Novos Ventos – 12 de Janeiro

Baptismo do Senhor – Ano A

Mensagem dominical das paróquias de São Jacinto e Torreira

A liturgia deste domingo assinala o termo da vida oculta de Jesus Cristo e inaugura o início do Seu ministério público, anunciando e preparando o Seu Baptismo realizado por João no rio Jordão.

Na primeira leitura do Livro de Isaías, o profeta fala de uma eleição/escolha que tem a sua manifestação plena na Pessoa de Jesus Cristo. Mas, também é o Amor que Deus tem por cada um de nós seus servos: «Fui Eu, o Senhor, que te chamei…tomei-te pela mão, formei-te e fiz de ti a luz das nações…».

Na segunda dos Actos dos Apóstolos, Lucas vai salientar dois temas fundamentais: 1º Deus não faz acepção de pessoas, mas todo aquele que O teme e pratica a justiça é-Lhe agradável; em 2º consiste na discrição do Baptismo de Jesus: «Depois do baptismo que João pregou “Deus ungiu com a força do Espírito Santo a Jesus de Nazaré”».

No Evangelho de São Mateus, aparece-nos a concretização da promessa profética: Jesus é o Filho/”Servo” enviado pelo Pai, sobre quem repousa o Espírito e cuja missão é realizar a libertação dos homens. Obedecendo ao Pai, Ele tornou-Se pessoa, identificou-Se com as fragilidades dos homens, caminhou ao lado deles, a fim de os promover e de os levar à reconciliação com Deus, à vida em plenitude. «Depois de ter sido baptizado, Jesus viu o Espírito de Deus descer sobre Si».


“Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência”

Jesus deixa-se incluir entre os pecadores, totalmente solidário connosco. É preciso, de facto, que “se cumpra toda a justiça” e Jesus submete-se em tudo ao plano divino de salvação. Assim, desce às águas do rio, num gesto de humildade e conversão. É o “Cordeiro de Deus”, como João profetizou, e para fazer nascer a nova criação, Ele deve assumir sobre Si o pecado do mundo e submergi-lo nas águas do Jordão. É o sinal e a antecipação de outro Batismo, que desde esse momento Jesus começou a desejar ardentemente, o Batismo da cruz.

Quando Ele sobe das águas, sinal e antecipação da futura ressurreição, abrem-se os céus. “Oh, se rasgásseis os céus e descêsseis!”, implorava o profeta Isaías (63, 19), dando voz a toda a humanidade. A desobediência de Adão tinha fechado irremediavelmente os céus. Agora, a obediência de Jesus – “convém que assim cumpramos toda a justiça” – abre-os de novo: o Espírito pode regressar à terra e ouve-se a voz do Pai no meio de nós. O Espírito que no início dos tempos pairava sobre as águas, para harmonizar o caos primordial do cosmos, desce agora sobre Jesus para dar início a uma nova criação. Jesus sai da água e leva consigo, para o alto, todo o cosmos. Ele é a nova criação. Com o seu Batismo começa a história do mundo novo.

O símbolo da pomba remete para o relato do dilúvio. Como a pomba enviada por Noé tinha anunciado que o dilúvio universal tinha terminado e que se iniciava uma era de paz e de salvação, do mesmo modo, agora, no Batismo de Jesus, a pomba do Espírito anuncia que terminou o eterno naufrágio do mundo. Com o Batismo de Jesus brilha um novo arco-íris a assinalar a nova aliança messiânica, da qual nasce a nova humanidade.

O Batismo de Jesus é também um novo Êxodo. Como a coluna de fogo foi à frente do povo de Israel através do Mar Vermelho, assim Jesus vai à nossa frente e nos faz passar da escravidão para a liberdade, do pecado para a graça, da morte para a vida.

O Evangelho de Mateus, ao contrário de Marcos e Lucas, refere as palavras do Pai na terceira pessoa: “Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência”. Não se dirige a Jesus, mas a nós. É o convite a que O reconheçamos como Filho de Deus, a que O acolhamos, a que o deixemos entrar na nossa vida, de tal modo que Ele possa submergir nas águas do Batismo o nosso homem velho e nos faça renascer para a vida nova, nova criação. Graças ao Batismo de Jesus, também no nosso Batismo se abrem os céus, desce o Espírito e o Pai nos torna Seus filhos, filhos de Deus com Jesus.

Também eu ponho em Jesus a minha complacência.

Sigo-o nas águas da morte e da vida.


Jesus, submerge o meu homem velho
nas águas do Teu Batismo
e cria em mim o homem novo.
Leva-me Contigo, como seguidor fiel,
pelo teu caminho de morte e de vida.
Faz ressurgir o mundo inteiro
do seu abismo de mal
e abre-nos os céus,
para comtemplarmos a Deus
e o nosso desígnio divino,
para que se estabeleça a comunhão entre o céu e a terra, para fazer da terra o Teu céu.
 (Fábio Ciardi, in “In Cerca di Perle Preziose”)                                                        


Encontro do Pré-Seminário – 9º ano

Quando – 18 – 19 Jan. 2020
Onde – Seminário de Aveiro


“Festa das Famílias”

No dia 26 de Janeiro faremos a tradicional «festa da Família». Será realizada como é habitual no salão da sede da Associação nas Quintas do Norte. As inscrições serão feitas no final das eucaristias ou na Associação. Recordamos que devido ao espaço existe um número limite de inscrições que é 250 pessoas.


 Jornada Eucarística Diocesana (Casa Diocesana de Albergaria, 18 de janeiro de 2020)

Como objetivo de aprofundarmos os temas preparatórios do Congresso Eucarístico Internacional e aproveitarmos esta oportunidade para formação sobre a espiritualidade eucarística, haverá na Casa Diocesana de Albergaria-a-Velha no próximo dia 18 de janeiro (sábado), das 9h30 às 17h00, uma Jornada Eucarística Diocesana. Este encontro que não carece de inscrição prévia e dirige-se especialmente aos MEC, mas também a catequistas e a quaisquer ministros da pastoral litúrgica e interessados. A Casa Diocesana disponibiliza serviço de almoço ao custo de 8 euros. Os interessados poderão contactar diretamente a Casa Diocesana para a reserva até 12 de janeiro, pelos contactos: 965 306 907 ou 964 833 072.


 “Trataram-nos com invulgar humanidade” (At 28,2)

Paulo e os outros náufragos experimentam a humanidade calorosa e concreta daquela população que ainda não tinha sido tocada pela luz do Evangelho. É um acolhimento que não é apressado nem impessoal, mas que sabe pôr-se ao serviço do hóspede, sem preconceitos culturais, religiosos ou sociais. Para o fazer, é indispensável o envolvimento pessoal e de toda a comunidade.

A capacidade de acolher o outro faz parte do ADN de qualquer pessoa, como criatura que traz gravada em si a imagem do Pai misericordioso, mesmo quando a fé cristã não foi ainda acesa ou esmoreceu. É uma lei inscrita no coração humano, que a Palavra de Deus ilumina e valoriza, desde Abraão1 até à surpreendente revelação de Jesus: «Era estrangeiro e acolhestes-me».2

O próprio Senhor oferece-nos a força da sua graça, para que a nossa vontade frágil chegue à plenitude do amor cristão. Com esta experiência, Paulo ensina-nos também a confiar na intervenção providencial de Deus, a reconhecer e a apreciar o bem recebido através do amor concreto de tantos que se cruzam no nosso caminho.

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