XVI Domingo do Tempo Comum – Ano A
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto
Ao longo destes domingos a liturgia apresenta-nos diversas parábolas sobre o “Reino dos Céus”. O Evangelho da semana passada apresentou a parábola do Semeador que saiu a semear, enquanto semeava algumas sementes caíram em terrenos diferentes (espinhos, nas pedras, no caminho e em boa terra). Este domingo apresenta a parábola do trigo e do joio e também do fermento que se coloca na massa para levedar. Quantas vezes, deveríamos ser esse pouco de fermento para fazer aumentar a “massa” ou seja, o número de novos cristãos.
Na verdade, Jesus apresenta parábolas para nos fazer entender melhor a dimensão do «Reino» a que Ele nos chama. Esforço-me por trilhar esse caminho de ser cada vez mais responsável pelos irmãos na comunidade? Ou apenas sou cumpridor do preceito dominical? Essa é a atitude dos escribas e fariseus que estavam apenas dispostos a cumprir a Lei.
A leitura do livro da Sabedoria, fala-nos de um Deus que, apesar da sua força e omnipotência, é indulgente e misericordioso para com os homens – mesmo quando eles praticam o mal. Agindo dessa forma, Deus convida os seus filhos a serem “humanos”, isto é, a terem um coração tão misericordioso e tão indulgente como o coração de Deus.
A Epistola de São Paulo aos Romanos, sublinha, doutra forma, a bondade e a misericórdia de Deus. Afirma que o Espírito Santo – dom de Deus – vem em auxílio da nossa fragilidade, guiando-nos no caminho para a vida plena.
O Evangelho de São Mateus, coloca-nos diante da presença irreversível do “Reino de Deus”. Esse “Reino” não é um clube exclusivo de “bons” e de “santos”: nele todos os homens – bons e maus – encontram a possibilidade de crescer, de amadurecer as suas escolhas, de serem tocados pela graça, até ao momento final da opção definitiva.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
Naquele tempo, Jesus disse às multidões mais esta parábola: “O reino dos Céus pode comparar -se a um homem que semeou boa semente no seu campo. Enquanto todos dormiam, veio o inimigo, semeou joio no meio do trigo e foi-se embora. Quando o trigo cresceu e deu fruto, apareceu também o joio. Os servos do dono da casa foram dizer-lhe: ‘Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde vem então o joio? Ele respondeu-lhes: ‘Foi um inimigo que fez isso’. Disseram-lhe os servos: ‘Queres que vamos arrancar o joio?’ ‘Não! – disse ele – não suceda que, ao arrancardes o joio, arranqueis também o trigo. Deixai-os crescer ambos até à ceifa e, na altura da ceifa, direi aos ceifeiros: Apanhai primeiro o joio e atai-o em molhos para queimar; e ao trigo, recolhei-o no meu celeiro’”. Jesus disse-lhes outra parábola: “O reino dos Céus pode comparar-se a um grão de mostarda que um homem tomou e semeou no seu campo. Sendo a menor de todas as sementes, depois de crescer, é a maior de todas as hortaliças e torna-se árvore, de modo que as aves do céu vêm abrigar-se nos seus ramos”. Disse-lhes outra parábola: “O reino dos Céus pode comparar-se ao fermento que uma mulher toma e mistura em três medidas de farinha, até ficar tudo levedado”.
Tudo isto disse Jesus em parábolas, e sem parábolas nada lhes dizia, a fim de se cumprir o que fora anunciado pelo profeta, que disse: “Abrirei a minha boca em parábolas, proclamarei verdades ocultas desde a criação do mundo”. Jesus deixou então as multidões e foi para casa. Os discípulos aproximaram-se d’Ele e disseram-Lhe: “Explica-nos a parábola do joio no campo”. Jesus respondeu: “Aquele que semeia a boa semente é o Filho do homem e o campo é o mundo. A boa semente são os filhos do reino, o joio são os filhos do Maligno e o inimigo que o semeou é o Demónio. A ceifa é o fim do mundo e os ceifeiros são os Anjos. Como o joio é apanhado e queimado no fogo, assim será no fim do mundo: o Filho do homem enviará os seus Anjos, que tirarão do seu reino todos os escandalosos e todos os que praticam a iniquidade, e hão-de lançá-los na fornalha ardente; aí haverá choro e ranger de dentes. Então, os justos brilharão como o sol no reino do seu Pai. Quem tem ouvidos, oiça”.
