{"id":3514,"date":"2026-07-06T14:36:10","date_gmt":"2026-07-06T13:36:10","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/v3\/?p=3514"},"modified":"2026-07-06T14:36:10","modified_gmt":"2026-07-06T13:36:10","slug":"eu-te-bendigo-o-pai-senhor-do-ceu-e-da-terra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/v3\/2026\/07\/06\/eu-te-bendigo-o-pai-senhor-do-ceu-e-da-terra\/","title":{"rendered":"Eu te bendigo, \u00f3 Pai, Senhor do C\u00e9u e da Terra"},"content":{"rendered":"\n<p>Homilia de D. Ant\u00f3nio Moiteiro no Dia da Igreja Diocesana &#8211; 05 julho, no Semin\u00e1rio de Aveiro<\/p>\n\n\n\n<p><strong>1.<\/strong><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/strong><strong>Deus revela-se aos simples<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Um dia, Jesus surpreendeu toda a gente ao dar gra\u00e7as a Deus pelo seu sucesso com as pessoas da Galileia e pelo seu fracasso com os doutores da lei, escribas e sacerdotes: \u00ab<em>Bendigo-te, \u00f3 Pai, Senhor do C\u00e9u e da Terra, porque escondeste estas coisas aos s\u00e1bios e aos ignorantes e as revelaste aos pequeninos<\/em>\u00bb Nota-se que Jesus est\u00e1 contente. \u00ab<em>Sim, \u00f3 Pai, porque isso foi do teu agrado<\/em>\u00bb. Esta \u00e9 a maneira que Deus tem para se revelar e comunicar.<\/p>\n\n\n\n<p>A gente simples e ignorante est\u00e1 disposta a deixar-se ensinar por Jesus, porque o Pai est\u00e1 a revelar-lhes o seu amor atrav\u00e9s do seu Filho. Entendem Jesus como ningu\u00e9m. Os s\u00e1bios e os inteligentes n\u00e3o entendem nada. T\u00eam a sua pr\u00f3pria vis\u00e3o de Deus e da religi\u00e3o e pensam saber tudo. A sua vis\u00e3o fechada e o seu cora\u00e7\u00e3o endurecido impedem-nos de se abrir \u00e0 revela\u00e7\u00e3o do amor de Deus Pai atrav\u00e9s do seu Filho.<\/p>\n\n\n\n<p>No texto do evangelho, Jesus faz a cada um de n\u00f3s individualmente e \u00e0 diocese de Aveiro, enquanto comunidade convocada para celebrar os louvores de Deus, tr\u00eas chamamentos que nos devem interpelar no processo que estamos a realizar das comunidades pastorais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00ab<em>Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos<\/em>\u00bb, o mesmo \u00e9 dizer que se se encontrarem vitalmente com Jesus, experimentar\u00e3o um al\u00edvio imediato: \u00abEu hei de aliviar-vos\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00ab<em>Tomai sobre v\u00f3s o meu jugo\u2026 Pois o meu jugo \u00e9 suave e o meu fardo \u00e9 leve<\/em>\u00bb. Temos de abandonar o jugo dos s\u00e1bios e dos inteligentes, n\u00e3o porque Jesus exija menos. Exige mais, mas de outra maneira. Exige o essencial: o amor que liberta e faz viver.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00ab<em>Aprendei de mim, porque sou mando e humilde de cora\u00e7\u00e3o<\/em>\u00bb. Jesus n\u00e3o complica a vida, mas torna-a mais simples e humilde. N\u00e3o oprime, ajuda a viver de maneira mais digna e humana. \u00c9 um \u201cdescanso\u201d encontrar-se com ele.<\/p>\n\n\n\n<p>As pessoas simples do seu tempo, que viviam a defender-se da fome e dos grandes senhores, entendiam Jesus muito bem: Deus queria v\u00ea-los felizes, sem fome nem opressores. Os doentes confiavam nele e, animados pela sua f\u00e9, acreditavam no Deus da vida. As mulheres que se atreviam a sair de casa para o ouvir intu\u00edam que Deus tinha que amar como Jesus dizia: com entranhas de m\u00e3e. O Deus que lhes anunciava era o que esperavam e do qual tinham necessidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>2.<\/strong><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/strong><strong>O estilo de Igreja a construir<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Documento Final do S\u00ednodo de 2024 afirma que \u00e9 preciso tempo para chegar a escolhas que envolvam a Igreja inteira, a fim de promover rela\u00e7\u00f5es capazes de sustentar e orientar a miss\u00e3o da Igreja, que levou a \u00abcomunidade apost\u00f3lica de Jerusal\u00e9m a selar o resultado do primeiro evento sinodal com as palavras: \u201cO Esp\u00edrito Santo e n\u00f3s decidimos\u201d (<em>At<\/em> 15,28). Invocando a sua luz, o Povo de Deus, participante da fun\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica de Cristo (cf. <em>LG<\/em> 12), \u201cesfor\u00e7a-se por discernir nos acontecimentos, nas exig\u00eancias e aspira\u00e7\u00f5es, em que participa juntamente com os homens de hoje, que s\u00e3o os verdadeiros sinais da presen\u00e7a ou da vontade de Deus\u201d (<em>GS <\/em>11). Tal discernimento serve-se de todos os dons de sabedoria que o Senhor distribui na Igreja e enra\u00edza-se no <em>sensus fidei<\/em> comunicado pelo Esp\u00edrito a todos os Batizados. \u00c9 neste esp\u00edrito que a vida da Igreja sinodal mission\u00e1ria deve ser entendida e reorientada\u00bb (<em>DF<\/em> 81).<\/p>\n\n\n\n<p>O Dia da Igreja Diocesana, que nos congrega no final de mais um ano pastoral, apresenta a toda a Diocese o \u201c<em>Instrumentum Laboris<\/em>\u201d sobre as Comunidades Pastorais. Este documento ser\u00e1 ocasi\u00e3o de estudo e reflex\u00e3o, tendo em vista \u00e0 sua aprova\u00e7\u00e3o na Assembleia Diocesana Sinodal, marcada para os dias 24 de outubro, 7 de novembro e 22 de novembro, solenidade de Cristo Rei.<\/p>\n\n\n\n<p>Real\u00e7o apenas algumas das ideias que me parecem importantes neste momento da nossa vida em Igreja.<\/p>\n\n\n\n<p>Da leitura do contributo dos trabalhos de grupo nas assembleias arciprestais, consegue-se perceber que h\u00e1 um estilo de Igreja que se anseia construir e testemunhar: uma Igreja centrada em Jesus Cristo, reunida e alimentada na Eucaristia, fonte, caminho e cume da vida crist\u00e3; uma Igreja \u201cmais aberta, alegre e pr\u00f3xima\u201d, ousada e capaz de criar comunidades que fomentem a \u201cescuta, o di\u00e1logo, o sil\u00eancio\u201d, em ordem ao discernimento e \u00e0 tomada de decis\u00f5es;<\/p>\n\n\n\n<p>Uma Igreja de \u201ctodos e para todos\u201d, capaz de \u201cdiversificar minist\u00e9rios\u201d, para uma maior partilha de responsabilidades, apelando-se a uma \u201cconverg\u00eancia em torno do sonho diocesano centrado em &#8220;Cristo ressuscitado&#8221;, &#8220;comunh\u00e3o&#8221; e forma\u00e7\u00e3o de &#8220;disc\u00edpulos mission\u00e1rios\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>As a\u00e7\u00f5es pastorais a desenvolver devem privilegiar o acolhimento, renovando estruturas, de modo \u201ca n\u00e3o serem sempre as mesmas pessoas\u201d, permitindo \u201cque pessoas diferentes fiquem motivadas a intervir e a sentir-se responsabilizadas\u201d. A din\u00e2mica deve ser \u201cdiferente daquela a que estamos habituados\u201d, promovendo a escuta e o caminho sinodal. Pensar em conjunto, \u201cser peregrino de esperan\u00e7a, liderando pelo exemplo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Os \u00f3rg\u00e3os de comunh\u00e3o e miss\u00e3o devem privilegiar a evangeliza\u00e7\u00e3o e promover a renova\u00e7\u00e3o da Igreja e devem ser liderados por \u201calgu\u00e9m que oriente com esp\u00edrito de miss\u00e3o e cora\u00e7\u00e3o aberto\u201d. Devem, igualmente, estar \u201catentos \u00e0s necessidades da comunidade\u201d e das pessoas que a constituem, n\u00e3o esquecendo a presen\u00e7a numerosa de pessoas de cultura diferente da europeia que vivem entre n\u00f3s e muitas delas j\u00e1 participam na vida das nossas comunidades crist\u00e3s.<\/p>\n\n\n\n<p>A op\u00e7\u00e3o pela cria\u00e7\u00e3o e implementa\u00e7\u00e3o das \u201cComunidades Pastorais\u201d, como resposta \u00e0s urg\u00eancias e aos desafios do tempo presente, \u00e0s solicita\u00e7\u00f5es e propostas do Povo Santo e Fiel de Deus, assenta nestes pressupostos teol\u00f3gicos. Eles s\u00e3o o farol, o alerta permanente para n\u00e3o se cair na tenta\u00e7\u00e3o de pensar e realizar uma mera reorganiza\u00e7\u00e3o administrativa, sem chama, sem <em>parresia<\/em>, sem ardor evangelizador que deixe uma marca neste mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o quero terminar esta homilia sem referir os apelos do Papa Le\u00e3o XIV no recente Consist\u00f3rio de cardeais, e que se aplicam ao momento da Igreja diocesana que estamos a viver: \u00abSe soubermos continuar a procurar juntos a vontade do Senhor, deixando-nos orientar pelo Esp\u00edrito Santo, estou certo de que a nossa comunh\u00e3o se tornar\u00e1 cada vez mais fecunda para a miss\u00e3o da Igreja e para o servi\u00e7o a toda a fam\u00edlia humana; o estilo de Igreja a que somos chamados \u00e9 que cada batizado, segundo a sua voca\u00e7\u00e3o e responsabilidade, participe na constru\u00e7\u00e3o da civiliza\u00e7\u00e3o do amor e no servi\u00e7o ao bem comum; em toda a Igreja, desejamos promover espa\u00e7os onde o Povo de Deus possa ouvir-se, rezar, discernir e caminhar unido.\u00bb<\/p>\n\n\n\n<p>Colocamos toda a vida diocesana, os crist\u00e3os e os homens e mulheres de boa vontade que habitam no espa\u00e7o diocesano, no rega\u00e7o de Maria e oxal\u00e1 aprendamos a responder como ela, com generosidade e sem medo, aos desafios que temos pela frente. Que Santa Joana Princesa, nossa padroeira, interceda por n\u00f3s junto de Deus e nos d\u00ea a for\u00e7a que nela se manifestou na realiza\u00e7\u00e3o da vontade de Deus.<\/p>\n\n\n\n<p>Aveiro, 5 de julho de 2026<\/p>\n\n\n\n<p>Dia da Igreja Diocesana<\/p>\n\n\n\n<p>\u2020 Ant\u00f3nio Manuel Moiteiro Ramos, Bispo de Aveiro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia de D. 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