XXVI Domingo do Tempo Comum – Ano A
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto
A liturgia deste domingo permite-nos perceber que não é a partir de boas intenções que se adere à vontade de Deus, mas é necessário empenhar-se de verdade ao serviço do Reino. O evangelista São Mateus evidencia duas atitudes: o primeiro que diz que vai trabalhar, mas depois não vai; o segundo que diz que não, mas depois pensando melhor vai trabalhar na vinha. Essa Vinha é a messe ao serviço da Igreja, que o Senhor convida a trabalhar como catequistas, zeladores, acólitos, leitores, ministros da comunhão, cantores, [etc…], mas arranjamos sempre tantas desculpas para não assumir a missão. Digo constantemente no Pai Nosso «seja feita a Vossa Vontade». Qual destas personagens eu me revejo: Naquele que diz que não, mas depois aceita servir a Igreja? Ou o Outro que diz que vai trabalhar, mas de facto não vai?
A leitura do livro de Ezequiel, o profeta convida os israelitas exilados na Babilónia a comprometerem-se de forma séria e consequente com Deus, sem rodeios, sem evasivas, sem subterfúgios. Cada crente deve tomar consciência das consequências do seu compromisso com Deus e viver, com coerência, as implicações práticas da sua adesão a Jahwéh e à Aliança.
A Epistola de São Paulo aos Filipenses, apresenta aos cristãos de Filipos (e aos cristãos de todos os tempos e lugares) o exemplo de Cristo: apesar de ser Filho de Deus, Cristo não afirmou com arrogância e orgulho a sua condição divina, mas assumiu a realidade da fragilidade humana, fazendo-se servidor dos homens para nos ensinar a suprema lição do amor, do serviço, da entrega total da vida por amor. Os cristãos são chamados por Deus a seguir Jesus e a viver do mesmo jeito, na entrega total ao Pai e aos seus projectos.
O Evangelho de São Mateus, diz-nos como se concretiza o compromisso do crente com Deus… O “sim” que Deus nos pede não é uma declaração teórica de boas intenções, sem implicações práticas; mas é um compromisso firme, coerente, sério e exigente com o Reino, com os seus valores, com o seguimento de Jesus Cristo. O verdadeiro crente não é aquele que “dá boa impressão”, que finge respeitar as regras e que tem um comportamento irrepreensível do ponto de vista das convenções sociais; mas é aquele que cumpre na realidade da vida a vontade de Deus.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
Naquele tempo, disse Jesus aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo:
«Que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Foi ter com o primeiro e disse-lhe:
‘Filho, vai hoje trabalhar na vinha’. Mas ele respondeu-lhe: ‘Não quero’. Depois, porém, arrependeu-se e foi. O homem dirigiu-se ao segundo filho e falou-lhe do mesmo modo. Ele respondeu: ‘Eu vou, Senhor’. Mas de facto não foi. Qual dos dois fez a vontade ao pai?» Eles responderam-Lhe: «O primeiro». Jesus disse-lhes: «Em verdade vos digo: Os publicanos e as mulheres de má vida irão diante de vós para o reino de Deus. João Baptista veio até vós, ensinando-vos o caminho da justiça, e não acreditastes nele; mas os publicanos e as mulheres de má vida acreditaram. E vós, que bem o vistes, não vos arrependestes, acreditando nele».
Palavra da Salvação
Palavra de Vida (Setembro)
“Dai e ser-vos-á dado: uma boa medida, cheia, recalcada, transbordante será lançada no vosso regaço.”
O que poderia acontecer se nos esforçássemos por pôr em prática este amor, juntamente com muitas outras pessoas? Seria de certeza o germinar de uma revolução social. Conta-nos Jesús, da Espanha: «A minha mulher e eu trabalhamos em consultoria e formação. Tornámo-nos entusiastas dos princípios da Economia de Comunhão (3) e quisemos aprender a ver os outros sem pensar apenas no nosso interesse: os funcionários – valorizando os salários e as alternativas a possíveis despedimentos –; os fornecedores – respeitando os preços, os pagamentos, o relacionamento a longo prazo –; a concorrência – partilhando recursos e oferecendo o nosso know-how –; os clientes – com conselhos dados em consciência. A confiança que se gerou salvou-nos depois, na crise de 2008.
Posteriormente, através da ONG “Levántate y Anda” (Levanta-te e Anda), encontrámos um professor de espanhol na Costa do Marfim. Queria melhorar as condições de vida da sua aldeia com uma pequena maternidade. Estudámos o projeto e oferecemos a quantia necessária. Ele nem queria acreditar. Tive que lhe explicar que eram os lucros da nossa empresa. Hoje a maternidade “Fraternidade”, construída por muçulmanos e cristãos, é o símbolo da convivência. Nos últimos anos, as receitas da nossa empresa aumentaram dez vezes mais».
Letizia Magri
Experiência da Palavra vivida (Amar concretamente)
Num bairro de Homs, na Síria, mais de cento e cinquenta crianças na sua maioria muçulmanas, frequentam ATL numa escola da igreja greco-ortodoxa. «Oferecemos acolhimento e ajuda, através de uma equipa de professores e técnicos especializados, num clima de família baseado no diálogo e na promoção dos valores. Há muitas crianças marcadas por traumas e sofrimentos. O nosso desejo é reconstruir a confiança neles mesmos e nos outros. Apesar da maior parte deles ter ainda família separada por causa da guerra, aqui reencontram a esperança e o desejo de recomeçar». (Sandra)
Tema: A vida é missão | Lema: “Eis-me aqui, envia-me” (Is 6,8)
As Pontifícias Obras Missionárias (POM) têm a responsabilidade de organizar a Campanha Missionária, realizada sempre no mês de outubro, na Igreja de todo o Brasil. Colaboram nesta ação a CNBB por meio da Comissão para a Ação Missionária e Cooperação Intereclesial, a Comissão para a Amazônia e outros organismos que compõem o Conselho Missionário Nacional (COMINA).
Mesmo vivendo um tempo diferente, em que o mundo passa por uma pandemia que mudou nossas relações, a Campanha Missionária em 2020 quer ser um sinal de esperança para tantas vidas doadas de forma solidária. O tema escolhido “A vida é missão” e o lema “Eis-me aqui, envia-me” (Is 6,8) irão nos ajudar no crescimento da consciência missionária.
Ser discípulo missionário está além de cumprir tarefas ou fazer coisas. O Papa Francisco lembra que “a missão no coração do povo não é uma parte da minha vida, ou ornamento a ser posto de lado. É algo que não posso arrancar do meu coração” (Alegria do Evangelho, 27).
Nós cristãos somos convidados a defender e cuidar da vida em todas as suas dimensões. Jesus de Nazaré definiu sua ação no mundo como o Divino Cuidador: “Eu vim para que todos tenham vida e vida em abundância” (Jo10,10). Esse também deve ser o compromisso de todos os missionários e missionárias, pois a vida é missão.
A vida é o bem fundamental e básico em relação a todos os demais bens e valores da pessoa. Para a ética, a vida é um bem, mais que um valor. Deus, ao contemplar a criação, “viu que tudo era muito bom” (Gn 1,31).
Todo missionário é convidado a educar o olhar sobre as realidades de dor e, sobretudo, saber contemplar o belo, como fazia São Francisco de Assis, encantando-se com as criaturas presentes pelo caminho.
