CURSILHOS EM MOVIMENTO, DIOCESE EM MISSÃO

Georgino Rocha (Pde)

Georgino

 

 

 

 

 

Introdução

O projecto da Missão Jubilar acabou com celebrações festivas nos dias oito e onze de dezembro, dias em que celebrámos a Missão e a Memória da feliz restauração. A ressonância dos acontecimentos e das experiências vividas perdura em nós e marcará profundamente a vida cristã das comunidades e movimentos da nossa Diocese. A propósito, o Papa Francisco fala de “um bom e belo caminho” e envia uma mensagem/apelo para que a Igreja Católica em Aveiro “entre decididamente num processo de discernimento, renovação e reforma, sem impedimentos e sem receios”.

É neste ambiente jubilar que ocorrem as bodas de ouro do Movimento dos Cursilhos em Aveiro. Por isso estamos aqui. Queremos evocar a memória abençoada dos que nos precederam e, impulsionados pelo Espírito Santo, foram protagonistas em muitas frentes da renovação da Igreja diocesana, às vezes “contra ventos e marés”, mas sempre determinados a “remar forte na vida”, a levar a carta a Garcia, a ir mais longe em ultreia de irmãos peregrinos  de uma verdade maior e de um serviço mais evangélico. Queremos rever-nos nessa memória e aferir os nossos critérios pela fidelidade ao carisma original do Movimento, agora em circunstâncias históricas diferentes e, possivelmente, mais complexas. Queremos retemperar forças anímicas e espirituais para dar uma resposta generosa à missão recebida com a entrega do crucifixo: “Cristo, conta contigo”. Queremos cantar ao Senhor com arte e com júbilo para que o coração possa expandir a imensidade superabundante da sua alegria, como afirma Santo Agostinho, a propósito da festa de Santa Cecília. (Liturgia das Horas, memória de Santa Cecília, tomo IV tempo comum).

 

 

  1. 1.      A alegria que vivemos não tem apenas raízes humanas, como lembra o Papa Francisco na exortação apostólica “A alegria do Evangelho”. É bom fazer um mergulho na fonte da verdadeira alegria, deixar-se possuir por ela e fazer-se sua testemunha e anunciador. Este pode ser, a meu ver, o primeiro desafio a assumir e um dos principais contributos a dar pelo Movimento nesta celebração Jubilar.

Ouçamos o que nos diz o Santo Padre: “A ALEGRIA DO EVANGELHO enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Quantos se deixam salvar por Ele são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento. Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria.” (nº 1) E conclui afirmando: “Quero, com esta Exortação, dirigir-me aos fiéis cristãos a fim de os convidar para uma nova etapa evangelizadora marcada por esta alegria e indicar caminhos para o percurso da Igreja nos próximos anos.”

Acolher este convite e responder prontamente a este desafio leva-nos a sintonizar com a Igreja e a entrar na nova etapa de evangelização que se anuncia. Mas a alegria está em perigo e corre sérios riscos de ser desvirtuada. O consumismo abafa o coração e adormece as suas aspirações mais nobres. O individualismo amarra a consciência com laços egoístas, insensibiliza-a face à situação dos outros e priva-a da alegria de reagir positivamente ao clamor que lhe chega. A supremacia do ter subjuga o ser de cada pessoa, cavando fossos de isolamento, agravando distâncias, abrindo feridas de relacionamento, limitando horizontes de doação enriquecedora.

“Quando a vida interior se fecha nos próprios interesses – lembra o Papa Francisco -, deixa de haver espaço para os outros, já não entram os pobres, já não se ouve a voz de Deus, já não se goza da doce alegria do seu amor, nem fervilha o entusiasmo de fazer o bem. Este é um risco, certo e permanente, que correm também os crentes. Muitos caem nele, transformando-se em pessoas ressentidas, queixosas, sem vida. Esta não é a escolha duma vida digna e plena, este não é o desígnio que Deus tem para nós, esta não é a vida no Espírito que jorra do coração de Cristo ressuscitado”.

 

Renovo a minha convicção profunda: evangelizar a alegria, apresentar a boa nova que ela comporta e a beleza que irradia constitui uma urgência desta hora que o Movimento está chamado a assumir e vivenciar. Sobretudo nas festas familiares e populares. À sombra do santo padroeiro ou de algum acontecimento feliz na família: casamento, baptizado, fim de curso… quanta alegria desvirtuada, a necessitar de reencaminhamento, de mais sentido humano, de evangelização. Não percamos esta hora. Todos sairemos a ganhar! Reconheço igualmente a urgência de termos um rosto feliz, de pessoas que vivem a ressurreição no quotidiano, de cidadãos que mantém uma correcta relação com os bens, que apreciam a sobriedade e cultivam “a ética do suficiente”.

 

  1. 2.      A alegria cristã nasce da fé, do acolhimento de Deus que se humaniza connosco e tem um projecto de felicidade a construir com todos/as e cada um/a para bem da sociedade em que vivemos e de que fazemos parte. Foi assim nos tempos passados, assim será agora e no futuro. Convido-vos, irmãos e irmãs, a contemplar o rosto sereno e alegre de Maria na sua maternidade, o silêncio eloquente de José, o homem justo a quem Deus confia os cuidados da sua família, e de tantos outros que Bento XVI, o papa que promulgou o Ano da Fé, nomeia a título de exemplo. Convido-vos a ver com os olhos do coração o sorriso rasgado e expressivo do papa Francisco, a proximidade e ternura do nosso Bispo, António Francisco, que não cessam de nos surpreender com as suas iniciativas corajosas, com a sua presença amiga estimulante; convido-vos a vivenciar o testemunho jubiloso dos membros das equipas que orientam os cursilhos e a exuberância das clausuras de encerramento.

 

Ouçamos de novo o que nos diz o Papa Francisco: “Convido todo o cristão, em qualquer lugar e situação que se encontre, a renovar hoje mesmo o seu encontro pessoal com Jesus Cristo ou, pelo menos, a tomar a decisão de se deixar encontrar por Ele, de O procurar dia a dia sem cessar. Não há motivo para alguém poder pensar que este convite não lhe diz respeito, já que «da alegria trazida pelo Senhor ninguém é excluído». Quem arrisca, o Senhor não o desilude; e, quando alguém dá um pequeno passo em direcção a Jesus descobre que Ele já aguardava de braços abertos a sua chegada. (nº 3).

 

Provocar o encontro pessoal com Cristo, eis outro grande apelo/desafio que nos é posto. Identificar pessoas, fazer-se próximo e amigo, testemunhar um estilo de vida novo que interpele e desperte energias adormecidas, aguardar paciente e lucidamente a hora de fazer a proposta directa em ordem a participar num cursilho constituem elementos fundamentais deste processo que visa alcançar aquele encontro. E tudo isto precedido e acompanhado com as alavancas dos joelhos em oração e com os braços em penitência de amor. Encontro que gera a felicidade proclamada no Evangelho, que marca a existência cristã, que dá força ao testemunho apostólico, que abre caminhos à evangelização. A experiência da nossa Missão Jubilar confirma e testemunha esta certeza, aliás proclamada como bem-aventurança por Jesus Cristo e cantada, em diversos tons, por D. António Francisco como agora na mensagem de Natal. “O melhor presépio de Jesus será sempre o coração dos pobres em espírito, dos puros, dos misericordiosos, dos pacíficos, dos que fazem das bem-aventuranças critério de vida e se sentem tocados de perto pelo amor do nosso bom Deus.”

Mas a felicidade genuína está quase ausente da vida cristã, das comunidades eclesiais e das instituições da sociedade. A fome de ser feliz é frequentemente paliada com pequenas migalhas que a publicidade apresenta com centelhas de luz irresistível.

Um bom publicitário – escreve Tolentino de Mendonça – elabora um frio, mas exato diagnóstico da alma do seu tempo. Sabe que os seres humanos mantêm soterrado a muitas braças de profundidade um sonho de felicidade com o qual desejam comunicar. Sabe que num tempo que virou costas à natureza, o ser humano não deixou de precisar do convívio com os grandes espaços, a céu aberto. (…). Sabe que os quotidianos férreos e apinhados, que nos trazem voluntária ou involuntariamente sequestrados, não cancelaram do nosso coração a necessidade de palavras puras, de gestos essenciais, de experiências de gratuidade.

E o padre, poeta e biblista, director do SNPC, conclui a sua oportuna reflexão, alertando para a necessidade de nós próprios, individualmente e em comunidades, encetarmos a preciosa tarefa de fundar uma humilde, imperfeita e inacabada ciência da felicidade. (In Revista Expresso 2146, 14/dez/2013, p. 11)

Este alerta constitui, sem dúvida, um novo desafio ao Movimento que tem como dinâmica a alegria jubilosa de quem vive e convive o fundamental cristão e quer irradiar a beleza da graça multicolorida. A crise em que estamos mergulhados acentua esta urgência. É uma constante do Evangelho proclamado neste tempo de nova evangelização. “Feliz és tu porque acreditaste” – exclama Isabel ao receber a visita de Maria. Feliz quem te gerou – grita a mulher que escutava a pregação de Jesus. Felizes os que ouvem a palavra e a põem em prática.

Demos rosto humano à felicidade. Deixemos “a cara de enterro” e abramo-nos à alegria pascal, que surge radiosa após a paixão sofrida por amor.

  1. 3.      A fé, sendo um dom de Deus que se acolhe, é resposta humana que envolve a pessoa toda: o coração para amar o que Deus ama, sobretudo os feridos da vida; a inteligência para penetrar o mais possível no projecto sonhado por Deus e implementado por Jesus Cristo, Seu Filho e nosso irmão; a vontade para querer o que Deus quer e, em manhãs de primavera sorridente e promissora ou em outonos de baixa intensidade luminosa ou mesmo de progressiva diminuição do crepúsculo solar e apagamento da vida, permanecer firme e fiel como Maria junto à cruz no calvário. Os desafios da fé constituem, sem dúvida, o cerne do homem/mulher crente, inquieto no seu coração que sempre busca um amor  maior, àvido de uma verdade mais plena para a sua inteligência peregrina, desejoso de uma fidelidade crescente que dê firmeza e consistência à sua vontade debilitada pelas limitações e pecados.

João Paulo II dedica uma encíclica à relação “A fé e a razão” (1998) e afirma que constituem duas asas possantes para o homem voar na liberdade, orientar o rumo do vôo e alcançar a verdade possível. Infelizmente esta encíclica – que é uma das mais importantes do seu rico magistério -, está quase esquecida. Santo Agostinho, a propósito desta relação, é incisivo «Quem crê, pensa, e pensando, crê. A fé, se não é pensada, é nula». Grande interpelação nos é feita: Pensar a fé e buscar os seus fundamentos, aprender as suas certezas, enraizar convicções, estar pronto para dar as razões da nossa esperança àqueles que nos pedirem.

A fé corre perigos de desvirtuamento. “É fácil, efetivamente, deslizar para uma fé que seja apenas abandono confiante, quase cego, fugindo de toda a interrogação, cancelando qualquer rumor do pensamento, fazendo empalidecer e definhar a religião num progressivo sentimentalismo devocional”, adverte o Cardeal Ravasi, presidente do Pontifício Conselho para a Cultura. “Contudo também é perigoso avançar pela outra vertente, a de uma racionalidade de tal maneira absorvente que reduz a religião a um conjunto de teoremas, a um sistema especulativo no qual tudo se ordena, a uma geometria teológica que não deixa espaço ao mistério e ao transcendente.”

”Bento XVI dedicou também uma especial atenção à relação da fé com a ciência, da religião com a razão, da sabedoria do amor com a tecnologia da eficácia.

É muito sugestiva a definição de fé que a Carta aos Hebreus nos oferece: «A fé é garantia das coisas que se esperam e certeza daquelas que não se veem» (11, 1).

Aos desafios que, hoje, se colocam aos cristãos no campo da fé pode e deve o Movimento dedicar a sua atenção prioritária: requalificando a fé dos seus membros, irradiando a luz pascal nas situações de vida testemunhadas nas ultreias, questionando-se nas reuniões de grupo, anunciando jubilosamente a alegria do ser cristão no cursilho, procedendo de tal modo que o seu agir possa constituir para a Igreja diocesana uma referência exemplar do itinerário da fé de um “catecúmeno” que deseja ser cristão adulto, por meio da iniciação cristã.

Este processo é, sobretudo, desafio para a Igreja diocesana, designadamente nas paróquias e nos arciprestados. Sem iniciação cristã de adultos, a Igreja fica privada da melhor proposta para “fazer” um cristão, a partir da situação em que se encontra e para o acompanhar em todas as fases do seu crescimento na fé e inserção na comunidade e nos ambientes socioprofissionais.

 

  1. 4.       O homem de fé assemelha-se aos “peixes que bebem no rio” do amor com que Deus nos ama, no mar largo da caridade fecunda. Sem esta, aquela é estéril, os ritos ficam vazios e a moral cristã uma farsa irritante ou um colete-de-forças que amarra consciências débeis.

 

Deus é amor/caridade. E faz-nos participantes do seu amor, por meio de Jesus Cristo. Deixar-se amar, acolher este amor e dar-lhe resposta de entrega generosa origina a fé de adesão cordial, a confiança filial, a relação fraterna entre todos os que reconhecem o amor com que Deus os ama. Como é admirável esta realidade confirmada pelo Espírito Santo que nos foi dado. E que bom seria, deixar-se envolver por ela e dar testemunho da sua beleza no serviço generoso que praticamos com humildade.

 

A caridade toma rosto humano pessoal e comunitário, espontâneo ou organizado. Força ao envolvimento total. Impulsiona o compromisso libertador. Conduz à entrega mais generosa em prol de todos, sobretudo dos desconsiderados e excluídos que o papa Francisco designa pelos que vivem nas periferias existenciais. É o amor que gera a vida. Em nós e à nossa volta. Não podemos ser estéreis, nem deixar que a esterilidade da vida cristã retire a vitalidade à nossa fé, ao Evangelho de Jesus Cristo, à força renovadora do Espírito Santo, à missão humanizadora da Igreja num mundo à procura de si mesmo nesta fase que parece “voar nas asas da aurora” de uma nova época civilizacional. (Cf salmo 138).

 

A caridade verifica a verdade da fé, a sua integridade e autenticidade, a sua saúde vivificante. A fé, por sua vez, faz-nos ver Deus “cara a cara” nos pobres, ilumina e dá sentido, identidade e consistência à caridade.(cf. PF 14).

Sem fé, a caridade reduz-se a mera filantropia e fica sujeita aos humores de ocasião ou a circunstâncias de conveniência. A fé remete-nos a Deus, fonte de todo o amor, e a Jesus Cristo, a grande testemunha do amor misericordioso do nosso Deus. Pode dizer-se que é mentira a fé que não nasce do amor e que é, igualmente, mentira a caridade que não vive da fé. A caridade é a verdade da fé. A mensagem final do Sínodo sobre a Nova Evangelização, nº 12, usa duas expressões que fazem credível o Evangelho: A contemplação e o serviço aos pobres. O gesto da caridade deve ser acompanhado pelo compromisso pela justiça que envolva ricos e pobres.

 

A fé proporciona critérios de pensamento e directrizes de acção que orientam o exercício da caridade (PF 19). Enumeram-se alguns:

– A fé descobre-nos que é o amor que salva. Quando alguém experimenta um grande amor na sua vida, trata-se de um momento de “redenção”, que dá um novo sentido à sua existência. O amor deve estar presente em todos  os âmbitos de vivência da fé e da acção pastoral. É preciso dar, mas sobretudo dar-se, dar amor. Só assim, o dom não humilha, mas dignifica  a pessoa que dá e a que recebe (DCE nº 34).

– A fé faz-nos olhar e escutar o pobre como o olha e escuta Deus. A Igreja deve escutar com ouvidos de fé o grito dos pobres, ouvindo no seu clamor a voz do filho de Deus que, sendo rico se despojou da sua riqueza e se fez pobre por nossa causa. Escutar a voz de Deus neste clamor é indispensável para que o nosso serviço pastoral seja autêntico e fiel.

– A fé envolve a luta contra a injustiça que gera a pobreza. Faz parte deste compromisso, descobrir as causas da pobreza e os mecanismos que a geram e consolidam.

– A fé oferece-nos a ternura necessária para optar pelos que estão nas “periferias” dos centros da vida, os espoliados da sua dignidade, os sem rumo/sentido para a existência, os expostos à intempérie e sem qualquer abrigo.

– A fé faz-nos descobrir a dimensão evangelizadora da caridade. Jesus, o enviado do Pai e ungido pelo Espírito para evangelizar os pobres, anuncia a boa notícia do amor de Deus que liberta. O exercício da caridade é elemento constitutivo da natureza e missão da Igreja (DCE nº 25)

– A fé proporciona-nos a espiritualidade que requer a acção socio-caritativa e social. (Vicente Altava Gargallo, Fe y caridad. Lectura pastoral de una relación mutuamente clarificadora y verificadora, Corintios XIII nº 146, pp  50-65).

Que bela missão nos está confiada em Igreja para humanizar a sociedade, a partir dos mais vulneráveis. Quem ama inventa modos de servir. O amor é criativo, ousado, oportuno, destemido. Basta lembrar o exemplo de tantas mães e pais de família, da Madre Teresa de Calcutá e de muitos outros. A intervenção e o envolvimento brotam desta fonte que irriga a nossa humanidade e manifesta a pureza da nossa fé apostólica.

 

 

  1. 5.      O mundo à procura de sentido digno da condição humana está marcado por luzes e sombras em que emergem pessoas líderes particularmente responsáveis e influentes. Apresenta-nos motivos de tristeza pela miséria de milhões de pessoas que não conhecem outra realidade a não ser o sofrimento e a exploração; pelas guerras, as injustiças e as “estruturas de pecado” que podem parecer inevitáveis e impossíveis de erradicar; pela enorme pobreza de não conhecer Cristo – facto que a Madre Teresa de Calcutá considera “a primeira pobreza dos povos”, e da qual não se livra nenhum canto da terra. (Zenit.org)

Apresenta-nos também sementes de vida, verdade e amor, muitas vezes silenciosas, que as pessoas de boa vontade cultivam em todos os cantos, construindo o Reino de Deus; oferece o que tem de melhor para a Igreja realizar a missão que lhe foi confiada, como as modernas plataformas de comunicação e diálogo, a progressiva humanização das políticas sociais e educativas. Proporciona-nos espaços para o exercício da cidadania cívica, da intervenção construtiva, da participação responsável, da prática da liberdade religiosa. Há, por isso, motivos sérios para a alegria e a esperança.

Mas é preciso reforçar energias e fortalecer o sentido de fraternidade entre todos os homens de modo a unirem esforços e promoverem o desenvolvimento, o amor e a solidariedade. A grande mensagem de esperança é o próprio Cristo! Mensagem que milhões de homens e mulheres de boa vontade anunciam, sem descanso pelo mundo, bem como a Igreja, o Santo Padre e os cristãos que se esforçam por viver a sério o Evangelho. (Papa Francisco, Mensagem para o Dia Mundial da Paz 2014).

 

Hoje – é um facto incontroverso – os lobys fazem sentir a sua força e procuram condicionar as decisões de quem governa e os programas de quem pretende educar ou in/formar. Estamos a passar por uma fase de desconstrução do ser humano, anulando a sua originalidade de ser masculino e feminino, de se identificar como pai e como mãe, de ter uma família estruturada e convivial, de cada pessoa saber quem é, donde vem e para onde vai. O horizonte de vida parece ser o bem-estar, a vida boa, o culto do ego, o gozar o momento feliz, a hora que foge. ( Sobrinho que diz ao tio: Vivo à hora! Tinha acabado uma noite de orgia e o tio sugeria-lhe que não fizesse nada de que tivesse de se arrepender no futuro).

 

O Movimento, fiel à sua estratégia de sempre, sente o imperativo de “trabalhar” com líderes, de os habilitar para viverem o fundamental cristão nos seus ambientes, de lhes proporcionar espaços de partilha e ajuda mútua, de revigorar as suas forças anímicas e espirituais para serem vértebras do novo organismo social que espelha a harmonia do seu conjunto, a beleza da função de cada parte e a maravilha da convivência entre todos, alicerçada na justiça e no amor.

“A mensagem e a experiência de Cristo são o maior dom que existe. A partir dessa experiência fundadora tudo pode advir: a paz, a justiça, o amor, o crescimento humano e espiritual das pessoas e de sociedades inteiras.” (Zenit.org).

“Temos caminho andado, alegria vivida, entusiasmo sentido e vontade de caminhar” Ganhamos dinamismos que devem permanecer e continuar”, garante D. António Francisco dos Santos. A hora é de esperança e de forte apelo à intervenção.

 

O Movimento em toda a sua mensagem, especialmente o rolho do ideal cristão, dispõe de uma boa “ferramenta” para propor a visão integral do ser humano, de valorizar cada parte, sem abdicar da harmonia do conjunto, de afirmar claramente a identidade do masculino e do feminino, do pai e da mãe, do nome próprio de cada filho/a, de viver em família estruturada em torno à diversidade de funções convergentes na comunhão de afectos e de projectos. Deve por isso ter em conta o apelo feito pelos bispos portugueses em recente Instrução Pastoral e procurar resposta válida à “ideologia do género”. (14 de Novembro de 2013).

 

Em resumo, ficam indicados alguns desafios ao Movimento que brotam da situação vivida na Igreja e na sociedade. Oxalá tenhamos a coragem de os enfrentar com ousadia e de prosseguir com determinação na descoberta e identificação de outros para sermos fiéis ao carisma original do Movimento. Assim reforçaremos a nossa função na Igreja diocesana na etapa nova da evangelização decorrente da feliz Missão Jubilar.

Com o Papa Francisco devemos reconhecer que a Igreja tem necessidade de um olhar solidário para contemplar, comover-se e parar diante do outro, tantas vezes quantas forem necessárias.” (EG, nº 169). E, com alegria confiante, rezamos com o nosso Bispo: “Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe, fazei-nos, nesta hora jubilar, mensageiros das bem-aventuranças, apóstolos do Evangelho e construtores de uma sociedade justa e fraterna”. (in boletim Encontro, nº 58 Nov 2013, p. 3). Por isso, Irmãos, celebramos as bodas de ouro do MCC em Aveiro. Vivemos as festas jubilares com um programa rico, diversificado e assertivo. Esta é a nossa hora. Agora é a vez. Vamos remar forte na vida.

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