II Domingo da Quaresma – Ano A
Mensagem dominical das paróquias de São Jacinto e Torreira
A liturgia deste II domingo da Quaresma põe em evidência a experiência da Transfiguração do Senhor. Uma experiência «mística» de grande intimidade com Deus. Os discípulos são envolvidos por uma grande atmosfera divina ao ponto de exclamar «Como é bom estarmos aqui! Se quiseres, farei aqui três tendas: uma para Ti, outra para Moisés a outra para Elias». A Palavra de Deus esta semana impele-nos a entrar nesta profunda intimidade com Deus.
Na leitura do livro do Génesis, apresenta a figura de Abraão. Abraão é o homem de fé, que vive numa constante escuta de Deus, que sabe ler os seus sinais, que aceita os apelos de Deus e que lhes responde com a obediência total e com a entrega confiada. Nesta perspectiva, ele é o modelo do crente que percebe o projecto de Deus e o segue de todo o coração.
Na Epistola de São Paulo a Timóteo, o autor sagradofaz um apelo aos seguidores de Jesus, no sentido de que sejam, de forma verdadeira, empenhada e coerente, as testemunhas do projecto de Deus no mundo. Nada – muito menos o medo, o comodismo e a instalação – pode distrair o discípulo dessa responsabilidade.
No Evangelho de São Mateus, relata a transfiguração de Jesus. Recorrendo a elementos simbólicos do Antigo Testamento, o autor apresenta-nos uma catequese sobre Jesus, o Filho amado de Deus, que vai concretizar o seu projecto libertador em favor dos homens através do dom da vida. Aos discípulos, desanimados e assustados, Jesus diz: o caminho do dom da vida não conduz ao fracasso, mas à vida plena e definitiva. Segui-o, vós também.
O Tabor e o Gólgota
Pedro, Tiago e João, Jesus irá levá-los consigo até ao Jardim das Oliveiras. Serão as testemunhas do Seu pranto, da Sua fragilidade, da súplica que dirigirá ao Pai para que afaste Dele o cálice amargo do sofrimento e da morte. Nessa hora, Jesus apresentar-se-á diante deles trémulo, receoso, angustiado, numa tristeza de morte. Estes três são os mesmos que Jesus leva hoje, consigo, ao cimo daquele alto monte, que se ergue no meio da planície ensolarada da Galileia. Antes de lhes dar a conhecer as trevas do Getsémani, quer mostrar-lhes o esplendor do Tabor. Antes de lhes mostrar a Sua frágil humanidade, quer mostrar-lhes a Sua divindade resplandecente.
Jesus tinha acabado de dizer aos seus discípulos que Ele iria ser entregue à morte e que, para ser verdadeiramente seus discípulos, é necessário partilhar a Sua cruz. Eram um anúncio e uma exigência demasiado cruéis. Foi por isso que Pedro se insurgiu contra Jesus e tentou impedi-lo de seguir para Jerusalém, a meta da Sua viagem. Pedro, sem o saber, agindo desse modo, opunha-se ao querer do Pai, quase dividindo Jesus do Pai. E Jesus chamou-o “Satanás”, o pai de toda a divisão. Como poderia Pedro compreender isso? Será que nós compreendemos as provas sempre que passamos por elas? Que sentido tem seguir Jesus neste absurdo caminho da cruz? Jesus dá uma única resposta: vem ver o que está para além da dor, vem ver a glória da ressurreição. Num primeiro momento, Jesus chamou Pedro de “Satanás; logo a seguir, levou-o, com os outros dois, ao alto monte. Ali tudo foi luz, beleza, infinito júbilo; ao ponto de pretenderem eternizar aquele momento: “façamos aqui três tendas!”.