Palavra da Salvação
Palavra de Vida (Julho)
“Todo aquele que fizer a vontade de meu Pai que está no Céu, esse é que é meu irmão, minha irmã e minha mãe” (Mt 12,50).
Podemos ser, de certo modo, a mãe de Jesus. Tal como Maria se colocou à disposição de Deus desde o momento da Anunciação até ao Calvário, e no nascimento da Igreja, também cada um de nós pode fazer com que Jesus nasça e renasça em si próprio, vivendo o Evangelho. Depois, pela caridade recíproca, pode contribuir para gerar Jesus na coletividade. Foi também o apelo feito por Chiara Lubich, dirigindo-se a pessoas desejosas de viver a Palavra de Deus: «Sejam uma família! Há entre vocês quem sofra por causa de provas espirituais ou morais? Compreendam-nos como e mais do que uma mãe, iluminem-nos com a palavra e com o exemplo. Não lhes deixem faltar – pelo contrário, façam crescer à sua volta – o calor da família! Há entre vocês quem sofra fisicamente? Que sejam esses os vossos irmãos prediletos. […] Nunca anteponham nenhuma atividade, seja de que género for, […] ao espírito de família com os irmãos com quem vivem. E onde forem para levar o Ideal de Cristo, […],nada melhor do que procurar criar – com discrição, com prudência, mas com decisão – o espírito de família. Esse é um espírito humilde, quer o bem dos outros, não se enche de si… é […] a caridade verdadeira».
Dom Jurkovič: mudanças climáticas, problema global que exige ação comum
As mudanças climáticas são um problema global e é necessário um plano comum para enfrentá-lo. Foi o que defendeu o arcebispo Ivan Jurkovič, observador permanente da Santa Sé junto às Nações Unidas e outras organizações internacionais com sede em Genebra, ao pronunciar-se em 9 de julho na 44ª sessão do Conselho de Direitos Humanos. “Diante do sofrimento dos mais pobres e da exploração de nossa casa comum – disse Dom Jurkovič – a família humana não pode mais ficar parada, olhando com indiferença”. E citando a “Laudato si‘ sobre os cuidados com a casa comum, o prelado acrescentou: “O clima é um bem comum, de todos e para todos. As mudanças climáticas são um problema global com sérias implicações ambientais, sociais, econômicas, distributivas e políticas, e constituem um dos principais desafios atuais para a humanidade (…) A interdependência nos obriga a pensar em um mundo, a um projeto comum”. No entanto, este momento difícil que atravessamos provocado pela pandemia de Covid-19, somos chamados a cuidar um do outro, a não nos isolarmos no egoísmo, mas a promover e defender a vida humana para oferecer a todos assistência médica adequada, a fomentar a solidariedade e combater a cultura do descarte”.
São três, os princípios aos quais deve agir a cooperação internacional para tutelar o ambiente em nível global: o primeiro é o reconhecimento de que “as mudanças climáticas são uma preocupação comum de toda a humanidade” e que, como tal, “implica a mais ampla cooperação em benefício das gerações presentes e futuras”.
O segundo princípio diz respeito aos Estados, que têm “responsabilidades comuns, mas diferentes de acordo com suas respectivas capacidades”. O terceiro princípio, por fim, é o fortalecimento da crença de que “somos uma família humana”. “Quando são enfrentadas questões globais – explicou o Observador Permanente – não deveria haver fronteiras ou barreiras, políticas ou sociais, por trás das quais podemos nos esconder, muito menos deveria haver espaço para a globalização da indiferença”.
