Novos Ventos – 10 de Novembro

XXXII Domingo do Tempo Comum – Ano C

Mensagem dominical das paróquias de São Jacinto e Torreira

A liturgia da Palavra deste domingo põe em evidência a realidade escatológica, isto é, a vida para além da morte a “VIDA ETERNA”. «O Senhor não é um Deus de mortos, mas de vivos».

Na primeira leitura do livro dos Macabeus nos é relatado o episódio dos sete irmãos Macabeus que animados pela fé na «ressurreição dos mortos» desobedecem ao rei da Síria comer a carne imolada aos ídolos. O último irmão quando estava a para morrer, falou assim: «vale a pena morrermos às mãos dos homens, quando temos a esperança em Deus de que Ele nos ressuscitará;…».

Na segunda leitura de São Paulo aos Tessalonicenses, o Apóstolo exorta a comunidade de Tessalónica a permanecer firmes no Senhor em toda a espécie de boas obras e palavras.

O Evangelho e São Lucas relata-nos um episódio sobre o grande tema que interpela a humanidade de todos os tempos sobre o sentido da morte. O evangelista Lucas põe em evidência este grupo de saduceus que negam a ressurreição, e colocam em questão um episódio de uma mulher que casou sete vezes por fim também tendo falecido a mulher de qual deles era esposa na ressurreição. Com a resposta dada aos Saduceus Jesus faz-nos perceber que a realidade que nos transcende é bem diferente «nem se casam, nem são dados em casamento, pois são como Anjos, e, porque nasceram da ressurreição, são filhos de Deus».


“Procurava ver Jesus [descobrir Jesus no irmão”

Escutando Jesus neste trecho do evangelho vem-nos à mente a imagem da bolota. Se a enterrarmos agora, na primavera não germina uma bolota, mas um fio de erva que rapidamente se tornará carvalho, muito diferente da bolota, mas dela nascido.

O mesmo acontece com o nosso corpo, com a morte, semeado na terra. Deposto na terra, ressurgirá diferente daquele que tinha sido “semeado”, mesmo se será o mesmo.

Se à bolota – depois de ter sido colocada na terra – fosse possível ver o resultado, ficaria surpreendida, encantada diante da majestade do carvalho, encher-se-ia de orgulho. O mesmo acontecerá connosco, ao vermo-nos ressuscitados no paraíso.

Lá ninguém se casará nem será dado em casamento, porque a finalidade do matrimónio já foi atingida e se possui na sua dimensão mais profunda. Estaremos no amor, sem necessidade de meios para o atingir, e será a plenitude do amor, como nunca o conseguiremos atingir sobre a terra. Teremos a vida em abundância na sua definitiva plenitude, sem necessidade de recorrer à geração para a continuar no tempo. Seremos íntimos uns aos outros em total transparência e cada um mergulhará o seu próprio ser Palavra de Deus, o seu ser verdadeiro, na Palavra do outro, até a tornar sua, até se tornar o outro e o outro fará no mesmo na reciprocidade do dom e do acolhimento.

Seremos como os anjos do céu, compenetrados de luz, da luz de Jesus, filhos e filhas com Ele, unidos à volta do Pai, envolvidos no abraço do Espírito, tornados nova verdadeira família. Superemos a mesquinhez, como a daqueles saduceus, que imaginam (e por isso rejeitam) um paraíso à medida deste mundo, onde projetar as nossas exigências mesmo as mais nobres. A vida do paraíso não será um prolongamento desta nossa vida, mas ressurreição! Não será ressurreição como a de Lázaro, da filha de Jairo, do filho da viúva de Naim, que depois voltaram a morrer, mas a ressurreição de Jesus, uma vida nova sem fim: a vida do Deus da vida.

O Deus de Abraão, o Deus de Isaac, o Deus de Jacob, o Deus dos nossos pais, será o nosso Deus, a nossa vida, como nunca a teremos experimentado sobre esta terra.

Nós Te agradecemos, Senhor,
por teres voltado para o Pai,
para nos preparares um lugar.
Mantém vivo em nós,
e acrescenta,
o desejo do Céu,
de irmos ocupar o lugar,
infinitamente mais belo
do que a fantasia possa imaginar
ou o coração esperar.
Ensina-nos a viver aqui
com o olhar fixo Ali
para vivermos já desde agora
as novidades de vida, antecipação de Céu,
que o teu Espírito
como garantia
semeou nos nossos corações.

 (Fabio Ciardi, in “Dovè Il Tu Tesoro…”)


Semana de Oração pelos Seminários                                            

Estamos a celebrar a semana de Oração pelos Seminários que concluirá no dia 17 de Novembro, onde dou graças a Deus pelo VI aniversário de ordenação sacerdotal.

Oração

Senhor Jesus Cristo, fonte de vida nova, Tu que não olhas ao que somos
Mas ao que poderemos chegar a ser, abre caminhos de construção do Reino, ajudando-nos a ser mansos e humildes de coração.
Tu que vives e revelas o imenso amor do Pai, nós te pedimos que continues a despertar o coração dos jovens para que aceitem o desafio de Te seguir, caminhando em liberdade, sem medos e resistências, e, animados pelo Espírito Santo, se façam ao largo e lancem as redes para a pesca.
Por intercessão da Virgem Maria e de São José, nós Vos pedimos pelos Seminários, pelos seminaristas e por todos os jovens a quem chamas e envias.
Fazei que neles brotem sinais de esperança, sementes de entrega e verdadeiro serviço.
Concede-nos, pela graça do baptismo,
O dom da escuta da Tua voz
E da resposta generosa,
Colaborando na edificação do Reino de Deus.
Ámen.


Carta Pastoral «Cada Família, uma história de amor».

  • 4. Perspetivas e desafios ao encontro da realidade matrimonial

Temos vindo a assistir a uma nova geração em que os vínculos familiares não são sólidos; vive-se imersos em tensões; diminuiu o tempo de contacto dos pais com os filhos; ausência de envolvimento dos pais na educação e transmissão da fé; estruturas familiares de convivência cada vez mais instáveis… perde-se o sentido profundo do amor esponsal e da família.

A complexa realidade social e os desafios que a família é chamada a enfrentar atualmente exigem um empenhamento maior de toda a comunidade cristã na preparação dos noivos e na vida em casal. Mas «aqueles que se casam são, para as comunidades cristãs, um recurso precioso, porque, esforçando-se sinceramente por crescer no amor e no dom recíproco, podem contribuir para renovar o próprio tecido de todo o corpo eclesial: a forma particular de amizade que vivem pode tornar-se contagiosa, fazendo crescer na amizade e na fraternidade a comunidade cristã de que fazem parte» (AL 207).

É fundamental procurar que os noivos descubram a importância duma séria preparação para o casamento. A preparação para o matrimónio é mais do que a preparação do dia do matrimónio, é a preparação para a vida de casados. A este propósito, afirma o Papa francisco: «É necessário prepara-se para o matrimónio, e isso requer educar-se a si mesmo, desenvolver as melhores virtudes, sobretudo o amor, a paciência, a capacidade de diálogo e de serviço» (CV 265). Este período de preparação tem de começar a assumir traços de um verdadeiro itinerário de identificação, de redescoberta da fé e de inserção na comunidade eclesial. A formação deverá conseguir uma mentalidade e uma personalidade capazes de não se deixar arrastar pelas conceções contrárias à unidade e à estabilidade do matrimónio. Um desafio é ajudar a descobrir que o matrimónio não se pode entender como algo acabado. O casamento não acontece no dia da cerimónia, necessita ser construído diariamente por ambos. Esta preparação em três etapas: remota, próxima e imediata, deverá levar a descobrir as potencialidades e exigências de crescimento humano e cristão da sua existência e garantir que os noivos cristãos tenham ideias exatas, e um sincero «sentire cum ecclesia», sobre o próprio matrimónio, sobre os papéis mútuos da mulher e do homem no casal, na família e na sociedade, sobre a sexualidade e a abertura aos outros. A publicação, pela Diocese, do documento Catecumenado Matrimonial, deve ser um texto de estudo na pastoral familiar diocesana.
(D. António Manuel Moiteiro Ramos)

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