Jesus só depois de nos ter deixado maravilhados e de nos ter feito saborear uma antecipação do céu, só depois de nos ter mostrado a luz e deixado entrever a beleza do Seu rosto, nos pode pedir para O seguirmos. Só depois nos pode pedir tudo, até que levemos a cruz com Ele; até o martírio, o da espada ou das alfinetadas, com a sua “dose” diária de: ansiedades, incertezas, pequenas e grandes dores, preocupações, solidão…Quando se está enamorado podem-se cometer todas as “loucuras” e suportar todos os padecimentos. O próprio Jesus precisou que o Pai lhe desse a conhecer que Ele era o filho amado! Sem se ter visto o Seu rosto resplandecente de luz, não poderemos reconhecê-Lo coberto de escarros e de sangue. Sem o Tabor não se pode enfrentar o Gólgota. (Fábio Ciardi, in “In Cerca di Perle Preziose”)
Evangelho vivido (Por um acto de Amor)
Enquanto dava o passeio quotidiano que me foi sugerido pelo médico, procurava conhecer o bairro onde resido há pouco tempo. De facto, sou o novo bispo deste lugar. Alguns dias depois, comecei a pôr em ordem a casa episcopal, procurando fazer de modo que ela exprimisse, cada vez melhor, Deus, que é beleza. Encontrei alguns candelabros de bronze que não ficavam bem com o resto da mobília. Lembrei-me então de uma pequena loja de compra e venda que tinha visto durante o meu passeio. Pensei que, devido á situação económica que está a atravessar o nosso país, o proprietário se encontraria em graves dificuldades. Pedi à minha secretária para fazer um pacote com os candelabros e para os ir entregar àquele senhor com um bilhetinho onde dizia: «São uma pequena prenda do Bispo. Se conseguir vendê-los, por favor dê o dinheiro aos pobres. Mas se precisar, fique com ele. De repente, durante a tarde, aquele senhor veio ter comigo ao episcopado. Insistia em querer falar comigo. Quando nos encontrámos, disse-me: «Eu hoje queria suicidar-me. Mas quando chegou a sua secretária, percebi que alguém ainda se interessava por mim, e mudei de ideias. Muito obrigado! (Argentina)
2ª Semana da Quaresma – Encontra
Evangelho
Mateus 17, 1-9 [Para ler e meditar em família]
Meditação
«O seu rosto ficou resplandecente como o sol». A Transfiguração é a revelação antecipada de Cristo glorioso, como asua Ressurreição, no fim da Quaresma, O há-de manifestar. Em Cristo transfigurado se antevê, desde já, a vida e a imortalidade a que somos chamados, reconhecemos a glória do Filho de Deus que se há-de revelar em nós próprios e tomamos coragem para subirmos, ao longo da Quaresma, até à transfiguração pascal, que Deus dará a quem escutar e seguir o Seu Filho.
Oração diária
Todos: Dai-nos, Senhor, a Vossa misericórdia
Pais: Justa é a palavra do Senhor,
Da fidelidade nascem as Suas obras.
O Senhor ama a justiça e a retidão:
Do Seu amor está cheia a Terra.
Todos: Dai-nos, Senhor, a Vossa misericórdia
Pais: O Senhor olha pelos Seus filhos.
Por aqueles que esperam no Seu amor,
Para lhes dar a vida no tempo da dificuldade.
Todos: Dai-nos, Senhor, a Vossa misericórdia
Pais: O nosso espírito aguarda o Senhor.
Ele é a o nosso escudo e a nossa proteção.
Desça sobre nós a Vossa Graça.,
Porque em Vós esperamos, Senhor.
Todos: Dai-nos, Senhor, a Vossa misericórdia
Pai Nosso…
Ação
– Participar, em família, na Eucaristia dominical;
– Procurar realizar uma boa ação diária (dar tempo à família estar atento a quem me rodeia ou falar com alguém que já não vejo a algum tempo).
Palavra de Vida (Março)
“Portanto, o que quiserdes que vos façam os homens, fazei-o também a eles, porque isto é a Lei e os Profetas”
Quantas vezes, nas escolhas importantes da vida, procurámos uma bússola segura que nos indicasse o caminho a seguir? Quantas vezes nos questionámos, como cristãos, sobre qual seria a síntese do Evangelho, a chave para entrar no coração de Deus e viver como Seus filhos, aqui e agora? Aqui está uma palavra de Jesus que nos pode ajudar. É uma afirmação clara, que se pode compreender e viver imediatamente. Encontramo-la no Evangelho de Mateus: está contida no extraordinário Sermão da Montanha, onde Jesus ensina como viver plenamente a vida cristã. Ele próprio sintetiza todo o Seu anúncio nesta afirmação lapidar. No nosso tempo, em que precisamos de mensagens ricas de significado – mas breves e eficazes – poderemos usar esta Palavra como um precioso tweet a ter sempre presente.