Novos Ventos – 15 de Dezembro

III Domingo de Advento – Ano A

Mensagem dominical das paróquias de São Jacinto e Torreira

A liturgia da Palavra deste terceiro domingo de Advento prepara-nos para esta expetativa da Vinda do Senhor. Aproximamo-nos do Natal e a proposta das leituras é que «Deus vem salvar-nos».

Na primeira leitura do Livro Isaías, o descreve o regresso do Povo de Israel do exílio da Babilónia um período muito difícil para o povo e de grande sofrimento. O profeta anuncia uma nova época o regresso não somente à sua pátria, mas de modo particular a permanecer unidos na fé e descreve a atitude espiritual desses momentos que devem ser vividos numa explosão de alegria. «Aí está o vosso Deus, vem para fazer justiça e dar a recompensa. Ele próprio vem salvar-vos».

Na segunda leitura de São Tiago, o apóstolo encoraja a comunidade a esperar com paciência, porque a vinda do Senhor está próxima. Na verdade, importante estar atento porque muitas vezes desperdiçamos esse encontro com Cristo no irmão.

O Evangelista São Mateus relata-nos o episódio em que João Baptista está na prisão e ouvindo falar do que Jesus realizava enviou os seus discípulos a perguntar a Jesus: «És Tu Aquele que há-de vir, ou devemos esperar outro?». Esta interpelação faz com que os discípulos de João façam a descoberta de Jesus Cristo por si mesmos. No diálogo que Jesus estabelece com eles interpela a fazer a descoberta de João Baptista: «Que fostes ver ao deserto?». Saibamos nós também fazer a descoberta de Jesus Cristo, interpelados pelo anúncio dos Profetas.


“És Tu Aquele que há-de vir, ou devemos esperar outro?”

João Batista, o maior entre todos os homens! Viveu por Jesus, desejou-O, esperou-O e, por fim, reconheceu-O. Proclamou-O como “Cordeiro de Deus”, porque compreendeu que Jesus haveria de carregar sobre Si os nossos pecados e os do mundo inteiro. Indicou-O, encaminhou para Ele os seus discípulos, retirou-se para dar o lugar a Jesus.

João que fascinava as multidões, para quem todos acorriam gente simples, estudiosos, soldados –, está agora solitário, em silêncio, numa obscura masmorra subterrânea, prisioneiro no Herodium, palácio-fortaleza que o rei Herodes, o Grande, mandou construir nos confins do deserto da Judeia. Ele sabe que Jesus tomou o seu lugar. Agora as pessoas vão ter com Jesus, como antes iam ter com João. Foi isso que ele sempre desejou. Mas o comportamento de Jesus era tão diferente daquilo que ele tinha imaginado! Tinha pensado que Jesus chegaria como Juiz severo, para separar o trigo da palha, para queimar os pecadores como se queima a palha.

Entretanto, Jesus tem um modo de se comportar muito diferente de João. João vivia no deserto, com grande austeridade. Jesus convive com os pobres, as prostitutas, os pecadores e publicanos; come à mesa com eles, vai às suas bodas de casamento, chamam-no “glutão e ébrio”. Manso e humilde de coração, Jesus não apaga a torcida que ainda fumega nem quebra a cana já fendida. Vai ao encontro de todos, porque não veio para condenar, mas para salvar o que estava perdido. Surge, por isso, uma dúvida em João Batista: “És Tu Aquele que há-de vir, ou devemos esperar outro?”. É a sua noite escura.

