Novos Ventos – 5 de Janeiro

Epifania – Ano A

Mensagem dominical das paróquias de São Jacinto e Torreira

A liturgia deste domingo celebra a manifestação de Jesus a todos os homens… Ele é uma “luz” que se acende na noite do mundo e atrai a si todos os povos da terra. Cumprindo o projecto libertador que o Pai nos queria oferecer, essa “luz” incarnou na nossa história, iluminou os caminhos dos homens, conduziu-os ao encontro da salvação, da vida definitiva.

Na primeira leitura do Livro de Isaías, o profeta anunciou outrora a glória que ia brilhar sobre Jerusalém depois dos tempos de cativeiro. Hoje, na Solenidade da Epifania ou Manifestação do Senhor, a Igreja fala a si mesma que o Filho de Deus feito homem é a Luz que se destina a iluminar todos os homens.

Na segunda leitura de São Paulo aos Efésios, o Apóstolo designa nesta epístola o plano eterno de Deus. Somente em Jesus Cristo Deus revelou completamente esse seu plano de salvação acerca da humanidade, reconciliando a humanidade inteira, constituindo um só Corpo em Cristo.

No Evangelho de São Mateus, o evangelista descreve a experiência dos Magos vindos do Oriente que deixaram tudo para trás seguindo um Astro Luminoso. A Epifania é a manifestação de Jesus como Salvador de todos os homens: Assim, vemos os Magos que são guiados aos pés de Jesus para O reconhecerem e adorarem e Lhe oferecerem os seus presentes. Neles está representada toda a humanidade que descobre em Jesus Cristo o caminho para atingir a salvação. Os presentes oferecidos pelos Magos tem um profundo sentido da Realeza e Divindade de Jesus Cristo. Assim, a Epifania tornou-se a festa das primícias dos pagãos e da universalidade do Reino de Deus.


“Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-l’O” (Mt 2, 1-12)

A longa e incansável procura concluiu-se com o encontro com Deus. Felizes os Magos que encontraram! Há tantos que procuram Jesus com igual sinceridade e não O encontram. Outros nasceram perto d’Ele e estão sempre com Ele. Contudo, também para estes chega o momento de se porem a caminho, porque chega o momento em que Jesus se “eclipsa” e parece desaparecer do horizonte da vida: Ele quer ser procurado. Ele dá-se e, ao mesmo tempo, quer ser conquistado. O resultado da procura, de cada reencontro é sempre o mesmo, a adoração e o dom: “viram o Menino com Maria, sua Mãe, e, prostrando-se diante d’Ele, adoraram-n’O”. Era essa a intenção dos Magos desde o início: Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-l’O.

O nosso relacionamento com Jesus é, frequentemente, vivido como amizade (“Não vos chamo servos, mas amigos” Jo. 15.15), como amor esponsal (“Os meus discípulos não podem jejuar, enquanto o Noivo está com eles” cf. Mc 2, 19). Fazemos a experiência da grande proximidade de Jesus: o Emanuel, Deus-connosco; nosso irmão, porque assumiu a nossa humanidade e se fez um de nós para partilhar tudo connosco.

Entretanto, Ele é Deus e permanece Deus. Diante de Deus, como os Magos, prostramo-nos em adoração. Como não O reconhecer assim como Ele é? Deus, infinita grandeza, santidade incomparável, criador do céu e da terra.

Adorar: o verbo em Grego remete para o gesto de curvar-se, ajoelhar-se. Também é muito significativo o sentido do verbo em Latim; indica o gesto de levar os dedos à boca – ad os – para enviar com a mão um sinal, um beijo à pessoa venerada.

Adoração: um beijo de gratidão e de amor a Jesus que me ama, me criou e me enche de vida; “um êxtase de amor”, como a define Isabel da Trindade, “amor suscitado pela beleza, pela força, pela imensa grandeza de Deus”; um abraço, como o das mulheres da manhã da Páscoa quando se aproximaram de Jesus, Lhe abraçaram os pés e O adoraram.

Contudo, a adoração não se esgota num sentimento, ainda que expresso com aquelas atitudes corporais mais adequadas para exprimir o amor. Os Magos “adoraram-n’O. Depois, abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe presentes: ouro, incenso e mirra”. A adoração torna-se dom. É natural mostrar a gratidão, o reconhecimento, através de um dom.

Qual será o dom que Jesus hoje espera de mim? Ele não precisa de ouro, incenso ou mirra, mas quer-me a mim, que seja eu o dom. Reconhecê-Lo como verdadeiro e único Deus, colocá-Lo acima de tudo e de todos, como único bem, apenas Ele o bem, todo o bem: esta é a minha adoração e o meu dom.


Jesus, chama para Ti todas as gentes,
do Oriente e do Ocidente, do Norte e do Sul.
Suscita em cada homem, em cada mulher,
o desejo de Ti, a  paixão por Te procurar.
Que todos Te possam encontrar,
amar e adorar.
Que também eu nunca desista de Te procurar,
sem me cansar, e que sempre Te encontre
e sempre me surpreendas.
És o meu Deus, eu Te adoro.
És o meu Senhor, eu Te amo.
Tudo Te dou, dou-me inteiramente a Ti.
 (Fábio Ciardi, in “In Cerca di Perle Preziose”)                                                        


“Noite de Fados”

No próximo sábado, dia 11 de Janeiro teremos a noite de Fados no Salão Paroquial de São Jacinto, com o objetivo de angariação de Fundos para o Centro Social Paroquial de São Jacinto.


“Festa das Famílias”

No dia 26 de Janeiro faremos a tradicional «festa da Família». Será realizada como é habitual no salão da sede da Associação nas Quintas do Norte. As inscrições serão feitas no final das eucaristias ou na Associação. Recordamos que devido ao espaço existe um número limite de inscrições que é 250 pessoas.


“Festa do Pai Nosso”

No próximo fim-de-semana, festa do Baptismo do Senhor, celebramos nas nossas comunidades a Festa do Pai Nosso com as crianças do 2ºano de catequese. Assim, teremos no dia 11 de janeiro na Igreja Paroquial da Torreira 11 crianças a celebrar a festa do Pai Nosso e no dia 12 de janeiro será na Igreja Paroquial de São Jacinto 6 crianças que farão a festa do Pai Nosso. A liturgia deste domingo faz-nos perceber essa realidade os céus que se abrem e o Espírito Santo desce em forma de pomba e ouve-se a voz do Pai: «Este é o Meu Filho muito amado, escutai-O».


“Trataram-nos com invulgar humanidade” (At 28,2)

Duzentos e setenta e seis náufragos chegam à costa de uma ilha do Mediterrâneo, depois de duas semanas à deriva. Estão encharcados, esgotados, aterrorizados: experimentaram a impotência perante as forças da natureza e sentiram-se perto da morte. Entre eles, está um prisioneiro com destino a Roma, para ser julgado pelo Imperador. Sim, porque esta crónica não saiu de um noticiário da atualidade, mas é a narração de uma experiência do apóstolo Paulo, conduzido a Roma para coroar a sua missão de evangelização, através do testemunho do martírio. Ele, sustentado pela sua fé inabalável na Providência, apesar da condição de prisioneiro, conseguiu dar alento aos outros companheiros de infortúnio, até desembarcarem numa praia de Malta. Ali, os habitantes vêm ao encontro deles, acolhem-nos ao redor duma grande fogueira para restaurarem as forças e, depois, cuidam deles. Passados três meses, no final do inverno, dão-lhes o necessário para continuar a viagem em segurança.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *