Novos Ventos – 22 de Dezembro

IV Domingo de Advento – Ano A

Mensagem dominical das paróquias de São Jacinto e Torreira

A liturgia da Palavra do quarto domingo de Advento está orientada para o nascimento do Senhor. A figura central deste domingo é Maria.

Na leitura do Livro Isaías, o Profeta apresenta a figura da virgem que há-de dar à luz e que tem a sua plena realização em Maria. A graça que os homens não podiam imaginar, nem sequer pedir como nos é descrito na atitude do rei Acaz que não quis pedir um sinal, Deus oferece generosamente esse sinal a Virgem Maria como porta por onde vem a salvação.

Na leitura de São Paulo aos Romanos, o apóstolo evidência que Cristo é o Messias prometido anunciado pelos profetas desde os tempos antigos. Jesus Cristo é verdadeiro homem, da linhagem de David, mas igualmente Filho de Deus, como Ele Se manifestou na ressurreição de entre os mortos.

O Evangelista São Mateus relata-nos o anúncio deste grande mistério do nascimento de Jesus que entra na história da humanidade através de Maria e de José. Na verdade, Deus serve-se de duas criaturas simples e humildes para entrar no mundo. Muitas vezes, nós ficamos perplexos e com medo diante do desígnio de Deus. Os receios de José são uma expressão dos nossos bloqueios diante de tantas coisas que devemos abraçar mas o medo paralisa-nos. Assim, vemos José que não compreende o insondável mistério que se estava a realizar por meio dele e de Maria. Diz-nos o texto que após despertar do sono José fez como o Anjo do Senhor lhe ordenara. Saibamos cada um de nós despertar para acolher este grande mistério do Amor de Deus revelado no Menino do Presépio.


“José não temas” (Mt 1, 18-24)

O seu nome é Jesus – Yeshua – ou seja, “Deus Salva”. Este nome que José deu ao Menino – um nome comum no seu tempo e na sua terra, mas que sugerido pelo ano do Senhor, pelo próprio Senhor -, está a indicar a Sua missão. “Deus salva” não é apenas um desejo, mas aquilo que Jesus é realmente, o Salvador. O Seu nome é Emanuel, “Deus connosco”. Nome que não se esgota num acto de salvação. A Sua salvação não é uma intervenção realizada de uma vez por todas, depois da qual Jesus se tenha retirado e nos tenha deixado sozinhos a levar por diante a nossa vida. Tendo vindo habitar entre nós no Natal, nunca mais nos abandona, permanece em casa connosco. O Evangelho de Mateus confirma-o: começa com o anúncio de Jesus como o “Deus connosco” e conclui-se com estas Suas palavras: “Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos” (Mt 28, 20). Depois, ao longo do Evangelho, Jesus assegura continuamente que está sempre presente, vivo e operante no meio de nós.

Quando chegou entre nós, Jesus foi acolhido por José na sua casa. Acolheu-o, mesmo sabendo que não era seu filho, pois era Filho de Deus; não era fruto do seu sangue, mas do Espírito Santo; não era, segundo a carne, descendência da estirpe de David, mas dom de Deus à sua estirpe. E Jesus, o Santo, o Altíssimo, se sentiu totalmente em casa na família de Nazaré, na nossa família humana. Nunca mais deixará a nossa casa: será, para sempre, Deus connosco, partilhando o nosso caminho de cada dia transformando, pela Sua presença, em caminho de salvação. Jesus, o Santo, o Forte, a Rocha, estabeleceu a sua morada aqui na terra, luta connosco, vence em nós, infunde esperança segura de santidade, conduz-nos para a meta.

Contudo, acolher Jesus, por vezes, causa temor. “José, não temas”, disse-lhe o anjo. José tinha receio de se ver envolvido num projeto superior às suas capacidades, demasiado grande. Eu, porquê? Ter-se-á questionado. Porque hei-de meter-me neste mistério que me ultrapassa infinitamente? É melhor que me retire discretamente, pensou. Também para nós chegam esses momentos em que somos confrontados com situações exigentes que nos ultrapassam. Situações que representam um novo chamamento, rasgando horizontes desafiantes: formar uma família, educar os filhos, assumir um novo compromisso, uma nova responsabilidade, debater-se numa prova que parece esmagar a alma… Desejaríamos recuar, renunciar à proposta de Deus: demasiado complexa, difícil, acima das nossas capacidades. O anjo abeira-se também de nós: “Não temas”, o que tens diante de ti vem de Deus, é um Seu chamamento, fruto do Seu amor. Dá o nome a essa situação: Jesus, será Ele, Salvador, a dar-te a capacidade de responderes ao novo chamamento; Emanuel, não estarás sozinho, Ele estará contigo.


Vem salvar-nos, Jesus Salvador. Dá-nos disponibilidade e docilidade para acolher cada nova proposta Tua, a coragem e a força para não voltarmos atrás diante de cada pedido Teu, a retidão do discernimento, a confiança na Tua presença constante e na Tua ajuda preciosa.
Torna-nos justos como o Teu pai, José, e, como ele, ouvintes atentos da Tua palavra.
Liberta-nos dos medos e ensina-nos a reconhecer-Te e a adorar-Te no mistério.
Emanuel, fica sempre connnosco.
(Fábio Ciardi, in “In Cerca di Perle Preziose”)                                                        


“Viver a Palavra”

«Vigiai, pois, porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor» (Mt 24,42).

 Vigilantes no amor

Estar atento às necessidades de quem está ao nosso lado: fome, ajuda material, companhia, amizade e entrar em ação amando cada um com factos. Neste mês podemos testemunhar um mundo mais fraterno com gestos concretos.

Podemos pôr em comum as coisas suplérfluas que temos.

Podem até ser poucas, mas temos sempre alguma coisa: um livro, um brinquedo, um lápis, uma mochila que já não usamos, um vestido…, algo que é supérfluo, que está a mais, mas também a algo que estejamos apegados. Depois, façamos um bom embrulho para dar a quem se encontra em necessidade.


4ª Semana do Advento – CELEBRA

1. LEITURA DO EVANGELHO – Mt 1, 18-24

2. MEDITAÇÃO
«Não temas receber Maria, tua esposa…»
José não entende o que está a acontecer.
Os acontecimentos fogem ao planeado.
A gravidez de Maria, anjos que aparecem…
E sente-se tentado a desistir; se não controla os acontecimentos,
sai de cena.
Mas o mensageiro de Deus não o deixa desistir.
Convida a superar o medo.
Quando Deus entra em cena, as coisas fogem ao nosso controlo.
Mas o medo não é a única resposta possível.
É possível acreditar, confiar em deus.
Confiar que Ele tem um plano para nós.

3. ORAÇÃO DIÁRIA
Senhor, ensina-me a confiar em Ti.
A não viver obcecado com o medo
de perder o controlo da minha vida.
Ensina-me a viver sereno e tranquilo,
sabendo que Tu estás sempre ao meu lado
e amparas-me nos bons e maus momentos.

4. AÇÃO
Rezar por todos aqueles que não se lembram que Jesus vai nascer.
– Preparar um presente para oferecer a uma criança que não tenha ou que mais precise.
– Formular uma oração/mensagem de Natal para partilhar com aqueles que vivem sós, ou não têm família
– Trazer para a Eucaristia a imagem do Menino Jesus para ser benzida.

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