Cada um de nós – de acordo com o que nos ensinaram ou com a nossa experiência de vida – imagina Jesus de um certo modo; tem uma ideia formada sobre Ele e espera que Ele se comporte dessa determinada maneira. Jesus, pelo contrário, é sempre imprevisível e, mais cedo ou mais tarde, se nos apresenta com modalidades inesperadas. Quantas vezes, por exemplo, ouvimos dizer ou temos vontade de dizer também nós: “Se eu fosse Deus faria assim, diria assim…”. Queremos que se comporte de acordo com o nosso modo de ver, devia apresentar-se na nossa vida da forma que nos parece melhor… Queríamos que Ele fosse diferente, segundo os nossos gostos. Como é difícil reconhecer Jesus quando Ele chega da maneira que nós não esperamos: “És mesmo Tu? Ou devemos esperar outro? Ou devemos procurar noutro lado?”.Jesus repete também para nós: “Feliz aquele que não encontra em mim ocasião de escândalo!”. Feliz quem sabe acolher Jesus tal como Ele é, como se apresenta, também nas provas da vida, nas dores, nas contrariedades. Feliz quem reconhece Jesus nos misteriosos desígnios do Seu amor infinito, mesmo quando nos parecem absurdos, incompreensíveis. Estas são as verdadeiras “crianças” do reino dos céus.


Ensina-me a reconhecer os sinais do Teu amor, a confiar no Teu modo de ser também quando parece absurdo, a acolher-Te tal como Te apresentas.
Torna-me sinal do Teu amor para os que duvidam de Ti, não sentem a Tua presença, não compreendem o Teu modo de agir.
Que o Evangelho, a boa e extraordinária notícia do Teu amor, seja anunciado a todos,
aos pobres e aos desiludidos, aos sós e descartados e seja sinal da Tua presença,
da Tua proximidade, da Tua salvação.
 (Fábio Ciardi, in “In Cerca di Perle Preziose”)                                                         


“Viver a Palavra”

«Vigiai, pois, porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor» (Mt 24,42).

Quando se ama alguém, o coração vigia sempre, espera por ela, e a cada minuto que passa sem ela é em função dela. Age assim quem ama Jesus. Faz tudo em função d’Ele, encontra-O nas simples manifestações da Sua vontade em cada momento presente, e encontra-lo-á solenemente no dia em que Ele há-de chegar.

Há alguns dia foi expontâneo dirigir a Deus esta oração. Gostaria de a recordar aqui: «Jesus, faz-me falar sempre como se fosse a última palavra que digo. Faz-me agir sempre como se fosse a última ação que faço. Faz-me sofrer sempre como se fosse o último sofrimento que tenho para te oferecer. Faz-me rezar sempre como se fosse a última possibilidade, que eu tenho na terra, para falar conTigo”.


3ª Semana do Advento – ANUNCIA

1. LEITURA DO EVANGELHO – Mt 11, 2-11

2. MEDITAÇÃO
«Ide contar a João o que vedes e ouvis: “Os cegos vêem,
os coxos andam… a Boa Nova é anunciada aos pobres…”.»
A nossa fé não nasce no vazio. Há sinais, pequenos e grandes,
que nos sugerem a presença de um Deus terno, próximo de nós.
Para crescer na fé tens de procurar os sinais. E o maior é o Amor. A coragem daqueles que amam sempre,
mesmo nesta cultura de violência e indiferença.
Os gestos de perdão, de amor gratuito,
que só se explicam pela presença de Deus na vida das pessoas.
A capacidade de servir os outros sem esperar recompensa.
O empenho por transformar uma sociedade injusta
numa casa acolhedora para todos.

3. ORAÇÃO DIÁRIA
Eu quero louvar-Te, Senhor,
pelos sinais de bondade
que pusestes no meu caminho.
Eles ajudam-me a perceber
a imensidão do Amor que me tens.
Eles convencem-me que a minha vida tem valor
e mostram-me que não estou sozinho,
diante das minhas dificuldades.

4. AÇÃO
– Preparar uma mensagem de Natal e trazer na próxima semana para a eucaristia, para no dia de Natal levar para as nossas famílias.
– Viver o sacramento da Reconciliação (do 4.º ao 6.º ano) ou participar numa Celebração do Perdão (do 1.º ao 3.º ano).
– Agradecer a Deus o dom da nossa vida e família.
– Telefonar para alguém da família que esteja só.

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