Novos Ventos – 20 de Outubro

XXIX Domingo do Tempo Comum – Ano C

Mensagem dominical das paróquias de São Jacinto e Torreira

A liturgia da Palavra deste domingo põe em evidência a importância da oração e orar sempre sem desanimar. Quantas vezes, com diante das dificuldades ou dos sofrimentos que nos surgem facilmente deixamos de lado a oração. Hoje a liturgia deixa-nos este apelo a rezar sempre sem desanimar.

Na primeira leitura do livro do Êxodo nos é relatado a experiência de Moisés na batalha contra Amalec. Quando Moisés tinha as mãos levantadas o Povo de Israel ganhava vantagem. O convite a permanecer sempre com as mãos erguidas para o Senhor, muitas vezes o cansaço e as angústias levam-nos a baixar os braços. Erguer as mãos para Deus faz-nos ganhar vantagem.

Na segunda leitura de São Paulo a Timóteo, o Apóstolo procura incutir ao seu amigo Timóteo o amor à Palavra de Deus, contida na Sagrada Escritura: «Permanece firme no que aprendeste e aceitaste…Desde a infância conheces as Sagradas Escrituras; elas podem dar-te a sabedoria que leva à Salvação».

O Evangelho e São Lucas relata-nos a experiência da viúva que constantemente súplica ao Juiz que fizesse justiça contra os seus adversários. A persistência desta viúva é louvada por Jesus, para nos mostrar que assim deve ser a nossa oração diante de Deus «pedir sempre sem desanimar».


“Orar sempre sem desanimar…”

Rezar sempre. Como é possível? Nem sequer os monges estão sempre a rezar, têm também outras tarefas para realizar. Nós somos pessoas comuns. A vida quotidiana exige uma inserção ativa: no trabalho, na família, nos compromissos diários. Mesmo procurando evitar cair no frenesim da sociedade, temos muitos afazeres desde manhã até à noite.

Alguns momentos para a oração somos capazes de os encontrar, mas será possível rezar sempre? Rezar sempre não significa desfiar uma oração atrás da outra. A oração é uma atitude do coração, uma orientação da alma: saber que Jesus está sempre presente, viver com Ele, d’Ele e por Ele. Então, entregamos-Lhe cada novo dia, dizendo: “Será tudo por Ti, só por Ti”. Depois, com o passar das horas, se fizermos cada coisa de acordo com a Sua vontade, fazendo tudo por amor, cada momento assim vivido torna-se oração.

Rezar sempre significa: querer o que Jesus quer e, deste modo, deixar que Ele viva em nós; fazer tudo por amor, sendo o amor. Rezar é amar. Mas esta expressão, “sem desanimar”, significa pedir com insistência ou com confiança? Se a oração é uma relação de amizade, então podemos falar de tudo com Jesus, confiar-Lhe as alegrias e preocupações, os projetos, colocar no Seu coração tudo o que trazemos no nosso. E também Ele nos fala e nos faz compreender que aquilo que Lhe estamos a pedir talvez não seja o melhor para nós… E assim a nossa oração muda, como mudou a de Jesus no Jardim das Oliveiras… Então, como Jesus, retomamos a nossa oração e não nos cansamos de pedir, com amizade, intensidade e confiança, que se faça a Sua vontade, assim na terra como nos céus.

Pai Bondoso,
Tu que escutas sempre
Aqueles que Te falam
com o coração sincero,
Conduz-nos ao encontro filial
e confiante Contigo
De tal modo que Te confiemos
todos os nossos desejos
E te peçamos tudo aquilo
que está no Teu coração.
Guia-nos para que se realizem
os Teus desígnios de Amor
Sobre cada um de nós
e sobre todas as criaturas.
Faz com que acolhendo com alegria
Os Teus desígnios toda a nossa vida decorra
Sobre o Teu olhar de Pai!
 (Fabio Ciardi, in “Dovè Il Tu Tesoro…”)


Sínodo para a Amazónia

Este Sínodo especial decorre até dia 27. Participam bispos católicos da região, representantes indígenas, convidados e especialistas. D. Roque Paloschi, bispo de Porto Velho, referiu que “a inculturação não é feita com proselitismo” e destacou que os povos indígenas sofreram discriminação quanto às terras tradicionais. “A inculturação não é feita com proselitismo, mas com testemunho. Não se trata de impor uma cultura do alto, de cancelar a cultura dos outros. Nenhuma cultura é perfeita”. É necessário preservar as sementes em todas as culturas e a proclamação do Evangelho é um anúncio, “nova vida” e todos precisam de tornar-se uma nova pessoa no encontro com Cristo.


