XIX Domingo do Tempo Comum – Ano A
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto
A liturgia deste domingo revela um sinal de «confiança» em Jesus Cristo. Após ter saciado a fome às multidões Jesus, despediu a multidão e disse aos discípulos para O esperarem na outra margem. Levantou-se um forte vento que colocou em perigo a embarcação onde seguiam os discípulos. Alguns elementos a ter em conta: 1. O «vento contrário», quantas vezes também nós experimentamos ventos contrários na nossa vida que nos impede de caminhar com segurança. 2. O «meio da noite» onde tudo parece trevas surge Jesus que oferece tranquilidade. 3. Pedro sente-se «afundar e grita “salva-me Senhor”». Quantas vezes, nós centramos sobre nós mesmos sentimo-nos afundar é por isso necessário gritar como Pedro «salva-me Senhor» de todos os perigos.
A leitura do livro dos Reis, convida os crentes a regressarem às origens da sua fé e do seu compromisso, a fazerem uma peregrinação ao encontro do Deus da comunhão e da Aliança; e garante que o crente não encontra esse Deus nas manifestações espetaculares, mas na humildade, na simplicidade, na interioridade.
A Epistola de São Paulo aos Romanos, sugere que esse Deus, apostado em vir ao encontro dos homens e em revelar-lhes o seu rosto de amor e de bondade, tem uma proposta de salvação que oferece a todos. Convida-nos a estarmos atentos às manifestações desse Deus e a não perdermos as oportunidades de salvação que Ele nos oferece.
O Evangelho de São Mateus, apresenta-nos uma reflexão sobre a caminhada histórica dos discípulos, enviados à “outra margem” a propor aos homens o banquete do Reino. Nessa “viagem”, a comunidade do Reino não está sozinha, à mercê das forças da morte: em Jesus, o Deus do amor e da comunhão vem ao encontro dos discípulos, estende-lhes a mão, dá-lhes a força para vencer a adversidade, a desilusão, a hostilidade do mundo.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
Depois de ter saciado a fome à multidão, Jesus obrigou os discípulos a subir para o barco e a esperá-l’O na outra margem, enquanto Ele despedia a multidão. Logo que a despediu, subiu a um monte, para orar a sós. Ao cair da tarde, estava ali sozinho. O barco ia já no meio do mar, açoitado pelas ondas, pois o vento era contrário. Na quarta vigília da noite, Jesus foi ter com eles, caminhando sobre o mar. Os discípulos, vendo-O a caminhar sobre o mar, assustaram-se, pensando que fosse um fantasma. E gritaram cheios de medo. Mas logo Jesus lhes dirigiu a palavra, dizendo: «Tende confiança. Sou Eu. Não temais». Respondeu-Lhe Pedro: «Se és Tu, Senhor, manda-me ir ter contigo sobre as águas». «Vem!» – disse Jesus. Então, Pedro desceu do barco e caminhou sobre as águas, para ir ter com Jesus. Mas, sentindo a violência do vento e começando a afundar-se, gritou: «Salva-me, Senhor!» Jesus estendeu-lhe logo a mão e segurou-o. Depois disse-lhe: «Homem de pouca fé, porque duvidaste?» Logo que saíram para o barco, o ventou amainou. Então, os que estavam no barco prostraram-se diante de Jesus, e disseram-Lhe: «Tu és verdadeiramente o Filho de Deus».
Palavra da Salvação
Palavra de Vida (Agosto)
“Quem poderá separar-nos do amor de Cristo?” (Rm 8,35).
Pouco antes, Paulo tinha afirmado: «Deus está por nós». (1) Para ele, o amor de Deus por nós é o amor do Esposo fiel, que nunca abandonará a sua esposa, a quem se ligou livremente com um vínculo indissolúvel, à custa do seu próprio sangue.
Portanto, Deus não é um juiz, pelo contrário, é Aquele que assume a nossa defesa.
Por isso, nada nos poderá separar de Deus, porque nos encontrámos com Jesus, o seu Filho amado.
Nenhuma dificuldade, grande ou pequena, que possamos encontrar, em nós e fora de nós, é um obstáculo intransponível para o amor de Deus. Pelo contrário, diz Paulo, é precisamente nestas situações que todo aquele que confia em Deus e a Ele se entrega sai “super-vencedor” .(2)
Neste nosso tempo de super-heróis e super-homens, que têm a pretensão de querer vencer tudo com a arrogância e o poder, a proposta do Evangelho é a mansidão construtiva e a abertura às razões dos outros.
Letizia Magri

Solenidade da Assunção de Nossa Senhora, 15 de Agosto
O que significa a Assunção de Maria?
A Assunção de Nossa Senhora quer dizer, na definição dogmática do Papa Pio XII, que: “A Imaculada Mãe de Deus, a sempre Virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial”. (Constituição Apostólica Munificentissimus Deus, 1950). Quer isto dizer que, terminada a sua vida, Maria foi totalmente assumida (ou assunta) por Deus. Aquela que desde a sua conceição era “cheia de graça” (Lucas 1, 28), permanece completamente ressuscitada no amor de Deus – na glória – para toda a eternidade.
Que importância tem, para nós, a Assunção de Maria?
Maria “antecipa” a nossa ressurreição! Ela é o primeiro ser humano a viver em plenitude aquilo para que todos fomos criados. Em Maria, o plano de Deus para a humanidade – viver completamente no amor – já se cumpriu. Tendo já chegado à “meta”, dá-nos a esperança de também lá chegarmos, na medida em que nos abrirmos à graça e ao amor de Deus. Para além disso, Maria intercede por nós junto de Deus, “puxando” por toda a humanidade que lhe foi confiada por Jesus (João 19, 26). Neste dia celebramos então a certeza – já cumprida em Maria – de que Deus quer dar a todos nós um futuro cheio do seu amor! (cfr. Catecismo da Igreja Católica, 966)
Porque é que a Assunção é um dogma recente? O que é um dogma?
Embora a tradição cristã ateste a celebração da “dormição de Maria” pelo menos desde o século V, a proclamação deste dogma aconteceu apenas em 1950. Ao definir o dogma, o Papa Pio XII nada mais fez do que confirmar a fé da Igreja, não sem antes ter consultado os bispos do mundo inteiro. Na verdade, o Povo de Deus há muito que acreditava e celebrava este mistério da vida de Maria.
Alguém se referiu aos dogmas como a “tutela de um paradoxo”. Parecendo impossível, pela lógica humana, que Deus seja uno e trino (que Jesus seja verdadeiro Deus e verdadeiro homem ou que Maria seja virgem e mãe…) a lógica da fé, sancionada pelo Magistério da Igreja, afirma que estas realidades contrastantes – na verdade poucas! – devem ser mantidas juntas, pois fazem parte das verdades essenciais da fé cristã. Por essa razão as professamos no Credo. Deste “núcleo” decorrem também os dogmas marianos: Imaculada Conceição e Assunção de Maria ao céu.
