Novos Ventos – 24 de Novembro

XXXIV Domingo do Tempo Comum – Ano C

Mensagem dominical das paróquias de São Jacinto e Torreira

A liturgia da Palavra deste último domingo do Tempo Comum reflete sobre a dimensão Real de Jesus Cristo Rei do Universo.

Na primeira leitura do Livro de Samuel, o autor sagrado faz alusão à unção de David como rei de Israel. De facto, David fez a união de todas as tribos do povo do Antigo Testamento, e recebeu a promessa de que da sua descendência nasceria o Messias, o enviado de Deus. O rei David, antepassado de Jesus, é a figura de Cristo.

Na segunda leitura de São Paulo aos Colossenses, é nos apresentado um hino Cristológico o qual Paulo procurou transmitir às comunidades primitivas, de modo que o povo de Deus o soubesse contemplar: «Cristo é o “Primogénito de toda a criatura” e o “Primogénito de entre os mortos”, “Cabeça da Igreja, que é o seu corpo”, vértice e plenitude de todo o Universo.

O Evangelho e São Lucas coloca em evidência a realeza de Jesus Cristo, ao transcrever a passagem do ladrão arrependido. Na verdade, muitos daqueles que tinham acompanhado Jesus bem de perto esperavam que Jesus pudesse restaurar o reino de Israel um reino dividido muitas vezes pelos interesses políticos da época e que causavam divisões e guerras entre os povos. Contudo, Jesus apresenta-se como um Rei bem diferente não de uma nação concreta mas Rei do Universo. Diante do pedido que o ladrão arrependido faz a Jesus: «Jesus lembra-Te de Mim, quando vieres com a tua realeza». Jesus respondeu-lhe: «Em verdade te digo: Hoje estarás comigo no Paraíso».


“Não vos alarmeis!”

Por três vezes, neste breve trecho do Evangelho, Jesus é ridicularizado e convidado a salvar-se a Si mesmo. Não Ele é um Rei? O motivo da Sua condenação não é esse? Não está até escrito sobre a cruz? Se Ele é um rei, como pode ter chegado àquele estado? Onde está o Seu poder? Se Ele é rei, pode pedir ajuda, pode salvar-se. É isso que lhe dizem os chefes do povo, que repete um soldado e um dos condenados.Assim todos ficam a saber que Ele é rei: Pilatos, Herodes, as legiões romanas, a multidão… Mas consideram-no um iludido, um louco, um rei burlesco.
E, pelo contrário, é um verdadeiro rei, mesmo se não o é segundo os nossos modelos. Os reis dão ordens e fazem-se servir, Jesus veio para servir. Os reis ocupam sempre os primeiros lugares, Ele escolheu o último. Os reis têm poder (são prepotentes?), Jesus é mando e humilde de coração. Os reis têm segurança pessoal e exército para se defenderem; Ele está só, indefeso e deixa que lhe tirem vida.
Melhor dizendo, não é que Ele deixe que lhe tirem a vida, como parece aos que estão ali à volta dele. Jesus dá a vida pelo seu povo, voluntária e livremente. Esta é a grande diferença e o segredo da Sua realeza. “Salva-te a Ti mesmo?”. Não, Jesus renuncia a salvar-se a Si mesmo, para salvar o seu povo. Como bom pastor dá a vida pelo seu rebanho. Ele morre em vez de nós. Para Ele escolhe a morte, para nós a vida. Para Ele a ignominia, para nós a glória. Ele desce do trono para nos elevar a nós. Ele torna-se servo, para nos tornar reis. Se Jesus nos torna reis… deveremos agir como Ele: dar a vida uns pelos outros, como Ele a dá…Tudo isto já Ele tinha anunciado em todo o Evangelho, mas agora atualiza-o plenamente. A Sua realeza consiste em amar, e não há amor maior do que dar a vida pelos amigos. Jesus dá a Sua vida por cada um de nós, a quem não considera “súbditos”, mas “amigos”. Haverá mais algum rei cujos súbditos (aqueles que estão abaixo dele) não o sejam porque são todos seus amigos? Ali, sobre a cruz, levantado entre o céu e a terra, Jesus atrai-nos todos para Si e faz nascer um povo novo, que introduz no Seu reino. O primeiro que lá entrou foi um assassino, um condenado à morte. Mas soube dirigir a Jesus as palavras certas. Não Lhe disse como os outros: “Salva-te a Ti mesmo”, mas “Salva-me, recorda-Te de mim”. É o único que reconhece a realeza de Jesus. De facto, a um rei pede-se clemência, e um condenado à morte pede para que lhe seja concedida graça (amnistia).É isso que também eu faço hoje: sou um “des-graçado”, um pecador digno da condenação. “Quanto a nós, fez-se justiça” (é justa a nossa condenação), repito com o bom ladrão. Por isso, me encontro na condição de pedir a graça. Faço-o porque reconheço que Jesus é o meu rei, omnipotente e cheio de amor. A Ele me entrego com confiança e esperança.
“Hoje”, disse Jesus ao malfeitor. “Hoje”, repete-o também a todos nós: Ele não começa a reinar na outra vida, mas já desde agora, a partir de “hoje”.