Carta Pastoral «Cada Família, uma história de amor».

Aprender a amar alguém não é algo que se improvisa, nem pode ser o objetivo dum breve curso antes da celebração do matrimónio. É preciso ajudar os jovens a descobrir o valor e a riqueza do matrimónio. Hoje, mais do que nunca, a preparação dos jovens para o matrimónio e para a vida familiar é necessária. Neste sentido, urge abrir caminhos para que os noivos não considerem o matrimónio como o fim do caminho, mas o assumam como uma vocação que os lança para diante, com a decisão firme e realista de atravessarem juntos todas as provações e momentos difíceis, construindo um caminho de amor (cf. CV 183).

O matrimónio tende a ser visto como mera forma de gratificação afetiva, que se pode constituir de qualquer maneira e modificar-se de acordo com a sensibilidade de cada um. Todavia, a Igreja continua a propor o matrimónio nos seus elementos essenciais – prole, bem dos cônjuges, unidade, indissolubilidade, sacramentalidade – não como um ideal para poucos, mas como uma realidade que, na graça de Cristo, pode ser vivida por todos os fiéis batizados. «É preciso encorajar os jovens batizados para não hesitarem perante a riqueza que o sacramento do matrimónio oferece aos seus projetos de amor, com a força do apoio que recebem da graça de Cristo e da possibilidade de participar plenamente na vida da Igreja» (AL 307).

A evangelização e a catequese de todos os que se preparam para o matrimónio cristão é fundamental, para que o mesmo seja vivido de forma integral. São necessários caminhos pastorais que nos levem a construir famílias felizes e fecundas segundo o plano de Deus, a recuperar a identidade cristã do matrimónio e da família.

O Matrimónio, um projeto a dois

O matrimónio é um bem que tem a sua origem no Deus Criador: Homem e mulher Ele os criou (Gn 1, 27). Segundo a Bíblia, o homem criado à imagem de Deus é homem e mulher: dois indivíduos chamados à unidade que exprime e anuncia a vocação de unidade e harmonia do próprio cosmos. Esta unidade é uma comunhão, onde cada um, mantendo a sua individualidade, a reconhece continuamente na relação com o outro. No par humano, o ser humano afirma-se como relacional, isto é, alguém que se descobre e constrói na relação com o outro. «Não lestes que o Criador, desde o princípio, os fez macho e fêmea? E disse: Por isso, o homem deixará o pai e a mãe, unir-se-á à sua mulher, e serão os dois uma só carne?» (Mt 19, 4-5). O homem e a mulher são, pois, chamados, desde a sua origem, a viver na comunhão de vida e de amor. O que efetivamente liga o ser humano é a densidade do amor – amor que assume matizes diferentes, segundo o estado de vida a que cada um foi chamado. O matrimónio é uma questão de amor: só se podem casar aqueles que se escolhem livremente e se amam. O amor, mais que um sentimento, é uma opção. Lê-se no Cântico dos Cânticos «O meu amado é para mim e eu para ele (…). Eu sou para o meu amado e o meu amado é para mim» (2, 16; 6, 3). Daqui sobressai o vínculo e a reciprocidade que se constrói na relação a dois. Comunidade natural, a união do homem e da mulher encontra na Palavra de Deus a luz que a guia pelos caminhos do amor. Não há receitas, até porque cada casal vive a sua realidade, mas a vida de comunhão torna-se um sinal para o mundo e uma força de atração que leva a ser fonte de vida nova. A doação recíproca envolve cada vez mais o intercâmbio de dons espirituais e apoio moral, para um crescimento no amor e na responsabilidade.
(D. António Manuel Moiteiro Ramos)