o profeta anuncia o “banquete” que um dia Deus, na sua própria casa, vai oferecer a todos os Povos. Acolher o convite de Deus e participar nesse “banquete” é aceitar viver em comunhão com Deus. Dessa comunhão resultará, para o homem, a felicidade total, a vida em abundância.
A Epistola de São Paulo aos Filipenses, o apóstolo apresenta-nos um exemplo concreto de uma comunidade que aceitou o convite do Senhor e vive na dinâmica do Reino: a comunidade cristã de Filipos. É uma comunidade generosa e solidária, verdadeiramente empenhada na vivência do amor e em testemunhar o Evangelho diante de todos os homens. A comunidade de Filipos constitui, verdadeiramente, um exemplo que as comunidades do Reino devem ter presente.
O Evangelho de São Mateus, sugere que é preciso “agarrar” o convite de Deus. Os interesses e as conquistas deste mundo não podem distrair-nos dos desafios de Deus. A opção que fizemos no dia do nosso baptismo não é “conversa fiada”; mas é um compromisso sério, que deve ser vivido de forma coerente.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
Naquele tempo, Jesus dirigiu-Se de novo aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo e, falando em parábolas, disse-lhes: «O reino dos Céus pode comparar-se a um rei que preparou um banquete nupcial para o seu filho. Mandou os servos chamar os convidados para as bodas, mas eles não quiseram vir. Mandou ainda outros servos, ordenando-lhes: ‘Dizei aos convidados: Preparei o meu banquete, os bois e os cevados foram abatidos, tudo está pronto. Vinde às bodas’. Mas eles, sem fazerem caso, foram um para o seu campo e outro para o seu negócio; os outros apoderaram-se dos servos, trataram-nos mal e mataram-nos. O rei ficou muito indignado e enviou os seus exércitos, que acabaram com aqueles assassinos e incendiaram a cidade. Disse então aos servos: ‘O banquete está pronto, mas os convidados não eram dignos. Ide às encruzilhadas dos caminhos e convidai para as bodas todos os que encontrardes’. Então os servos, saindo pelos caminhos, reuniram todos os que encontraram, maus e bons. E a sala do banquete encheu-se de convidados. O rei, quando entrou para ver os convidados, viu um homem que não estava vestido com o traje nupcial. E disse-lhe: ‘Amigo, como entraste aqui sem o traje nupcial?’. Mas ele ficou calado.
O rei disse então aos servos: ‘Amarrai-lhe os pés e as mãos e lançai-o às trevas exteriores; aí haverá choro e ranger de dentes’. Na verdade, muitos são os chamados,
mas poucos os escolhidos». Palavra da Salvação
Palavra de Vida (Setembro)
“Quem se eleva será humilhado e quem se humilha será exaltado.” (Lc 14,11)
Colocando-nos no centro, com a nossa avidez, o nosso orgulho, as nossas exigências, as nossas lamúrias, caímos na tentação da idolatria, isto é, na adoração de falsos deuses, que não merecem nem honra nem confiança.
Por isso, o primeiro convite de Jesus é para descer do “pedestal” do nosso eu, para não colocarmos o nosso egoísmo no centro, mas, pelo contrário, nos centrarmos em Deus. Sim, Ele pode ocupar o lugar de honra na nossa vida!
É importante dar-Lhe lugar, aprofundar a nossa relação com Ele, aprender d’Ele o estilo evangélico do rebaixar-se. De facto, colocar-se livremente no último lugar é escolher o lugar que o próprio Deus, em Jesus, escolheu. Ele, mesmo sendo o Senhor, escolheu partilhar a condição humana, para anunciar a todos o amor do Pai.
Letizia Magri

Testemunho da Palavra (Como Jesus teria feito)
Como oficial da polícia, de março a junho deste ano, fiquei responsável por um posto de controlo das deslocações durante a quarentena, de acordo com as medidas implementadas para evitar os contágios de Covid. Um dia, parou no nosso posto uma carrinha com pessoas de outra cidade, que vinham visitar familiares. Quando foram pedidos os documentos necessários, não os tinham. Expliquei, então, educadamente, que não poderiam entrar na cidade. O motorista reagiu mal e começou a gritar e a insultar-nos. Lembrei-me então da “arte de amar” de Chiara Lubich, que nos convidava a “ver Jesus em cada próximo”. Procurei controlar-me com todas as minhas forças e permanecer calado enquanto o ouvia com atenção. Algum tempo depois, vendo que não reagia às suas provocações, perguntou-me o que deviam fazer. Com calma, expliquei-lhe como obter os documentos necessários para a visita que queriam fazer. Disse-lhe que, se ele voltasse com os documentos, com certeza os deixaria passar. Pedi-lhes desculpa pelo incómodo da viagem interrompida, explicando que nós, polícias, temos que cumprir as ordens das autoridades e implementar as medidas para a segurança e proteção de todos contra o coronavírus. Depois da conversa, o grupo fez a inversão de marcha e voltou para casa em paz. Também eu fiquei em paz e muito contente por ter conseguido controlar-me e amar o meu próximo, tal como Jesus o teria amado. Alwin –Filipinas

Cidade do Vaticano (encíclica “Fratelli Tutti”)
O Papa assinou a 3 de outubro a sua nova Encíclica: “Fratelli Tutti”, “Todos irmãos”. Com esta expressão, o Papa Francisco recorda o Santo de Assis e propõe “uma forma de vida com sabor a Evangelho”. O Evangelho de Jesus: amar o próximo como a ti mesmo.
Anseio mundial de fraternidade
A nova Encíclica, terceira do pontificado de Francisco, é um texto dedicado à fraternidade e à amizade social que procura acender uma luz de esperança numa humanidade sofrida. Especialmente neste tempo de pandemia. O Papa Francisco refere-se, precisamente à covid-19, logo no número 7 da sua Encíclica afirmando que esta doença “irrompeu de forma inesperada” tendo deixado “a descoberto as nossas falsas seguranças”. “Desejo ardentemente que, neste tempo que nos cabe viver, reconhecendo a dignidade de cada pessoa humana, possamos fazer renascer, entre todos, um anseio mundial de fraternidade” – afirma Francisco na sua Encíclica.
