Novos Ventos – 29 de Dezembro

Solenidade da Sagrada Família – Ano A

Mensagem dominical das paróquias de São Jacinto e Torreira

A liturgia deste domingo propõe-nos a família de Jesus, como exemplo e modelo das nossas comunidades familiares.

Na primeira leitura de Bem-Sirá, o descreve de forma muito prática, algumas atitudes que os filhos devem ter para com os pais e os pais para com os filhos. O autor sagrado chega mesmo afirmar que a atitude dos filhos para com os pais deve ser pautada sempre pelo amor: «mesmo que a sua mente enfraqueça, sê indulgente para com ele e não o desprezes». Um enorme desafio para os dias de hoje esta Palavra de Deus.

Na segunda leitura de São Paulo aos Colossenses, o Apóstolo sublinha a dimensão do amor que deve brotar dos gestos dos que vivem “em Cristo” e aceitaram ser Homem Novo. Esse amor deve atingir, de forma muito especial, todos os que connosco partilham o espaço familiar e deve traduzir-se em determinadas atitudes de compreensão, de bondade, de respeito, de partilha, de serviço.

No Evangelho de São Mateus, o evangelistaapresenta uma catequese sobre a missão de Jesus; mas, salienta também o quadro de uma família exemplar – a família de Nazaré. Nesse episódio há duas coordenadas que são postas em relevo: trata-se de uma família onde existe verdadeiro amor e verdadeira solidariedade entre os seus membros; e trata-se de uma família que escuta Deus e que segue, com absoluta confiança, os caminhos por Ele propostos. Assim, o evangelho descreve a atitude de José que procura proteger Maria e Jesus das ciladas do Rei Herodes.


“José, não temas”

Como qualquer criança, também Jesus precisou de uma família. A de Jesus foi a mais original de todas: Ele era Filho de Deus, Maria era Imaculada, José era o mais santo entre os santos. Ao mesmo tempo, era uma família normalíssima: Jesus, filho de José, o carpinteiro, e de Maria, três pessoas comuns, com nomes comuns, numa casa vulgar, numa aldeia como tantas.

A Sua família foi bastante provada pela dor. A Sua vida foi ameaçada de morte, foi perseguido pela matança dos inocentes e teve que fugir de noite, foi refugiado, tornou-se estrangeiro em terra estrangeira. Quando regressa à pátria, José ainda receia pela vida do Menino… E estamos apenas no início: à Sua mãe tinha sido preanunciada uma espada, e chegarão as calúnias, as incompreensões, a morte – evitada por agora, mas apenas adiada.

Será preciso recordar as provas que a família de Jesus teve que enfrentar, algumas das quais aconteceram ou podem acontecer a tantas famílias? Provações diversas, sofrimentos de vária ordem. Mas qual é qual é a família que, mais cedo ou mais tarde, não é marcada por desgostos e sofrimentos? Uma doença, restrições económicas, uma dívida, uma injustiça, algum rancor, uma desgraça, um fracasso na educação dos filhos, algum desgaste nos relacionamentos… Mais cedo ou mais tarde nos visitará alguma tribulação, como visitou várias vezes a família de Jesus.

Como enfrentaram eles as adversidades e as provações?

No Evangelho vemo-los atuar sempre juntos: “Toma o Menino e Sua mãe”, e José “tomou o Menino e Sua mãe”. Estavam juntos no nascimento, no exílio, na casa de Nazaré… É assim que se enfrentam as provas da vida: em unidade. Sozinhos, surge a angústia. Em conjunto, ajudamo-nos, encorajamo-nos uns aos outros, reencontra-se a confiança.

E, acima de tudo, não estavam sós, pois Deus estava com eles. Deixaram-se guiar pela Sua voz, compreendida, porque sempre Lhe prestavam atenção. O anjo do Senhor falava e encontrava Maria e José em atitude de escuta, prontos a obedecer à sua palavra, a fazer a vontade de Deus.

Não é Deus a querer a morte do Menino ou das crianças de Belém, não é Deus que os força ao exílio; é a maldade dos homens. E contudo, Deus serve-se de tudo, também do mal, para um bem maior, mesmo quando não o compreendemos. É Ele que guia a história, não o rei Herodes ou Arquelau. É Ele que guia as nossas pequenas histórias, não os acontecimentos bons ou maus que às vezes nos enredam. Era assim a fé de Maria e de José, esta é a nossa fé, que faz de cada uma das nossas famílias uma casa confiada nas mãos de Deus, pronta para atuar o grande desígnio que Jesus tem sobre ela.


 Jesus, guia a nossa família pelo caminho severo da vida,
sugere os passos, reúne os corações no silêncio e na contemplação,
atentos e dóceis aos Teus sinais.
Dá-nos unidade e concórdia para caminhar juntos
e partilhar alegrias e dores
em solidariedade fraterna e no amor.
Molda a nossa e todas as famílias sobre a terra
segundo o modelo da que Te foi dada, em Nazaré,
simples e verdadeira,e que ninguém fique sozinho
e sem amor.
(Fábio Ciardi, in “In Cerca di Perle Preziose”)                                                        


“Sagrada Família de Nazaré”

Loreto, um anúncio de sua aventura espiritual.

Em 1939, participando num curso para jovens da Acção Católica , em Loreto, no Santuário onde, segundo a tradição, é conservada a casinha de Nazaré, que hospedou a Sagrada Família, Chiara intuiu a sua vocação: «uma reprodução da Família de Nazaré, uma nova vocação na Igreja, que muitos haveriam de seguir».

Parece-me que, para devolver à família a sua verdadeira fisionomia e restituir-lhe o seu esplendor, é válido apresentar — ao lado das reflexões, das advertências, das orientações (…) — aquele exemplo luminoso e universal que a Sabedoria eterna inventou: a família de Nazaré. Ela pode ser considerada por todas as famílias do mundo que existem e que existirão como modelo e tipo. E não apenas as famílias. Cada um de seus membros pode inspirar-se nela para saber que comportamento adotar, que atitudes assumir, quais os relacionamentos a serem revigorados, que virtudes cultivar.


NATAL DE JESUS – VIVE

1. LEITURA DO EVANGELHO – Jo 1, 1-18

2. MEDITAÇÃO
«… E o Verbo se fez carne e habitou entre nós…»
Parecia impossível.
Era o desejo mais profundo do nosso coração.
E hoje tornou-se realidade:
Deus desceu do céu e veio partilhar connosco a nossa realidade.
Deixou de haver barreiras entre nós e Deus.
Hoje é o dia da alegria.
Uma alegria que nasce da beleza do gesto de Deus.
Do caminho da liberdade que Ele nos aponta.
Uma alegria que se fez programa de vida:
a tua vida pode ser a casa onde Deus mora.

3. ORAÇÃO DIÁRIA
Senhor Jesus, aqui estou conTigo.
Tal como os pastores,
tenho pouco para te oferecer.
Recebe o meu empenho
em deixar-Te morar no meu coração.
Concede-me a alegria
de ver o Teu rosto nos meus irmãos.
Abençoa a minha família
e ensina-nos a falar a linguagem do Amor e do serviço.
Vem hoje Jesus, nascer no meu coração.

4.  AÇÃO
– Participação em família, na Eucaristia de Natal, agradecendo o dom da Vida que é Ele mesmo para cada um de nós e das nossas famílias;
– Trazer uma flor para oferecer ao Menino Jesus ou espalhar em volta do Presépio…

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