XXVIII Domingo do Tempo Comum – Ano C
Mensagem dominical das paróquias de São Jacinto e Torreira
A liturgia da Palavra deste domingo põe em evidência a experiência de cura, que o Senhor quer realizar em cada um de nós. No entanto, muitas vezes estamos demasiado fechados em nós, que não permitimos que o Senhor nos cure o nosso coração e a nossa vida.
Na primeira leitura do livro dos Reis nos é relatado a experiência do Sírio Naamã, que realizou uma viagem até ao Jordão a fim de ser curado. Porque acreditou nas palavras do profeta Eliseu e tendo mergulhado nas águas ficou curado. As águas do Baptismo que nos purifica e nos cura das nossas enfermidades do coração.
Na segunda leitura de São Paulo a Timóteo, o Apóstolo encoraja o seu amigo Timóteo a persistir na fidelidade ao Senhor mesmo diante das tribulações: «Se sofremos com Cristo, também com Ele reinaremos».
O Evangelho e São Lucas relata-nos a experiência dos leprosos que veem ao encontro de Jesus a fim de serem por Ele curados. A primeira atitude destes homens é ficar à distância porque não se podem aproximar da comunidade, mas clamam em alta voz: «Jesus, Mestre, tem compaixão de nós». No entanto, ao vemos que apenas um aceitou a conversão de coração como Jesus o afirma: «a tua fé te salvou». Os outros nove leprosos não se deixaram tocar pelo Senhor, é verdade que ficaram limpos da lepra, mas não se deixaram curar pelo Senhor.
“Vai a tua fé te salvou”
No trecho do Evangelho, o agradecimento do estrangeiro é muito mais do que um gesto de cortesia. Ele glorifica a Deus em alta voz, prostra-se aos pés de Jesus, agradece-Lhe. Reconhece que não é merecedor da cura que alcançou. É verdade que, se o compararmos com os outros nove, até tem um melhor comportamento: manteve a distância de Jesus que a Lei prescrevia, confiou nas Suas palavras, ia ter com os sacerdotes para que atestassem a cura alcançada, cumprindo assim, mais uma vez, os ditames da Lei. Teve comportamento exemplar, mas não ao ponto de merecer o dom da cura. Essa é apenas fruto da gratuidade do amor de Jesus. Foi isso que este estrangeiro descobriu. Os outros, os de casa, tão habituados a receber, não compreenderam. Acontece com frequência fixarmo-nos no dom e esquecermos o doador. Este samaritano compreendeu que Jesus é o dom do Pai para nós: Deus amou-nos tanto que nos deu o Seu Filho.
Como o Evangelho nos recorda, Jesus ia a caminho de Jerusalém, porque é de Jerusalém que chegará a salvação. Ali Ele se dará totalmente a nós, num amor até ao extremo. Jesus despojar-se-á totalmente de si mesmo para nos encher dos seus dons, de Si. Cada dom de Jesus é expressão do Seu amor, Sua expressão. Jesus dando-Se, deu-nos tudo. O Pai dando-nos Jesus, deu-nos tudo, deu-Se todo.
Foi a consciência da presença de Jesus, que de modo imprevisto irrompeu na vida deste leproso, que transformou a sua cura em salvação. Os outros também ficaram curados, mas não encontraram a salvação, a cura integral, a vida nova. Os outros, mesmo se curados, depois de alguns anos, morreram. O samaritano, graças à salvação alcançada, não morreu: vive para sempre, aquela plenitude de vida que a cura física simbolizava.
Jesus faz nascer o sol para todos, a todos dá o pão de cada dia, a todos concede o dom da vida. Mas para obter o dom da salvação é preciso reconhecer Jesus em cada um dos seus dons. Só então começa a vida nova: “levanta-te”, e começa um caminho novo: “vai”, o resultado final está garantido: “a tua fé te salvou”.
Jesus,abre os nosso olhos,
como fizeste com o estrangeiro leproso,
para que no dom da vida e em todos os outros dons
possamos reconhecer a tua presença e o teu amor.
O sol que se levanta em cada manhã, é um teu dom;
o pão de cada dia, é tua dádiva;
o irmão que encontro, é tua presença.
Quantos dons em cada dia!
Mas sendo de tal modo comuns nem nos damos conta que são dons,
dons extraordinários porque em todos eles
está a tua presença e o teu amor.
Solte-se a minha língua e abra-se o meu coração
para que te possa reconhecer e louvar-te em alta voz,
agradecendo-te e glorificando-te.
(Fabio Ciardi, in “Dovè Il Tu Tesoro…”)
5ª Congregação do Sínodo: propostas para um ministério laical feminino
A saúde integral da Amazônia, foi uma das preocupações expostas na congregação da manhã desta quarta-feira (9 de outubro) pelos Padre Sinodais. O modelo de desenvolvimento que devora a natureza, os incêndios que estão destruindo a região, a corrupção, a desflorestação e as plantações ilegais ameaçam tanto a saúde das pessoas quanto a do território e de todo o planeta.
Mais diálogo: Igreja ao lado das populações locais
Foi falado sobre a lentidão registrada, algumas vezes, por parte da Igreja em satisfazer as exigências da população. De fato, algumas vezes a Igreja está longe dos povos locais e este vazio é preenchido pela proposta das igrejas neopentecostais. Continua urgente e irrenunciável o diálogo ecumênico e inter-religioso: respeitoso e fecundo, dimensão fundamental para a Igreja em saída na região pan-amazônica, caracterizada por um contexto multicultural. A interculturalidade é mais do que um desafio. Não a uma imposição da própria cultura vinda de cima. Sim à acolhida do outro e a uma saudável descentralização no ponto de vista sinodal. A Igreja, sem esconder as dificuldades, seja missionária, tenha um rosto indígena e favoreça uma lógica segundo a qual a periferia seja o centro e o centro seja periferia em um rico movimento de mútua transformação.
Um ministério laical feminino
Ao mesmo tempo é preciso contrastar a
generalizada violência contra as mulheres.
Foi lançada a ideia de instituir um ministério
laical feminino para a evangelização. É preciso promover uma participação mais ativa da mulher na vida da Igreja em uma perspectiva samaritana.
Unidade na diversidade
Deve ser buscada a unidade na diversidade segundo a imagem do poliedro muitas vezes sugerida pelo Papa. Pede-se para passar, à escola de Jesus, de uma pastoral da visita a uma pastoral da presença e da escuta, proclamando a ternura divina e promovendo o cuidado da Casa Comum não apenas entre amigos, mas também entre os que estão longe e pensam de outro modo. Sobre Jesus devem ser enraizados os valores da fraternidade universal, da ecologia integral e dos estilos de vida inspirados no “bom viver” como resposta às muitas propostas egoístas dos nossos tempos.
Diante da tragédia climática denunciada em todo o planeta, o Sínodo é um momento de graça e uma grande oportunidade para a Igreja para que promova uma conversão ecológica e a educação integral.
Alguns excertos do 5º Sínodo (um olhar sobre a Igreja hoje)