Viver a Palavra

«Para amar como Jesus nos amou, é preciso «FAZER-SE UM» com cada irmão: entrar o mais profundamente possível no espírito do outro; compreender realmente os seus problemas e as suas exigências; partilhar os seus sofrimentos e as suas alegrias; dedicar-se a cada irmão; tornar-se, de certa maneira, o outro, ser o outro»1 . Fazer-se um em tudo, excepto no pecado, no mal, nesse não!
Diz-se que a copa de uma árvore corresponde, em muitos casos, ao diâmetro das suas raízes.
Assim acontecerá connosco: se fizermos com que a nossa relação com Deus cresça em profundidade todos os dias, crescerá também em nós o desejo de partilhar a alegria e levar os pesos daqueles que estão ao nosso redor (PV. Nov)


 Hoje, acolhe-me também a mim no Teu reino,Senhor Jesus,
para que a minha vida seja, um pouco, antecipação do céu.
Acolhe, hoje, no Teu reino cada homem, cada mulher,
para que a terra seja, um pouco, antecipação do céu.
Impregna o poder, aqui entre nós,
com o Teu estilo de serviço e dedicação,
para que a terra seja, um pouco, antecipação do céu.
E chegue depressa, para todos, o dia em que
nos acolherás no Teu Paraíso
e estaremos Contigo, sempre.
(Fabio Ciardi, in “Dovè Il Tu Tesoro…”)


“Vigília Imaculada Conceição”

Como tem sido habitual a Pastoral Juvenil do nosso arciprestado de Estarreja/Murtosa ao longo destes últimos anos tem proposto aos jovens do concelho a viver um momento de Oração e convívio na véspera da Imaculada Conceição.
Este momento será dinamizado pela Pastoral Juvenil do nosso arciprestado. O espaço onde se irá realizar a vigília é na Igreja do Monte, dia 7 de dezembro pelas 21:00. Depois do momento de oração haverá espaço para convívio e confraternização entre os jovens de cada uma das paróquias.
Vem e traz um amigo !!!


Carta Pastoral «Cada Família, uma história de amor».

  • 4. Perspetivas e desafios ao encontro da realidade matrimonial

A caridade fraterna não pode ser esquecida. «Acima de tudo, mantende entre vós uma intensa caridade, porque o amor cobre a multidão de pecados» (1Ped 4,8); «redime o teu pecado pela justiça; e as tuas iniquidades, pela piedade para com os infelizes» (Dn 4,24). Esta é a lógica que deve prevalecer na Igreja, para fazer a experiência de abrir o coração àqueles que vivem nas mais variadas periferias existenciais. Tudo isto implica construir comunidades paroquiais vivas, capazes de acolher os novos esposos e ajudar a inseri-los nas comunidades, oferecendo-lhes espaços de formação e de reflexão; organizar equipas de apoio para desencadear um processo pedagógico de aproximação ou manutenção dos novos casais com a comunidade eclesial, auxiliando-os nos momentos difíceis e nas dificuldades dos primeiros anos da vida matrimonial… ajudar todos os casais a serem Igreja na sua conjugalidade. Um estilo de vida cristã encontra o seu estímulo, apoio e consistência no exemplo dos pais, que se torna para os nubentes um verdadeiro testemunho. Para iluminar este caminho, seria bom animar as famílias a crescerem na fé, estimulá-las para a leitura da Palavra de Deus, convidá-las a criar espaços semanais de oração familiar, porque «a família que reza unida permanece unida»; estimulá-las a participar na Eucaristia, que é força e estímulo para viver cada dia a aliança matrimonial como «igreja doméstica; encorajá-las a vencer a rotina com a festa, a não perder a capacidade de celebrar em família, a alegrar-se e festejar as experiências belas.

É verdade que, em alguns ambientes, se produziu uma desertificação espiritual, fruto do projeto de sociedades que querem construir sem Deus ou que destroem as raízes cristãs. E a própria família pode ser também ambiente árido, onde há que conservar a fé e procurar irradiá-la. Mas os desafios existem para ser superados. Há que seguir em frente, sem perder a alegria, a audácia e a dedicação cheia de esperança. «E é isto o que eu peço, que o vosso amor cresça cada vez mais em conhecimento e sensibilidade, a fim de poderdes discernir o que mais convém» (Fl 1,9-10).

A preparação para o matrimónio, para a vida conjugal e familiar, poderá ser a resposta para muitos problemas sociais e eclesiais. O que parece humanamente impossível, torna-se possível com a força de Deus. A todos convido a vivermos e testemunharmos melhor aquilo que nos compete ser e testemunhar.

(D. António Manuel Moiteiro Ramos)

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *