XXXI Domingo do Tempo Comum – Ano C
Mensagem dominical das paróquias de São Jacinto e Torreira
A liturgia da Palavra deste domingo põe em evidência a misericórdia e o amor de Deus pela humanidade.
Na primeira leitura do livro da Sabedoria nos é relatado atitude de Deus para com a humanidade decaída no pecado e que Deus se compadece usa de misericórdia: «De todos Vos compadeceis, porque sois omnipotente, e não olhais para os seus pecados, para que se arrependam».
Na segunda leitura de São Paulo aos Tessalonicenses, o Apóstolo procura corrigir certos rumores sobre a vinda do Senhor, que alguns começavam a entender mal. No entanto, Paulo demonstra que a atitude verdadeiramente cristã deve ser viver no quotidiano o evangelho e amar concretamente o irmão.
O Evangelho e São Lucas relata-nos a história de Zaqueu que era cobrador de impostos, uma profissão que não era muito bem vista pelas personalidades importantes da época. No entanto, Zaqueu ouvindo falar de Jesus e ao saber que Jesus atravessava a cidade de Jericó, Zaqueu subiu a uma árvore para ver Jesus. Este homem muitas vezes apontado pela profissão que exercia faz o que as multidões são incapazes de fazer a experiência do encontro. Um encontro pessoal que não se resume apenas à fisionomia de Jesus, mas é bem mais profundo ao ponto de transformar a sua vida. «Senhor, vou dar aos pobres metade dos meus bens e se causei prejuízo a alguém, restituirei quatro vezes mais». Este encontro de Zaqueu com Jesus faz com-[verter] o coração de Zaqueu, sendo capaz de olhar o amor ao próximo.
“Procurava ver Jesus [descobrir Jesus no irmão]”
Nesta passagem do Evangelho, quem nos causa mais admiração, Zaqueu ou Jesus? (A costumeira multidão de “corta-casacas” nem sequer a tomamos em consideração porque não queremos ser assim tão rudes e presunçosos).
Simpatizamos imediatamente com aquele homenzinho de pequena estatura, esperto, sempre ativo, empreendedor, determinado, livre dos condicionalismos sociais, do que pensam e dizem os outros. É guiado por um único desejo: ver Jesus. É conduzido pela inquietação, pelo desconforto interior. Tem dinheiro, mas sente-se vazio; o vil metal não é suficiente para lhe preencher o coração, pelo contrário, deixa-o na aridez. Vive insatisfeito, mas não resignado. E vemo-lo subir àquela árvore. Será por mera curiosidade ou por uma secreta procura de felicidade, pelo desejo sincero de um encontro que lhe mude a vida? Seja como for, a sua iniciativa resulta: encontra a alegria, a força da conversão, da generosidade da doação, a salvação. Não se fecha sobre os seus erros: é livre porque foi libertado.
Quantos poderiam encontrar a felicidade e a plenitude da vida se se colocassem à procura do rosto de Jesus, se se acendesse nos seus corações o desejo do Senhor, se fossem capazes de superar os condicionalismos sociais, se vencessem os preconceitos e os lugares comuns sobre Jesus, sobre a Igreja e se tivessem a coragem de O olhar nos olhos, de se deixarem interpelar pelo Seu evangelho…! Zaqueu é um modelo também para nós. De facto, a procura de Jesus pode esmorecer, na ilusão de já O termos encontrado, de já O conhecermos; Ele que é sempre novo, imprevisível, inatingível. A habituação à Sua presença (quer dizer que já não nos encontramos na Sua presença. Como cairíamos na rotina se vivêssemos verdadeiramente d’Ele?) pode ofuscar a alegria, distanciar-nos d’Ele, impedir a mudança de vida e imobilizar-nos, deixar-nos em “hibernação”. Acima de tudo, a nossa simpatia vai para Jesus: que sabe suscitar a insatisfação e o desejo de O procurar; que toma a iniciativa de procurar quem se encontra perdido; que com o Seu olhar encontra a ovelha perdida e não a incrimina; que acolhe o filho pródigo sem lhe atirar à cara o mal cometido e sem lhe exigir que restituía a herança perdida; que honra o pecador hospedando-se em sua casa. Talvez não saibamos suscitar a salvação à nossa volta porque temos sempre tantas coisas para dar e para ensinar aos outros: somos ricos. Jesus, pelo contrário, pediu a Zaqueu, tornou-se necessitado do seu acolhimento: Jesus era pobre. Assim permitiu a Zaqueu a possibilidade de dar e de no seu coração acontecer uma explosão de generosidade e de alegria.

Jesus,
suscita em nós e em muitos
o desejo de Te ver de Te encontrar,
a procura sincera do Teu rosto.
E Tu procura-nos sempre,
mesmo quando nos vês indiferentes,
esquecidos de Ti.
Vem ao nosso encontro, à nossa casa,
traz-nos a Tua salvação
e fica connosco.
Somos nós os pecadores, perdidos,
que vieste procurar.
(Fabio Ciardi, in “Dovè Il Tu Tesoro…”)
Beata Chiara “Luce” Badano: A Santidade de hoje!!!

Chiara “Luce” Badano nasceu em Savona, Itália, em 1971. Era generosa, extrovertida e solidária. Perto de completar 17 anos foi diagnosticada com câncer nos ossos. Suportou a enfermidade com alegria e oferecendo suas dores a Deus.
Morreu em 1990, aos 19 anos de idade. Foi beatificada no dia 25 de setembro de 2010 pelo Papa Bento XVI. Possuía olhos límpidos e grandes, um sorriso, para alguns, doce, comunicativo, inteligente e determinado. Era alegre e esportiva, foi educada pela mãe, com as parábolas do Evangelho e, para alguns, aprendeu a conversar com Jesus e a lhe dizer “sempre sim”.Era uma “esportista por excelência”, gostava de patinar, das montanhas e do mar, lembra sua mãe. “Era uma menina cheia de vida: gostava de rir, cantar e dançar. Era uma jovem maravilhosa”, complementa.
Foi uma menina muito normal, mas com algo mais. Era extremamente dócil à graça e aos projetos que Deus tinha para ela e que aos poucos foram se revelando. No dia em que fez a sua primeira Comunhão recebeu um presente muito especial, o livro dos Evangelhos. Foi para ela um “magnífico livro” e “uma extraordinária mensagem”; como havia afirmado: “Para mim, é fácil aprender o alfabeto, deve ser a mesma coisa viver o Evangelho!“.
Carta Pastoral «Cada Família, uma história de amor».
- 3. Encontrar sentido para a crise matrimonial
Quando se fala da crise matrimonial, da família, entende-se que a família é constantemente tentada a não ser aquilo que é. Não se vive juntos para ser cada vez menos feliz, mas para aprender a ser feliz de maneira nova, a partir das possibilidades que abre uma nova etapa. Amar uma pessoa é esperar dela algo indefinível e imprevisível; e é, ao mesmo tempo, proporcionar-lhe de alguma forma os meios para corresponder e satisfazer tal expectativa.
Por natureza, o matrimónio está ordenado para o bem dos esposos, procriação e educação dos filhos, mas, por vezes, estes laços enfraquecem ou quebram-se. Entre os pressupostos que enfraquecem e não dignificam a família tal como Deus a projetou, olhando a realidade circundante, constatamos um aumento de separações/divórcios, e cujos cônjuges contraem nova união, uniões de facto, católicos unidos apenas em casamento civil – modelos de famílias com que nos deparamos e que nos devem levar a pensar e repensar a realidade e formas de atuar, nomeadamente quando há vínculos que ainda os ligam à suposta alegria de ser família em Igreja: pedido dos sacramentos, envio dos filhos à catequese…
Há crises e dificuldades na vida matrimonial, mas isso não deve ser motivo de tristeza. «Cada crise esconde uma boa notícia, que é preciso saber escutar, afinando os ouvidos do coração» (AL 232). Diz o Papa Francisco, na exortação apostólica Amoris Laetitia, «Cada matrimónio é uma «história de salvação», o que supõe partir duma fragilidade que, graças ao dom de Deus e a uma resposta criativa e generosa, pouco a pouco vai dando lugar a uma realidade cada vez mais sólida e preciosa. Talvez a maior missão dum homem e duma mulher no amor seja esta: a de se tornarem, um ao outro, mais homem e mais mulher» (AL 221).
É preciso olhar para a família com o mesmo olhar de Cristo, aquele olhar para os noivos na boda de Caná, para a Samaritana, para a mulher adúltera ou para Nicodemos – um olhar novo.
O documento publicado na nossa Diocese de Aveiro «Acompanhar, Discernir e Integrar», de 26-11-2017, deve ser dado a conhecer a todos os casais que vivem a fragilidade do seu casamento e desejam encontrar o seu lugar na vida da comunidade cristã.
(D. António Manuel Moiteiro Ramos)